quinta-feira, 2 de abril de 2026

Crítica – As Travessias de Letieres Leite

 

Análise Crítica – As Travessias de Letieres Leite

Review – As Travessias de Letieres Leite
Músico de trajetória longeva, com experiência em educação e fundador da Orquestra Rumpilezz, Letieres Leite não é influente apenas na música baiana, tendo trabalhado com artistas de diferentes lugares do Brasil e do mundo. O documentário As Travessias de Letieres Leite tenta dar conta dos caminhos formativos que contribuíram para sua trajetória singular.

Caminho ancestral

O documentário parte de uma longa e inédita entrevista com o Letieres Leite, falecido em 2021, para mostrar as várias influências na produção musical e ensino do maestro, culminando em seus projetos com a orquestra Rumpilezz. Estruturalmente é bem típico de documentários sobre artistas, com entrevistas e imagens de arquivo articuladas pela montagem, mas seu grande mérito é conseguir dar conta da trajetória do biografado de maneira que saímos entendendo seu grande impacto para a música e também como diferentes vivências, do trabalho com artes plásticas às suas experiências com religiões afro brasileiras, orientaram seu trabalho musical.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Crítica – Paradise: Segunda Temporada


Análise Crítica – Paradise: Segunda Temporada

Review – Paradise: Season twoDepois de uma envolvente primeira temporada que terminou em um gancho que me deixou ansioso pelo que viria a seguir, a segunda temporada de Paradise chegou para ampliar o universo da série para além do bunker e finalmente nos mostrar o estado do mundo ao redor. No geral ela é quase tão boa quanto o primeiro ano, embora tenha sua parcela de problemas. Aviso que o texto contém SPOILERS da temporada.

Admirável mundo novo

Depois de fugir do bunker em um avião em busca de sua esposa no final da temporada anterior, reencontramos Xavier (Sterling K. Brown) ferido nos destroços da aeronave. Ele está bem distante de seu destino e é encontrado pela solitária Annie (Shailene Woodley) que passou os últimos anos vivendo em Graceland, antiga mansão de Elvis Presley que se tornou um museu dedicado a ele. Enquanto se recupera, ele conhece a história de Annie e como o mundo externo está.

terça-feira, 31 de março de 2026

Crítica – Feiraguay

 

Análise Crítica – Feiraguay

Review – Feiraguay
Antes de falar qualquer coisa sobre Feiraguay preciso ser transparente e dizer que o diretor, Francisco Gabriel Rêgo, foi meu colega de doutorado e é um amigo próximo, então o que tenho a dizer sobre o filme não tem como ser um olhar plenamente distante ou imparcial sobre o documentário.

Feira do povo

Como o título diz, o documentário é sobre o Feiraguay, área de comércio popular na cidade de Feira de Santana, interior da Bahia. A narrativa conta a história de como o Feiraguay se tornou o marco da cidade que é hoje ao mesmo tempo em que pondera sobre o papel das feiras e áreas de comércio popular em áreas urbanas e os vários tensionamentos que emergem dentro de um espaço tão diverso.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Crítica - Para Vigo Me Voy!

 

Análise Crítica - Para Vigo Me Voy!

Review - Para Vigo Me Voy!
Falecido em 2025, o cineasta Alagoano Cacá Diegues foi um dos integrantes do Cinema Novo capitaneado por Glauber Rocha e permaneceu ativo até seus últimos anos. Dirigido por Lírio Ferreira (de Baile Perfumado) e Karen Harley (de Lixo Extraordinário), o documentário Para Vigo Me Voy! examina de maneira afetuosa a trajetória do realizador.

País do carnaval

O filme reconta a trajetória de Diegues, explicando como ele começou a produzir filmes e as produções que inspiraram o movimento do Cinema Novo, como os filmes de Nelson Pereira dos Santos. A produção transita entre imagens do cotidiano de Diegues, feitas nos seus últimos, incluindo até bastidores da continuação de Deus é Brasileiro (2003), articulando isso com imagens de arquivo do diretor em entrevistas e outras situações e com cenas de seus filmes.

quinta-feira, 26 de março de 2026

Crítica – A Vida de Cada Um

 

Análise Crítica – A Vida de Cada Um

Review – A Vida de Cada Um
O Rio de Janeiro passou por diferentes “ciclos” de criminalidade, do controle de bicheiros, passando pelas facções de tráfico nos morros aos milicianos que usam o poder enquanto policiais para fins corruptos se tornando tão criminosos quanto os anteriores. A Vida de Cada Um explora essa mudança na paisagem criminal do Rio de Janeiro enquadrada pela conturbada relação de pai e filha.

República de milícias

A narrativa é protagonizada por Flávia (Bianca Comparato), ela vive em um morro do Rio de Janeiro junto com o namorado e trabalha em uma concessionária que cujo dono tem ligações do com o jogo do bicho. Cansada do baixo salário e de batalhar constantemente ela entra em contato com um dos policiais que trabalhava para o pai dela na tentativa de montar um esquema de distribuição de drogas usando o patrão da concessionária. O pai de Flávia é Macedo (Caco Ciocler), um policial corrupto que se tornou líder de uma milícia e enriqueceu muito às custas disso, mas no passado Flávia rompeu relações com ele.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Crítica – Eles Vão Te Matar

 

Análise Crítica – Eles Vão Te Matar

Review – Eles Vão Te Matar
Fui assistir Eles Vão Te Matar sem ter visto nenhum trailer e sabendo muito pouco sobre o filme, apenas com a noção de que a personagem estava confinada em um prédio e precisava escapar. Felizmente o resultado é uma mistura divertida de suspense, ação e toques de comédia, ainda se acomode em emular o estilo de certos diretores.

Disputa de classes

A trama é protagonizada por Asia (Zazie Beetz), que aceita um emprego como empregada em um prédio chique no centro de Nova Iorque. Ela pegou o trabalho por estar em busca da irmã, Maria (Myha’la, de Deu Match e O Mundo Depois de Nós), de quem não tem notícias há dez anos. Chegando lá Asia descobre que os ricos que moram no lugar fazem parte de um culto satânico, querem usá-la como sacrifício e agora ela precisa lutar para sobreviver.

terça-feira, 24 de março de 2026

Crítica – Eternidade

 

Análise Crítica – Eternidade

Review – Eternidade
Se você pudesse escolher uma maneira de passar a eternidade, o que você escolheria? Seria uma escolha definitiva que não poderia mudar. Parece uma escolha difícil, afinal a eternidade é muito tempo e é sobre isso que Eternidade tenta falar com sua mistura de drama, comédia e romance.

Vivendo para sempre

A narrativa começa com Larry (Miles Teller) chegando no pós-vida. Ele é informado que precisa escolher uma entre várias eternidades possíveis para passar sua pós vida. Larry, no entanto, não quer passar a eternidade sozinho e decide esperar a chegada da esposa, Joan (Elizabeth Olsen), mas para isso precisa arranjar um trabalho no limbo para poder ficar lá enquanto espera. No processo ele conhece o barman Luke (Callum Turner), que também ficou no limbo. Quando Joan chega, Larry descobre que Luke foi o primeiro marido de Joan que morreu na Guerra da Coréia e, assim como ele, também passou o tempo esperando Joan para passar a eternidade com ela. Agora os dois disputam pela eternidade ao lado de Joan e ela precisa escolher entre Luke e Larry.

segunda-feira, 23 de março de 2026

Crítica – Pânico 7

 

Análise Crítica – Pânico 7

Review – Pânico 7
Depois de controvérsias durante a produção de Pânico 6 (2023) por conta da recusa de Neve Campbell em retornar por conta do baixo cachê oferecido, tudo caminhava para que Pânico 7 fosse o desfecho da história da personagem vivida por Melissa Barrera que iniciou no quinto filme. Isso até Barrera ser sumariamente demitida depois de se manifestar em solidariedade à Palestina em redes sociais. A demissão da atriz fez Jenna Ortega, que interpretava a irmã de Barrera, sair em solidariedade à colega, deixando a produção sem protagonista. Neve Campbell foi então trazida de volta e a produção certamente teve que fazer muitos ajustes no que estava inicialmente planejado para dar conta dessas mudanças. O resultado é um filme que parece feito à toque de caixa e tem pouco a acrescentar à franquia.

Olá Sidney

Sidney Prescott (Neve Campbell) vive tranquila em uma pequena cidade ao lado do marido, Mark (Joel McHale), e da filha, Tatum (Isabel May). O maior problema de Sidney é a relação com a filha adolescente passando por sua fase de rebeldia, mas seus dias de ter que lidar com assassinos encapuzados parecem ter terminado. Isso até que ela recebe um vídeo de alguém que diz ser Stu Macher (Matthew Lillard), um dos assassinos do primeiro filme, dizendo estar vivo e em busca de vingança contra Sidney. Logo uma nova onda de assassinatos começa na cidade e Sidney precisa se mobilizar para defender a própria família.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Crítica – Detetive Alex Cross: Segunda Temporada

 

Análise Crítica – Detetive Alex Cross: Segunda Temporada

Review – Detetive Alex Cross: Segunda Temporada
Quando escrevi sobre a primeira temporada de Detetive Alex Cross mencionei como a série executava bem sua trama de mistério, embora não saísse muito do que é esperado pelo gênero. A série ainda sofria com o modo como tentava observar as instituições policiais, com suas tentativas de crítica, sempre esbarrando em um endosso dessas instituições. A segunda temporada tenta resolver algumas dessas questões, mas nem sempre funciona.

Vingança em série

Alex Cross (Aldis Hodge) ganhou ainda mais notoriedade depois dos eventos da temporada anterior quando ajudou a prender um serial killer que vivia nos mais altos escalões do poder. Agora ele é novamente solicitado pelo FBI para ajudar em mais um caso de assassino em série, dessa vez com alvos direcionados para pessoas ao redor do empresário Lance (Matthew Lilard), dono de uma empresa que está para lançar um programa capaz de resolver problemas em plantações no mundo inteiro. De início as autoridades pensam que é uma tentativa de derrubar a iniciativa revolucionária da empresa, mas Alex logo percebe que quem está por trás disso, Luz (Jeanine Mason), na verdade está em busca por vingança em relação aos negócios escusos de Lance, envolvido na exploração da mão de obra de imigrantes em regime análogo à escravidão, tráfico de pessoas e tráfico sexual. Ao mesmo tempo Alex desconfia que Kayla (Alona Tal), seu contato no FBI, parece mais interessada em avançar na carreira do que em alcançar a verdade.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Crítica – Scarpetta: Médica Legista

 

Análise Crítica – Scarpetta: Médica Legista

Já tinha ouvido falar bastante sobre os livros de Patricia Cornwell protagonizados pela legista Kay Scarpetta, mas nunca os tinha lido. Quando soube que a Prime faria uma série com a personagem e protagonizada por Nicole Kidman parecia um bom lugar para começar a conhecer a personagem. Infelizmente, Scarpetta: Médica Legista não fez muito, ao menos para mim, para torná-la interessante.

Corpo de delito

A narrativa começa com Kay Scarpetta (Nicole Kidman) voltando para assumir o posto como médica legista no estado da Virginia depois de anos ausente. Seu primeiro caso envolve um assassinato que tem semelhanças com seu primeiro grande caso vinte anos atrás. Para desvendar o que está acontecendo, a legista recruta ajuda de Pete Marino (Bobby Cannavale), policial aposentado que trabalhou com ela no passado e que hoje é seu cunhado, casado com sua irmã Dorothy (Jamie Lee Curtis). Dorothy e Pete também retornam a Virginia para ajudar Lucy (Ariana DeBose), filha de Dorothy, que recentemente perdeu a esposa, Janet (Janet Montgomery). Eles ficam temporariamente na casa de Kay, o que causa atritos com ela e com Benton (Simon Baker), marido de Kay e agente do FBI. A trama se desenvolve em duas temporalidades, a do presente e a do passado, mostrando o que aconteceu no primeiro grande caso de Kay.