terça-feira, 20 de outubro de 2026

Crítica – Anniversary: Mudança Radical

 

Crítica – Anniversary: Mudança Radical

Review – Anniversary: Mudança Radical
Como chegamos a esse ponto em que vários países vivem um momento de ascensão da extrema-direita? Não é como se não houvessem sinais, mas durante muito tempo eles foram ignorados ou não foram levados a sério como uma verdadeira ameaça. Anniversary: Mudança Radical pondera exatamente sobre como o fascismo cozinha as pessoas em banho maria até ser tarde demais.

Divisão familiar

A trama é focada em Ellen (Diane Lane) uma professora universitária casada com Paul (Kyle Chandler, de Lanternas). No aniversário de 25 anos de casados, seu filho caçula, Josh (Dylan O’Brien), chega em casa com a nova namorada Elizabeth (Phoebe Dyvenor). Liz foi aluna de Ellen e nesse período defendeu ideias fascistas de unir o país ao adotar um sistema de partido único e ejetando a maioria das garantias democráticas. Ellen fica assustada com alguém assim estar tão próxima do filho, principalmente por Liz parecer interessada em usar os contatos de Josh no universo editorial para publicar suas ideias. O tempo passa e o livro de Liz é publicado, se tornando um sucesso e ganhando seguidores.

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Crítica – A Queda 2: No Limite

 

Análise Crítica – A Queda 2: No Limite

Review – A Queda 2: No Limite
Quando assisti A Queda (2022) não saí pensando que era algo que merecia uma continuação. Era um suspense tolerável que acertava no sentimento de tensão e vertigem enquanto acompanhava sua protagonista presa em uma antiga torre de transmissão. A continuação traz novos protagonistas, mas falha em apresentar qualquer coisa mais interessante que o primeiro.

Escalada do caos

A trama é centrada em Jax (Harriet Slater), irmã da influencer Shiloh (Virginia Gardner) que morreu no primeiro filme. Ela ainda lida com o luto da irmã e com uma pontada de ressentimento por Shiloh sempre ter valorizado mais a amizade com Becky (Grace Caroline Curry), a sobrevivente do filme anterior, do que a relação com a irmã. Quando Jax recebe o carro que era de Becky, inúmeras pessoas aparecem querendo comprar, mas Jax não quer entregar o carro para qualquer maluco que seguia a irmã dela e tinha uma relação parassocial com ela. As coisas mudam quando Jax é procurada por Luce (Arsema Thomas), colega de faculdade de Shiloh. Elas acham o diário de Shiloh no carro e veem que ela planejava escalar uma montanha na Tailândia por uma perigosa trilha que está proibida há anos. Luce propõe então que ela e Jax façam a expedição para honrar Shiloh, mas as coisas logicamente dão errado e as duas ficam presas na montanha durante uma tempestade.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Drops – Matchbox: O Filme

 

Crítica – Matchbox: O Filme

Review – Matchbox: O Filme
Com o sucesso de Barbie (2023) Hollywood como sempre aprendeu as lições erradas e entendeu que a alta bilheteria do filme se deu porque o público estava sedento por filmes baseados em brinquedos. Vários estúdios correram para dar sinal verde em projetos baseados envolvendo linha de brinquedos e este Matchbox: O Filme, que se baseia em uma linha de carrinhos de brinquedo, é um deles.

Brincadeira de gente grande

A trama gira em torno de Sean (John Cena), um agente da CIA que tem uma ogiva nuclear roubada dele durante uma missão. A agência suspeita que ele é um traidor e detem ele, bem como seus amigos de infância, as únicas pessoas com quem ele teve alguma conexão, para tentar forçá-lo a falar. Sean consegue fugir com os amigos e agora eles precisam descobrir o que aconteceu e provar a própria inocência. E os carrinhos Matchbox, onde entram na história? Bem, quando eles eram crianças se tornaram amigos por colecionarem esses carrinhos e é só isso, eles não fazem qualquer diferença.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Crítica – Sobrevivência

 

Análise Crítica – Sobrevivência

Review – Sobrevivência
Dirigido e estrelado por Ben Affleck, Sobrevivência é um thriller político que tenta falar de vários temas ao mesmo tempo e não chega a dar conta de tudo. Não é uma produção desprovida de méritos, no entanto, também não é algo que consegue satisfazer por conta de não conseguir acompanhar as ambições que tem para si.

Política de bastidores

A trama segue Mark (Ben Affleck), candidato a prefeito de Los Angeles. Ele usou quase todo seu dinheiro e ainda está um pouco atrás nas pesquisas, começando a pensar se vale a pena esgotar seus recursos para tentar vencer. Sua esposa, Abigail (Kerry Washington), está distante dele e tem um caso com um professor chamado Ron (Ray Fisher). As coisas se complicam na noite de Halloween quando Mark recebe uma ligação de seu filho foi sequestrado, pedindo um resgate de milhões que ele não tem. Seu coordenador de campanha, Sam (Steve Yeun), lhe coloca em contato Dayle (Gillian Anderson), uma poderosa figura que opera nos bastidores da política. Ela pode conseguir o dinheiro e aconselhar Mark, mas cobra um preço alto por isso.

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Crítica – Tubarão de Guerra

 

Análise Crítica – Tubarão de Guerra

Review – Tubarão de Guerra
Fui assistir Tubarão de Guerra esperando uma podreira ao estilo “tão ruim que é bom”. Ultimamente produções desse tipo tem me decepcionado, entregando porcarias entediantes ao invés de algo trash divertido, mas felizmente esse aqui conseguiu encontrar o ponto de equilíbrio em ser ruim o bastante para ser engraçado.

Águas sangrentas

A narrativa se passa durante a Segunda Guerra Mundial, um grupo de soldados australianos no Oceano Pacífico ficam à deriva no mar depois que seu navio é destruído em um ataque aéreo japonês. Eles conseguem improvisar uma balsa com os escombros, mas sem comida, água e cercados por neblina as chances de sobreviverem são poucas. As coisas pioram quando eles percebem que um tubarão branco está cercando os destroços.

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Crítica – O Afinador

 

Análise Crítica – O Afinador

Review – O Afinador
Um afinador de pianos que usa sua capacidade auditiva para arrombar cofres é uma ideia tão bacana que me pergunto porque ninguém pensou em um filme assim antes deste O Afinador. Apesar da premissa envolver roubo, a história é menos estruturada ao redor de grandes assaltos cheios de tensão ou adrenalina e mais em um senso de realismo cotidiano.

Escuta atenta

O filme é protagonizado por Niki (Leo Woodall), um jovem afinador de pianos que trabalha como aprendiz do veterano Harry (Dustin Hoffman). Niki tem uma hipersensibilidade auditiva, usando protetores auriculares o tempo todo, mas sua capacidade facilita seu trabalho como afinador. Um dia, trabalhando no piano de um ricaço, ele vê os seguranças do local tentando penetrar no cofre. Os suspeitos apenas dizem que estão movendo os itens do cliente para um lugar mais seguro, mas Niki não acredita na conversa. Ele, no entanto, decide usar sua audição para abrir o cofre por se incomodar com o barulho que os ladrões estão fazendo. O líder do grupo se surpreende com o talento de Niki e deixa seu cartão com ele. Quando Harry é internado por problemas de saúde e a esposa dele, Marla (Tovah Feldshuh, de Crazy Ex-Girlfriend), fica sem ter como pagar as despesas médicas, Niki decide aceitar a oferta dos ladrões e se torna um arrombador de cofres.

Chama atenção o naturalismo com o qual tudo é filmado. Não é como se fosse um thriller explosivo, cheio de momentos planos mirabolantes cuja tensão vem de ver todas as variáveis do plano dando certo ou não. Aqui há um interesse no cotidiano de Niki, em entender quem ele é, o que o motiva e mesmo quando ele se envolve com crimes é tudo bastante pé no chão, com ele acompanhando um grupo de gângsteres que tem uma empresa de segurança e usam isso para roubar seus clientes. Niki simplesmente entra, abre os cofres e recebe a parte dele.

A tensão emerge da corrida contra o tempo, de abrir o cofre e sair antes que os donos da casa voltem e o filme faz um bom trabalho de criar obstáculos criveis para o progresso do protagonista. Por conta de sua sensibilidade auditiva, o processo de Niki é atrapalhado pelos membros da gangue assistindo vídeos no celular, por sons de animais e até por aviões que sobrevoam um imóvel constantemente. Assim, o filme dota essas cenas de um senso de urgência sem abrir mão do senso de realismo e cotidianidade que constrói para a narrativa.

Esse senso de realismo se dá também através dos diálogos. Muito do passado de Niki ou a relação dele com Harry e a esposa é mais inferido pelas ações dos personagens do que por diálogos expositivos com longas explicações. Mesmo quando Niki fala sobre seu problema auditivo com a namorada, a pianista Ruthie (Havana Rose Liu de Bottoms), ele menciona por alto o que aconteceu, mais próximo de como alguém contaria no mundo real ao invés de uma longa e detalhada explicação para alguém com quem começou a se relacionar. É um filme que confia no espectador para prestar atenção e entender as dinâmicas que estão em jogo, o que é cada vez mais raro em uma era em que filmes são pensados para serem assistidos enquanto as pessoas mexem nos celulares e colocam cada vez mais diálogos explicando a trama ou o que os personagens pensam e sentem.

Como muito da história gira em torno da capacidade auditiva do protagonista, o som é um elemento proeminente na produção e é usado para nos colocar em muitos momentos no “ponto de escuta” de Niki. Como o protagonista passa o tempo todo com protetores auriculares, sua percepção de ruídos é abafada. A escolha mais óbvia para fazer isso seria construir uma paisagem sonora em que os sons ao redor soassem diminuídos, mas manter isso ao longo do filme seria esquisito, prejudicaria a inteligibilidade dos diálogos e provavelmente faria uma parcela dos espectadores acharem que tem algo errado com o som do cinema ou de sua tv.

Ao invés disso, o que o filme faz é exacerbar os sons e ruídos ambientes, colocando-os mais altos do que realmente são de modo a transmitir como Niki os percebe. Nos momentos em ele está sem qualquer proteção, o som fica ainda mais alto, cheio de efeitos de distorção e microfonia para nos dar a sensação de algo estourando os ouvidos do protagonista. Em outros momentos, quando Niki coloca os protetores maiores, há um abafamento do áudio para mostrar a diferença entre os diferentes equipamentos que ele usa.

O clímax tem algumas coincidências convenientes envolvendo a namorada de Niki e um dos itens que ele roubou para tentar aumentar os riscos nos quais o protagonista se envolve. Ao menos consegue entregar um desfecho satisfatório ao encerrar com a ironia do protagonista ter a audição piorada depois de sofrer um ataque e isso resolver sua hipersensibilidade auditiva.

Entregando um thriller mais sóbrio, O Afinador tem um trabalho atento na construção de sua paisagem sonora e no senso de realismo do seu universo ficcional.

 

Nota: 7/10


Trailer

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Crítica – K2: O Desafio Final

 

Análise Crítica – K2: O Desafio Final

Review – K2: O Desafio Final
No livro-reportagem No Ar Rarefeito o jornalista Jon Krakauer narra o que experimentou durante a primeira excursão comercial para escalar o Monte Evereste, pico culminante do planeta, em 1996 (que já foi adaptada algumas vezes para cinema e tv em produções como Evereste). Dois grupos de empresas diferentes, cada um liderado por montanhistas experientes que já tinham escalado o Evereste, tentaram levar grupos de turistas com diferentes níveis de habilidade em montanhismo para o cume.

Só o cume interessa

A tentativa acabou em tragédia já que o grande número de pessoas em um espaço tão difícil de se movimentar, tornava tudo mais lento, deixando todos mais vulneráveis a intempéries e imprevistos por conta das janelas de tempo ideal para atacar o cume serem bem reduzidas. Como se trata de uma expedição comercial, com turistas pagando para serem levados ao cume, os guias não podem simplesmente dizer que não dá para escalar e voltar, as pessoas querem receber o que pagaram e ao menos terem a sensação de que tentaram chegar ao cume, obrigando os guias a fazerem tentativas de escalar e assumirem riscos que provavelmente não fariam de outro modo.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Drops – Golpe Explosivo

 

Crítica – Golpe Explosivo

Review – Golpe Explosivo
Dirigido por David Mackenzie, responsável pelo excelente A Qualquer Custo (2016), Golpe Explosivo é um thriller que tenta fazer muita coisa ao mesmo tempo e acaba não fazendo bem nenhuma das coisas que tenta.

Bomba relógio

A trama começa quando uma bomba da época da Segunda Guerra Mundial é encontrada em um canteiro de obras no centro de Londres. O especialista em bombas Will (Aaron Taylor Johnson) é despachado para analisar o explosivo e desarmá-lo com segurança. Enquanto Will e os militares tentam neutralizar os explosivos, um grupo de ladrões liderados por Karalis (Theo James) aproveita a evacuação no centro da cidade para roubar um banco. A superintendente Zuzana (Gugu Mbatha-Raw) nota a movimentação atípica em uma área evacuada por imagens térmicas de satélite e tenta investigar o que está acontecendo.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Crítica – Lanternas

 

Análise Crítica – Lanternas

Review – Lanternas
Tirando o filme do Superman (2025), a maioria das produções do novo universo DC até agora tem sido focado em personagens menores ao invés de trazer os principais heróis que irão eventualmente compor a Liga da Justiça. A série Lanternas vinha com expectativas ao focar nos Lanternas Verdes e, pessoalmente, por ser produzida por Damon Lindelof que entregou a excelente minissérie de Watchmen também na HBO. O resultado é mais uma trama investigativa do que uma história de super-heróis que funciona pelo cuidado que a série tem construído seus personagens.

Detetives estelares

A trama compreende dois períodos de tempo focando no Lanterna Verde Hal Jordan (Kyle Jordan) e em John Stewart (Aaron Pierre), que está sendo treinado para se tornar um Lanterna Verde. Durante o treinamento Hal recebe um alerta de que há algo errado em uma pequena cidade no interior do Nebraska e vai investigar. Lá ele descobre que múltiplos alienígenas foram assassinados em um tiroteio e que eles estavam na cidade em busca de algo ou alguém de natureza também alienígena. O primeiro episódio termina com um salto temporal de dez anos. John retorna ao Nebraska e a pequena cidade está destruída, ele vai ao encontro da xerife Kerry (Kelly Macdonald) para encontrar o corpo de Hal Jordan, assassinado com um tiro na cabeça.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Crítica – Neagley: Detetive Particular

 

Análise Crítica – Neagley: Detetive Particular

Review – Neagley: Detetive Particular
Com o sucesso da série Reacher, a Amazon resolveu explorar as possibilidades de produções derivadas começando com Neagley: Detetive Particular, que acompanha a personagem Frances Neagley, colega de exército de Reacher, em seu trabalho como investigadora privada. Pela natureza do trabalho dela ser um pouco diferente das aventuras de “mendigo justiceiro” do Reacher pensei que a série fosse adotar uma estrutura de “caso da semana” em que a protagonista atenderia clientes diferentes a cada episódio similar à série O Rastreador, mas a série adota uma estrutura similar à de Reacher com uma investigação contínua durante toda a temporada, talvez para não mexer muito em uma fórmula que vem dando certo.

Seita sinistra

A trama coloca Neagley (Maria Sten) para investigar a morte de um amigo de infância que se jogou na frente de um trem. A polícia trata o caso como suicídio ou como acidente, já que o morto tinha muitas drogas psicotrópicas no corpo. Neagley, no entanto, desconfia dessa versão e resolve investigar os últimos dias do amigo, descobrindo que ele estava há meses dentro de uma seita que vivia em uma fazenda remota controlada por Lawrence Cole (Damon Harriman). Ao tentar investigar a seita, ela é alvo de um ataque na estrada, mas sobrevive, confirmando o palpite de que a seita esconde algo. Agora ela e o policial Riley (Greyston Holt) precisam resolver o caso.