Não fiquei nem um pouco animado
quando O Diabo Veste Prada 2 foi
anunciado. O filme original não era algo que se prestava a continuações, ainda
mais com a dimensão semiautobiográfica do livro que inspirou o filme, com a
autora Lauren Weisberger baseando a história nas experiências que teve
trabalhando na revista Vogue. O trailer da continuação não ajudou a me convencer,
focando muito no sarcasmo e veneno da Miranda Priestly ao ponto de quase
reduzi-la a uma caricatura. Temi que fosse mais uma dessas continuações tardias
que não tem nada a oferecer além de um apelo nostálgico raso. Tendo assistido o
filme, fico muito feliz de perceber que minhas impressões estavam erradas e a
produção entrega algo que talvez seja mais relevante hoje do que o original foi
no seu lançamento em 2006.
A moda do capitalismo tardio
A narrativa coloca Andy (Anne
Hathaway) para trabalhar novamente na revista Runway depois que o jornal em que
trabalhava fecha as portas. Ela é contratada para lidar com a crise de imagem
da revista depois da publicação de uma reportagem elogiando uma marca que tinha
métodos de produção bastante predatórios. Como Miranda Priestly (Meryl Streep) estava
prestes a ser promovida a editora geral do grupo editorial que controla a
Runway, ela precisa que a crise seja resolvida logo. Andy, no entanto, logo se
dá conta que é preciso mais do que um jornalismo de qualidade ou responsabilidade
em um ambiente de publicações digitais, métricas de engajamento e uma paisagem
corporativa em constante mudança por conta de fusões, aquisições e outros
movimentos dos bilionários que controlam tudo.