Como chegamos a esse ponto em que
vários países vivem um momento de ascensão da extrema-direita? Não é como se
não houvessem sinais, mas durante muito tempo eles foram ignorados ou não foram
levados a sério como uma verdadeira ameaça. Anniversary:
Mudança Radical pondera exatamente sobre como o fascismo cozinha as pessoas
em banho maria até ser tarde demais.
Divisão familiar
A trama é focada em Ellen (Diane
Lane) uma professora universitária casada com Paul (Kyle Chandler, de Lanternas). No aniversário de 25 anos de
casados, seu filho caçula, Josh (Dylan O’Brien), chega em casa com a nova
namorada Elizabeth (Phoebe Dyvenor). Liz foi aluna de Ellen e nesse período
defendeu ideias fascistas de unir o país ao adotar um sistema de partido único
e ejetando a maioria das garantias democráticas. Ellen fica assustada com
alguém assim estar tão próxima do filho, principalmente por Liz parecer
interessada em usar os contatos de Josh no universo editorial para publicar
suas ideias. O tempo passa e o livro de Liz é publicado, se tornando um sucesso
e ganhando seguidores.
Quando assisti A Queda(2022) não saí pensando que era
algo que merecia uma continuação. Era um suspense tolerável que acertava no
sentimento de tensão e vertigem enquanto acompanhava sua protagonista presa em
uma antiga torre de transmissão. A continuação traz novos protagonistas, mas
falha em apresentar qualquer coisa mais interessante que o primeiro.
Escalada do caos
A trama é centrada em Jax
(Harriet Slater), irmã da influencer
Shiloh (Virginia Gardner) que morreu no primeiro filme. Ela ainda lida com o
luto da irmã e com uma pontada de ressentimento por Shiloh sempre ter
valorizado mais a amizade com Becky (Grace Caroline Curry), a sobrevivente do
filme anterior, do que a relação com a irmã. Quando Jax recebe o carro que era
de Becky, inúmeras pessoas aparecem querendo comprar, mas Jax não quer entregar
o carro para qualquer maluco que seguia a irmã dela e tinha uma relação
parassocial com ela. As coisas mudam quando Jax é procurada por Luce (Arsema
Thomas), colega de faculdade de Shiloh. Elas acham o diário de Shiloh no carro
e veem que ela planejava escalar uma montanha na Tailândia por uma perigosa
trilha que está proibida há anos. Luce propõe então que ela e Jax façam a
expedição para honrar Shiloh, mas as coisas logicamente dão errado e as duas
ficam presas na montanha durante uma tempestade.
Com o sucesso de Barbie(2023) Hollywood como sempre
aprendeu as lições erradas e entendeu que a alta bilheteria do filme se deu
porque o público estava sedento por filmes baseados em brinquedos. Vários
estúdios correram para dar sinal verde em projetos baseados envolvendo linha de
brinquedos e este Matchbox: O Filme, que
se baseia em uma linha de carrinhos de brinquedo, é um deles.
Brincadeira de gente grande
A trama gira em torno de Sean
(John Cena), um agente da CIA que tem uma ogiva nuclear roubada dele durante
uma missão. A agência suspeita que ele é um traidor e detem ele, bem como seus
amigos de infância, as únicas pessoas com quem ele teve alguma conexão, para
tentar forçá-lo a falar. Sean consegue fugir com os amigos e agora eles
precisam descobrir o que aconteceu e provar a própria inocência. E os carrinhos
Matchbox, onde entram na história? Bem, quando eles eram crianças se tornaram
amigos por colecionarem esses carrinhos e é só isso, eles não fazem qualquer
diferença.
Dirigido e estrelado por Ben
Affleck, Sobrevivência é um thriller político que tenta falar de
vários temas ao mesmo tempo e não chega a dar conta de tudo. Não é uma produção
desprovida de méritos, no entanto, também não é algo que consegue satisfazer
por conta de não conseguir acompanhar as ambições que tem para si.
Política de bastidores
A trama segue Mark (Ben Affleck),
candidato a prefeito de Los Angeles. Ele usou quase todo seu dinheiro e ainda
está um pouco atrás nas pesquisas, começando a pensar se vale a pena esgotar
seus recursos para tentar vencer. Sua esposa, Abigail (Kerry Washington), está
distante dele e tem um caso com um professor chamado Ron (Ray Fisher). As
coisas se complicam na noite de Halloween quando Mark recebe uma ligação de seu
filho foi sequestrado, pedindo um resgate de milhões que ele não tem. Seu
coordenador de campanha, Sam (Steve Yeun), lhe coloca em contato Dayle (Gillian
Anderson), uma poderosa figura que opera nos bastidores da política. Ela pode
conseguir o dinheiro e aconselhar Mark, mas cobra um preço alto por isso.
Fui assistir Tubarão de Guerra esperando uma podreira ao estilo “tão ruim que é
bom”. Ultimamente produções desse tipo tem me decepcionado, entregando
porcarias entediantes ao invés de algo trash
divertido, mas felizmente esse aqui conseguiu encontrar o ponto de equilíbrio
em ser ruim o bastante para ser engraçado.
Águas sangrentas
A narrativa se passa durante a
Segunda Guerra Mundial, um grupo de soldados australianos no Oceano Pacífico ficam
à deriva no mar depois que seu navio é destruído em um ataque aéreo japonês.
Eles conseguem improvisar uma balsa com os escombros, mas sem comida, água e
cercados por neblina as chances de sobreviverem são poucas. As coisas pioram
quando eles percebem que um tubarão branco está cercando os destroços.
Um afinador de pianos que usa sua
capacidade auditiva para arrombar cofres é uma ideia tão bacana que me pergunto
porque ninguém pensou em um filme assim antes deste O Afinador. Apesar da premissa envolver roubo, a história é menos
estruturada ao redor de grandes assaltos cheios de tensão ou adrenalina e mais
em um senso de realismo cotidiano.
Escuta atenta
O filme é protagonizado por Niki
(Leo Woodall), um jovem afinador de pianos que trabalha como aprendiz do
veterano Harry (Dustin Hoffman). Niki tem uma hipersensibilidade auditiva,
usando protetores auriculares o tempo todo, mas sua capacidade facilita seu
trabalho como afinador. Um dia, trabalhando no piano de um ricaço, ele vê os
seguranças do local tentando penetrar no cofre. Os suspeitos apenas dizem que
estão movendo os itens do cliente para um lugar mais seguro, mas Niki não
acredita na conversa. Ele, no entanto, decide usar sua audição para abrir o
cofre por se incomodar com o barulho que os ladrões estão fazendo. O líder do
grupo se surpreende com o talento de Niki e deixa seu cartão com ele. Quando
Harry é internado por problemas de saúde e a esposa dele, Marla (Tovah
Feldshuh, de Crazy Ex-Girlfriend),
fica sem ter como pagar as despesas médicas, Niki decide aceitar a oferta dos
ladrões e se torna um arrombador de cofres.
Chama atenção o naturalismo com o
qual tudo é filmado. Não é como se fosse um thriller
explosivo, cheio de momentos planos mirabolantes cuja tensão vem de ver todas
as variáveis do plano dando certo ou não. Aqui há um interesse no cotidiano de
Niki, em entender quem ele é, o que o motiva e mesmo quando ele se envolve com
crimes é tudo bastante pé no chão, com ele acompanhando um grupo de gângsteres
que tem uma empresa de segurança e usam isso para roubar seus clientes. Niki
simplesmente entra, abre os cofres e recebe a parte dele.
A tensão emerge da corrida contra
o tempo, de abrir o cofre e sair antes que os donos da casa voltem e o filme
faz um bom trabalho de criar obstáculos criveis para o progresso do
protagonista. Por conta de sua sensibilidade auditiva, o processo de Niki é
atrapalhado pelos membros da gangue assistindo vídeos no celular, por sons de
animais e até por aviões que sobrevoam um imóvel constantemente. Assim, o filme
dota essas cenas de um senso de urgência sem abrir mão do senso de realismo e
cotidianidade que constrói para a narrativa.
Esse senso de realismo se dá
também através dos diálogos. Muito do passado de Niki ou a relação dele com
Harry e a esposa é mais inferido pelas ações dos personagens do que por
diálogos expositivos com longas explicações. Mesmo quando Niki fala sobre seu
problema auditivo com a namorada, a pianista Ruthie (Havana Rose Liu de Bottoms), ele menciona por alto o que
aconteceu, mais próximo de como alguém contaria no mundo real ao invés de uma
longa e detalhada explicação para alguém com quem começou a se relacionar. É um
filme que confia no espectador para prestar atenção e entender as dinâmicas que
estão em jogo, o que é cada vez mais raro em uma era em que filmes são pensados
para serem assistidos enquanto as pessoas mexem nos celulares e colocam cada
vez mais diálogos explicando a trama ou o que os personagens pensam e sentem.
Como muito da história gira em
torno da capacidade auditiva do protagonista, o som é um elemento proeminente
na produção e é usado para nos colocar em muitos momentos no “ponto de escuta”
de Niki. Como o protagonista passa o tempo todo com protetores auriculares, sua
percepção de ruídos é abafada. A escolha mais óbvia para fazer isso seria
construir uma paisagem sonora em que os sons ao redor soassem diminuídos, mas
manter isso ao longo do filme seria esquisito, prejudicaria a inteligibilidade
dos diálogos e provavelmente faria uma parcela dos espectadores acharem que tem
algo errado com o som do cinema ou de sua tv.
Ao invés disso, o que o filme faz
é exacerbar os sons e ruídos ambientes, colocando-os mais altos do que
realmente são de modo a transmitir como Niki os percebe. Nos momentos em ele
está sem qualquer proteção, o som fica ainda mais alto, cheio de efeitos de
distorção e microfonia para nos dar a sensação de algo estourando os ouvidos do
protagonista. Em outros momentos, quando Niki coloca os protetores maiores, há
um abafamento do áudio para mostrar a diferença entre os diferentes
equipamentos que ele usa.
O clímax tem algumas
coincidências convenientes envolvendo a namorada de Niki e um dos itens que ele
roubou para tentar aumentar os riscos nos quais o protagonista se envolve. Ao
menos consegue entregar um desfecho satisfatório ao encerrar com a ironia do
protagonista ter a audição piorada depois de sofrer um ataque e isso resolver
sua hipersensibilidade auditiva.
Entregando um thriller mais sóbrio, O Afinador tem um trabalho atento na
construção de sua paisagem sonora e no senso de realismo do seu universo
ficcional.
No livro-reportagem No Ar Rarefeito o jornalista Jon
Krakauer narra o que experimentou durante a primeira excursão comercial para
escalar o Monte Evereste, pico culminante do planeta, em 1996 (que já foi
adaptada algumas vezes para cinema e tv em produções como Evereste). Dois grupos de empresas diferentes, cada um liderado por
montanhistas experientes que já tinham escalado o Evereste, tentaram levar
grupos de turistas com diferentes níveis de habilidade em montanhismo para o
cume.
Só o cume interessa
A tentativa acabou em tragédia já
que o grande número de pessoas em um espaço tão difícil de se movimentar,
tornava tudo mais lento, deixando todos mais vulneráveis a intempéries e
imprevistos por conta das janelas de tempo ideal para atacar o cume serem bem
reduzidas. Como se trata de uma expedição comercial, com turistas pagando para
serem levados ao cume, os guias não podem simplesmente dizer que não dá para
escalar e voltar, as pessoas querem receber o que pagaram e ao menos terem a
sensação de que tentaram chegar ao cume, obrigando os guias a fazerem
tentativas de escalar e assumirem riscos que provavelmente não fariam de outro
modo.
Dirigido por David Mackenzie,
responsável pelo excelente A Qualquer Custo(2016), Golpe Explosivo é
um thriller que tenta fazer muita
coisa ao mesmo tempo e acaba não fazendo bem nenhuma das coisas que tenta.
Bomba relógio
A trama começa quando uma bomba
da época da Segunda Guerra Mundial é encontrada em um canteiro de obras no
centro de Londres. O especialista em bombas Will (Aaron Taylor Johnson) é
despachado para analisar o explosivo e desarmá-lo com segurança. Enquanto Will
e os militares tentam neutralizar os explosivos, um grupo de ladrões liderados
por Karalis (Theo James) aproveita a evacuação no centro da cidade para roubar
um banco. A superintendente Zuzana (Gugu Mbatha-Raw) nota a movimentação
atípica em uma área evacuada por imagens térmicas de satélite e tenta
investigar o que está acontecendo.
Tirando o filme do Superman(2025), a maioria das produções
do novo universo DC até agora tem sido focado em personagens menores ao invés
de trazer os principais heróis que irão eventualmente compor a Liga da Justiça.
A série Lanternas vinha com
expectativas ao focar nos Lanternas Verdes e, pessoalmente, por ser produzida por
Damon Lindelof que entregou a excelente minissérie de Watchmen também na HBO. O resultado é mais uma trama investigativa
do que uma história de super-heróis que funciona pelo cuidado que a série tem construído
seus personagens.
Detetives estelares
A trama compreende dois períodos de
tempo focando no Lanterna Verde Hal Jordan (Kyle Jordan) e em John Stewart
(Aaron Pierre), que está sendo treinado para se tornar um Lanterna Verde.
Durante o treinamento Hal recebe um alerta de que há algo errado em uma pequena
cidade no interior do Nebraska e vai investigar. Lá ele descobre que múltiplos alienígenas
foram assassinados em um tiroteio e que eles estavam na cidade em busca de algo
ou alguém de natureza também alienígena. O primeiro episódio termina com um
salto temporal de dez anos. John retorna ao Nebraska e a pequena cidade está
destruída, ele vai ao encontro da xerife Kerry (Kelly Macdonald) para encontrar
o corpo de Hal Jordan, assassinado com um tiro na cabeça.
Com o sucesso da série Reacher, a Amazon resolveu explorar as
possibilidades de produções derivadas começando com Neagley: Detetive Particular, que acompanha a personagem Frances
Neagley, colega de exército de Reacher, em seu trabalho como investigadora
privada. Pela natureza do trabalho dela ser um pouco diferente das aventuras de
“mendigo justiceiro” do Reacher pensei que a série fosse adotar uma estrutura
de “caso da semana” em que a protagonista atenderia clientes diferentes a cada
episódio similar à série O Rastreador, mas
a série adota uma estrutura similar à de Reachercom uma investigação contínua durante toda a temporada, talvez para não
mexer muito em uma fórmula que vem dando certo.
Seita sinistra
A trama coloca Neagley (Maria
Sten) para investigar a morte de um amigo de infância que se jogou na frente de
um trem. A polícia trata o caso como suicídio ou como acidente, já que o morto
tinha muitas drogas psicotrópicas no corpo. Neagley, no entanto, desconfia
dessa versão e resolve investigar os últimos dias do amigo, descobrindo que ele
estava há meses dentro de uma seita que vivia em uma fazenda remota controlada
por Lawrence Cole (Damon Harriman). Ao tentar investigar a seita, ela é alvo de
um ataque na estrada, mas sobrevive, confirmando o palpite de que a seita
esconde algo. Agora ela e o policial Riley (Greyston Holt) precisam resolver o
caso.