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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Crítica – Família de Aluguel

 

Análise Crítica – Família de Aluguel

Review – Família de Aluguel
Como qualquer país o Japão tem sua parcela de paradoxos e contradições. Por um lado é um país bastante avançado tecnologicamente, com uma ética de trabalho admirável. Por outro ainda é uma sociedade extremamente rígida e apegada a tradições, inclusive em relação a questões de gênero, sexualidade e relacionamentos. Família de Aluguel explora algumas dessas contradições do país ao observar dinâmicas de relações familiares.

Performance cotidiana

A narrativa é protagonizada por Philip (Brendan Fraser), um ator dos Estados Unidos que mora há anos no Japão e cuja carreira está estagnada. As coisas mudam para ele quando vai trabalhar na empresa de Shinji (Takehiro Hira, de Monarch: Legado de Monstros) que contrata atores para atuarem como “familiares de aluguel” para seus clientes. Boa parte desses serviços visa contornar tradições rígidas da vida familiar japonesa. Uma jovem lésbica contrata Philip para posar como seu marido para os pais para finalmente poder sair do país e viver com a namoradas. Maridos adúlteros contratam as atrizes para se passarem por suas amantes para pedir perdão às esposas sem precisar expor suas amantes reais. Uma mãe pede a Philip para se passar por seu marido para que sua filha tenha chance em entrar em uma escola de prestígio, já que uma mãe solteira não seria bem vista.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Crítica – Dinheiro Suspeito

 

Análise Crítica – Dinheiro Suspeito

Review – Dinheiro Suspeito
Sinto que desde que chamou atenção com o ótimo Narc (2002), o diretor Joe Carnahan nunca mais fez algo no mesmo nível, variando entre algumas coisas divertidas, mas pouco memoráveis, como seu reboot de Esquadrão Classe A (2010), ou péssimas, como pavoroso Shadow Force: Sentença de Morte (2025). Talvez por conta disso fui assistir esse Dinheiro Suspeito, produzido pela Netflix, esperando mais um chorume genérico de streaming, no entanto, o resultado é um sólido thriller e o melhor trabalho de Carnahan em muito tempo.

A cor do dinheiro

A narrativa é levemente baseada na história real de agentes de Narcóticos da Flórida que encontraram mais de vinte milhões de dinheiro de tráfico de drogas guardado em uma casa. Aqui a trama é protagonizada por Dane (Matt Damon), o segundo no comando de sua unidade que assume a liderança depois que sua capitã, Jackie (Lina Esco), é assassinada em uma emboscada ainda não investigada. Dane leva sua unidade a uma casa nos subúrbios depois de supostamente receber uma denúncia de que o local guardava dinheiro dos cartéis. Chegando lá, a única habitante é Desi (Sasha Calle, a Supergirl de Flash) que diz não saber nada do dinheiro. Investigando o local, descobrem ainda mais dinheiro do que a denúncia inicial sugeria e logo eles sabem que virarão alvos. Dane decide seguir o protocolo de contar o dinheiro no local e depois chamar o comando para vir pegá-los, mas o tempo para contar tanto dinheiro significa mais tempo para as coisas darem errado, seja em termos dos donos do dinheiro aparecerem, seja porque os membros da unidade podem se interessar em ficar com parte do valor.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Crítica – Song Sung Blue: Um Sonho a Dois

 

Análise Crítica – Song Sung Blue: Um Sonho a Dois

Review – Song Sung Blue: Um Sonho a Dois
Biografias de artistas da música normalmente se debruçam sobre figuras de grande sucesso, que marcaram época e tiveram canções que ficaram no imaginário da população. O que me chamou atenção neste Song Sung Blue: Um Sonho a Dois foi justamente o fato do filme ir na contramão disso ao acompanhar uma dupla de músicos de modesto sucesso local.

Música em família

A trama se baseia na história real do casal Mike (Hugh Jackman) e Claire (Kate Hudson) Sardina, duas pessoas de meia idade que se apaixonam pelo desejo de viver de música e juntos formam uma banda-tributo a Neil Diamond que faz muito sucesso na cidade de Milwaukee. A narrativa mostra as vidas difíceis dos dois e como eles se conectam pelo amor música, com a banda servindo para que eles superem os momentos mais difíceis de suas vidas.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Crítica – Palm Royale: 2ª Temporada

 

Análise Crítica – Palm Royale: 2ª Temporada

Review – Palm Royale: 2ª Temporada
Depois de uma divertida primeira temporada, Palm Royale entra em sua segunda temporada investindo ainda mais em seus excessos folhetinescos. Ainda que seja sustentado pelo ótimo elenco, esse segundo ano acaba sendo um pouco inferior que o primeiro.

Fundos de família

A narrativa se passa meses depois do fim da primeira temporada. Maxine (Kristen Wiig) foi colocada em um manicômio e Linda (Laura Dern) fugiu do país depois de ser considerada a responsável pelo tiroteio que aconteceu no Palm Royale. Já recuperada, Norma (Carol Burnett) incentiva Douglas (Josh Lucas) a casar com Mitzi (Kaia Garber) que está grávida dele para que finalmente possam desbloquear o fundo fiduciário para um herdeiro da família Dellacorte assim que o bebê nascer. Como os Dellacorte morreram cedo e sem filhos, nas últimas décadas, com Norma e Douglas sendo os últimos remanescentes, essa pode ser a única esperança de acessar o dinheiro. O problema é que no final da temporada descobrimos que Norma não é quem diz ser, tendo assumido o lugar da verdadeira Norma quando estudou com ela em um colégio interno na juventude e Maxine busca meios de revelar a fraude de Norma.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Crítica – Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria

 

Análise Crítica – Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria

Review – Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
Dirigido por Mary Bronstein, Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria transita entre o horror, a comédia, o drama e o surrealismo para acompanhar a ansiedade constante da maternidade, em especial quando uma mãe tenta lidar com tudo sozinha, cuidando da filha, tendo uma profissão e ainda lidando com os problemas do lar. É um exame angustiante de uma mulher em crise que não dá ao espectador ou a sua protagonista um instante para respirar.

Crise maternal

A narrativa é protagonizada por Linda (Rose Byrne) uma mulher lidando com uma misteriosa doença que acomete a filha, obrigando a garota a usar uma sonda. Ela também se encontra morando em um quarto de hotel, já que o teto de seu apartamento desabou por conta de mofo e de encanamento defeituoso. Ela lida com tudo isso sozinha já que o marido (Christian Slater) é um militar que trabalha longe. Linda trabalha como terapeuta e uma de suas pacientes, a jovem mãe Caroline (Danielle Macdonald), desaparece no meio de uma sessão e deixa seu bebê no consultório. Linda faz terapia para tentar enfrentar todas essas crises, mas sente que seu terapeuta (Conan O’Brien) não dá a mínima para ela.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Crítica – Marty Supreme

 

Análise Crítica – Marty Supreme

Review – Marty Supreme
Os irmãos Josh e Benny Safdie dirigiram juntos filmes intensos como Bom Comportamento (2017) e Joias Brutas (2019). Esse ano eles resolveram trabalhar cada um em um projeto solo, com Benny dirigindo o morno Coração de Lutador e Josh conduzindo este Marty Supreme, que é bem mais próximo da energia insana dos filmes da dupla.

Destino na mesa

A narrativa se passa na Nova Iorque da década de 50 e acompanha Marty (Timothee Chalamet), um jovem que trabalha na loja de sapatos do tio, mas que sonha em se tornar uma estrela do ping pong. Ele larga o emprego, roubando dinheiro da loja financiar a viagem já que tem a certeza que vencerá o campeonato e voltará como um herói com fama e dinheiro para fazer todos os seus problemas sumirem. Os planos de Marty não dão certo e ele volta ao país com dívidas e problemas com a lei, ainda assim ele acredita que se conseguir vencer o próximo torneio, que será no Japão, ele conseguirá resolver tudo. No percurso ele tenta conseguir patrocínio do empresário Milton Rockwell (Kevin O’Leary, em um papel que certamente iria para Bob Hoskins se esse filme fosse feito nos anos 90), mas se envolve com a esposa dele, a atriz Kay Stone (Gwyneth Paltrow), que é infeliz no relacionamento e quer voltar a atuar. As coisas se complicam ainda mais quando Rachel (Odessa A’zion), uma garota com quem Marty se relacionou no passado, aparece grávida dizendo que o filho é dele.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Crítica – O Beijo da Mulher Aranha (2025)

 

Análise Crítica – O Beijo da Mulher Aranha (2025)

Review – O Beijo da Mulher Aranha (2025)
Escrito por Manuel Puig, o romance O Beijo da Mulher Aranha já tinha sido levado aos cinemas em 1985 no ótimo filme homônimo dirigido por Hector Babenco e estrelado por Raul Julia e William Hurt. O texto foi também levado ao teatro, onde foi adaptado como musical e agora esse musical teatral é levado aos cinemas neste novo O Beijo da Mulher Aranha.

Porões da ditadura

A narrativa se passa em 1983 durante a ditadura militar argentina. Valentin Arregui (Diego Luna, em mais um papel de revolucionário depois de Andor) é um preso político detido por seu envolvimento em movimentos contra a ditadura. Ele vai parar na mesma cela que Luis Molina (Tonatiuh), um homem gay preso por “atos obscenos”. Para lidar com a realidade brutal da prisão, Molina fala sobre os filmes que gosta. Arregui inicialmente se aborrece com a conduta pueril do companheiro de cela, mas logo ele passa a se interessar sobre a narrativa de Molina, usando-a para debater sobre política e como o cinema transmite ideologias. Os dois logo se tornam amigos e tentam sobreviver juntos aos horrores do lugar, principalmente às torturas.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Crítica – Predador: Terras Selvagens

 

Análise Crítica – Predador: Terras Selvagens

Review – Predador: Terras Selvagens
Em Predador: A Caçada (2022) e Predador: Assassino de Assassinos (2025) o diretor Dan Trachtenberg parece ter encontrado a fórmula para fazer os filmes do Predador funcionarem: situar a trama em um período histórico específico e colocar os yautja para enfrentar guerreiros de diferentes épocas. Agora com Predador: Terras Selvagens o diretor tenta sacudir essa fórmula.

Caçada selvagem

A narrativa é protagonizada por Dek (Dimitrius Schuster-Koloamatangi), um jovem yautja que é considerado fraco pelo seu clã por ser menor que o padrão da raça. Seu irmão, Kwei (Mike Homik) tenta treiná-lo para que prove seu valor, mas o pai deles vê o esforço de Kwei em proteger o irmão como fraqueza e tenta matar os dois. Dek sobrevive e para provar a força ao pai e conquistar seu dispositivo de camuflagem viaja até um remoto e perigoso planeta para caçar uma criatura que dezenas de outros predadores tentaram e falharam. Chegando lá ele encontra a sintética Thia (Elle Fanning), uma androide a serviço a corporação Weyland-Yutani (sim, a mesma de Alien) que está ali em uma missão para capturar a mesma criatura. Dek decide ajudar Thia a consertar suas pernas em troca do conhecimento dela a respeito da fauna e flora hostis do lugar. Agora os dois precisam enfrentar tanto as criaturas do planeta, quanto as tropas da Weyland, que veem o yautja como uma ameaça aos planos e Thia como um fracasso a ser descartado.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Crítica – Influencer do Mal: A História de Jodi Hildebrandt

 

Análise Crítica – Influencer do Mal: A História de Jodi Hildebrandt

Review – Influencer do Mal: A História de Jodi Hildebrandt
Produzido pela Netflix, Influencer do Mal: A História de Jodi Hildebrandt é mais um daqueles documentários true crime para streaming que segue à risca a cartilha do formato e se sustenta mais pela história tenebrosa que conta do que pelo modo como conta essa história.

Tratamento de choque

A história começa quando uma criança é encontrada vagando pelas ruas de uma pequena cidade do estado de Utah. A criança está visivelmente desnutrida e tem ferimentos nos braços e nas pernas que denotam que ela estava amarrada. As autoridades descobrem que ela escapou da casa da influencer Jodi Hildebrandt e que outras crianças estavam sendo mantidas em cativeiro lá. A investigação acaba por revelar anos de abusos cometidos por Jodi, maltratando crianças e afastando casais, sob a justificativa de serem métodos psicoterapêuticos.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Crítica – Wicked: Parte 2

 

Análise Crítica – Wicked: Parte 2

Review – Wicked: Parte 2
Depois de uma ótima primeira parte, esperava que Wicked: Parte 2 entregasse um clímax tão bacana quanto. Infelizmente isso não acontece, com a segunda parte falhando em dar a devida dimensão aos eventos que seguem a rebelião de Elphaba (Cynthia Erivo) contra o Mágico de Oz (Jeff Goldblum).

Magia enganosa

Depois dos eventos da primeira parte, Elphaba decide enfrentar o Mágico e denunciar suas mentiras para o povo de Oz. O regime do mágico, no entanto, usa toda sua capacidade de comunicação para convencer as pessoas que Elphaba quer destruir Oz e é uma inimiga do povo. Glinda (Ariana Grande) se alia ao Mágico e a Madame Morrible (Michelle Yeoh) já que eles dão tudo que ela sempre quis. Ainda assim Glinda teme por Elphaba e deseja resolver o conflito entre ela e o mágico.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Crítica – O Sobrevivente

 

Análise Crítica – O Sobrevivente

Review – O Sobrevivente
Lançado em 1987, O Sobrevivente adaptava o romance O Concorrente de Stephen King em uma típica farofa oitentista de ação protagonizada por Arnold Schwarzenegger, cheio de canastrice e frases de efeito. Agora o diretor Edgar Wright (de Em Ritmo de Fuga e Noite Passada em Soho) tenta fazer uma adaptação mais próxima à distopia criada por King e a crítica social que o autor tentava fazer.

Jogos vorazes

A narrativa se passa em um futuro no qual há um abismo social ainda maior no qual os ricos vivem em bairros fechados, cheios de segurança, enquanto os mais pobres são abandonados à própria sorte em periferias sujas. Ben (Glen Powell, de Twisters e Todos Menos Você) acaba de perder o emprego e a filha está doente. Sem ter como pagar o tratamento ele tenta se candidatar a uma das várias competições televisivas que permitem aos mais pobres ganhar algum dinheiro às custas de humilhação ou perigo. A raiva dele contra o sistema o faz ser selecionado para a principal e mais mortal das competições. Chamada de “o sobrevivente” é um reality show no qual os participantes precisam sobreviver por trinta dias sendo caçados pelas autoridades e vigiados pela população para ganhar um prêmio milionário.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Crítica – Stranger Things: 5ª Temporada

 

Análise Crítica – Stranger Things: 5ª Temporada

Review – Stranger Things: 5ª Temporada
Com intervalos entre temporadas cada vez maiores e o elenco infantil já tendo crescido para além da idade de seus personagens. A impressão é que Stranger Things perdeu parte do fôlego e do que o tornava interessante chegando nessa temporada final. Esse ano derradeiro até consegue entregar um final que respeita seus personagens e encerra seus ciclos, mas o caminho até lá não é dos melhores.

Hawkins sitiada

A narrativa retorna um ano e meio depois dos eventos da quarta temporada. Com a abertura das fendas, Hawkins foi ocupada por militares que fecharam a cidade e controlam todo o fluxo de entrada e saída. Para a população foi só um evento geológico, mas Mike (Finn Wolfhard), Onze (Millie Bobby Brown) e os demais sabem que é Vecna (Jamie Campbell Bower) que está por trás de tudo. Os militares controlam principalmente uma área com uma grande fenda para o mundo invertido, com a implacável doutora Kay (Linda Hamilton) tendo assumido a pesquisa de Brenner (Matthew Modine). Kay não só tem pesquisado o mundo invertido como também está atrás de Onze, acreditando que a garota ainda está em Hawkins. Assim, o grupo precisa tanto deter Vecna quando se manter longe dos olhos dos militares.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Crítica – Valor Sentimental

 

Análise Crítica – Valor Sentimental

Review – Valor Sentimental
É interessante como nossas memórias, nossas histórias pessoais e afetos estão muito conectados a objetos, a lugares. Coisas que quando retornamos a elas nos levam de volta a diferentes momentos de nossas vidas. Em Valor Sentimental o diretor Joachim Trier explora como a arte mobiliza essas relações com espaços, tempos, memórias e afetos.

Histórias que contamos

A narrativa acompanha Nora (Renate Reinsve, do excelente A Pior Pessoa do Mundo) uma atriz que tem uma relação distante com o pai, o diretor de cinema Gustav (Stellan Skarsgard). Um dia Gustav procura Nora dizendo que escreveu para ela o papel de protagonista em seu próximo filme e que ele será filmado na antiga casa da família em que Gustav cresceu e na qual criou as filhas. Nora recusa, afirmando que não consegue dialogar com o pai e Gustav segue para fazer o filme sem ela. Gustav contrata a jovem atriz estadunidense Rachel (Elle Fanning) para o papel que seria de Nora e consegue financiamento de uma plataforma de streaming. Quando Gustav e Rachel vão para a casa da família, o processo de ensaios mexe tanto com as memórias dele quanto com as das filhas Nora e Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas).

sábado, 27 de dezembro de 2025

Crítica – Pluribus

 

Análise Crítica – Pluribus

Resenha Crítica – Pluribus
Nova série de Vince Gilligan, criador de Breaking Bad, Pluribus estreou cercada de mistério. Só se sabia que era uma ficção científica e que seria estrelada por Rhea Seehorn, com quem Gilligan trabalhou em Better Call Saul. O primeiro episódio fazia parecer mais uma trama de invasão alienígena, mas logo a narrativa se desloca de elementos familiares do gênero para falar de questões mais contemporâneas. Aviso que o texto contem SPOILERS da temporada.

Júbilo coletivo

Na série, cientistas encontram uma mensagem vinda do espaço. A mensagem traz uma sequência de DNA. Eles sintetizam essa sequência e começam a experimentar em ratos, mas logo um pesquisador é mordido e sua primeira ação é infectar o maior número de pessoas possível. Descobrimos que todos os “infectados” se unem em uma espécie de mente coletiva que vive em plena harmonia, mas alguns humanos se mostram imunes ao processo. Carol Surka (Rhea Seehorn) é uma entre cerca de uma dúzia de pessoas ao redor do mundo que é imune à infecção da mente coletiva. O coletivo não parece inicialmente hostil, disposto a ajudar Carol e conversar com ela, mas a escritora desconfia deles, principalmente porque no processo de “união” sua companheira, Helen (Miriam Shor), morre.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Crítica – Um Natal Surreal

 

Análise Crítica – Um Natal Surreal

Review – Um Natal Surreal
De início não me interessei muito por Um Natal Surreal. Parece mais uma daquelas comédias natalinas que inundam streamings sempre que chegam as festas de fim de ano, a única coisa que me atraiu a ele foi a presença de Michelle Pfeiffer. Infelizmente a estrela não consegue sozinha carregar uma produção tão sem alma.

Natal materno

A trama parte de uma ideia interessante. Narrativas de Natal são sempre centradas em figuras masculinas, nos pais de família, com as mulheres tendo pouco espaço e seu trabalho para fazer as comemorações familiares sendo invisibilizado. Assim, a narrativa foca Claire (Michelle Pfeiffer) uma mãe de família que está dobrando os esforços para as festas já que todos os seus filhos estão vindo para casa. Ela pede que os filhos façam um vídeo indicando ela para uma competição de mães no programa de auditório de Zazzy Tims (Eva Longoria), mas eles a ignoram. Quando seus filhos, Channing (Felicity Jones), Taylor (Chloe Grace Moretz) e Sammy (Dominic Sessa, de Os Rejeitados) chegam em casa eles continuam a ignorá-la, esquecendo Claire em casa quando vão em um passeio em família. Farta de ser menosprezada, ela decide viajar sozinha no natal.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Crítica – Avatar: Fogo e Cinzas

 

Crítica – Avatar: Fogo e Cinzas

Review – Avatar: Fogo e Cinzas
Depois do bacana Avatar: O Caminho da Água (2022), este Avatar: Fogo e Cinzas dá a impressão de que o diretor James Cameron está se repetindo. Originalmente esses dois filmes seriam uma história só, mas Cameron preferiu dividir em dois e é visível que tudo foi pensado junto, já que esse filme traz os mesmos temas, conflitos e até situações do anterior.

Fogo selvagem

Depois dos eventos do segundo filme, Jake (Sam Worthington), Neytiri (Zoe Saldana) e o resto da sua família lidam com a perda do filho. As coisas se complicam quando o suprimento de oxigênio de Spider (Jack Champion) começam a dar problemas e Jake pensa que talvez seja melhor que o humano vá morar no esconderijo dos demais humanos que se aliaram aos Na’vi. Na viagem eles são atacados por saqueadores da tribo do fogo liderados por Varang (Oona Chaplin) e Spider fica sem oxigênio. Para que ele não morra, Kiri (Sigourney Weaver) usa sua conexão com Eywa para ajudá-lo e fungos da floresta se entranham no corpo dele, permitindo que ele respire o ar de Pandora. Isso torna Spider dos humanos no planeta, já que a autonomia das máscaras de oxigênio facilitaria a colonização. Para capturar o garoto, Quaritch (Stephen Lang) forma uma aliança com Varang e ambos se unem para encontrar o esconderijo de Jake.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Crítica – Foi Apenas um Acidente

 

Análise Crítica – Foi Apenas um Acidente

Review – Foi Apenas um Acidente
Dirigida por Jafar Panahi, a produção iraniana Foi Apenas um Acidente é uma reflexão poderosa sobre os impactos da violência e do autoritarismo, ponderando como essas marcas afetam a vida das pessoas e pequenos eventos podem servir de gatilhos para traumas antigos. É simultaneamente bem acessível na complexidade moral e política que tenta discutir, mas denso e duro de acompanhar por conta das vivências duras que narra.

Memórias do cárcere

A trama começa com uma família dirigindo à noite, um homem, uma mulher e sua filha pequena. O homem (Ebrahim Azizi) acidentalmente atropela um cachorro e para em uma oficina para consertar o carro. O mecânico, Vahid (Vahid Mobasseri), se assusta com a chegada do homem, reconhecendo o som da prótese que ele tem na perna como o mesmo do carcereiro que o torturou na prisão anos atrás. Vahid então decide seguir o homem e o sequestra na rua, levando ao meio do deserto para enterrá-lo vivo e se vingar do que foi feito com ele. O homem, no entanto, nega ser Eghbal, afirmando que perdeu a perna cerca de um ano atrás e mostrando a Vahid que suas cicatrizes de amputação são recentes. Em dúvida, Vahid procura outros companheiros de cárcere para se certificar de que aquele é mesmo Eghbal antes que possa completar sua vingança.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Crítica – It: Bem-Vindos a Derry

 

Análise Crítica – It: Bem-Vindos a Derry

Review – It: Bem-Vindos a Derry
Quando foi anunciado, esperei o pior da série It: Bem-Vindos a Derry. Era o tipo de projeto que soava como mais um prelúdio caça-níqueis feito para capitalizar em cima de uma produção conhecida em uma Hollywood cada vez mais aversa a riscos e nem mesmo a presença de Andy Muschietti, responsável pelos dois It: A Coisa, no comando da série me empolgava. Fui conferir a estreia por pura curiosidade e fui imediatamente fisgado. Claro, a aversão a riscos e explorar o sucesso de um nome conhecido pode de fato ter sido o gatilho para que o projeto fosse aprovado, mas o resultado final é muito bom.

Cidade do Medo

A narrativa se passa na Derry da década de 60. O major Leroy Hanlon (Jovan Adepo) chega na cidade para uma missão secreta na base militar do local. Lá ele conhece Dick Halloran (Chris Chalk), um aviador com dons sobrenaturais que aparentemente está ajudando os militares a encontrar algo nos subterrâneos da cidade. Ao mesmo tempo um grupo de crianças liderados por Lilly (Clara Stack) tenta investigar a morte de um garoto local, mas esbarram em Pennywise (Bill Skarsgard) como o responsável pelo desaparecimento de crianças na cidade. Will (Blake Cameron James), filho de Leroy eventualmente se juntando ao grupo, conectando os dois núcleos.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Crítica – Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out

 

Análise Crítica – Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out

Review – Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out
O primeiro Entre Facas e Segredos (2019) é um divertido suspense que brincava com os clichês da era de ouro do romance policial e nos apresentava a um interessante protagonista no excêntrico detetive Benoit Blanc. O segundo filme, Glass Onion (2022), dobrou a aposta na sátira apresentando um mistério que fazia piada em cima dos excessos barrocos desse tipo de narrativa e como esse encadeamento de reviravoltas grandiloquentes muitas vezes é feito para parecer mais inteligente do que se é, dando a impressão de algo complexo quando na verdade é simples, como a “cebola de vidro” que dá título ao filme. Já este Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out é o mais sério dos três, ainda que muito autoconsciente dos clichês com os quais trabalha e faça graça com ele.

Os crimes do padre Jud

A trama acompanha o jovem padre Jud (Josh O’Connor, de Rivais) que é enviado para uma paróquia remota chefiada pelo amargo monsenhor Wicks (Josh Brolin), um sacerdote conservador que tem prazer em constranger os membros da congregação. Quando Wicks é assassinado durante uma missa, sendo encontrado no pequeno armário ao lado do altar, as autoridades tem dificuldade de resolver crime, já que ele estava em um espaço fechado e ninguém tinha acesso a ele. Nesse momento chega o detetive Benoit Blanc (Daniel Craig) para ajudar o padre a resolver o mistério.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Crítica – Jay Kelly

 

Análise Crítica – Jay Kelly

Review – Jay Kelly
A todo o momento em nossas vidas estamos adequando nosso comportamento ao contexto nos quais nos inserimos, adotando diferentes posturas nos diferentes espaços. Na prática, construímos diferentes performances do nosso “eu”. Novo filme de Noah Baumbach, Jay Kelly examina como o nosso senso de si pode se perder em meio a essas performances constantes.

O cara interpretando um cara

Jay Kelly (George Clooney) é um bem-sucedido astro do cinema. Ele é famoso, ele é bem reconhecido, mas seu trabalho já não lhe dá a mesma satisfação de antes. Ele também sente que os anos dedicados à carreira o afastaram das filhas Jessica (Riley Keough), com quem tem uma relação conturbada, e a caçula Daisy (Grace Edwards) que está prestes a sair de casa. A crise de Jay se agrava quando ele reencontra Timothy (Billy Crudup), um antigo colega de teatro e amigo. O papel que catapultou Jay ao estrelato veio por acaso, quando ele acompanhou Timothy em um teste e o diretor ignorou Timothy e se interessou por Jay. No reencontro Timothy ainda revela um ressentimento por Jay ter obtido um sucesso que acreditava pertencer a ele. Tudo isso faz Jay repensar seu lugar na indústria e ele abandona o set do seu mais recente projeto para ir ficar com Grace que viajou para a Europa com amigas. O agente de Jay, Ron (Adam Sandler), resolve acompanhar o cliente para que ele não se meta em problemas.

A citação a Sylvia Plath que inicia o filme deixa evidente que o foco da narrativa é a dificuldade de ser você mesmo e encarar quem se é quando é muito mais fácil ser outra pessoa (criando uma performance de si) ou vivendo em fuga de si. Jay, com toda sua aura de astro, é alguém que passou tantos anos performando uma identidade, agindo como o grande astro que todos esperam que ele seja, que perdeu de vista quem ele realmente é por trás de todo esse comportamento construído ao longo de vários anos.

George Clooney é uma escolha precisa para interpretar um astro carismático e respeitado, convencendo desde o início do magnetismo pessoal de Jay e como ele seria capaz de se tornar uma grande estrela. Além do carisma, Clooney traz ao personagem uma melancolia e vulnerabilidade que certamente vem de suas próprias experiências em Hollywood e como o topo pode ser um lugar solitário. Ao lado dele está um eficiente Adam Sandler que evoca o mesmo tipo de sujeito neurótico e cheio de raiva contida que costuma interpretar em suas comédias, mas se lá ele normalmente descamba para a caricatura, aqui o texto e a condução de Baumbach dão ao personagem elementos para que ele tenha mais camadas. Alguém que é tão devotado ao seu principal cliente e tão focado em fazer o que ele demanda que as linhas entre o pessoal e o profissional se borraram e ambos perderam a capacidade de separar as coisas.

Viagem interior

Ao longo da viagem pela Europa, Jay rememora a juventude, lembrando os momentos marcantes da carreira, mas também seus fracassos, em especial a relação distante com Jessica, que ressente o pai por preferir suas famílias da ficção do que com sua filha real. A dor dela é sentida principalmente na cena em que ela diz ter se emocionado mais com pai vendo ele interpretar um pai de família no cinema do que em qualquer uma das poucas interações reais que teve com ele. A escolha de colocar Jay para caminhar em meio aos próprios flashbacks, como se assistisse alguém encenar sua vida e fosse um espectador da própria história ajuda a comunicar a dissociação que há entre quem ele é de fato e a sua persona midiática.

Por mais que o texto e o elenco construa bem o dilema dos personagens, o material não afasta a sensação de que o drama existencial de Jay nunca soa como uma grande crise que vai trazer mudanças ou riscos severos para o personagem. Mesmo que ele de fato abandone o filme e desista de atuar, ele ainda vai ser um milionário com uma vida bastante confortável, então profissionalmente não há nada em risco. No plano pessoal é a mesma coisa. Por mais ele tenha sido um pai ausente, não se reconectar com as filhas nesse momento específico não soa como algo que o fará perdê-las para sempre, principalmente por ele ter meios e recursos para contatá-las quando bem entender. Assim, a narrativa nunca consegue transmitir que essa crise é o ponto de virada irreversível do personagem que o texto tenta nos convencer que é.

Mesmo com essa sensação de que falta drama, Jay Kelly se sustenta pelo carisma de George Clooney e pelo modo como pensa sobre a natureza performática da identidade.

 

Nota: 7/10


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