Fui assistir Tubarão de Guerra esperando uma podreira ao estilo “tão ruim que é
bom”. Ultimamente produções desse tipo tem me decepcionado, entregando
porcarias entediantes ao invés de algo trash
divertido, mas felizmente esse aqui conseguiu encontrar o ponto de equilíbrio
em ser ruim o bastante para ser engraçado.
Águas sangrentas
A narrativa se passa durante a
Segunda Guerra Mundial, um grupo de soldados australianos no Oceano Pacífico ficam
à deriva no mar depois que seu navio é destruído em um ataque aéreo japonês.
Eles conseguem improvisar uma balsa com os escombros, mas sem comida, água e
cercados por neblina as chances de sobreviverem são poucas. As coisas pioram
quando eles percebem que um tubarão branco está cercando os destroços.
Um afinador de pianos que usa sua
capacidade auditiva para arrombar cofres é uma ideia tão bacana que me pergunto
porque ninguém pensou em um filme assim antes deste O Afinador. Apesar da premissa envolver roubo, a história é menos
estruturada ao redor de grandes assaltos cheios de tensão ou adrenalina e mais
em um senso de realismo cotidiano.
Escuta atenta
O filme é protagonizado por Niki
(Leo Woodall), um jovem afinador de pianos que trabalha como aprendiz do
veterano Harry (Dustin Hoffman). Niki tem uma hipersensibilidade auditiva,
usando protetores auriculares o tempo todo, mas sua capacidade facilita seu
trabalho como afinador. Um dia, trabalhando no piano de um ricaço, ele vê os
seguranças do local tentando penetrar no cofre. Os suspeitos apenas dizem que
estão movendo os itens do cliente para um lugar mais seguro, mas Niki não
acredita na conversa. Ele, no entanto, decide usar sua audição para abrir o
cofre por se incomodar com o barulho que os ladrões estão fazendo. O líder do
grupo se surpreende com o talento de Niki e deixa seu cartão com ele. Quando
Harry é internado por problemas de saúde e a esposa dele, Marla (Tovah
Feldshuh, de Crazy Ex-Girlfriend),
fica sem ter como pagar as despesas médicas, Niki decide aceitar a oferta dos
ladrões e se torna um arrombador de cofres.
Chama atenção o naturalismo com o
qual tudo é filmado. Não é como se fosse um thriller
explosivo, cheio de momentos planos mirabolantes cuja tensão vem de ver todas
as variáveis do plano dando certo ou não. Aqui há um interesse no cotidiano de
Niki, em entender quem ele é, o que o motiva e mesmo quando ele se envolve com
crimes é tudo bastante pé no chão, com ele acompanhando um grupo de gângsteres
que tem uma empresa de segurança e usam isso para roubar seus clientes. Niki
simplesmente entra, abre os cofres e recebe a parte dele.
A tensão emerge da corrida contra
o tempo, de abrir o cofre e sair antes que os donos da casa voltem e o filme
faz um bom trabalho de criar obstáculos criveis para o progresso do
protagonista. Por conta de sua sensibilidade auditiva, o processo de Niki é
atrapalhado pelos membros da gangue assistindo vídeos no celular, por sons de
animais e até por aviões que sobrevoam um imóvel constantemente. Assim, o filme
dota essas cenas de um senso de urgência sem abrir mão do senso de realismo e
cotidianidade que constrói para a narrativa.
Esse senso de realismo se dá
também através dos diálogos. Muito do passado de Niki ou a relação dele com
Harry e a esposa é mais inferido pelas ações dos personagens do que por
diálogos expositivos com longas explicações. Mesmo quando Niki fala sobre seu
problema auditivo com a namorada, a pianista Ruthie (Havana Rose Liu de Bottoms), ele menciona por alto o que
aconteceu, mais próximo de como alguém contaria no mundo real ao invés de uma
longa e detalhada explicação para alguém com quem começou a se relacionar. É um
filme que confia no espectador para prestar atenção e entender as dinâmicas que
estão em jogo, o que é cada vez mais raro em uma era em que filmes são pensados
para serem assistidos enquanto as pessoas mexem nos celulares e colocam cada
vez mais diálogos explicando a trama ou o que os personagens pensam e sentem.
Como muito da história gira em
torno da capacidade auditiva do protagonista, o som é um elemento proeminente
na produção e é usado para nos colocar em muitos momentos no “ponto de escuta”
de Niki. Como o protagonista passa o tempo todo com protetores auriculares, sua
percepção de ruídos é abafada. A escolha mais óbvia para fazer isso seria
construir uma paisagem sonora em que os sons ao redor soassem diminuídos, mas
manter isso ao longo do filme seria esquisito, prejudicaria a inteligibilidade
dos diálogos e provavelmente faria uma parcela dos espectadores acharem que tem
algo errado com o som do cinema ou de sua tv.
Ao invés disso, o que o filme faz
é exacerbar os sons e ruídos ambientes, colocando-os mais altos do que
realmente são de modo a transmitir como Niki os percebe. Nos momentos em ele
está sem qualquer proteção, o som fica ainda mais alto, cheio de efeitos de
distorção e microfonia para nos dar a sensação de algo estourando os ouvidos do
protagonista. Em outros momentos, quando Niki coloca os protetores maiores, há
um abafamento do áudio para mostrar a diferença entre os diferentes
equipamentos que ele usa.
O clímax tem algumas
coincidências convenientes envolvendo a namorada de Niki e um dos itens que ele
roubou para tentar aumentar os riscos nos quais o protagonista se envolve. Ao
menos consegue entregar um desfecho satisfatório ao encerrar com a ironia do
protagonista ter a audição piorada depois de sofrer um ataque e isso resolver
sua hipersensibilidade auditiva.
Entregando um thriller mais sóbrio, O Afinador tem um trabalho atento na
construção de sua paisagem sonora e no senso de realismo do seu universo
ficcional.
No livro-reportagem No Ar Rarefeito o jornalista Jon
Krakauer narra o que experimentou durante a primeira excursão comercial para
escalar o Monte Evereste, pico culminante do planeta, em 1996 (que já foi
adaptada algumas vezes para cinema e tv em produções como Evereste). Dois grupos de empresas diferentes, cada um liderado por
montanhistas experientes que já tinham escalado o Evereste, tentaram levar
grupos de turistas com diferentes níveis de habilidade em montanhismo para o
cume.
Só o cume interessa
A tentativa acabou em tragédia já
que o grande número de pessoas em um espaço tão difícil de se movimentar,
tornava tudo mais lento, deixando todos mais vulneráveis a intempéries e
imprevistos por conta das janelas de tempo ideal para atacar o cume serem bem
reduzidas. Como se trata de uma expedição comercial, com turistas pagando para
serem levados ao cume, os guias não podem simplesmente dizer que não dá para
escalar e voltar, as pessoas querem receber o que pagaram e ao menos terem a
sensação de que tentaram chegar ao cume, obrigando os guias a fazerem
tentativas de escalar e assumirem riscos que provavelmente não fariam de outro
modo.
Dirigido por David Mackenzie,
responsável pelo excelente A Qualquer Custo(2016), Golpe Explosivo é
um thriller que tenta fazer muita
coisa ao mesmo tempo e acaba não fazendo bem nenhuma das coisas que tenta.
Bomba relógio
A trama começa quando uma bomba
da época da Segunda Guerra Mundial é encontrada em um canteiro de obras no
centro de Londres. O especialista em bombas Will (Aaron Taylor Johnson) é
despachado para analisar o explosivo e desarmá-lo com segurança. Enquanto Will
e os militares tentam neutralizar os explosivos, um grupo de ladrões liderados
por Karalis (Theo James) aproveita a evacuação no centro da cidade para roubar
um banco. A superintendente Zuzana (Gugu Mbatha-Raw) nota a movimentação
atípica em uma área evacuada por imagens térmicas de satélite e tenta
investigar o que está acontecendo.
Tirando o filme do Superman(2025), a maioria das produções
do novo universo DC até agora tem sido focado em personagens menores ao invés
de trazer os principais heróis que irão eventualmente compor a Liga da Justiça.
A série Lanternas vinha com
expectativas ao focar nos Lanternas Verdes e, pessoalmente, por ser produzida por
Damon Lindelof que entregou a excelente minissérie de Watchmen também na HBO. O resultado é mais uma trama investigativa
do que uma história de super-heróis que funciona pelo cuidado que a série tem construído
seus personagens.
Detetives estelares
A trama compreende dois períodos de
tempo focando no Lanterna Verde Hal Jordan (Kyle Jordan) e em John Stewart
(Aaron Pierre), que está sendo treinado para se tornar um Lanterna Verde.
Durante o treinamento Hal recebe um alerta de que há algo errado em uma pequena
cidade no interior do Nebraska e vai investigar. Lá ele descobre que múltiplos alienígenas
foram assassinados em um tiroteio e que eles estavam na cidade em busca de algo
ou alguém de natureza também alienígena. O primeiro episódio termina com um
salto temporal de dez anos. John retorna ao Nebraska e a pequena cidade está
destruída, ele vai ao encontro da xerife Kerry (Kelly Macdonald) para encontrar
o corpo de Hal Jordan, assassinado com um tiro na cabeça.
Com o sucesso da série Reacher, a Amazon resolveu explorar as
possibilidades de produções derivadas começando com Neagley: Detetive Particular, que acompanha a personagem Frances
Neagley, colega de exército de Reacher, em seu trabalho como investigadora
privada. Pela natureza do trabalho dela ser um pouco diferente das aventuras de
“mendigo justiceiro” do Reacher pensei que a série fosse adotar uma estrutura
de “caso da semana” em que a protagonista atenderia clientes diferentes a cada
episódio similar à série O Rastreador, mas
a série adota uma estrutura similar à de Reachercom uma investigação contínua durante toda a temporada, talvez para não
mexer muito em uma fórmula que vem dando certo.
Seita sinistra
A trama coloca Neagley (Maria
Sten) para investigar a morte de um amigo de infância que se jogou na frente de
um trem. A polícia trata o caso como suicídio ou como acidente, já que o morto
tinha muitas drogas psicotrópicas no corpo. Neagley, no entanto, desconfia
dessa versão e resolve investigar os últimos dias do amigo, descobrindo que ele
estava há meses dentro de uma seita que vivia em uma fazenda remota controlada
por Lawrence Cole (Damon Harriman). Ao tentar investigar a seita, ela é alvo de
um ataque na estrada, mas sobrevive, confirmando o palpite de que a seita
esconde algo. Agora ela e o policial Riley (Greyston Holt) precisam resolver o
caso.
A arte é um produto de seu tempo.
Quando olhamos para um filme feito décadas atrás, por mais que gostemos dele,
provavelmente veremos elementos que mostrem o quanto essa produção é datada e
reflete certos pontos de vista que não bem aceitos como na época em que foram
realizados. O horror slasher,
principalmente aquele feito nas décadas de 70 e 80, com histórias voltadas para
personagens adolescentes e muitas vezes situados em acampamentos de férias ou
cabanas isoladas, não é exceção a essa regra. Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte se propõe a refletir
sobre o slasher apontando os seus
problemas, mas também tentando entender o fascínio que esses filmes exercem
ainda hoje.
Indústria cíclica
A narrativa é protagonizada por
Kris (Hannah Einbinder) uma jovem diretora independente contratada para
produzir um reboot da franquia de
terror Acampamento Miasma. Os executivos do estúdio esperam que ela, uma diretora
preocupada com representatividade, crie uma nova história de origem para o
assassino Little Death (Jack Haven), colocando-o como uma figura trágica e
afastando as acusações de transfobia da franquia original. Kris busca a atriz
Billy Presley (Gillian Anderson) que atuou no filme original e evitou as
continuações, mas o estúdio se opõe a trazer uma atriz sexagenária e não tão
famosa como protagonista do reboot.
A premissa aponta tendências
contemporâneas de Hollywood que recorre a cineastas independentes para tentar
revitalizar franquias cansadas sob a justificativa de renovar o olhar, mas o
que eles querem é apenas usar o nome dessas pessoas para dar algum verniz de
algo mais artístico, mais preocupado com posicionamentos políticos ou sociais,
sem de fato querer transformar nada. No mundo real diretoras como Chloe Zhao ou
Nia DaCosta são cooptadas para grandes franquias como a Marvel (em Eternose As Marvels) justamente para esse fim.
Isso é visível na cena em que
Kris conversa via Zoom com os executivos e produtores, com a preocupação deles
sendo apenas a de “limpar” os preconceitos da franquia sem mexer no resto. A
própria Kris diz isso em uma conversa com Billy, afirmando ter sido contratada
apenas por ser uma jovem e promissora diretora envolvida com questões LGBT para
dar a impressão de que os produtores se preocupam com sensibilidades
contemporâneas enquanto vendem a mesma coisa.
Passado problemático
O filme comenta mais
especificamente sobre as representações feitas pelos filmes slasher e certa tradição conservadora e
de reforçar preconceitos que esses filmes tem. Não é exatamente novidade, a
franquia Pânicojá falava um pouco
sobre como esses filmes punem com mortes sangrentas condutas como fazer sexo ou
usar drogas, além de mirarem em minorias.
Aqui, porém, o foco é em alguns
tipos de representação. Filmes como Acampamento
Sinistro (1983) traziam pessoas trans como assassinos desequilibrados como
se ser trans fosse algo aberrante e um atestado de instabilidade mental ou
conduta dissimulada. Quando Kris e Billy assistem ao Acampamento Miasma
original, elas comentam como a origem de Little Death é tratada em termos
puramente preconceituosos. As cenas de morte também seguem a cartilha da
punição, o assassino mata pessoas que transam ou que usam drogas.
As mortes são filmadas de maneira
propositalmente tosca e exagerada, com chafarizes de sangue jorrando a cada
golpe do assassino e uma física nada realista, como o momento em que Little
Death empala um adolescente com sua lança e depois bate o corpo dele em um
mastro, fazendo sua vítima explodir em mil pedaços. É algo feito não para
aterrorizar ou chocar como esses filmes originalmente faziam, mas para
satirizar o exagero dessas produções e modo virulento que essas mortes
refletiam certos preconceitos e visões conservadoras. O segmento em que Billy e
Kris assistem aos filmes antigos, no entanto, dão a sensação de que o filme se
detém neles mais do que deveria.
Paradoxos do coração
Embora tenha críticas à franquia,
Kris também exibe uma apreciação por esses filmes e tenta entender o que move
sua conexão com eles. Em suas interações com Billy, que florescem em um affair, ela pondera sobre a natureza
erótica desses filmes, da nudez, do tesão adolescente, da excitação de transar
no mato e também na tensão de correr pela vida enquanto perseguida por um
assassino, de estar em meio a uma crise dessas lutando para sobreviver e
extrair prazer disso. As falas da personagem encontram eco nas falas de Billy
sobre perder a virgindade e como ela teve o melhor orgasmo da vida ao imaginar
Little Death se aproximando.
São ideias que me remetem ao
livro A Filosofia do Horror de Noel
Carroll que analisa o porquê de consumirmos histórias de horror. O teórico
analisa como o medo e a repulsa são emoções que guiam o horror, que o prazer do
gênero vem da curiosidade com o anômalo, com o monstruoso e ter essa
curiosidade saciada. A grosso modo, queremos saber como é lidar com algo assim
imponderável, assustador, e o horror permite experimentar essas emoções sem
estarmos realmente em perigo.
A relação com o anômalo, com o
monstruoso que Kris pensa em fazer no seu filme, no entanto, não é o da
rejeição ao anômalo, ao tabu, como era no passado. Isso perpassa tanto no modo
como ela pensa no assassino Little Death como em outros tabus do slasher, em especial o sexo. O prazer, o
orgasmo, o voyeurismo não deveriam ser objetos de punição. Morte e sexo
caminhariam lado a lado em fornecer prazer e catarse. Isso fica evidente
durante o clímax no qual Kris começa a ser perseguida por Little Death e a
criatura começa a matar as pessoas que ela conhece e que passou o resto do
filme julgando silenciosamente, como sua agente ou os executivos de estúdio,
enquanto a montagem corta para imagens de Kris e Billy fazendo sexo enquanto
Little Death se aproxima delas. Há uma catarse em ver os desafetos da personagem
serem mortos enquanto que a proximidade com a morte parece tornar o sexo mais
intenso, como se a lembrança da mortalidade tornasse mais importante nossos
momentos de prazer.
O filme aborda a metalinguagem da
narrativa com um surrealismo similar ao que a diretora Jane Schoenbrun fez em
seu filme anterior, Eu Vi o Brilho da TV(2024).
As fronteiras entre a realidade e o universo subjetivo de Kris são borradas,
durante boa parte do filme não sabemos até que ponto ela está de fato sendo
observada por Little Death ou se é tudo imaginação dela. A fotografia adota uma
iluminação estourada e alterações na paleta de cores para comunicar esses
momentos de descolamento da realidade. A dimensão paralela na qual Little Death
observa nosso mundo, com paredes rosas e enrugadas, lembra um cérebro. É como
se a criatura fosse o nosso subconsciente, os desejos reprimidos de pulsão de
morte e de vida, de matar que detestamos ou como sentimos culpa pelos nossos
prazeres sexuais. Nesse sentido, a trama não apenas critica os preconceitos
carregados por esse tipo de história, mas defende suas qualidades, advogando
que esses filmes tem implicitamente uma dimensão transgressora, de apontar
tabus e prazeres considerados proibidos, defendendo que o gênero precisa
abraçar isso se quiser continuar relevante. O filme pondera que o sexo não
deveria ser punido, mas celebrado.
Eu tenho uma relação de altos e baixos
com o diretor Alejandro Iñarritu. Se por um lado aprecio e energia e a
encenação cuidadosa de produções como Birdman(2015), por outro me incomodo com seus arroubos de autoindulgência que
resultam em produções como Bardo(2023)
que se acham mais espertas do que realmente são. Esse Digger me chamou atenção por tirar Tom Cruise de sua zona de
conforto. Por anos o astro esteve preso em filmes de ação (como Missão Impossível e Jack Reacher) em que repetia a
mesma persona e Digger era uma chance de fazer algo diferente e explorar o
potencial que o ator demonstrara em produções como Magnólia (1999), Colateral (2004)
ou até mesmo em Trovão Tropical (2008).
Senhores do caos
A narrativa é focada em Digger
Rockwell (Tom Cruise) magnata do petróleo que recebe de seus funcionários a
notícia que suas operações na Groelândia causaram a separação de uma geleira
que periga destruir a Europa. Digger notifica o caquético presidente Compson
(John Goodman), mas entre fazer a coisa certa e agarrar uma oportunidade de
maiores lucros, Digger opta por continuar ganhando dinheiro.
Filmes hollywoodianos de dança
normalmente seguem uma estrutura bem similar. Há um grupo de dança, uma
competição ou disputa por uma vaga, uma rivalidade e um interesse amoroso.
Estruturalmente Conforme a Música segue
bem esse formato, mas tenta se diferenciar com ritmos musicais indianos e
números de dança que evocam Bollywood, apelido dado à indústria cinematográfica
da Índia.
Ritmo previsível
A narrativa acompanha duas amigas
que acabaram de entrar na faculdade, Maya (Maitreyi Ramakrishnan, de Eu Nunca...) e Anjali (Priyanka Kedia).
Buscando se enturmar, elas buscam as comunidades de descendentes de indianos
como elas e decidem por entrar para o grupo de dança indiana capitaneado pelo
bonitão Ronak (Ankur Rathee), por quem Anjali logo se encanta. As duas se
destacam no grupo e na hora de escolher a protagonista feminina para o número
da próxima competição há um empate entre Maya e Anjali. Sem contar para o
grupo, Ronak decide desempatar em prol de Anjali por gostar mais dela e ter
problemas com as sugestões criativas de Maya. O grupo ainda precisa pensar em
uma coreografia criativa para tentar derrubar o grupo que vem sendo campeão há
anos liderado por Selena (Neha Anushka).
Triângulos amorosos, bem como
conflitos de classe e etnia são uma constante no cinema. A produção marroquina Por Detrás das Palmeiras mistura drama e
suspense para narrar uma história sobre abismos que separam as pessoas, como
eles podem ser intransponíveis e uma crença do contrário resultar em tragédia.
Relações de poder
A narrativa se passa em
Marrakesh, capital do Marrocos. Mehdi (Driss Ramdi) trabalha com o pai em seu
negócio de construção e está prestando serviço para uma família de franceses
quando conhece Marie (Sara Giraudau), a filha dos donos da propriedade. Marie
parece se interessar por ele, mas Mehdi namora a muçulmana Salma (Nadia
Kounda). Salma se recusa a fazer sexo com Mehdi, dizendo que só podem fazer
isso depois que se casarem. Como Marie demonstra interesse nele, Mehdi vai para
cama com ela. O protagonista tenta terminar o relacionamento com Salma, dizendo
que não consegue mais esperar para terem intimidade, então Salma decide transar
com ele mesmo não estando casados. Ainda assim, Mehdi deixa Salma de lado e
continua a passar tempo com Marie apreciando seu estilo de vida de classe alta
e a possibilidade dela conseguir um emprego para ele na prestigiosa empresa de
um amigo da família. As coisas se complicam quando Salma o procura e diz que
está grávida dele.