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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Crítica – Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte

 

Análise Crítica – Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte

A arte é um produto de seu tempo. Quando olhamos para um filme feito décadas atrás, por mais que gostemos dele, provavelmente veremos elementos que mostrem o quanto essa produção é datada e reflete certos pontos de vista que não bem aceitos como na época em que foram realizados. O horror slasher, principalmente aquele feito nas décadas de 70 e 80, com histórias voltadas para personagens adolescentes e muitas vezes situados em acampamentos de férias ou cabanas isoladas, não é exceção a essa regra. Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte se propõe a refletir sobre o slasher apontando os seus problemas, mas também tentando entender o fascínio que esses filmes exercem ainda hoje.

Indústria cíclica

A narrativa é protagonizada por Kris (Hannah Einbinder) uma jovem diretora independente contratada para produzir um reboot da franquia de terror Acampamento Miasma. Os executivos do estúdio esperam que ela, uma diretora preocupada com representatividade, crie uma nova história de origem para o assassino Little Death (Jack Haven), colocando-o como uma figura trágica e afastando as acusações de transfobia da franquia original. Kris busca a atriz Billy Presley (Gillian Anderson) que atuou no filme original e evitou as continuações, mas o estúdio se opõe a trazer uma atriz sexagenária e não tão famosa como protagonista do reboot.

A premissa aponta tendências contemporâneas de Hollywood que recorre a cineastas independentes para tentar revitalizar franquias cansadas sob a justificativa de renovar o olhar, mas o que eles querem é apenas usar o nome dessas pessoas para dar algum verniz de algo mais artístico, mais preocupado com posicionamentos políticos ou sociais, sem de fato querer transformar nada. No mundo real diretoras como Chloe Zhao ou Nia DaCosta são cooptadas para grandes franquias como a Marvel (em Eternos e As Marvels) justamente para esse fim.

Isso é visível na cena em que Kris conversa via Zoom com os executivos e produtores, com a preocupação deles sendo apenas a de “limpar” os preconceitos da franquia sem mexer no resto. A própria Kris diz isso em uma conversa com Billy, afirmando ter sido contratada apenas por ser uma jovem e promissora diretora envolvida com questões LGBT para dar a impressão de que os produtores se preocupam com sensibilidades contemporâneas enquanto vendem a mesma coisa.

Passado problemático

O filme comenta mais especificamente sobre as representações feitas pelos filmes slasher e certa tradição conservadora e de reforçar preconceitos que esses filmes tem. Não é exatamente novidade, a franquia Pânico já falava um pouco sobre como esses filmes punem com mortes sangrentas condutas como fazer sexo ou usar drogas, além de mirarem em minorias.

Aqui, porém, o foco é em alguns tipos de representação. Filmes como Acampamento Sinistro (1983) traziam pessoas trans como assassinos desequilibrados como se ser trans fosse algo aberrante e um atestado de instabilidade mental ou conduta dissimulada. Quando Kris e Billy assistem ao Acampamento Miasma original, elas comentam como a origem de Little Death é tratada em termos puramente preconceituosos. As cenas de morte também seguem a cartilha da punição, o assassino mata pessoas que transam ou que usam drogas.

As mortes são filmadas de maneira propositalmente tosca e exagerada, com chafarizes de sangue jorrando a cada golpe do assassino e uma física nada realista, como o momento em que Little Death empala um adolescente com sua lança e depois bate o corpo dele em um mastro, fazendo sua vítima explodir em mil pedaços. É algo feito não para aterrorizar ou chocar como esses filmes originalmente faziam, mas para satirizar o exagero dessas produções e modo virulento que essas mortes refletiam certos preconceitos e visões conservadoras. O segmento em que Billy e Kris assistem aos filmes antigos, no entanto, dão a sensação de que o filme se detém neles mais do que deveria.

Paradoxos do coração

Embora tenha críticas à franquia, Kris também exibe uma apreciação por esses filmes e tenta entender o que move sua conexão com eles. Em suas interações com Billy, que florescem em um affair, ela pondera sobre a natureza erótica desses filmes, da nudez, do tesão adolescente, da excitação de transar no mato e também na tensão de correr pela vida enquanto perseguida por um assassino, de estar em meio a uma crise dessas lutando para sobreviver e extrair prazer disso. As falas da personagem encontram eco nas falas de Billy sobre perder a virgindade e como ela teve o melhor orgasmo da vida ao imaginar Little Death se aproximando.

São ideias que me remetem ao livro A Filosofia do Horror de Noel Carroll que analisa o porquê de consumirmos histórias de horror. O teórico analisa como o medo e a repulsa são emoções que guiam o horror, que o prazer do gênero vem da curiosidade com o anômalo, com o monstruoso e ter essa curiosidade saciada. A grosso modo, queremos saber como é lidar com algo assim imponderável, assustador, e o horror permite experimentar essas emoções sem estarmos realmente em perigo.

A relação com o anômalo, com o monstruoso que Kris pensa em fazer no seu filme, no entanto, não é o da rejeição ao anômalo, ao tabu, como era no passado. Isso perpassa tanto no modo como ela pensa no assassino Little Death como em outros tabus do slasher, em especial o sexo. O prazer, o orgasmo, o voyeurismo não deveriam ser objetos de punição. Morte e sexo caminhariam lado a lado em fornecer prazer e catarse. Isso fica evidente durante o clímax no qual Kris começa a ser perseguida por Little Death e a criatura começa a matar as pessoas que ela conhece e que passou o resto do filme julgando silenciosamente, como sua agente ou os executivos de estúdio, enquanto a montagem corta para imagens de Kris e Billy fazendo sexo enquanto Little Death se aproxima delas. Há uma catarse em ver os desafetos da personagem serem mortos enquanto que a proximidade com a morte parece tornar o sexo mais intenso, como se a lembrança da mortalidade tornasse mais importante nossos momentos de prazer.

O filme aborda a metalinguagem da narrativa com um surrealismo similar ao que a diretora Jane Schoenbrun fez em seu filme anterior, Eu Vi o Brilho da TV (2024). As fronteiras entre a realidade e o universo subjetivo de Kris são borradas, durante boa parte do filme não sabemos até que ponto ela está de fato sendo observada por Little Death ou se é tudo imaginação dela. A fotografia adota uma iluminação estourada e alterações na paleta de cores para comunicar esses momentos de descolamento da realidade. A dimensão paralela na qual Little Death observa nosso mundo, com paredes rosas e enrugadas, lembra um cérebro. É como se a criatura fosse o nosso subconsciente, os desejos reprimidos de pulsão de morte e de vida, de matar que detestamos ou como sentimos culpa pelos nossos prazeres sexuais. Nesse sentido, a trama não apenas critica os preconceitos carregados por esse tipo de história, mas defende suas qualidades, advogando que esses filmes tem implicitamente uma dimensão transgressora, de apontar tabus e prazeres considerados proibidos, defendendo que o gênero precisa abraçar isso se quiser continuar relevante. O filme pondera que o sexo não deveria ser punido, mas celebrado.

 

Nota: 9/10


Trailer

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Crítica – Soulm8te

 

Análise Crítica – Soulm8te


Review – Soulm8te
Quando escrevi sobre Submissão (2024) mencionei que era basicamente M3gan (2022), mas com uma robô sexual ao invés de uma robô criança. Aparentemente os produtores da franquia M3gan se deram conta da oportunidade e criaram Soulm8te, um derivado que é justamente a história de uma “robô acompanhante” que, como Megan, sai matando pessoas.

Amores artificiais

A narrativa é protagonizada por David (David Rysdahl) um programador viúvo e solitário que passa seus dias trabalhando e conversando com sua assistente virtual. Quando sua empresa se prepara para lançar uma “robô acompanhante” que usaria os dados das assistentes virtuais para moldar suas personalidades, David resolve testar a nova criação. Ele recebe em casa o protótipo que nomeia como Sara (Lily Sullivan), mas se frustra com o quão limitada e pouco espontânea é sua personalidade. Ele decide mexer na programação dela para tirar certos limitadores e fazê-la parecer mais humana. Obviamente a mudança deixa Sara livre para fazer o que bem entende e rejeitar a programação, criando problemas.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Crítica – A Morte do Demônio: Em Chamas

 

Análise Crítica – A Morte do Demônio: Em Chamas

Review – A Morte do Demônio: Em Chamas
Eu tenho expectativas muito delineadas na minha mente sempre que vou assistir um novo A Morte do Demônio. Espero um uso abundante e criativo de gore e certo senso de humor sombrio, embora não sejam exatamente primores narrativos. A Morte do Demônio: Em Chamas entrega exatamente o que eu esperava. É uma produção que sabe o público que tem e dialoga com esse público.

Sombras do trauma

A trama é centrada em Alice (Souheila Yacoub). Depois que seu marido, Will (George Pullar), morre em um acidente de carro com contornos sobrenaturais, ela vai para a remota casa dos sogros para o funeral. O clima é tenso, já que Will a agredia e a os pais dele, em especial a mãe, Susan (Tandi Wright), tomavam partido dele. As coisas se complicam durante a cerimônia fúnebre na qual Edgar (Erroll Shand), o pai de Will, é infectado por algo demoníaco no corpo do filho. Aos poucos Edgar começa a agir de maneira agressiva e isso começa a afetar o resto da família e Alice precisa encontrar um jeito de sobreviver a isso.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Drops – A Boca do Diabo

 

Análise Crítica – A Boca do Diabo

Review – A Boca do Diabo
Pelo material de divulgação A Boca do Diabo parecia um filme de tubarão que não se levava muito a sério e pudesse ser divertido. Infelizmente o resultado é o exato oposto. É um material que claramente se prestaria a algo mais farofa e que cai na besteira de querer ser sério.

Abismo do medo

Dirigida por Jeff Wadlow (de bombas como A História Real de um Assassino Falso ou o reboot de A Ilha da Fantasia), a trama conta a história de um grupo de jovens viajando pela Tailândia. Max (Lana Condor) consegue para o grupo um passeio para um antigo conjunto de cavernas conhecido como “a boca do diabo”. O grupo acha que vai ser um passeio tranquilo, mas Sara (Kathryn Newton) vai preparada para alguns possíveis perigos. O que eles não esperavam é que o labiríntico sistema e cavernas estava sendo ocupado por um tubarão e agora eles precisam dar um jeito de escapar.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Crítica – Backrooms: Um Não-Lugar

 

Análise Crítica – Backrooms: Um Não-Lugar

Review – Backrooms: Um Não-Lugar
O conceito de backrooms, espaços liminares expandidos infinitamente que guardam horrores em seus corredores, nasceu como meme na internet. O diretor Kane Parsons explorou essas ideias em forma de curta-metragem e agora transforma o conceito em um longa neste Backrooms: Um Não-Lugar. É uma ideia promissora que infelizmente não rende algo muito interessante.

Limiar coletivo

A trama acompanha Clark (Chiwetel Ejiofor), um sujeito solitário e frustrado que é dono de uma loja de móveis. Um dia ele descobre uma espécie de portal no porão de sua loja. Quando o atravessa vai parar em um espaço que parece um grande galpão ou prédio de escritórios, com cores neutras e luzes frias, e se estende infinitamente aparentemente sem propósito algum. Ele conta isso para sua terapeuta, Mary (Renate Reinsve, de Valor Sentimental), que acha que tudo é uma fantasia do paciente. Quando Clark desaparece, no entanto, Mary vai até a loja procurá-lo e acaba entrando no portal.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Crítica – Obsessão

 

Análise Crítica – Obsessão

Review – Obsessão
É interessante quando um filme pega um tropo conhecido e o desloca em termos de gênero narrativo e o que tem a dizer sobre ele. A premissa da “poção/feitiço” do amor já foi usada em inúmeras comédias e filmes românticos, mas em Obsessão o diretor Curry Barker desloca a história para o horror e também mudando o olhar que tem para o protagonista desse tipo de história.

Cuidado com o que deseja

Bear (Michael Johnston) é um jovem tímido que trabalha em uma loja de instrumentos musicais e é apaixonado desde a época de escola pela colega de trabalho Nikki (Inde Navarrette). Seu melhor amigo, Ian (Cooper Tomlinson), o instiga a se declarar para ela, já que Nikki parece ver Bear só como amigo. Quando chega o momento dele se declarar para ela em uma festa, Bear perde a coragem percebendo que ela não tem interesse nele. Sem esperanças, ele decide usar um artefato que comprou em uma loja esotérica, um galho que supostamente atende o desejo que você faz quando o quebra. Bear deseja que Nikki o ame mais do que qualquer coisa do mundo e ela imediatamente passa a idolatrá-lo.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Crítica – Segredo Obscuro

 

Análise Crítica – Segredo Obscuro

Review – Segredo Obscuro
Uma atriz de meia idade vê sua carreira decair por conta da misoginia e etarismo de Hollywood. Para tentar se manter relevante ela aceita usar um novo e misterioso tratamento estético, mas as coisas não saem como o esperado. Essa é a trama do excelente A Substância (2024), de Coralie Fargeat, e é a mesma coisa deste Segredo Obscuro. Apesar de estar estreando no Brasil em 2026, ele foi feito em 2024, mesmo ano de A Substância, então nem dá para acusá-lo de plágio, é apenas um daqueles casos em que pessoas diferentes tiveram ideias semelhantes. A comparação, no entanto, coloca Segredo Obscuro em desvantagem.

Eternamente jovem

Na trama, Samantha (Elizabeth Moss, de O Conto da Aia) é uma atriz cuja carreira está estagnada. Ela constantemente perde papéis para atrizes mais jovens e não sabe como seguir em frente. As coisas mudam quando ela conhece Zoe (Kate Hudson), dona de um império de cosméticos e que oferece a Samantha um novo tratamento que promete rejuvenescê-la. Inicialmente as coisas dão certo, mas logo a atriz começa a experimentar efeitos colaterais severos e passa a desconfiar que Zoe tem algo a esconder.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Crítica – A Maldição da Múmia

 

Análise Crítica – A Maldição da Múmia

Nas últimas décadas Hollywood tratou múmias mais como monstros de filmes de ação como na trilogia estrelada por Brendan Fraser ou na malfadada tentativa de iniciar um universo compartilhado no A Múmia (2017) protagonizado pelo Tom Cruise. Este A Maldição da Múmia tenta retornar a criatura ao cinema de horror, mas infelizmente não faz um bom trabalho com isso.

Maldição familiar

A narrativa acompanha Charlie (Jack Reynor), um correspondente internacional morando no Cairo. Um dia sua filha mais velha, Katie, é sequestrada no quintal da casa em que moravam no Egito. Ele e a esposa, Larissa (Laia Costa, de Intimidade Forçada), entram em contato com as autoridades locais, mas eles não conseguem localizá-la. Oito anos se passam, Charlie e Larissa reconstruíram a vida nos Estados Unidos quando recebem uma ligação da embaixada dos EUA no Egito, Katie (Natalie Grace), foi encontrada. Ela estava dentro de um sarcófago encontrado em um avião que caiu e as autoridades desconfiam que ela estava sendo vítima de tráfico de pessoas. Os médicos julgam que ela está sofrendo de estresse pós traumático, já que não fala, sofre espasmos e não reage a estímulos. Acreditando que a família pode restaurar Katie, os pais a levam de volta aos Estados Unidos, mas lá fenômenos estranhos começam a acontecer.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Drops – Ataque Brutal

 

Análise Crítica – Ataque Brutal

Review – Ataque Brutal
Não sou exatamente um grande entusiasta de filmes de tubarões considerando que hoje é muito difícil fazer um filme dessa natureza que ofereça algo realmente interessante ao invés de reciclar ideias já conhecidas. Ataque Brutal até tenta uma ambientação um pouco diferente para esse tipo de história, mas seu esforço para por aí.

Predadores assassinos

A narrativa se passa em uma pequena cidade litorânea durante a passagem de um furacão intenso. Ainda que o furacão não vá passar pela cidade, seus efeitos são sentidos na tempestade intensa que faz a maré subir, romper barreiras de contenção e inundar a cidade, fazendo os tubarões da costa começarem a perambular na cidade. A partir daí acompanhamos Lisa (Phoebe Dynevor, de Bridgerton), uma jovem grávida que fica presa no carro durante a inundação. Enquanto isso também seguimos Dale (Djimon Honsou), um biólogo marinho que tenta chegar na cidade para ajudar no resgate e conter os tubarões, além de outros sobreviventes.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Crítica – Saída 8

 

Análise Crítica – Saída 8

Review – Saída 8
O game Exit 8 é uma mistura de walking simulator com jogo da memória, no qual você precisa caminhar por corredores de uma estação de metrô observando por anomalias nos elementos que compõem o corredor para decidir seu caminho e encontrar a saída. É relativamente simples e pode ser terminado em poucos minutos se você memorizar os elementos do corredor para identificar as pequenas diferenças, mas é algo que poderia render como um terror ou suspense psicológico e é justamente isso que o filme Saída 8 tenta fazer.

Purgatório contemporâneo

A narrativa acompanha um jovem (Kazunari Ninomiya) que se perde na saída de uma estação de metrô e todos os corredores parecem dar no mesmo lugar em um loop infinito. Uma placa o avisa que se ele ver alguma anomalia, ou seja algo que não devia estar ali, nos corredores ele deve voltar e se não anomalias deve seguir adiante. Essa é a única maneira de chegar na saída 8 e finalmente ir embora dali.

segunda-feira, 23 de março de 2026

Crítica – Pânico 7

 

Análise Crítica – Pânico 7

Review – Pânico 7
Depois de controvérsias durante a produção de Pânico 6 (2023) por conta da recusa de Neve Campbell em retornar devido ao baixo cachê oferecido, tudo caminhava para que Pânico 7 fosse o desfecho da história da personagem vivida por Melissa Barrera que iniciou no quinto filme. Isso até Barrera ser sumariamente demitida depois de se manifestar em solidariedade à Palestina em redes sociais. A demissão da atriz fez Jenna Ortega, que interpretava a irmã de Barrera, sair em solidariedade à colega, deixando a produção sem protagonista. Neve Campbell foi então trazida de volta e a produção certamente teve que fazer muitos ajustes no que estava inicialmente planejado para dar conta dessas mudanças. O resultado é um filme que parece feito à toque de caixa e tem pouco a acrescentar à franquia.

Olá Sidney

Sidney Prescott (Neve Campbell) vive tranquila em uma pequena cidade ao lado do marido, Mark (Joel McHale), e da filha, Tatum (Isabel May). O maior problema de Sidney é a relação com a filha adolescente passando por sua fase de rebeldia, mas seus dias de ter que lidar com assassinos encapuzados parecem ter terminado. Isso até que ela recebe um vídeo de alguém que diz ser Stu Macher (Matthew Lillard), um dos assassinos do primeiro filme, dizendo estar vivo e em busca de vingança contra Sidney. Logo uma nova onda de assassinatos começa na cidade e Sidney precisa se mobilizar para defender a própria família.

terça-feira, 10 de março de 2026

Crítica – Iron Lung: Oceano de Sangue

 

Análise Crítica – Iron Lung: Oceano de Sangue

Review – Iron Lung: Oceano de Sangue
Nunca joguei o game homônimo que este Iron Lung: Oceano de Sangue se baseia. Tampouco tenho muito conhecimento sobre o youtuber Markplier que dirigiu e estrelou o filme. Parto, portanto, do olhar de um neófito a tudo isso e o que eu posso dizer é que essa tentativa de um horror cósmico e claustrofóbico é bem sem graça.

Segredo do abismo

A narrativa se passa em um futuro apocalíptico no qual boa parte da humanidade e planetas habitáveis desapareceu. A chance de sobrevivência da humanidade reside em uma lua tomada por um oceano de sangue. Lá, Simon (Markplier) é um condenado em busca de redenção que aceita ser colocado em um Iron Lung, um pequeno submarino lacrado, para explorar o mar de sangue e possivelmente encontrar algo que possa dar esperança de sobrevivência à humanidade. Como câmeras não funcionam direito no mar de sangue, ele precisa recorrer a raio-x para ter imagens das imediações e logo encontra criaturas sombrias e horrores inimagináveis no local.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Crítica – A Noiva!

 

Resenha Crítica – A Noiva!

Review – A Noiva!
Dirigido por Maggie Gyllenhaal, A Noiva! é um filme esquisito e digo isso como elogio. Nem tudo que ele tenta fazer funciona e parece ter dificuldade de organizar suas várias ideias em um pacote coeso, no entanto, há algo bastante singular na releitura que a diretora faz da história da “noiva do Frankenstein”.

Casamento sangrento

A narrativa se passa nos Estados Unidos na década de 1930. A criatura de Frankenstein (Christian Bale) vai ao país procurando a doutora Euphronius (Annette Benning), uma cientista proeminente no campo da reanimação. Ele pede ajuda para criar uma companheira e aplacar a solidão que sente há mais de um século. Junto da cientista ele escava um cadáver recém enterrado e reanima sua Noiva (Jessie Buckley), ela tem poucas memórias de sua vida pregressa e disputa o controle do seu corpo com o espírito da escritora Mary Shelley (também Jessie Buckley), autora do romance Frankenstein. Juntos Frank e sua Noiva partem para explorar a cidade, mas logo se tornam alvo das pessoas por conta de sua aparência.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Crítica – Anaconda

 

Análise Crítica – Anaconda

Review – Anaconda
Lançado em 1997, Anaconda não foi bem recebido. Muito disso se devia à trama ridícula, efeitos visuais ruins, atuações canastronas e equivocadas (por exemplo Jon Voight interpretando um brasileiro com o pior sotaque posto em celuloide) justificavam essa reação. Essas características, no entanto, contribuíram para que, com o tempo, o filme se tornasse meio que cult, com comunidades de fãs celebrando o filme por ser divertido justamente por conta de sua ruindade. Como Hollywood não consegue deixar nenhuma propriedade intelectual parada era questão de tempo até que uma nova versão fosse feita, exatamente o caso deste Anaconda, que se posiciona de imediato como uma comédia.

A cobra vai fumar

A narrativa acompanha os amigos Doug (Jack Black), Griff (Paul Rudd), Claire (Thandiwe Newton) e Kenny (Steve Zahn). Quando jovens eles sonhavam em fazer cinema, mas abandonaram esse sonho. Apenas Griff segue tentando ser ator, mas sem muito sucesso. Um dia Griff procura os amigos dizendo que conseguiu os direitos de Anaconda e juntos eles decidem vir para o Brasil produzir uma nova versão. Aqui eles contratam Santiago (Selton Mello) tratador de animais que tem uma anaconda. Eles partem em uma viagem pelo rio Amazonas no barco de Ana (Daniela Melchior, a Caça-Ratos de O Esquadrão Suicida) e começam a filmar, mas as coisas se complicam quando a cobra de Santiago é acidentalmente morta durante as filmagens e o grupo decide entrar na floresta em busca de uma nova cobra.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Crítica – O Som da Morte

Análise Crítica – O Som da Morte

Review – O Som da Morte
A premissa de O Som da Morte era basicamente a da franquia Premonição ao trazer um grupo de adolescentes tentando fugir da “morte”, então não estava particularmente empolgado para assistir. Ainda assim resolvi conferir e ao menos o resultado final tem elementos suficientes para agradar fãs de terror.

Morte à espreita

A trama é protagonizada por Chrys (Dafne Keen), que se muda para uma nova cidade e uma nova escola depois de uma tragédia pessoal. No primeiro dia de aula, ela descobre um estranho apito maia em seu armário, que aparentemente pertencia ao aluno que usava o armário antes dela e morreu sob circunstâncias misteriosas. Obviamente a garota resolve pegar o estranho artefato que sussurra coisas sombrias para ela e mostra para seu novo grupo de amigos. Quando um deles assopra o apito, porque claro que adolescentes vão achar uma boa ideia usar um artefato ancestral com um entalhe que diz que ele invoca a morte, descobrem que atraíram suas mortes futuras para o presente e que elas estão os perseguindo. Agora eles precisam encontrar um jeito de eliminar a maldição.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Crítica – Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria

 

Análise Crítica – Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria

Review – Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
Dirigido por Mary Bronstein, Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria transita entre o horror, a comédia, o drama e o surrealismo para acompanhar a ansiedade constante da maternidade, em especial quando uma mãe tenta lidar com tudo sozinha, cuidando da filha, tendo uma profissão e ainda lidando com os problemas do lar. É um exame angustiante de uma mulher em crise que não dá ao espectador ou a sua protagonista um instante para respirar.

Crise maternal

A narrativa é protagonizada por Linda (Rose Byrne) uma mulher lidando com uma misteriosa doença que acomete a filha, obrigando a garota a usar uma sonda. Ela também se encontra morando em um quarto de hotel, já que o teto de seu apartamento desabou por conta de mofo e de encanamento defeituoso. Ela lida com tudo isso sozinha já que o marido (Christian Slater) é um militar que trabalha longe. Linda trabalha como terapeuta e uma de suas pacientes, a jovem mãe Caroline (Danielle Macdonald), desaparece no meio de uma sessão e deixa seu bebê no consultório. Linda faz terapia para tentar enfrentar todas essas crises, mas sente que seu terapeuta (Conan O’Brien) não dá a mínima para ela.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Crítica – It: Bem-Vindos a Derry

 

Análise Crítica – It: Bem-Vindos a Derry

Review – It: Bem-Vindos a Derry
Quando foi anunciado, esperei o pior da série It: Bem-Vindos a Derry. Era o tipo de projeto que soava como mais um prelúdio caça-níqueis feito para capitalizar em cima de uma produção conhecida em uma Hollywood cada vez mais aversa a riscos e nem mesmo a presença de Andy Muschietti, responsável pelos dois It: A Coisa, no comando da série me empolgava. Fui conferir a estreia por pura curiosidade e fui imediatamente fisgado. Claro, a aversão a riscos e explorar o sucesso de um nome conhecido pode de fato ter sido o gatilho para que o projeto fosse aprovado, mas o resultado final é muito bom.

Cidade do Medo

A narrativa se passa na Derry da década de 60. O major Leroy Hanlon (Jovan Adepo) chega na cidade para uma missão secreta na base militar do local. Lá ele conhece Dick Halloran (Chris Chalk), um aviador com dons sobrenaturais que aparentemente está ajudando os militares a encontrar algo nos subterrâneos da cidade. Ao mesmo tempo um grupo de crianças liderados por Lilly (Clara Stack) tenta investigar a morte de um garoto local, mas esbarram em Pennywise (Bill Skarsgard) como o responsável pelo desaparecimento de crianças na cidade. Will (Blake Cameron James), filho de Leroy eventualmente se juntando ao grupo, conectando os dois núcleos.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Crítica – A Mulher no Jardim

 

Análise Crítica – A Mulher no Jardim

Review – A Mulher no Jardim
É curioso como a Blumhouse foi de uma produtora referência no terror para uma produtora que parece dar sinal verde para qualquer produção do gênero sem qualquer curadoria dos filmes que seleciona ou se preocupar com a qualidade deles. A impressão é que de uns tempos para cá o prestígio da produtora enfraqueceu um pouco conforme ela lançava filmes cada vez mais distantes do padrão de qualidade que estabeleceu para si. A Mulher no Jardim é mais uma dessas produções que reforça o sentimento de que os melhores dias da Blumhouse estão no passado e não no presente.

Visitante sombria

A narrativa é protagonizada por Ramona (Danielle Deadwyler) uma mulher devastada pelo luto depois de perder o marido em um acidente de carro. Sozinha na fazenda que o marido comprou para a família, ela sequer tem ânimo para levantar da cama, precisando que os filhos a façam sair do quarto quando algum problema acontece na casa. Ela também está com uma perna quebrada por conta do acidente, se locomovendo com o auxílio de muletas. Um dia uma estranha mulher vestida de preto aparece sentada na frente da casa dela. A mulher parece confusa, mas também faz várias ameaças a Ramona. Ela tenta convencer os filhos de que está tudo bem, mas as crianças desconfiam de que há algo muito errado.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Crítica – Frankenstein

 

Análise Crítica – Frankenstein

Review – Frankenstein
Se tem um cineasta contemporâneo capaz de entender a sensibilidade do romance Frankenstein de Mary Shelley esse alguém é Guillermo del Toro. Seu Frankenstein, produzido em parceria com a Netflix, é uma competente releitura do seminal texto de Shelley, se mantendo fiel ao seu espírito ao mesmo tempo em que agrega uma visão bem particular do diretor.

Pessoas normais assustam

A narrativa é centrada em Victor Frankenstein (Oscar Isaac), um nobre destituído que desde jovem se tornou obcecado em ser capaz de reanimar os mortos e criar uma nova forma de vida. Sem ser levado a sério pela comunidade científica, ele consegue financiar sua pesquisa através do magnata comercial Harlander (Christoph Waltz). Com o dinheiro Victor consegue montar um laboratório e começa seu processo de estudar a reanimação. Quando ele finalmente consegue reconstruir um ser humano a partir de partes de cadáveres e reanima seu construto, se decepciona com a Criatura (Jacob Elordi) e decide destruir o experimento. A Criatura, no entanto, sobrevive e passa a perseguir Victor.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Crítica – Bom Menino

 

Análise Crítica – Bom Menino

Review – Bom Menino
Você já pegou seu cachorro latindo para um canto vazio da casa e se perguntou porque diabos ele estava fazendo isso? A inspiração de Bom Menino provavelmente foi um desses momentos, já que o filme consiste de uma história de terror contada do ponto de vista de um cachorro que percebe as assombrações que cercam o dono e tenta protegê-lo, embora seu tutor não perceba as reais intenções de seu animal.

Bom companheiro

A narrativa acompanha o cão Indy, que se muda para uma remota casa de campo com o seu tutor depois que o humano ganha o imóvel como herança do avô após o seu falecimento. Chegando lá Indy começa a identificar fenômenos estranhos, mas seu humano fica alheio ao perigo. Conforme seu tutor passa a ser afetado pelo local Indy tenta agir, mas as forças sinistras passam a focar também em impedir o cachorro.