Eu não era nascido quando
aconteceu o acidente radioativo com o césio-137 em Goiânia, mas lembro de ouvir
na escola a respeito dele. Um caso que se tornou símbolo da importância do
controle da circulação de elementos radioativos e como o menor dos vazamentos
pode trazer riscos catastróficos. Produzida pela Netflix, a minissérie Emergência Radioativa tenta recontar
essa história e como o descaso das autoridades causou consequências.
Cidade irradiada
A narrativa reconta o caso da
contaminação radioativa em Goiânia, que começa quando uma dupla de sucateiros
encontra a carcaça de uma máquina de raio-x em uma clínica desativada. Eles
levam o material para o ferro-velho de Evenildo (Bukassa Kabengele), que compra
o material por conta do valor do chumbo. Ele abre o dispositivo e encontra o
cabeçote que armazenava o pó radioativo do césio, achando bonito o pó brilhante
e levando ele para casa. Dias depois, a família dele começa a passar mal e a
esposa de Evenildo leva o cabeçote para um posto da vigilância sanitária
suspeitando que o objeto seja responsável. É nesse ponto que o físico nuclear
Márcio (Johnny Massaro), que está na cidade para o aniversário do pai, é
chamado por um colega da vigilância sanitária e faz a medição da radiação,
alertando o secretário de saúde da gravidade da situação. As autoridades são
alertadas e o físico Benny Orenstein (Paulo Gorgulho), membro da Comissão
Nacional de Energia Nuclear, vem do Rio de Janeiro para liderar a força tarefa
responsável para conter a contaminação e tratar os contaminados.