Depois do equivocado Maestro(2023), um filme tão desesperado
por Oscars que se entregava a excessos que o tornavam risível, Bradley Cooper
retorna como diretor neste Isso Ainda
Está de Pé? A produção é uma comédia dramática muito mais contida e sincera
que seu trabalho anterior.
Rir para não chorar
A narrativa é centrada em Alex
(Will Arnett) e Tess (Laura Dern) eles estão casados há 25 anos, mas o
casamento esfriou. De maneira extremamente casual, como se não fosse grande
coisa, eles decidem se separar. Alex se muda para um apartamento e os dois
filhos do casal parecem compreender o que está acontecendo sem muitos
problemas. Eles, no entanto, tem dificuldade de explicar a decisão para as
pessoas próximas, como os pais de Alex ou o casal de amigos Balls (Bradley
Cooper) e Christine (Andra Day). Um dia Alex entra num bar e percebe que está
sem dinheiro. A única maneira de pagar seu drinque é se inscrevendo para se
apresentar no open mic de stand up comedy do bar. Mesmo sem
piadas, ele se conecta com o público ao compartilhar histórias sobre seu
casamento fracassado. Encorajado pelos demais comediantes do local, Alex decide
tentar a comédia.
Dirigido por Maggie Gyllenhaal, A Noiva! é um filme esquisito e digo
isso como elogio. Nem tudo que ele tenta fazer funciona e parece ter
dificuldade de organizar suas várias ideias em um pacote coeso, no entanto, há
algo bastante singular na releitura que a diretora faz da história da “noiva do
Frankenstein”.
Casamento sangrento
A narrativa se passa nos Estados
Unidos na década de 1930. A criatura de Frankenstein (Christian Bale) vai ao
país procurando a doutora Euphronius (Annette Benning), uma cientista
proeminente no campo da reanimação. Ele pede ajuda para criar uma companheira e
aplacar a solidão que sente há mais de um século. Junto da cientista ele escava
um cadáver recém enterrado e reanima sua Noiva (Jessie Buckley), ela tem poucas
memórias de sua vida pregressa e disputa o controle do seu corpo com o espírito
da escritora Mary Shelley (também Jessie Buckley), autora do romance Frankenstein. Juntos Frank e sua Noiva
partem para explorar a cidade, mas logo se tornam alvo das pessoas por conta de
sua aparência.
Como lidar com a perspectiva de
morte iminente? O que fazer quando sabemos que temos pouco tempo neste mundo e
como nos preparamos para esse fim? Não são perguntas fáceis, mas é com elas que
o documentário Embaixo da Luz de Neon
tenta dialogar, produzindo um retrato sensível de alguém que vê o fim se
aproximar.
Vida poética
O documentário acompanha aquele
que pode ser o último ano da vida da poeta Andrea Gibson. Três anos antes ela
tinha recebido um diagnóstico de câncer de ovário e depois de vários
tratamentos a doença insistia em voltar. A essa altura ela já ultrapassou o
prognóstico de dois anos de vida e o câncer já se tornou metástase e se
espalhou para os ossos. A narrativa acompanha Andrea e a esposa, Megan Falley,
em seu cotidiano.
Seria fácil construir tudo como
uma narrativa sorumbática sobre a dor e sofrimento de uma paciente oncológica
nos altos e baixos dos estágios finais da doença, mas Andrea, Megan e, por
consequência, a narrativa não se permitem deixar o desespero tomar conta. Temos
os momentos dos resultados dolorosos de exames, dos efeitos colaterais severos
de medicação, do desalento no qual Andrea questiona a própria existência.
Em meio a toda essa dor, no
entanto, o casal encontra momentos de felicidade, seja durante um breve recuo
do câncer, seja em um jantar com amigas ou em momentos de cumplicidade nas
quais as duas deitam no chão da casa ao lado dos animais de estimação e trocam
confissões de mãos dadas.
Enquanto elas conversam, a
montagem transita entre várias imagens de arquivo do passado recente de Andrea
desde que recebeu o diagnóstico e também de momentos anteriores de sua vida. O
recurso soa como um esforço de nos deixar imersos no fluxo de pensamento da
personagem, ilustrando seus sentimentos, memórias e relação com o mundo,
principalmente nas cenas em que ela declama suas poesias. As falas de Andrea
lidam com a angústia do fim, mas celebram uma vida bem vivida, na qual ela
conseguiu viver fazendo o que ama, encontrou uma companheira e se depara com
seus possíveis momentos finais cercada de afeto. Uma ponderação de como a
finitude da nossa existência é o que torna belo cada um dos momentos de amor ou
felicidade que experimentamos, mesmo aqueles que parecem pequenos no grande
esquema das coisas.
Rockstar da poesia
O documentário também analisa a
trajetória artística de Andrea e como ela se tornou relevante no meio da
poesia, em especial por sua apresentações de poesia falada. Explorando como a
arte feita por ela se conecta com seus sentimentos, acompanhamos algumas
apresentações que revelam a intensidade com a qual ela declama suas palavras e
a força de suas apresentações, que movem o público de uma maneira que parece
mais próxima de uma estrela da música.
Para quem não conhece a obra de
Andrea, o filme oferece um bom ponto de entrada para sua obra e analisa seus
impactos da arte queer e no meio da
poesia como um todo. A cena da apresentação final de Andrea serve como uma
celebração de sua vida e arte, uma catarse poderosa a respeito de não perder a
força de vontade mesmo quando o fim se aproxima. Seria, inclusive, um bom ponto
para encerrar o filme, com a apoteose da artista conseguindo entregar uma
performance derradeira depois de meses com a saúde fragilizada. Sim, a cena
final de Andrea e Kate conversando enquanto olham o último exame e conversam
sobre os pássaros pousados na árvore serve como uma delicada reflexão final do
modo como as duas encaram o relacionamento delas e o inexorável fim que acaba
se colocar diante delas, mas penso que a performance da poesia funciona melhor
como clímax.
Embaixo da Luz de Neon equilibra muito bem o tema delicado que
trata, refletindo sobre vida, morte, amor e despedida com muita delicadeza e
lirismo.
O texto que abre Sirât explica o título. O termo se
refere à ponte entre o inferno e o céu, uma ponte que seria fina como um fio de
cabelo e afiada como uma navalha. Um desafio extremo para quem busca sair do
tormento eterno rumo à salvação. O filme é uma tentativa de construir algo que
reflita esse percurso letal, mas não entrega o que promete.
Deserto particular
A narrativa acompanha Luis (Sergi
López), um homem de meia idade que viaja junto com o filho pequeno Esteban
(Bruno Nuñez Arjona) para uma grande rave no meio do deserto ao sul do
Marrocos. Ele procura a filha que desapareceu meses atrás, mas ninguém no local
reconhece as fotos que Luis leva consigo. Um grupo avisa a Luis que estão indo
dali para outra festa no deserto próximo da Mauritânia e Luis decide
acompanhá-los apesar dos avisos que a estrada é perigosa e que o carro dele
talvez não seja capaz de atravessar.
Conheço muito pouco sobre o
teatro kabuki, forma de encenação tradicional do Japão, então uma das coisas
que me atraiu para este Kokuho: O Preço
da Perfeição foi ele contar uma história sobre este universo. É um épico
dramático que se estende por décadas e analisa os altos e baixos da dedicação
de um artista ao seu ofício e a maneira muito particular com a qual o kabuki
funciona.
Palco da vida
A narrativa começa no Japão dos
anos 60 e é centrada em Kikuo (Ryo Yoshizawa), um jovem filho de um figurão da
yakuza. Quando seu pai é assassinado, Kikuo tenta se vingar, mas seu plano
falha. Sem ter para onde ir, Kikuo é adotado pelo ator kabuki Hanjiro Hanai
(Ken Watanabe). No kabuki apenas homens atuam, isso significa que até papéis
femininos são interpretados por homens. Os atores que se dedicam a papéis
femininos são chamados de onnagatas e Hanai é um famoso onnagata. Ao adotar
Kikuo, Hanai decide treiná-lo para ser um onnagata junto com seu próprio filho,
Shunsuke (Ryusei Yokohama). A esposa de Hanai se opõe que ele ensine Kikuo, já
que o kabuki é um ofício passado de pai para filho e por ser alguém que não vem
de uma linhagem kabuki, Kikuo poderia não ser aceito e isso poderia desonrar
até a família de Hanai. Ainda assim, o veterano ator decide preparar Kikuo para
o kabuki junto com Shunsuke. Conforme Kikuo demonstra talento e chama a atenção
de Hanai, uma rivalidade cresce entre Shunsuke e Kikuo.
Acho interessante quando
cinebiografias resolvem abarcar um período específico do biografado usando esse
momento como uma metonímia para sua vida, se bem trabalhado pode funcionar
melhor do que tentar abarcar a vida inteira de um indivíduo. Dirigido por Richard
Linklater Blue Moon: Música e Solidão
vai por esse caminho para falar dos últimos meses do compositor Lorenz Hart,
mas reduz tanto seu escopo que acaba prejudicando suas intenções.
Crise criativa
A narrativa começa no dia da
estreia do musical Oklahoma! na
década de 1940. Lorenz Hart (Ethan Hawke) sai mais cedo do espetáculo e vai
para o bar onde será a festa da equipe do musical. Ele tece críticas à
produção, mas sabe que será um sucesso, prevendo novas empreitadas para seu
parceiro criativo Dick Rodgers (Andrew Scott), que escreveu as músicas de Oklahoma ao lado de Oscar Hammerstein
(Simon Delaney). Hart agora teme que Rodgers siga a parceria com Hammerstein e
o deixe de lado. Assim, acompanhamos a noite de Hart conforme ele tenta
entender o lugar de sua carreira, sua relação com a jovem Elizabeth (Margaret
Qualley, de A Substância) e o seu
legado musical.
O primeiro Zootopia(2016) era uma animação bacana, mas não era um filme que
eu sentia necessidade de uma continuação. Quando esse Zootopia 2 foi anunciado temi que fosse uma sequência caça-níqueis,
feita de qualquer jeito para capitalizar em cima do sucesso do anterior.
Felizmente não é o que acontece, ainda que de certa forma o filme repita
algumas ideias do antecessor.
Mundo animal
Na trama, a posição de Judy e
Nick na polícia está ameaçada depois de uma operação que dá errado por conta
das ações deles. Mesmo por um fio, Judy continua a investigar uma conspiração
para atingir a família Lynxley, que seriam os responsáveis pelas muralhas
climáticas que permitem que os animais coexistam em Zootopia. Durante uma festa
dada pelos Lynxley para anunciar a expansão de seu território, o local é
atacado por uma cobra, Gary, e Judy descobre que os Lynxley guardam segredos
sombrios, tentando ajudar Gary. Assim, ela e Nick são colocados como cúmplices
do atentado e precisam investigar o que os Lynxley se esforçam tanto para
manter em segredo.
Movimentos migratórios são comuns
na história da humanidade, mesmo as migrações provocadas por pessoas fugindo de
conflitos armados aconteceram com frequência ao longo do século XX. Nas últimas
décadas, no entanto, países desenvolvidos vêm restringindo cada vez mais o
acesso de refugiados aos seus territórios, com discursos reacionários muitas
vezes mirando em imigrantes como o maior problema a ser eliminado. Dirigido e
escrito por Brandt Andersen, O Caso dos
Estrangeiros tenta tecer um amplo mosaico para entender o que move essas
pessoas.
Histórias cruzadas
A trama começa em 2023 com a
médica Amira (Yasmine Al Massri da série Quantico)
trabalhando em um hospital nos Estados Unidos. Uma ligação telefônica a faz
lembrar de eventos ocorridos oito anos antes quando morava em Alepo, na Síria,
e trabalhava em um hospital atendendo os vários lados do conflito que envolvia
o país. A partir daí o filme se abre para acompanhar outros personagens cuja
história se conecta com a de Amira em uma estrutura que lembra aqueles “filmes
mosaico” que eram moda no início dos anos 2000 ao estilo de Crash: No Limite (2004).
Depois de um morno terceiro ano,
temi que a quarta temporada de O Poder e
a Lei tivesse menos ainda a oferecer. Felizmente esses novos episódios
aproveitam bem o gancho deixado no ano anterior e constroem uma trama tensa ao
redor dos novos problemas jurídicos do protagonista.
Advogando em causa própria
A temporada começa exatamente no
ponto em que a anterior parou, com Mickey Haller (Manuel Garcia Rulfo) sendo detido
depois que o corpo de seu cliente, o trambiqueiro Sam (Christopher Thornton), é
encontrado no porta-malas do seu carro. Agora Mickey precisa defender a si
mesmo no tribunal contra a implacável promotora Dana (Constance Zimmer).
Enquanto isso, Lorna (Becki Newton) tenta manter o escritório funcionando, mas
a prisão de Mickey afeta a reputação da firma e eles começam a perder clientes.
A situação humanitária da
Palestina já tem sido explorada pelo cinema e pela imprensa nos últimos anos.
Os ataques de Israel à região tem causado uma grande devastação e feito um
número enorme de vítimas civis direta ou indiretamente, incluindo idosos e
crianças. Dirigido por Kaouther Ben Hania, A
Voz de Hind Rajab olha para um microcosmo desse conflito para mostrar suas consequências
aterradoras.
Infância roubada
A narrativa é baseada em fatos reais,
acompanhando um grupo de voluntários da organização humanitária Crescente Vermelho,
que prestam auxilio humanitário à Palestina. Em janeiro de 2024 eles recebem a
ligação de uma menina de cinco anos, Hind Rajab, que está presa dentro de um carro
durante a invasão israelense à Faixa de Gaza. A família inteira da garota está
morta dentro do carro, ela é a única sobrevivente. Os voluntários Omar (Motaz
Malhees) e Rana (Saja Kilani) se mantem na linha com a menina enquanto tentam
coordenar um resgate, já colocar uma ambulância para circular em uma zona de
guerra ativa não é algo simples.
Muito pouco se sabe sobre a
esposa de William Shakespeare. Não certeza sequer a respeito de seu nome, com
alguns relatos dando conta de que seria Anne Hathaway e outros de que seria
Agnes Hathaway. Em Hamnet: A Vida Antes
de Hamlet a diretora Chloé Zhao (de Nomadland
e Eternos) constrói uma narrativa
para entender como seria a vida dela e como a uma tragédia pessoal da vida do
casal teria influenciado a mais importante obra de Shakespeare.
Ser ou não ser
A narrativa é centrada em Agnes
(Jessie Buckley), uma mulher que vive no interior da Inglaterra e é apegada a
antigas tradições envolvendo a floresta, rezas e uso de plantas para cura. Um
dia ela conhece Will (Paul Mescal) e eles se apaixonam. Eles tem três filhos,
incluindo o casal de gêmeos Judith e Hamnet. Quando Hamnet morre, isso causa um
dano na relação do casal, com Will se tornando distante de Agnes, se fechando
em seu trabalho em Londres enquanto a esposa vive com os filhos no interior. O
que Agnes não sabe é que o marido está enfrentando o luto à sua própria
maneira.
A série de livros All You Need is Kill de Hiroshi
Sakurazaka já tinha sido adaptada em mangá e levada para os cinemas via
Hollywood com No Limite do Amanhã
(2014). Agora retorna aos cinemas em forma de longa animado com este Você Só Precisa Matar.
Viva, Morra, Repita
A narrativa acompanha Rita, uma
jovem solitária que faz parte de uma força-tarefa dedicada a estudar o Darol,
um enorme alienígena em formato de planta que caiu na Terra um ano atrás. Um
dia, o ser emite um enorme pulso eletromagnético e libera várias criaturas no
planeta. Rita é morta por um deles, mas estranhamente acorda no mesmo dia, como
se nada tivesse acontecido. Ela tenta avisar os companheiros da catástrofe iminente,
mas ninguém acredita nela. Rita então tenta resolver as coisas sozinha,
aprendendo a cada morte como se fosse um videogame.
A primeira cena dessa nova versão
de O Morro dos Ventos Uivantes dá a
impressão que a diretora Emerald Fennell, de Saltburn (2023), entende o que está no cerne do texto original de
Emily Bronte. A tela está preta, ouvimos uma respiração arfante e sons de
gemidos. Imaginamos se tratarem de sons emitidos durante o sexo, mas a imagem
se revela e nos mostra uma execução pública, uma pessoa sendo enforcada e
sufocando. Assim que o sujeito morre, o público que assiste explode em júbilo,
algumas pessoas começam a transar. A punção sexual e a punção de violência
estão conectadas. Uma população que vive em uma época de pudores e recato
desloca sua libido para a violência, a crueldade e um senso de revanchismo. A
ideia que a alienação afetiva e uma vida de maus tratos e de afetos não concretizados
desperta o pior nas pessoas era central no romance de Bronte e ao assistir a
primeira cena pensei que o filme se manteria fiel a esse espírito.
Todo o material de divulgação de Dupla Perigosa dava a impressão de um
filme de ação bem qualquer coisa, daqueles que serviços de streaming jogam no catálogo todo final de semana só pra dizer que
tem coisa nova para assistir. Resolvi conferir por pura preguiça de procurar
alguma coisa e acabei me surpreendendo positivamente. Não reinventa a roda, nem
qualquer inovação, a trama é relativamente previsível, mas é carismático e bem
executado o bastante pra divertir.
Irmãos em armas
A narrativa acompanha James (Dave
Bautista) e Jonny (Jason Momoa), dois irmãos que estão há anos sem se falar e
não tem uma boa relação. Quando o pai deles, que era investigador particular,
morre em um suposto atropelamento, Jonny vai até o Havaí para o enterro. Lá ele
desconfia que há algo mais na morte do pai e convence James a investigar a
questão junto com ele. Logo eles esbarram em uma grande conspiração criminosa.
Lançado em 1997, Anaconda não foi bem recebido. Muito
disso se devia à trama ridícula, efeitos visuais ruins, atuações canastronas e
equivocadas (por exemplo Jon Voight interpretando um brasileiro com o pior
sotaque posto em celuloide) justificavam essa reação. Essas características, no
entanto, contribuíram para que, com o tempo, o filme se tornasse meio que cult, com comunidades de fãs celebrando
o filme por ser divertido justamente por conta de sua ruindade. Como Hollywood
não consegue deixar nenhuma propriedade intelectual parada era questão de tempo
até que uma nova versão fosse feita, exatamente o caso deste Anaconda, que se posiciona de imediato
como uma comédia.
A cobra vai fumar
A narrativa acompanha os amigos
Doug (Jack Black), Griff (Paul Rudd), Claire (Thandiwe Newton) e Kenny (Steve
Zahn). Quando jovens eles sonhavam em fazer cinema, mas abandonaram esse sonho.
Apenas Griff segue tentando ser ator, mas sem muito sucesso. Um dia Griff
procura os amigos dizendo que conseguiu os direitos de Anaconda e juntos eles decidem vir para o Brasil produzir uma nova
versão. Aqui eles contratam Santiago (Selton Mello) tratador de animais que tem
uma anaconda. Eles partem em uma viagem pelo rio Amazonas no barco de Ana
(Daniela Melchior, a Caça-Ratos de O Esquadrão Suicida) e começam a filmar, mas as coisas se complicam quando a
cobra de Santiago é acidentalmente morta durante as filmagens e o grupo decide
entrar na floresta em busca de uma nova cobra.
Depois de um ano de estreia bacana, Fallout retorna para sua
segunda temporada com uma trama que soa mais como uma grande preparação para um
conflito vindouro do que algo pensado como uma unidade autônoma. Por outro
lado, a série continua entregando uma adaptação competente, que aproveita bem o
universo dos games.
A guerra não muda
Depois dos eventos do primeiro ano, Lucy (Ella Purnell) e Cooper (Walton Goggins) viajam juntos em direção a
New Vegas atrás do esconderijo de Hank (Kyle MacLachlan). Enquanto isso,
Maximus (Aaron Moten) finalmente se torna o cavaleiro da Irmandade de Ferro que
sempre sonhou, mas isso não significa que sua vida tenha necessariamente
melhorado, principalmente quando o líder de sua divisão maquina um meio de
assumir o controle.
Como sou fã de romances
policiais, fiquei curioso para conferir a minissérie da Netflix Os Sete Relógios de Agatha Christie,
adaptando um romance da famosa escritora de mistério. Infelizmente o resultado deixa
a desejar e parece não compreender o que tornava as histórias de Christie tão
envolventes.
Assassinato no campo
A narrativa parte de uma premissa
típica dos livros de Christie. Durante uma festa em uma mansão, uma pessoa é
assassinada. Há um número limitado de suspeitos e uma arguta investigadora em
Lady Eileen (Mia McKenna-Bruce), amiga do falecido. Ela é auxiliada pelo
superintendente Battle (Martin Freeman) e ao longo da investigação se envolvem
com uma misteriosa organização secreta e o roubo de uma invenção
revolucionária.
Ao longo de três episódios a
impressão é que a trama caminha de maneira arrastada. Apesar de ser uma
história sobre conspirações, sociedades secretas, invenções sigilosas e muitos
segredos em jogo, não há qualquer senso de urgência, de que esses personagens
estão correndo contra o tempo ou sob algum senso real de ameaça. Mesmo durante
o clímax no trem com alianças mudando e armas sendo brandidas, nunca sentimos
que Eileen corre qualquer risco.
Os episódios conduzem a investigação
de modo bastante protocolar, mostrando as pistas, as reviravoltas e despistes.
A impressão é que os responsáveis pela série acham que basta reproduzir essa
natureza de quebra cabeça dos mistérios de Christie para fazer a história
funcionar, mas não entendem que há muito mais nesse tipo de narrativa do que
apresentar um mistério com pistas a serem desvendadas.
Além da já citada incapacidade de
construir intriga ou tensão, algo que os romances de Christie faziam muito bem,
a série deixa de lado outro aspecto muito importante da obra da escritora que é
a sua prosa e a personalidade que ela dá aos seus personagens. As histórias de
Christie normalmente são habitadas por um limitado plantel de suspeitos, cada
um com suas idiossincrasias e personalidades excêntricas. Aqui, os personagens
são figuras esquecíveis, que existem para mover a narrativa adiante, mas não
tem nada de memorável.
Os diálogos espirituosos e
mordazes, que constantemente comentavam sobre a sociedade britânica, também não
estão presentes nessa adaptação, perdendo muito do charme do texto de Christie.
O resultado são diálogos predominantemente expositivos, onde os personagens o
tempo todo explicam as pistas e seu raciocínio, mas sem muita coisa que dê
personalidade a essas falas. A jovem Mia McKenna-Bruce até tenta fazer de Lady
Eileen uma jovem destemida, que não hesita em falar o que pensa, porém é
limitada pelo texto insosso.
No fim, Os Sete Relógios de Agatha Christie entrega um mistério inane, sem
qualquer suspense, povoado por personagens desinteressantes e uma trama que
rapidamente mergulha no tédio.
A premissa de O Som da Morte era basicamente a da
franquia Premonição ao trazer um
grupo de adolescentes tentando fugir da “morte”, então não estava
particularmente empolgado para assistir. Ainda assim resolvi conferir e ao
menos o resultado final tem elementos suficientes para agradar fãs de terror.
Morte à espreita
A trama é protagonizada por Chrys
(Dafne Keen), que se muda para uma nova cidade e uma nova escola depois de uma
tragédia pessoal. No primeiro dia de aula, ela descobre um estranho apito maia
em seu armário, que aparentemente pertencia ao aluno que usava o armário antes
dela e morreu sob circunstâncias misteriosas. Obviamente a garota resolve pegar
o estranho artefato que sussurra coisas sombrias para ela e mostra para seu
novo grupo de amigos. Quando um deles assopra o apito, porque claro que
adolescentes vão achar uma boa ideia usar um artefato ancestral com um entalhe
que diz que ele invoca a morte, descobrem que atraíram suas mortes futuras para
o presente e que elas estão os perseguindo. Agora eles precisam encontrar um
jeito de eliminar a maldição.
Não creio que ninguém estivesse
clamando por uma série ou filme do Magnum,
herói da Marvel que começou como vilão e que também teve uma carreira como ator
de cinema. É o tipo de coisa que faz parecer que o estúdio está raspando o
tacho em meio a um desgaste de suas produções. O resultado, no entanto, é um
interessante estudo de personagem que explora a faceta do herói como ator de
cinema para pensar no estado atual de Hollywood e também no desgaste recente de
filmes de heróis.
Super astro
A narrativa é protagonizada por Simon
Williams (Yahya Abdul Mateen), um ator que há anos tenta, sem sucesso, vencer
em Hollywood. Um dia ele encontra Trevor Slattery (Ben Kingsley) em um cinema e
fica sabendo que estão acontecendo testes para um remake de Magnum, um antigo filme de super-herói que ele viu quando
era pequeno e que o inspirou a virar ator. Agora ele e Trevor se juntam para
tentar conseguir uma escalação no filme. Só há um problema, Simon tem super
poderes que ele não consegue controlar e Hollywood não permite pessoas com
poderes em sets de filmagem, então ele precisa manter seus poderes sob controle
e ocultos para conseguir o papel.
Considerando as bombas que Gerard
Butler vem fazendo, Destruição Final: O Último Refúgio (2021) era uma produção competente, que reproduzia muitos
lugares comuns de filmes catástrofe, mas ao menos acertava ao focar no elemento
humano. Já sua continuação Destruição
Final 2 (aparentemente a primeira destruição não foi definitiva o suficiente),
ignora o que o primeiro fez bem e entrega algo bem pior.
Destruição vazia
Cinco anos depois dos eventos do
primeiro filme, a paisagem da Terra mudou radicalmente depois da queda do
cometa. O clima mudou em muitos lugares, impossibilitando a vida, a radiação
aumentou em vários territórios e chuvas de meteoros ainda atingem o planeta.
John (Gerard Butler) vive com sua família, a esposa Allison (Morena Baccarin) e
o filho Nathan (Roman Griffin Davis, de Jojo Rabbit), no bunker no qual se abrigaram no fim do filme anterior, mas
quando uma catástrofe atinge o local são obrigados a fugir para a Europa. Lá
eles decidem ir até a cratera onde o principal cometa caiu cinco anos atrás, já
que sondagens indicam que o local se tornou um vale habitável.