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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Crítica – As Travessias de Letieres Leite

 

Análise Crítica – As Travessias de Letieres Leite

Review – As Travessias de Letieres Leite
Músico de trajetória longeva, com experiência em educação e fundador da Orquestra Rumpilezz, Letieres Leite não é influente apenas na música baiana, tendo trabalhado com artistas de diferentes lugares do Brasil e do mundo. O documentário As Travessias de Letieres Leite tenta dar conta dos caminhos formativos que contribuíram para sua trajetória singular.

Caminho ancestral

O documentário parte de uma longa e inédita entrevista com o Letieres Leite, falecido em 2021, para mostrar as várias influências na produção musical e ensino do maestro, culminando em seus projetos com a orquestra Rumpilezz. Estruturalmente é bem típico de documentários sobre artistas, com entrevistas e imagens de arquivo articuladas pela montagem, mas seu grande mérito é conseguir dar conta da trajetória do biografado de maneira que saímos entendendo seu grande impacto para a música e também como diferentes vivências, do trabalho com artes plásticas às suas experiências com religiões afro brasileiras, orientaram seu trabalho musical.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Crítica – Paradise: Segunda Temporada


Análise Crítica – Paradise: Segunda Temporada

Review – Paradise: Season twoDepois de uma envolvente primeira temporada que terminou em um gancho que me deixou ansioso pelo que viria a seguir, a segunda temporada de Paradise chegou para ampliar o universo da série para além do bunker e finalmente nos mostrar o estado do mundo ao redor. No geral ela é quase tão boa quanto o primeiro ano, embora tenha sua parcela de problemas. Aviso que o texto contém SPOILERS da temporada.

Admirável mundo novo

Depois de fugir do bunker em um avião em busca de sua esposa no final da temporada anterior, reencontramos Xavier (Sterling K. Brown) ferido nos destroços da aeronave. Ele está bem distante de seu destino e é encontrado pela solitária Annie (Shailene Woodley) que passou os últimos anos vivendo em Graceland, antiga mansão de Elvis Presley que se tornou um museu dedicado a ele. Enquanto se recupera, ele conhece a história de Annie e como o mundo externo está.

terça-feira, 31 de março de 2026

Crítica – Feiraguay

 

Análise Crítica – Feiraguay

Review – Feiraguay
Antes de falar qualquer coisa sobre Feiraguay preciso ser transparente e dizer que o diretor, Francisco Gabriel Rêgo, foi meu colega de doutorado e é um amigo próximo, então o que tenho a dizer sobre o filme não tem como ser um olhar plenamente distante ou imparcial sobre o documentário.

Feira do povo

Como o título diz, o documentário é sobre o Feiraguay, área de comércio popular na cidade de Feira de Santana, interior da Bahia. A narrativa conta a história de como o Feiraguay se tornou o marco da cidade que é hoje ao mesmo tempo em que pondera sobre o papel das feiras e áreas de comércio popular em áreas urbanas e os vários tensionamentos que emergem dentro de um espaço tão diverso.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Crítica - Para Vigo Me Voy!

 

Análise Crítica - Para Vigo Me Voy!

Review - Para Vigo Me Voy!
Falecido em 2025, o cineasta Alagoano Cacá Diegues foi um dos integrantes do Cinema Novo capitaneado por Glauber Rocha e permaneceu ativo até seus últimos anos. Dirigido por Lírio Ferreira (de Baile Perfumado) e Karen Harley (de Lixo Extraordinário), o documentário Para Vigo Me Voy! examina de maneira afetuosa a trajetória do realizador.

País do carnaval

O filme reconta a trajetória de Diegues, explicando como ele começou a produzir filmes e as produções que inspiraram o movimento do Cinema Novo, como os filmes de Nelson Pereira dos Santos. A produção transita entre imagens do cotidiano de Diegues, feitas nos seus últimos, incluindo até bastidores da continuação de Deus é Brasileiro (2003), articulando isso com imagens de arquivo do diretor em entrevistas e outras situações e com cenas de seus filmes.

quinta-feira, 26 de março de 2026

Crítica – A Vida de Cada Um

 

Análise Crítica – A Vida de Cada Um

Review – A Vida de Cada Um
O Rio de Janeiro passou por diferentes “ciclos” de criminalidade, do controle de bicheiros, passando pelas facções de tráfico nos morros aos milicianos que usam o poder enquanto policiais para fins corruptos se tornando tão criminosos quanto os anteriores. A Vida de Cada Um explora essa mudança na paisagem criminal do Rio de Janeiro enquadrada pela conturbada relação de pai e filha.

República de milícias

A narrativa é protagonizada por Flávia (Bianca Comparato), ela vive em um morro do Rio de Janeiro junto com o namorado e trabalha em uma concessionária que cujo dono tem ligações do com o jogo do bicho. Cansada do baixo salário e de batalhar constantemente ela entra em contato com um dos policiais que trabalhava para o pai dela na tentativa de montar um esquema de distribuição de drogas usando o patrão da concessionária. O pai de Flávia é Macedo (Caco Ciocler), um policial corrupto que se tornou líder de uma milícia e enriqueceu muito às custas disso, mas no passado Flávia rompeu relações com ele.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Crítica – Eles Vão Te Matar

 

Análise Crítica – Eles Vão Te Matar

Review – Eles Vão Te Matar
Fui assistir Eles Vão Te Matar sem ter visto nenhum trailer e sabendo muito pouco sobre o filme, apenas com a noção de que a personagem estava confinada em um prédio e precisava escapar. Felizmente o resultado é uma mistura divertida de suspense, ação e toques de comédia, ainda se acomode em emular o estilo de certos diretores.

Disputa de classes

A trama é protagonizada por Asia (Zazie Beetz), que aceita um emprego como empregada em um prédio chique no centro de Nova Iorque. Ela pegou o trabalho por estar em busca da irmã, Maria (Myha’la, de Deu Match e O Mundo Depois de Nós), de quem não tem notícias há dez anos. Chegando lá Asia descobre que os ricos que moram no lugar fazem parte de um culto satânico, querem usá-la como sacrifício e agora ela precisa lutar para sobreviver.

terça-feira, 24 de março de 2026

Crítica – Eternidade

 

Análise Crítica – Eternidade

Review – Eternidade
Se você pudesse escolher uma maneira de passar a eternidade, o que você escolheria? Seria uma escolha definitiva que não poderia mudar. Parece uma escolha difícil, afinal a eternidade é muito tempo e é sobre isso que Eternidade tenta falar com sua mistura de drama, comédia e romance.

Vivendo para sempre

A narrativa começa com Larry (Miles Teller) chegando no pós-vida. Ele é informado que precisa escolher uma entre várias eternidades possíveis para passar sua pós vida. Larry, no entanto, não quer passar a eternidade sozinho e decide esperar a chegada da esposa, Joan (Elizabeth Olsen), mas para isso precisa arranjar um trabalho no limbo para poder ficar lá enquanto espera. No processo ele conhece o barman Luke (Callum Turner), que também ficou no limbo. Quando Joan chega, Larry descobre que Luke foi o primeiro marido de Joan que morreu na Guerra da Coréia e, assim como ele, também passou o tempo esperando Joan para passar a eternidade com ela. Agora os dois disputam pela eternidade ao lado de Joan e ela precisa escolher entre Luke e Larry.

segunda-feira, 23 de março de 2026

Crítica – Pânico 7

 

Análise Crítica – Pânico 7

Review – Pânico 7
Depois de controvérsias durante a produção de Pânico 6 (2023) por conta da recusa de Neve Campbell em retornar por conta do baixo cachê oferecido, tudo caminhava para que Pânico 7 fosse o desfecho da história da personagem vivida por Melissa Barrera que iniciou no quinto filme. Isso até Barrera ser sumariamente demitida depois de se manifestar em solidariedade à Palestina em redes sociais. A demissão da atriz fez Jenna Ortega, que interpretava a irmã de Barrera, sair em solidariedade à colega, deixando a produção sem protagonista. Neve Campbell foi então trazida de volta e a produção certamente teve que fazer muitos ajustes no que estava inicialmente planejado para dar conta dessas mudanças. O resultado é um filme que parece feito à toque de caixa e tem pouco a acrescentar à franquia.

Olá Sidney

Sidney Prescott (Neve Campbell) vive tranquila em uma pequena cidade ao lado do marido, Mark (Joel McHale), e da filha, Tatum (Isabel May). O maior problema de Sidney é a relação com a filha adolescente passando por sua fase de rebeldia, mas seus dias de ter que lidar com assassinos encapuzados parecem ter terminado. Isso até que ela recebe um vídeo de alguém que diz ser Stu Macher (Matthew Lillard), um dos assassinos do primeiro filme, dizendo estar vivo e em busca de vingança contra Sidney. Logo uma nova onda de assassinatos começa na cidade e Sidney precisa se mobilizar para defender a própria família.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Crítica – Detetive Alex Cross: Segunda Temporada

 

Análise Crítica – Detetive Alex Cross: Segunda Temporada

Review – Detetive Alex Cross: Segunda Temporada
Quando escrevi sobre a primeira temporada de Detetive Alex Cross mencionei como a série executava bem sua trama de mistério, embora não saísse muito do que é esperado pelo gênero. A série ainda sofria com o modo como tentava observar as instituições policiais, com suas tentativas de crítica, sempre esbarrando em um endosso dessas instituições. A segunda temporada tenta resolver algumas dessas questões, mas nem sempre funciona.

Vingança em série

Alex Cross (Aldis Hodge) ganhou ainda mais notoriedade depois dos eventos da temporada anterior quando ajudou a prender um serial killer que vivia nos mais altos escalões do poder. Agora ele é novamente solicitado pelo FBI para ajudar em mais um caso de assassino em série, dessa vez com alvos direcionados para pessoas ao redor do empresário Lance (Matthew Lilard), dono de uma empresa que está para lançar um programa capaz de resolver problemas em plantações no mundo inteiro. De início as autoridades pensam que é uma tentativa de derrubar a iniciativa revolucionária da empresa, mas Alex logo percebe que quem está por trás disso, Luz (Jeanine Mason), na verdade está em busca por vingança em relação aos negócios escusos de Lance, envolvido na exploração da mão de obra de imigrantes em regime análogo à escravidão, tráfico de pessoas e tráfico sexual. Ao mesmo tempo Alex desconfia que Kayla (Alona Tal), seu contato no FBI, parece mais interessada em avançar na carreira do que em alcançar a verdade.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Crítica – Scarpetta: Médica Legista

 

Análise Crítica – Scarpetta: Médica Legista

Já tinha ouvido falar bastante sobre os livros de Patricia Cornwell protagonizados pela legista Kay Scarpetta, mas nunca os tinha lido. Quando soube que a Prime faria uma série com a personagem e protagonizada por Nicole Kidman parecia um bom lugar para começar a conhecer a personagem. Infelizmente, Scarpetta: Médica Legista não fez muito, ao menos para mim, para torná-la interessante.

Corpo de delito

A narrativa começa com Kay Scarpetta (Nicole Kidman) voltando para assumir o posto como médica legista no estado da Virginia depois de anos ausente. Seu primeiro caso envolve um assassinato que tem semelhanças com seu primeiro grande caso vinte anos atrás. Para desvendar o que está acontecendo, a legista recruta ajuda de Pete Marino (Bobby Cannavale), policial aposentado que trabalhou com ela no passado e que hoje é seu cunhado, casado com sua irmã Dorothy (Jamie Lee Curtis). Dorothy e Pete também retornam a Virginia para ajudar Lucy (Ariana DeBose), filha de Dorothy, que recentemente perdeu a esposa, Janet (Janet Montgomery). Eles ficam temporariamente na casa de Kay, o que causa atritos com ela e com Benton (Simon Baker), marido de Kay e agente do FBI. A trama se desenvolve em duas temporalidades, a do presente e a do passado, mostrando o que aconteceu no primeiro grande caso de Kay.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Crítica – Imperfeitamente Perfeita

 

Análise Crítica – Imperfeitamente Perfeita

Review – Imperfeitamente Perfeita
O produtor James L. Brooks, um dos responsáveis por Os Simpsons, já dirigiu algumas boas comédias dramáticas como Melhor é Impossível (1997), que rendeu Oscars para Jack Nicholson e Helen Hunt, ou Espanglês (2004). Foi por conta desse histórico que resolvi assistir este Imperfeitamente Perfeita. O que encontrei, no entanto, foi um completo desastre.

Vida pública

A narrativa se passa em 2008 e acompanha Ella (Emma Mackey, de Sex Education), uma idealista vice-governadora cujo governador e mentor político está prestes a deixar o cargo para assumir uma posição de ministro no governo federal. Prestes a assumir como governadora, Ella enfrenta problemas no casamento, na sua carreira política e na relação distanciada que tem com o pai.

terça-feira, 17 de março de 2026

Crítica – One Piece: Segunda Temporada

 

Análise Crítica – One Piece: Segunda Temporada

Review – One Piece: Segunda Temporada
Depois de uma primeira temporada que fez um bom trabalho em adaptar a lógica do anime One Piece para live action, a série da Netflix chega a sua segunda temporada mais segura de si e capaz de lidar com alguns problemas de seu ano de estreia. É uma série que continua surpreendendo pelo modo como captura o espírito do anime e o adequa ao seu formato.

Mestre dos mares

A narrativa começa no ponto em que o ano anterior parou, com Luffy (Iñaki Godoy) e os demais membros do bando dos Chapéus de Palha buscando a entrada da Grand Line, a linha marítima que dá a volta no globo e guarda vários perigos para aqueles que tentam atravessá-la, mesmo os piratas. Ao longo da viagem eles passam por diferentes ilhas, lidando com perigos, encontrando novos aliados, como Vivi (Charithra Chandran), e novos inimigos na forma dos agentes da Baroque Works que caçam Vivi e os Chapéus de Palha.

quinta-feira, 12 de março de 2026

Crítica – O Refúgio

 

Análise Crítica – O Refúgio

Review – O Refúgio
Filmes de piratas fizeram muito sucesso na Hollywood dos anos 1930 e 1940, alçando ao estrelato nomes como Errol Flynn. Assim como aconteceu nos westerns, no entanto, esses filmes meio que saíram de moda com o tempo e era raro a indústria voltar a eles, com algumas tentativas como A Ilha da Garganta Cortada (1995) resultando em fracassos retumbantes. A coisa mudou quando a Disney lançou Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra (2003) com enorme sucesso e iniciando uma franquia que se estendeu por cinco filmes (embora o quarto e o quinto sejam muito ruins) e outras produções.

Era de se imaginar que a aventura do capitão Jack Sparrow faria por essas histórias de swashbuckling o que Gladiador (2000) e O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (2001) fizeram pelos épicos ou que Moulin Rouge (2001) e Chicago (2002) fizeram pelos musicais, reinvigorando o gênero e iniciando um novo ciclo de produção dessas narrativas. Não foi o que aconteceu, ao menos nos cinemas, já que na televisão tivemos algumas séries com piratas. Algumas tentativas de aventuras marítimas como Mestre dos Mares (2003) ou No Coração do Mar (2015) eram mais interessados em algo mais histórico do que o tom aventuresco das aventuras de piratas. Faço todo esse preâmbulo porque meu tempo assistindo este O Refúgio, produção da Prime Video, me fez pensar como a indústria hollywoodiana realmente passou batido por uma possível onda de filmes de piratas e essa aventura estrelada por Priyanka Chopra e Karl Urban se situa exatamente nesse gênero.

quarta-feira, 11 de março de 2026

Crítica – Máquina de Guerra (2026)

 

Análise Crítica – Máquina de Guerra (2026)

Review – Máquina de Guerra (2026)
Um grupo de soldados de elite em missão na floresta encontra uma criatura alienígena com armas avançadas que começa a caçá-los. Essa é a premissa de O Predador (1987) que é emulada diretamente por este Máquina de Guerra (não confundir com o filme de mesmo nome protagonizado por Brad Pitt e também lançado pela Netflix), que não faz nada interessante com o conceito além de repetir de maneira burocrática elementos já conhecidos.

Conflito mecânico

A narrativa acompanha o soldado 81 (Alan Ritchson, de Reacher) que tenta entrar para os rangers, a divisão de elite do exército dos Estados Unidos. Anos atrás ele prometeu ao irmão que os dois fariam a seleção para os rangers, mas o irmão é morto em combate junto com o resto da unidade, deixando o protagonista como o único sobrevivente. Agora, ele tenta entrar para a divisão de elite como meio de cumprir a promessa ao irmão. O protagonista chega à etapa final da seleção, uma missão simulada em meio a montanhas remotas. Durante a missão, no entanto, ele e os companheiros encontram uma enorme criatura metálica que caiu dos céus em um meteoro e começa a caçá-los.

terça-feira, 10 de março de 2026

Crítica – Iron Lung: Oceano de Sangue

 

Análise Crítica – Iron Lung: Oceano de Sangue

Review – Iron Lung: Oceano de Sangue
Nunca joguei o game homônimo que este Iron Lung: Oceano de Sangue se baseia. Tampouco tenho muito conhecimento sobre o youtuber Markplier que dirigiu e estrelou o filme. Parto, portanto, do olhar de um neófito a tudo isso e o que eu posso dizer é que essa tentativa de um horror cósmico e claustrofóbico é bem sem graça.

Segredo do abismo

A narrativa se passa em um futuro apocalíptico no qual boa parte da humanidade e planetas habitáveis desapareceu. A chance de sobrevivência da humanidade reside em uma lua tomada por um oceano de sangue. Lá, Simon (Markplier) é um condenado em busca de redenção que aceita ser colocado em um Iron Lung, um pequeno submarino lacrado, para explorar o mar de sangue e possivelmente encontrar algo que possa dar esperança de sobrevivência à humanidade. Como câmeras não funcionam direito no mar de sangue, ele precisa recorrer a raio-x para ter imagens das imediações e logo encontra criaturas sombrias e horrores inimagináveis no local.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Crítica – A Empregada

 

Análise Crítica – A Empregada

Review – A Empregada
O diretor Paul Feig fez seu nome em comédias e surpreendeu ao migrar para o suspense com Um Pequeno Favor (2018) sua segunda incursão ao gênero foi justamente a continuação Outro Pequeno Favor (2025), que ficou bem abaixo do antecessor. Agora ele retorna com outro suspense neste A Empregada.

Tensões domiciliares

A narrativa acompanha Millie (Sydney Sweeney), que está recomeçando a vida depois de sair da prisão. Ela consegue um trabalho como empregada doméstica na casa da rica Nina (Amanda Seyfred). Nos primeiros dias no trabalho, Millie percebe que a patroa é uma mulher instável e agressiva que não perde a oportunidade de humilhá-la. Ainda assim ela continua no emprego por necessidade. Ao mesmo tempo ela vai se aproximando do marido de Nina, Andrew (Brandon Sklenar), e logo começa a desejá-lo, formando um perigoso triângulo amoroso.

sexta-feira, 6 de março de 2026

Crítica – Isso Ainda Está de Pé?

 

Análise Crítica – Isso Ainda Está de Pé?

Review – Isso Ainda Está de Pé?
Depois do equivocado Maestro (2023), um filme tão desesperado por Oscars que se entregava a excessos que o tornavam risível, Bradley Cooper retorna como diretor neste Isso Ainda Está de Pé? A produção é uma comédia dramática muito mais contida e sincera que seu trabalho anterior.

Rir para não chorar

A narrativa é centrada em Alex (Will Arnett) e Tess (Laura Dern) eles estão casados há 25 anos, mas o casamento esfriou. De maneira extremamente casual, como se não fosse grande coisa, eles decidem se separar. Alex se muda para um apartamento e os dois filhos do casal parecem compreender o que está acontecendo sem muitos problemas. Eles, no entanto, tem dificuldade de explicar a decisão para as pessoas próximas, como os pais de Alex ou o casal de amigos Balls (Bradley Cooper) e Christine (Andra Day). Um dia Alex entra num bar e percebe que está sem dinheiro. A única maneira de pagar seu drinque é se inscrevendo para se apresentar no open mic de stand up comedy do bar. Mesmo sem piadas, ele se conecta com o público ao compartilhar histórias sobre seu casamento fracassado. Encorajado pelos demais comediantes do local, Alex decide tentar a comédia.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Crítica – A Noiva!

 

Resenha Crítica – A Noiva!

Review – A Noiva!
Dirigido por Maggie Gyllenhaal, A Noiva! é um filme esquisito e digo isso como elogio. Nem tudo que ele tenta fazer funciona e parece ter dificuldade de organizar suas várias ideias em um pacote coeso, no entanto, há algo bastante singular na releitura que a diretora faz da história da “noiva do Frankenstein”.

Casamento sangrento

A narrativa se passa nos Estados Unidos na década de 1930. A criatura de Frankenstein (Christian Bale) vai ao país procurando a doutora Euphronius (Annette Benning), uma cientista proeminente no campo da reanimação. Ele pede ajuda para criar uma companheira e aplacar a solidão que sente há mais de um século. Junto da cientista ele escava um cadáver recém enterrado e reanima sua Noiva (Jessie Buckley), ela tem poucas memórias de sua vida pregressa e disputa o controle do seu corpo com o espírito da escritora Mary Shelley (também Jessie Buckley), autora do romance Frankenstein. Juntos Frank e sua Noiva partem para explorar a cidade, mas logo se tornam alvo das pessoas por conta de sua aparência.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Crítica – Embaixo da Luz de Neon

 

Análise Crítica – Embaixo da Luz de Neon

Como lidar com a perspectiva de morte iminente? O que fazer quando sabemos que temos pouco tempo neste mundo e como nos preparamos para esse fim? Não são perguntas fáceis, mas é com elas que o documentário Embaixo da Luz de Neon tenta dialogar, produzindo um retrato sensível de alguém que vê o fim se aproximar.

Vida poética 

O documentário acompanha aquele que pode ser o último ano da vida da poeta Andrea Gibson. Três anos antes ela tinha recebido um diagnóstico de câncer de ovário e depois de vários tratamentos a doença insistia em voltar. A essa altura ela já ultrapassou o prognóstico de dois anos de vida e o câncer já se tornou metástase e se espalhou para os ossos. A narrativa acompanha Andrea e a esposa, Megan Falley, em seu cotidiano.

Seria fácil construir tudo como uma narrativa sorumbática sobre a dor e sofrimento de uma paciente oncológica nos altos e baixos dos estágios finais da doença, mas Andrea, Megan e, por consequência, a narrativa não se permitem deixar o desespero tomar conta. Temos os momentos dos resultados dolorosos de exames, dos efeitos colaterais severos de medicação, do desalento no qual Andrea questiona a própria existência.

Em meio a toda essa dor, no entanto, o casal encontra momentos de felicidade, seja durante um breve recuo do câncer, seja em um jantar com amigas ou em momentos de cumplicidade nas quais as duas deitam no chão da casa ao lado dos animais de estimação e trocam confissões de mãos dadas.

Enquanto elas conversam, a montagem transita entre várias imagens de arquivo do passado recente de Andrea desde que recebeu o diagnóstico e também de momentos anteriores de sua vida. O recurso soa como um esforço de nos deixar imersos no fluxo de pensamento da personagem, ilustrando seus sentimentos, memórias e relação com o mundo, principalmente nas cenas em que ela declama suas poesias. As falas de Andrea lidam com a angústia do fim, mas celebram uma vida bem vivida, na qual ela conseguiu viver fazendo o que ama, encontrou uma companheira e se depara com seus possíveis momentos finais cercada de afeto. Uma ponderação de como a finitude da nossa existência é o que torna belo cada um dos momentos de amor ou felicidade que experimentamos, mesmo aqueles que parecem pequenos no grande esquema das coisas.

Rockstar da poesia

O documentário também analisa a trajetória artística de Andrea e como ela se tornou relevante no meio da poesia, em especial por sua apresentações de poesia falada. Explorando como a arte feita por ela se conecta com seus sentimentos, acompanhamos algumas apresentações que revelam a intensidade com a qual ela declama suas palavras e a força de suas apresentações, que movem o público de uma maneira que parece mais próxima de uma estrela da música.

Para quem não conhece a obra de Andrea, o filme oferece um bom ponto de entrada para sua obra e analisa seus impactos da arte queer e no meio da poesia como um todo. A cena da apresentação final de Andrea serve como uma celebração de sua vida e arte, uma catarse poderosa a respeito de não perder a força de vontade mesmo quando o fim se aproxima. Seria, inclusive, um bom ponto para encerrar o filme, com a apoteose da artista conseguindo entregar uma performance derradeira depois de meses com a saúde fragilizada. Sim, a cena final de Andrea e Kate conversando enquanto olham o último exame e conversam sobre os pássaros pousados na árvore serve como uma delicada reflexão final do modo como as duas encaram o relacionamento delas e o inexorável fim que acaba se colocar diante delas, mas penso que a performance da poesia funciona melhor como clímax.

Embaixo da Luz de Neon equilibra muito bem o tema delicado que trata, refletindo sobre vida, morte, amor e despedida com muita delicadeza e lirismo.

 

Nota: 9/10


Trailer


terça-feira, 3 de março de 2026

Crítica – Sirât

 

Análise Crítica – Sirât

Review – Sirât
O texto que abre Sirât explica o título. O termo se refere à ponte entre o inferno e o céu, uma ponte que seria fina como um fio de cabelo e afiada como uma navalha. Um desafio extremo para quem busca sair do tormento eterno rumo à salvação. O filme é uma tentativa de construir algo que reflita esse percurso letal, mas não entrega o que promete.

Deserto particular

A narrativa acompanha Luis (Sergi López), um homem de meia idade que viaja junto com o filho pequeno Esteban (Bruno Nuñez Arjona) para uma grande rave no meio do deserto ao sul do Marrocos. Ele procura a filha que desapareceu meses atrás, mas ninguém no local reconhece as fotos que Luis leva consigo. Um grupo avisa a Luis que estão indo dali para outra festa no deserto próximo da Mauritânia e Luis decide acompanhá-los apesar dos avisos que a estrada é perigosa e que o carro dele talvez não seja capaz de atravessar.