Mostrando postagens com marcador Crítica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crítica. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Crítica – Cartum

 

Análise Crítica – Cartum

Review – Cartum
Filmar a realidade é estar aberto para imprevistos e mudar os planos conforme a realidade filmada se transforma e impacta as vidas dos sujeitos documentados. É isso que acontece em Cartum, cuja premissa inicial era acompanhar a vida de cinco pessoas do Sudão de diferentes idades e origens para acompanhar suas vidas e o que pensavam do país. Um golpe militar seguido de uma guerra civil muda os planos do documentário, já que tanto a equipe quanto os personagens são deslocados de seus territórios. Fora do Sudão, os realizadores e personagens comentam sobre como sobreviveram e o que ainda esperam do futuro.

Mediando memórias

O filme gira em torno de cinco personagens. Os garotos Lokain e Wilson, que vivem de coletar material reciclável, o servidor público Madji, a vendedora de chá Khadmalla e o ativista político Jawad. Usando chroma-key, o filme tenta fazer os sujeitos recriarem suas experiências antes e durante a guerra, recorrendo também a imagens captadas pelo documentário antes de guerra eclodir e que são comentadas pelos participantes.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Crítica – Diya

 

Análise Crítica – Diya

Review – Diya
Um bom final muitas vezes nos faz perdoar algumas falhas do filme pelo impacto que causa ou pelo modo como recontextualiza muito do que vimos. De certa forma é isso que acontece com Diya, produção de Chade que em muitos momentos parece não conseguir entregar o que promete, mas redime parte de seus problemas com sua reviravolta final.

Lei de talião

A narrativa se passa em Jamena, capital de Chade, país da África central, e é centrada no motorista Dane (Ferdinand Mbaissané). Um dia Dane acidentalmente atropela uma criança, prestando socorro e se dispondo a pagar as despesas médicas da criança. Quando o garoto vem a óbito, Dane é preso por homicídio culposo. A família do menino morto, porém, evoca a Diya, um código de conduta do local que exige retribuição pelo sangue derramado, cobrando de Dane cinco milhões de francos como reparação pela morte do garoto. Se ele conseguir, o crime é considerado reparado e não vai a julgamento. Com a perspectiva de evitar a cadeia e não se afastar da esposa grávida ou do filho que está prestes a nascer, Dane inicia uma corrida contra o tempo para juntar o dinheiro no prazo dado de duas semanas.

O filme analisa os costumes locais e os problemas em ter uma sociedade na qual a retribuição é cobrada de maneira implacável. Dane tem que pagar essa dívida de sangue, mas perde seu emprego e quaisquer outros meios para conseguir dinheiro por conta própria. Mesmo o auxilio de sua vila, que tenta levantar o dinheiro mais por senso de dever do que por simpatia ao protagonista, já que muitos falam que ele não se importa muito com a comunidade, não é suficiente para dar conta do valor pedido e Dane vai agindo cada vez mais à margem da sociedade de modo a levantar a quantia.

Como é comum em narrativas sobre culturas distantes da nossa, há um certo grau de opacidade no modo como o filme retrata esses costumes e nem tudo será completamente entendido por uma audiência brasileira por conta disso. Na audiência informal em que o delegado de polícia apresenta a proposta da Diya para Dane, ele menciona os povos aos quais a família de Dane e a família da criança morta pertenciam e como, normalmente, aquela questão seria resolvida por líderes ou anciões desses povos. São elementos que não são devidamente explicados provavelmente porque a produção foi mais pensada para uma audiência local, não sendo didática ao apresentar o funcionamento daquela sociedade embora não chegue a prejudicar o entendimento dos elementos principais da narrativa.

Coletividade e individualidade

O principal problema, no entanto, é que apesar de se estruturar como uma corrida contra o relógio, o filme nunca nos faz sentir a urgência que a premissa evoca. Falta tensão na busca de Dane e, por isso, muito da trama não tem o peso dramático que deveria porque não sentimos o devido impacto do tempo de Dane se esgotando e das consequências que irão se impor ao protagonista. O miolo também tira o filme da discussão sobre comunidade e os impactos dessa tradição datada sobre um grupo inteiro de pessoas e foca mais no lado individual entrando nesse terreno mais comum do thriller do sujeito sozinho correndo contra o tempo para combater injustiças.

É só quando o filme chega perto do final que a narrativa pega o que parecia se encaminhar para um desfecho previsível e vira do avesso ao entregar uma reviravolta que muda tudo que pensávamos saber a respeito do que estava acontecendo. A guinada amplia a discussão sobre a Diya, mostrando como ela não é apenas um recurso brutal, como também os modos como se pode abusar dela e como mesmo alguém que seria beneficiado pela reparação dela, acaba prejudicado, como acontece com a mãe do garoto atropelado. O que era um conto moral sobre alguém lidando com as consequências de um erro se torna uma reflexão sobre a necessidade de manter certos costumes tradicionais.

Se o miolo do filme carece do devido impacto à corrida contra o relógio imposta ao protagonista, o desfecho marca pelo modo como reverte nossas expectativas e amplia as camadas de debate a respeito do costume da Diya.


Esse texto faz parte de nossa cobertura da Mostra de Cinemas Africanos 2026.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Crítica – Memória da Princesa Mumbi

Análise Crítica – Memória da Princesa Mumbi

Review – Memória da Princesa Mumbi
Falsos documentários ou mockumentaries brincam com a ideia de realidade documental e como muitas vezes recebemos de modo muito acrítico as imagens que o cinema nos dá, lembrando que mesmo no registro do real há uma construção dessas imagens e que elas podem ser modificadas ou falseadas. Memória da Princesa Mumbi mescla essa estética de falso documentário com ficção científica e romance para pensar nossa relação com as imagens, o cinema e a representação do mundo.

Futuro reverso

A narrativa se passa em 2093. Kuve (Ibrahim Joseph) viaja ao reino de Umata na costa da África para fazer um documentário sobre os efeitos de uma guerra ocorrida em 2070 que culminou com o lugar banindo a tecnologia para tentar resolver a depressão causada pela dependência tecnológica, se reestruturando em reinos retrofuturistas. Lá ele conhece Mumbi (Shandra Apondi) e a recruta para ajudar com seu documentário. Mumbi desafia Kuve a fazer um filme sem usar IA e aos poucos os dois vão se apaixonando, mas Mumbi está prometida em casamento para um príncipe de um reino vizinho.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Crítica – Reacher: 4ª Temporada

 

Análise Crítica – Reacher: 4ª Temporada

Review – Reacher: 4ª Temporada
Chegando em sua quarta temporada, Reacher continua sendo uma série relativamente formulaica embora saiba trabalhar dentro dessas fórmulas. O terceiro ano ao menos tentou apresentar uma estrutura diferente ao colocar o protagonista para se infiltrar em uma organização criminosa. Esse quarto ano, por sua vez, retorna ao formato já conhecido de Reacher acidentalmente esbarrar em uma conspiração criminosa e ser injustamente incriminado.

Nunca chove na Filadélfia

Enquanto viaja pela Filadélfia, Reacher (Alan Ritchson) encontra uma mulher agitada em um metrô. Ele suspeita que ela pode ter uma bomba, mas ela revela ter apenas uma arma e quando Reacher se aproxima a mulher se suicida. Reacher é tratado como suspeito de assassinar a mulher e levado para uma delegacia na cidade. Agentes da CIA aparecem na delegacia questionando se a mulher deu um pen drive a Reacher. Se sentindo culpado por não ter ajudado a mulher e desconfiado de que haja uma conspiração para encobrir algo, Reacher decide investigar o caso e provar a própria inocência.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Crítica – Gundam Hathaway: The Sorcery of Nymph Circe

 

Análise Crítica – Gundam Hathaway: The Sorcery of Nymph Circe

Review – Gundam Hathaway: The Sorcery of Nymph Circe
Na história da Odisseia, em voga nos últimos tempos por conta do filme do Christopher Nolan, bruxa Circe mantem Ulisses (ou Odisseu, dependendo da tradução) em sua ilha ao transformar seus soldados em animais. Ela também é responsável por colocá-lo de volta em seu caminho ao apontar ele na direção de um oráculo. A bruxa é, portanto, um obstáculo e um guia ao personagem e essa dualidade é evocada em Gundam Hathaway: The Sorcery of Nymph Circe na figura de Gigi Andalucia e na relação dela com Hathaway Noa.

Balada do jovem soldado

Depois dos eventos do primeiro filme em que descobrimos que Hathaway Noa é Mafty Navue Erin, líder de um movimento contrário à Federação e no qual ele recuperou o Xi Gundam, agora Hatahway começa sua cruzada contra o governo ao planejar um ataque contra uma conferência na Austrália. Enquanto isso, Gigi usa suas habilidades newtype para ver o futuro e manejar tanto Hathaway quanto o oficial Kenneth Sleg para o que ela quer.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Crítica – Antártida

 

Análise Crítica – Antártida

Resenha Crítica – Antártida
A ideia por trás de Antártida é interessante, construir um thriller na remota Estação Antártica Comandante Ferraz no Polo Sul aproveitando o isolamento da região. O problema é a trama se enrola em alguns elementos da condução do mistério e também no modo como lida com temas sensíveis.

Encontros no fim do mundo

A trama se passa em 2012, ano em que houve, no mundo real, um incêndio na Estação Antártica Comandante Ferraz. Pesquisadores e militares passam meses isolados na estação e a narrativa começa quando uma nova leva de pessoas chega para trabalhar no local e entre eles está a jovem cientista Inês (Marina Ruy Barbosa). Depois de uma festa de confraternização Inês é encontrada desacordada do lado de fora da base e a médica Marina (Leandra Leal) encontra indícios de estupro na jovem. A subcomandante Elizabeth (Andrea Beltrão) assume a investigação por não confiar no comandante Barros (Antonio Calloni), cuja conduta tem se tornado cada vez mais errática nos últimos tempos.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Crítica - Morte e Vida Madalena

 

Análise Crítica - Morte e Vida Madalena

Review - Morte e Vida Madalena
A produção Morte e Vida Madalena trata sobre os percursos tortos pelos quais nos conectamos com os outros, lidamos com a morte e com a renovação de nossas vidas. São temas que o diretor Guto Parente já tinha abordado em sua obra anterior, o ótimo Estranho Caminho (2024), e que aqui volta a falar com o mesmo esforço de equilibrar drama e comédia.

Encarando a perda

A narrativa é protagonizada por Madalena (Noá Bonoba). Grávida de oito meses, ela acabou de perder o pai e decide honrá-lo terminando seu último filme, uma ficção científica B. Ela decide filmar logo, antes que seu bebê nasça para não precisar lidar com a correria de uma produção com um recém-nascido. O problema é que muitas coisas fogem de seu controle e as filmagens são tomadas por caos quando o diretor, Davi (Marcus Curvelo), ex-marido de Madalena, desaparece. Ela traz Oswaldo (Tavinho Teixeira), amigo de seu falecido pai, para assumir o filme, mas Oswaldo parece ter ideias próprias para o filme, saindo do roteiro e irritando Madalena.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Crítica – A Morte de Robin Hood

 

Análise Crítica – A Morte de Robin Hood

Review – A Morte de Robin Hood
Muitas histórias já foram contadas sobre Robin Hood. Algumas com um viés de fantasia, outras buscando algum realismo histórico, mas a grande maioria delas retratava Robin como uma figura heroica que combatia injustiças e ajudava os pobres. A Morte de Robin Hood, por sua vez, tenta ver o que há por trás desse mito e como uma vida à margem da lei provavelmente faria de Robin Hood um alvo constante e o obrigaria a deixar uma trilha de corpos por onde quer que passasse.

Marcas da violência

A trama mostra um Robin (Hugh Jackman) já velho, vivendo isolado e sendo alvo de constantes ataques de pessoas tentando se vingar pela morte de seus entes queridos. Um dia ele é procurando pelo seu antigo parceiro, que agora atende pelo nome de Edward (Bill Skarsgard), que pede ajuda a Robin para repelir um ataque feito à propriedade em que vive por pessoas buscando vingança pelo passado deles. Robin ajuda, mas tudo dá errado e ele termina gravemente ferido, acordando numa ilha sob controle da freira Brigid (Jodie Comer, de Killing Eve) que usa o local como um espaço de cura e recuperação. Enquanto se recupera, Robin teme que descubram sua identidade e que venham atrás dele.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Crítica – Mayday

 

Análise Crítica – Mayday

Review – Mayday
Estrelado por Ryan Reynolds e Kenneth Branagh, Mayday é uma comédia de ação nos moldes de Máquina Mortífera (1987) ao apresentar uma dupla de protagonistas com personalidades opostas que precisam sobreviver a uma ameaça. Ele tenta falar sobre outras coisas ao situar sua trama no final da Guerra Fria, mas isso não leva a nada muito interessante.

Atrás das linhas inimigas

A narrativa se passa em 1987. O piloto Troy é designado para uma aeronave espiã em uma missão de voo sobre a União Soviética, mas quando seu avião é abatido, ele precisa dar um jeito de sair do país antes de ser capturado pela KGB. Ele é encontrado por Nikolai (Kenneth Branagh), um ex-agente soviético que convenientemente adora os Estados Unidos. Em troca de asilo político Nikolai aceita ajudar Troy a escapar, mas com uma condição, a de que levem junto a filha dele, Anna (Maria Bakalova), que mora em Moscou.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Crítica – O Homem Que Sussurra

 

Análise Crítica – O Homem Que Sussurra

Review – O Homem Que Sussurra
É fácil ver as várias referências que O Homem Que Sussurra costura em sua narrativa, misturando uma estrutura similar à de O Silêncio dos Inocentes (1991), com um detetive precisando a ajuda de perigoso assassino preso para deter um serial killer, uma criança que vê pessoas que ninguém mais vê como em O Sexto Sentido (1999). Um criminoso que sequestra crianças e deixa vozes gravadas com em O Telefone Preto (2021) e daí por diante. Embora traga elementos consagrados do suspense e das narrativas policiais, o filme não faz nada interessante com isso.

Pecados dos pais

A narrativa acompanha Tom (Adam Scott, de Ruptura) um escritor de romances policiais que recentemente ficou viúvo e se mudou com o filho, Jake (Acston Luca Porto) para uma pequena cidade. Quando o garoto é sequestrado a polícia vê semelhanças com uma onda de crimes similares de décadas atrás. Apesar da detetive Beck (Michelle Monaghan) ver as semelhanças, seus colegas não creem na conexão. Ela procura o detetive aposentado Peter (Robert De Niro), que convenientemente é o pai de Tom, para ajudar na investigação. Peter supõe que o assassino que prendeu anos atrás, Frank (Michael Keaton), deve ter se comunicado com o novo assassino e tenta fazer Frank falar. Enquanto isso, Beck e Tom correm contra o tempo para tentar encontrar Jake.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Crítica – Não Deseje Boa Sorte

 

Análise Crítica – Não Deseje Boa Sorte

Review – Não Deseje Boa Sorte
Depois que Você Não Tá Convidada pro Meu Bat Mitzvá (2023) mostrou que a filha caçula do Adam Sandler conseguia segurar um longa como protagonista, a Happy Madison, produtora de Sandler, a coloca a frente de mais um filme neste Não Deseje Boa Sorte, que vai mais para o drama do que para a comédia.

Amadurecimento forçado

A narrativa é protagonizada por Sophie (Sunny Sandler) que tenta entrar para o elenco do musical da escola e se surpreende ao conseguir o papel de protagonista. Enquanto lida com o senso de inadequação ao não se sentir boa o suficiente para ser a principal, Sophie acidentalmente descobre que sua mãe, Elizabeth (Melanie Lynskey), está com um câncer severo. Agora a garota precisa lidar com as pressões do colégio e a perspectiva de perder a mãe.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Crítica – Não Existe Almoço Grátis

 

Análise Crítica – Não Existe Almoço Grátis

Review – Não Existe Almoço Grátis
Acompanhando o funcionamento da cozinha solidária do MTST, o documentário Não Existe Almoço Grátis narra as histórias das mulheres responsáveis por ela e também pelo modo como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto constrói um senso de cooperação e coletividade com seus membros.

Alimentação coletiva

O documentário foca em três mulheres responsáveis pela cozinha solidária do MTST na periferia de Brasília: Socorro, Jurailde e Bizza. Acompanhamos o cotidiano delas na cozinha enquanto se preparam para servir um número grande de pessoas no dia da posse de Lula em janeiro de 2023. Somado ao cotidiano na cozinha e da preparação para o evento, o documentário conta as histórias pessoais dessas mulheres e também das tensões em Brasília por conta de movimentos golpistas que não aceitavam o resultado das eleições de 2022.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Crítica – Pressão

 

Análise Crítica – Pressão

Review – Pressão
Inúmeras histórias reais sobre a Segunda Guerra Mundial já foram contadas. Talvez pela vastidão de histórias contadas, algumas soam menos interessantes. Esse é o caso de Pressão, que acompanha os meteorologistas responsáveis por fazer a previsão do tempo para o Dia D e contribuíram para o sucesso da invasão da Normandia.

Tempo fechado

A narrativa conta a história real do britânico James Stagg (Andrew Scott), meteorologista convocado para ajudar os aliados a planejar o ataque do Dia D. Faltando três dias para o ataque, Stagg crê que o dia previsto será de tempestade, mas o meteorologista do exército dos Estados Unidos, Irving Krick (Chris Messina), crê que será de tempo aberto. Com o tempo contra eles, o general Eisenhower (Brendan Fraser) os pressiona a ter certeza.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Crítica – Na Zona Cinzenta

 

Análise Crítica – Na Zona Cinzenta

Review – Na Zona Cinzenta
Impressionante como o diretor Guy Richie parece ter esquecido o que tornava seus filmes interessantes. Produções como Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998) ou Snatch: Porcos e Diamantes (2000) eram repletos de personagens, de espaços e figuras pitorescas, cuja excentricidade fazia tudo parecer descolado. Este Na Zona Cinzenta é o inverso, ele tenta ser descolado sem exibir qualquer senso de personalidade.

Dinheiro sujo

A figura central da trama é Rachel Wild (Eiza Gonzalez), uma advogada especializada em recuperar dinheiro para grandes bancos e empresas, operando tanto dentro quanto fora da legalidade (daí o título do filme). Ela é contratada por um banco para reaver uma grande quantia que sumiu nas mãos de um bilionário espanhol, Manny Salazar (Carlos Bardem). Para isso ela emprega os mercenários Sid (Henry Cavill) e Bronco (Jake Gyllenhaal) para sabotarem as operações de Salazar enquanto usa a lei para congelar as finanças dele.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Crítica – O Convite (2026)

 

Análise Crítica – O Convite (2026)

Review – O Convite (2026)
A atriz Olivia Wilde teve uma estreia promissora como diretora no bacana Fora de Série (2019), mas decepcionou em seu filme seguinte com o fraco Não Se Preocupe, Querida (2022). Agora ela chega em seu terceiro longa neste O Convite e entrega o que pode ser o seu melhor trabalho atrás das câmeras.

Cenas de um casamento

O casamento de Angela (Olivia Wilde) e Joe (Seth Rogen, que trabalhou com Wilde na série O Estúdio) está por um fio. Eles mal conversam, não fazem sexo, discutem constantemente e tudo na relação deles soa protocolar. Um dia Joe chega do trabalho e descobre que Angela convidou os vizinhos de cima para um jantar para agradecer a paciência deles com o barulho da reforma. Joe não está disposto a receber ninguém, mas pensa que pode ser uma oportunidade de questionar os vizinhos pelo barulho constante à noite do que parecem ser longas sessões de sexo. Quando o casal vizinho Pina (Penelope Cruz) e Hawk (Edward Norton) chega eles encontram um clima constrangedor já que Angela e Joe estavam no meio de uma briga. Ainda assim tentam seguir com a noite que se desdobra em constrangimentos e tensões conforme os dois casais passam a se conhecer melhor.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Crítica – Predators

 

Análise Crítica – Predators

Review  – Predators
No início dos anos 2000 o jornalista Chris Hansen ficou famoso com o programa To Catch a Predator. Nele, atores se passavam por adolescentes e entravam online para conversar com pessoas reais que se interessariam por ter contato sexual com menores de idade, marcavam encontros com essas pessoas que eram então surpreendidas por Hansen, que apresentava o histórico das conversas e trazia a polícia para prender os sujeitos. Ao mesmo tempo em que o programa chamou atenção para os perigos de deixar menores soltos na internet, o programa também é questionado por seus métodos e como busca mais sensacionalismo do que transformação. O documentário Predators, que chegou no Brasil via Paramount+, vai justamente questionar o legado do programa

Investigação espetacularizada

O filme abre com cenas de um dos programas de Hansen, com câmera dividida mostrando a atriz recebendo o investigado numa casa vazia, já seus pais estariam viajando, enquanto outras câmeras mostram Hansen se preparando em outro cômodo e a polícia esperando do lado de fora. Quando Hansen entra em cena, é visível que o interesse não é questionar ou ouvir o investigado, é desmoralizar o sujeito. O investigado tenta ir embora e assim que sai da casa é cercado por dezenas de policiais.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Crítica – Jackass: O Último é o Melhor

 

Análise Crítica – Jackass: O Último é o Melhor

Review – Jackass: O Último é o Melhor
Há quase três décadas a trupe liderada por Johnny Knoxville testa os limites de seus corpos e do bom gosto na televisão e no cinema com Jackass. Agora próximo aos sessenta anos e sentindo o peso dos vários danos ao seu corpo, Knoxville apresenta esse Jackass: O Último é o Melhor como a derradeira obra do grupo, embora venha dizendo isso faz uns dois ou três filmes.

Tempo perdido

Embora venha há tempos dizendo que seu próximo trabalho será o último, aqui o tom é mais de desfecho que qualquer outro Jackass. O filme apresenta vários momentos de introspecção de Knoxville e sua trupe na qual ponderam sobre o percurso até aqui, as maluquices que fizeram e todo o dano que já sofreram. São momentos que oferecem respiros ao caos e escatologia típicos do grupo e permitem lançar outra luz sobre eles, na qual eles conversam sobre envelhecimento, os limites do corpo e até o próprio legado. Esses momentos poderiam ser o principal elemento do filme, mas não são aproveitados como deveriam, com a câmera rapidamente cortando quando alguém se emociona ou não dando muito espaço para algumas questões que são abordadas de maneira muito passageira, como o falecimento de Ryan Dunn ou os problemas que alguns membros do grupo, como Steve-O tiveram ao longo dos anos.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Crítica – Soulm8te

 

Análise Crítica – Soulm8te


Review – Soulm8te
Quando escrevi sobre Submissão (2024) mencionei que era basicamente M3gan (2022), mas com uma robô sexual ao invés de uma robô criança. Aparentemente os produtores da franquia M3gan se deram conta da oportunidade e criaram Soulm8te, um derivado que é justamente a história de uma “robô acompanhante” que, como Megan, sai matando pessoas.

Amores artificiais

A narrativa é protagonizada por David (David Rysdahl) um programador viúvo e solitário que passa seus dias trabalhando e conversando com sua assistente virtual. Quando sua empresa se prepara para lançar uma “robô acompanhante” que usaria os dados das assistentes virtuais para moldar suas personalidades, David resolve testar a nova criação. Ele recebe em casa o protótipo que nomeia como Sara (Lily Sullivan), mas se frustra com o quão limitada e pouco espontânea é sua personalidade. Ele decide mexer na programação dela para tirar certos limitadores e fazê-la parecer mais humana. Obviamente a mudança deixa Sara livre para fazer o que bem entende e rejeitar a programação, criando problemas.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Crítica – Psycho Killer: Em Busca do Assassino

 

Análise Crítica – Psycho Killer: Em Busca do Assassino

Review – Psycho Killer: Em Busca do Assassino
Em alguns momentos me surpreendo com a capacidade de alguns filmes em serem ruins. Psycho Killer: Em Busca do Assassino é uma típica história de serial killer e de uma policial no seu encalço. É uma fórmula consolidada. A essa altura todo mundo tem alguma ideia do que faz uma história dessas funcionar e ainda assim esse filme falha em absolutamente tudo que tenta.

Assassino em fuga

A trama é protagonizada pela policial Jane (Georgina Campbell, do bacana Noites Brutais) que sai no encalço do assassino Slasher (James Preston Rogers) depois que ele mata seu marido, que também é policial. É um fiapo de roteiro que deveria servir para justificar perseguições e mortes, mas nem isso é bem executado.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Crítica – Minhas Aventuras com o Superman: Terceira Temporada

 

Análise Crítica – Minhas Aventuras com o Superman: Terceira Temporada

Review – Minhas Aventuras com o Superman: Terceira Temporada
Dois anos depois da segunda temporada, Minhas Aventuras com o Superman finalmente ganha uma terceira temporada. Considerando que a segunda temporada saiu no ano seguinte à primeira, a expectativa era de manter o ritmo. Ao menos a espera valeu à pena e esse terceiro ano entrega uma releitura interessante do arco da morte e retorno do Superman.

Reino dos Supermen

Depois da crise com Brainiac, Clark e Kara agora trabalham juntos como heróis. Com a população do seu lado, Clark começa a pensar em seu futuro com Lois, mas a perspectiva de casar faz a jornalista pensar sobre os planos que tinha para o futuro e para sua carreira. Enquanto isso, Lex pensa em novas maneiras de fazer o público temer o Superman. Sua ideia é criar seu próprio herói e para isso recorre ao militar Hank Henshaw que foi gravemente ferido no confronto com Brainiac. Luthor transforma Henshaw em um Superman ciborgue, mas tem dificuldade de mantê-lo sob controle.