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quarta-feira, 8 de abril de 2026

Crítica – Emergência Radioativa

 

Análise Crítica – Emergência Radioativa

Review – Emergência Radioativa
Eu não era nascido quando aconteceu o acidente radioativo com o césio-137 em Goiânia, mas lembro de ouvir na escola a respeito dele. Um caso que se tornou símbolo da importância do controle da circulação de elementos radioativos e como o menor dos vazamentos pode trazer riscos catastróficos. Produzida pela Netflix, a minissérie Emergência Radioativa tenta recontar essa história e como o descaso das autoridades causou consequências.

Cidade irradiada

A narrativa reconta o caso da contaminação radioativa em Goiânia, que começa quando uma dupla de sucateiros encontra a carcaça de uma máquina de raio-x em uma clínica desativada. Eles levam o material para o ferro-velho de Evenildo (Bukassa Kabengele), que compra o material por conta do valor do chumbo. Ele abre o dispositivo e encontra o cabeçote que armazenava o pó radioativo do césio, achando bonito o pó brilhante e levando ele para casa. Dias depois, a família dele começa a passar mal e a esposa de Evenildo leva o cabeçote para um posto da vigilância sanitária suspeitando que o objeto seja responsável. É nesse ponto que o físico nuclear Márcio (Johnny Massaro), que está na cidade para o aniversário do pai, é chamado por um colega da vigilância sanitária e faz a medição da radiação, alertando o secretário de saúde da gravidade da situação. As autoridades são alertadas e o físico Benny Orenstein (Paulo Gorgulho), membro da Comissão Nacional de Energia Nuclear, vem do Rio de Janeiro para liderar a força tarefa responsável para conter a contaminação e tratar os contaminados.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Crítica – As Travessias de Letieres Leite

 

Análise Crítica – As Travessias de Letieres Leite

Review – As Travessias de Letieres Leite
Músico de trajetória longeva, com experiência em educação e fundador da Orquestra Rumpilezz, Letieres Leite não é influente apenas na música baiana, tendo trabalhado com artistas de diferentes lugares do Brasil e do mundo. O documentário As Travessias de Letieres Leite tenta dar conta dos caminhos formativos que contribuíram para sua trajetória singular.

Caminho ancestral

O documentário parte de uma longa e inédita entrevista com o Letieres Leite, falecido em 2021, para mostrar as várias influências na produção musical e ensino do maestro, culminando em seus projetos com a orquestra Rumpilezz. Estruturalmente é bem típico de documentários sobre artistas, com entrevistas e imagens de arquivo articuladas pela montagem, mas seu grande mérito é conseguir dar conta da trajetória do biografado de maneira que saímos entendendo seu grande impacto para a música e também como diferentes vivências, do trabalho com artes plásticas às suas experiências com religiões afro brasileiras, orientaram seu trabalho musical.

terça-feira, 31 de março de 2026

Crítica – Feiraguay

 

Análise Crítica – Feiraguay

Review – Feiraguay
Antes de falar qualquer coisa sobre Feiraguay preciso ser transparente e dizer que o diretor, Francisco Gabriel Rêgo, foi meu colega de doutorado e é um amigo próximo, então o que tenho a dizer sobre o filme não tem como ser um olhar plenamente distante ou imparcial sobre o documentário.

Feira do povo

Como o título diz, o documentário é sobre o Feiraguay, área de comércio popular na cidade de Feira de Santana, interior da Bahia. A narrativa conta a história de como o Feiraguay se tornou o marco da cidade que é hoje ao mesmo tempo em que pondera sobre o papel das feiras e áreas de comércio popular em áreas urbanas e os vários tensionamentos que emergem dentro de um espaço tão diverso.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Crítica - Para Vigo Me Voy!

 

Análise Crítica - Para Vigo Me Voy!

Review - Para Vigo Me Voy!
Falecido em 2025, o cineasta Alagoano Cacá Diegues foi um dos integrantes do Cinema Novo capitaneado por Glauber Rocha e permaneceu ativo até seus últimos anos. Dirigido por Lírio Ferreira (de Baile Perfumado) e Karen Harley (de Lixo Extraordinário), o documentário Para Vigo Me Voy! examina de maneira afetuosa a trajetória do realizador.

País do carnaval

O filme reconta a trajetória de Diegues, explicando como ele começou a produzir filmes e as produções que inspiraram o movimento do Cinema Novo, como os filmes de Nelson Pereira dos Santos. A produção transita entre imagens do cotidiano de Diegues, feitas nos seus últimos, incluindo até bastidores da continuação de Deus é Brasileiro (2003), articulando isso com imagens de arquivo do diretor em entrevistas e outras situações e com cenas de seus filmes.

quinta-feira, 26 de março de 2026

Crítica – A Vida de Cada Um

 

Análise Crítica – A Vida de Cada Um

Review – A Vida de Cada Um
O Rio de Janeiro passou por diferentes “ciclos” de criminalidade, do controle de bicheiros, passando pelas facções de tráfico nos morros aos milicianos que usam o poder enquanto policiais para fins corruptos se tornando tão criminosos quanto os anteriores. A Vida de Cada Um explora essa mudança na paisagem criminal do Rio de Janeiro enquadrada pela conturbada relação de pai e filha.

República de milícias

A narrativa é protagonizada por Flávia (Bianca Comparato), ela vive em um morro do Rio de Janeiro junto com o namorado e trabalha em uma concessionária que cujo dono tem ligações do com o jogo do bicho. Cansada do baixo salário e de batalhar constantemente ela entra em contato com um dos policiais que trabalhava para o pai dela na tentativa de montar um esquema de distribuição de drogas usando o patrão da concessionária. O pai de Flávia é Macedo (Caco Ciocler), um policial corrupto que se tornou líder de uma milícia e enriqueceu muito às custas disso, mas no passado Flávia rompeu relações com ele.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Crítica – O Agente Secreto

 

Análise Crítica – O Agente Secreto

Review – O Agente Secreto
Meses atrás o diretor Paul Thomas Anderson produziu uma poderosa síntese das disputas políticas e sociais nos Estados Unidos ao longo das últimas décadas com Uma Batalha Após a Outra. Com O Agente Secreto o diretor Kleber Mendonça Filho faz algo semelhante para o contexto brasileiro, uma síntese consistente, abrangente, por vezes bem-humorada, de vários processos políticos e sociais em marcha no Brasil desde a segunda metade do século XX.

O homem que sabia demais

A narrativa se passa em Recife em 1977 e acompanha Marcelo (Wagner Moura), um homem perseguido pela ditadura militar brasileira que chega na cidade para reencontrar o filho enquanto espera documentos para sair do país. Ele se abriga no edifício Ofir, lugar onde outros “refugiados” se escondem sob a tutela de Dona Sebastiana (Tânia Maria). Ao mesmo tempo, uma dupla de matadores de aluguel chega a Recife atrás de Marcelo.

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Rapsódias Revisitadas – Saneamento Básico: O Filme

 

Crítica – Saneamento Básico: O Filme

Review – Saneamento Básico: O Filme
Lançado em 2007, uma das coisas mais interessantes de Saneamento Básico: O Filme é como ele transita por várias ideias sem perder a coesão. Começa como uma crítica bem-humorada à burocracia pública, pontuando a dificuldade de conseguir um pequeno aporte para a construção de uma fossa, mas logo se torna uma declaração de amor ao cinema e seu poder transformador. Claro, o diretor Jorge Furtado já estava mais do que acostumado a transitar entre vários temas em seus filmes, vide o curta Ilha das Flores (1989) ou longas como O Homem que Copiava (2003).

Artistas do desastre

A trama é centrada em Marina (Fernanda Torres), que tenta pressionar a prefeitura de sua pequena cidade a construir uma fossa para evitar que dejetos poluam o córrego da região. A secretaria responsável lhe informa que não há mais verba para obras naquele ano, no entanto, há disponível uma rubrica para a produção de um vídeo educativo que não foi usada e que Marina poderia dispor caso fizesse o tal vídeo. Pensando em usar o dinheiro para financiar a fossa, Marina decide produzir um vídeo sobre um monstro de poluição que ataca a cidade por conta da falta de saneamento básico. Para fazer isso recruta o marido, Joaquim (Wagner Moura), e dos amigos Cilene (Camila Pitanga) e Fabrício (Bruno Garcia).

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Crítica – O Último Azul

 

Análise Crítica – O Último Azul

Review – O Último Azul
Envelhecer ainda é tratado como algo inerentemente negativo. Muitas vezes tratamos pessoas idosas como um peso, como pessoas que existem para dar trabalho aos demais. Principalmente em um contexto no qual trabalhamos cada vez mais horas em temos menos tempo para quaisquer outros afazeres. Dirigido por Gabriel Mascaro, O Último Azul pensa o que pode acontecer numa sociedade que leva ao extremo essas visões sobre idosos.

Futuro imperfeito

Num futuro próximo o Brasil embarcou em um regime totalitário no qual o foco é o trabalho e a produtividade. Quando as pessoas chegam a uma certa idade são exiladas em uma colônia de idosos supostamente para viver seus últimos dias em paz, evitando causar problemas ou dar trabalho aos filhos, que ficam livres para trabalhar sem preocupações. Tereza (Denise Weinberg) tem 77 anos, vive numa região remota do Amazonas e está a poucos anos de ser mandada para a colônia. O processo, no entanto, é acelerado quando uma nova lei baixa a idade para 75 anos, com ela sendo imediatamente colocada sob tutela da filha, perdendo toda a autonomia, e tendo sua viagem para a colônia agendada. Tereza, no entanto, ainda tem coisas que quer fazer, especialmente viajar de avião. Como ela não consegue comprar uma passagem comercial sem o consentimento da filha, ela decide pagar o barqueiro Cadu (Rodrigo Santoro) para levá-la até uma cidade na qual poderá fazer um voo de ultraleve. Ao longo da viagem irá descobrir mais sobre si do que esperava.

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Crítica – Carlota Joaquina: Princesa do Brazil

 

Análise Crítica – Carlota Joaquina: Princesa do Brasil

Resenha Crítica – Carlota Joaquina: Princesa do Brasil
Lançado em 1995 e dirigido por Carla Camurati, Carlota Joaquina: Princesa do Brazil foi um marco do cinema brasileiro, iniciando o período da chamada “retomada”. Depois de anos estagnada por conta de ações do governo Collor, o sucesso do filme de Camurati sinaliza a força da produção nacional e um novo ciclo produtivo do nosso cinema. Comemorando 30 anos de seu lançamento em 2025, o filme retorna aos cinemas em uma versão restaurada em 4K, como também aconteceu neste ano com Iracema: Uma Transa Amazônica (1975).

História revisitada

O longa acompanha a trajetória de Carlota Joaquina (Ludmila Dayer/Marieta Severo), desde sua infância como princesa na Espanha quando é levada ainda criança para Portugal, forçada a casar com a realeza portuguesa, até sua idade adulta quando vem ao Brasil acompanhando o marido, Dom João VI (Marco Nanini), quando a corte de Portugal foge da Europa para não se envolver nas Guerras Napoleônicas.

terça-feira, 12 de agosto de 2025

Crítica – C.I.C: Central de Inteligência Cearense

 

Análise Crítica – C.I.C: Central de Inteligência Cearense

Review – C.I.C: Central de Inteligência Cearense
O diretor Halder Gomes e o ator Edmilson Filho já parodiaram diferentes gêneros cinematográficos em filmes como os dois Cine Holliúdy e O Shaolin do Sertão (2016). A mais nova parceria da dupla é C.I.C: Central de Inteligência Cearense que satiriza filmes de espiões, como a franquia James Bond

Licença para matar (de rir)

A narrativa é protagonizada por Wanderley (Edmilson Filho), que serve na Central de Inteligência Cearense como o Agente Karkará. Sua mais nova missão é recuperar um projeto científico secreto sendo desenvolvido na tríplice fronteira que foi roubado pela misteriosa organização criminosa R.O.L.A (certamente zoando com siglas como S.P.E.C.T.R.E ou S.H.I.E.L.D). O agente precisa descobrir o que é esse projeto secreto, bem como quem é a cabeça da R.O.L.A. Para tal, contara com a ajuda do agente paraguaio Romerito (Gustavo Falcão) e a agente argentina Micaela (Adriana Ferri).

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Crítica – Os Enforcados

 

Análise Crítica – Os Enforcados

Review – Os Enforcados
Entre os vários gêneros que o cinema brasileiro tem explorado com regularidade nos últimos anos, o thriller é um dos que menos aparece na nossa cinematografia. Dirigido por Fernando Coimbra (responsável pelo excelente O Lobo Atrás da Porta) este Os Enforcados tenta construir uma trama de suspense a partir do universo da contravenção do jogo do bicho.

Profissão de risco

Regina (Leandra Leal) está no meio da reforma da mansão na qual vive com o marido, Valério (Irandhir Santos), os gastos estão altos e Valério lhe informa que precisarão diminuir custos pois seus negócios não estão indo bem. Valério trabalha com o tio (Stepan Nercessian) na exploração de caça-níqueis e jogo do bicho, sendo responsável por lavar o dinheiro da contravenção do tio. Regina tenta estimular o marido a tomar o controle dos negócios, já que o tio teria assassinado o pai de Valério para chegar ao topo dos negócios. A oportunidade vem quando o tio pede para se esconder na casa deles antes de fugir do país por conta de algum esquema que deu errado. Tomar o controle, no entanto, é apenas o início dos problemas do casal, já que o tio deixou muitas dívidas com outros figurões do crime.

terça-feira, 22 de julho de 2025

Crítica – Família, Pero no Mucho

 

Análise Crítica – Família, Pero no Mucho

Review – Família, Pero no Mucho
Comédia é inversão da ordem, é subverter expectativas. Se você sabe exatamente o que vai acontecer em uma piada ou situação cômica é difícil rir porque não houve essa quebra. A previsibilidade sabota o humor. Isso é bem visível neste Família, Pero no Mucho estrelado por Leandro Hassum, que se apoia em estereótipos manjados sobre argentinos para tentar fazer rir.

Entrando numa Fria

A trama é protagonizada por Otávio (Leandro Hassum), cuja filha, Mariana (Julia Svaccina), está para conseguir uma bolsa para estudar música na Europa, mas Otávio não aprova que a filha vá para longe e a deixe sozinho cuidando do restaurante da família. Eles brigam, mas ela vai mesmo assim. Anos depois, já formada, Mariana retorna e traz consigo a novidade de que irá casar com um rapaz que conheceu na Europa. O jovem, no entanto, não é europeu, mas argentino e Mariana organiza uma viagem de sua família para Bariloche para conhecer a família do noivo. Logicamente Otávio não aprova a união e isso causará muitas confusões.

segunda-feira, 21 de julho de 2025

Crítica – Iracema: Uma Transa Amazônica

 

Análise Crítica – Iracema: Uma Transa Amazônica

Review – Iracema: Uma Transa Amazônica
Realizado por Orlando Senna e Jorge Bodanzky e lançado em 1975 Iracema: Uma Transa Amazônica chegou a ser proibido pela ditadura militar por muitos anos e só foi lançado no Brasil em 1981. Hoje o filme recebe uma restauração em 4K para voltar aos cinemas e revisitá-lo agora traz a constatação melancólica de que muito pouco mudou no país entre os cinquenta anos que separam sua produção do seu retorno às salas de cinema.

Mitos desconstruídos

A narrativa acompanha o caminhoneiro Tião Brasil Grande (Paulo César Peréio) que vai para o norte do Brasil por conta da promessa de progresso e riqueza que a rodovia Transamazônica (oficialmente a BR-230) supostamente traria. Chegando lá ele conhece Iracema (Edna de Cássia), uma adolescente indígena que sobrevive de prostituição, e a leva consigo em suas viagens pelo norte. É um filme que mistura atores e cenas encenadas com personagens reais, colocando Peréio para interagir com pessoas da região enquanto dialoga sobre o suposto progresso que o governo militar diz estar acontecendo por conta da obra da rodovia.

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Crítica - Apocalipse nos Trópicos

 

Análise Crítica - Apocalipse nos Trópicos

Em Democracia em Vertigem (2019) a diretora Petra Costa narra a queda de Dilma Roussef da presidência com grande vigor arquivístico, mas que se acomodava em fazer de sua narrativa uma grande bricolagem de vários momentos chave que foram narrados continuamente no noticiário político brasileiro sem oferecer muito em termos de uma nova perspectiva ou de uma grande sacada interpretativa que contribuísse para uma compreensão mais aprofundada dos fatos. Neste Apocalipse nos Trópicos a diretora se propõe a fazer um mergulho no ambiente da direita conservadora, principalmente àquela ligada a igrejas neopentecostais, para melhor entender a ascensão desse grupo na política brasileira.

Repetição histórica

Digo que o filme propõe esse mergulho porque ele fica na proposta apenas. A ideia de um debate para tentar compreender a ascensão da direita evangélica e sua adesão ao bolsonarismo é logo abandonada para que a diretora basicamente repita os mesmos procedimentos de Democracia em Vertigem, um apanhado de imagens de arquivo e outras registradas pela diretora que recapitulam momentos chave da vida política brasileira que tiveram bastante exposição midiática nos últimos anos, tudo embalado por uma narração sussurrante, lamuriosa que fala através de platitudes que explicitam o óbvio das imagens.

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Crítica - Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá

 

Análise Crítica - Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá

Review - Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá
Ainda há uma espécie de senso comum equivocado de que a repressão da ditadura militar brasileira foi algo focado nos grandes centros urbanos e que quem estava à margem disso foi pouco afetado. O sucesso de Ainda Estou Aqui no ano passado e certas reações a ele mostrou como esse senso comum ainda está presente, falhando em entender como a ditadura também afetou populações fora desses centros urbanos, como as populações indígenas. O documentário Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá, conta exatamente uma dessas histórias de como comunidades indígenas foram impactadas nesse período.

Diáspora indígena

O filme parte da busca de Sueli Maxakali (uma das diretoras do filme) e sua irmã Maiza Maxakali, pelo pai delas, Luiz Kaiowá, de quem foram separadas quando eram pequenas ainda no período da ditadura militar. A narrativa conta como Luiz foi removido à força de seu território natal no Mato Grosso do Sul pelo então governo, sendo transportado por vários estados até chegar ao território dos Tikmũ’ũn (também chamados de Maxakali) em Minas Gerais, onde conheceu a mãe de Sueli e Maiza. Depois Luiz sofre um novo deslocamento forçado por parte do governo e perde o contato com a família que constituiu em Minas Gerais.

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Crítica – Homem Com H

 

Análise Crítica – Homem Com H

Review – Homem Com H
Desde o início dos anos 2000 as cinebiografias musicais se tornaram um filão comercial no cinema brasileiro. Nem todas estão no mesmo nível de qualidade, com algumas, como Tim Maia (2014), se destacando enquanto outras, como a biografia dos Mamonas Assassinas, ficando aquém de seus biografados. Homem Com H, por sua vez, é uma das melhores produções dos últimos anos ao acompanhar a trajetória de Ney Matogrosso.

Sangue Latino

A narrativa acompanha Ney (Jesuíta Barbosa) desde sua juventude até cerca dos anos 90 quando ele perde seu companheiro, Marco (Bruno Montaleone), por complicações relativas à AIDS. Ao longo de sua vida, vemos Ney Matogrosso lidou com o preconceito desde cedo por conta de seu pai (Rômulo Braga), militar severo que batia no filho por conta do comportamento afeminado, além de desafiar a ditadura militar com seus figurinos e performances musicais.

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Crítica – Oeste Outra Vez

 

Análise Crítica – Oeste Outra Vez

Review – Oeste Outra Vez
Um dos gêneros mais marcantes do cinema hollywoodiano, o faroeste foi marcado durante muito tempo por ideais tradicionais de masculinidade. Para sobreviver nos ermos do oeste selvagem seus protagonistas eram homens duros, brutos e violentos que não tinham muito tempo para ternura ou falar sobre sentimentos. A produção brasileira Oeste Outra Vez remete ao faroeste justamente para pensar a respeito de masculinidade e como certos padrões de comportamento podem ser destrutivos para os próprios homens.

Todo mundo tem problemas sentimentais

A trama se passa no interior de Goiás e acompanha Totó (Ângelo Antônio). Ele foi deixado pela mulher que amava e que o trocou por Durval (Babu Santana). Totó e Durval brigam, com Totó saindo machucado e jurando vingança. Ele contrata um jagunço para matar Durval e o atentado dá errado. A esse ponto Durval contrata uma dupla de matadores para dar cabo de Totó e seu jagunço que fugiram para áreas ainda mais remotas para se esconderem.

quinta-feira, 29 de maio de 2025

Crítica – Pablo & Luisão

 

Análise Crítica – Pablo & Luisão

Review – Pablo & Luisão
Uma das coisas mais engraçadas que já li na internet foi o fio que o ator Paulo Vieira fez no finado Twitter contando as histórias de sua família, em especial as desventuras de seu pai, Luís, e o melhor amigo dele, Pablo. No longo fio, Paulo Vieira narrava como Pablo e Luisão sempre se metiam em roubadas ao tentarem inventar novos empreendimentos ou formas de economizar dinheiro.

Algumas situações eram tão absurdas que eu só acreditava porque Vieira colocava fotos e vídeos nos relatos. Eram coisas que pareciam ter saído diretamente de uma sitcom, então não foi surpresa quando foi anunciado que Pablo & Luisão viraria uma série. Por mais empolgado que estivesse, no entanto, também estava receoso, já que a última vez que a Globoplay tentou transformar um fio cômico de internet em série o resultado foi a péssima Eu, a Vó e a Boi (2019). Felizmente esse não é o caso e Pablo & Luisão é uma das melhores comédias dos últimos anos.

sexta-feira, 11 de abril de 2025

Crítica – Brasiliana: O Musical Negro Que Apresentou o Brasil ao Mundo

 

Análise Crítica – Brasiliana: O Musical Negro Que Apresentou o Brasil ao Mundo

Review – Brasiliana: O Musical Negro Que Apresentou o Brasil ao Mundo
O diretor Joel Zito Araújo já tinha feito resgates importantes da história e cultura afro nas artes em produções como A Negação do Brasil (2000), no qual falava sobre a representatividade negra em telenovelas, e Meu Amigo Fela (2019), sobre o músico Fela Kuti. Neste Brasiliana: O Musical Negro Que Apresentou o Brasil ao Mundo ele faz outro importante resgate ao narrar a história de uma companhia musical negra que foi criada na década de 1950 e permaneceu ativa por mais de 25 anos.

Visibilidade cultural

A Companhia Brasiliana foi um grupo de música, dança e teatro afro-brasileiros com o elenco todo formado por artistas negros que se apresentou em mais de noventa países ao longo de sua trajetória apresentando um espetáculo baseado na história, cultura e musicalidade afro-brasileiras. O documentário faz um resgate histórico importante ao mostrar já que na metade do século XX o Brasil tinha um grupo artístico focado na cultura negra e que esse grupo teve uma imensa visibilidade internacional, circulando o mundo e participando de grandes eventos, desde filmes da Sophia Loren a aberturas de Copa do Mundo.

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Crítica – O Deserto de Akin

 

Análise Crítica – O Deserto de Akin

Review – O Deserto de Akin
Não me lembro de outra produção brasileira antes deste O Deserto de Akin que tenha explorado o programa Mais Médicos e a vinda de médicos cubanos para o Brasil. Apesar de ter sido um assunto que tomou a esfera pública por um bom tempo, não tenho lembrança de muitas outras produções brasileiras sobre o tema.

Deserto particular

A trama é centrada em Akin (Reynier Morales), um médico cubano trabalhando no interior do Espírito Santo que vai aos poucos se conectando ao local e é afetado pela mudança no programa e no governo brasileiro depois de 2018. Ele não tem muitas amizades fora do trabalho, tendo em Érica (Ana Flávia Cavalcante) sua única conexão afetiva. Logo a dupla também agrega Sérgio (Guga Patriota), cozinheiro pernambucano que, assim como Akin, se sente solitário e deslocado no local.