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segunda-feira, 27 de maio de 2024

Drops – Imaculada

 

Análise Crítica – Imaculada

Review – Imaculada
Protagonizado por Sydney Sweeney, Imaculada é um terror que parece incerto de como quer abordar a história que tem em mãos. A narrativa acompanha Cecilia (Sydney Sweeney), uma jovem freira que vai viver em um convento no interior da Itália. Chegando lá se depara com fenômenos estranhos que culminam em sua gravidez apesar de ser virgem. A congregação, em especial o padre Tedeschi (Alvaro Morte, o Professor de La Casa de Papel) crê que ela traz no ventre a segunda vinda de Cristo e passa a cercá-la de cuidados, praticamente mantendo-a presa no convento até o parto.

É uma narrativa que trata a ideia de concepção imaculada não como um milagre, mas como uma situação de horror na qual uma mulher perderia completamente a autonomia sobre o próprio corpo, sendo forçada a uma gravidez que não quis e tratada como um objeto, um mero receptáculo para o bebê por todos a sua volta. A noção do corpo de uma grávida como “propriedade coletiva” não é novidade no cinema horror, O Bebê de Rosemary (1964) já fazia isso muito bem. Filmes como o brasileiro As Boas Maneiras (2017) também já trabalharam a experiência de estar grávida como um horror corporal digno de David Cronenberg. Nesse sentido Imaculada não faz nada que já não tenha sido bem executado antes e não tem muitas questões novas a explorar no modo como pensa o comportamento da sociedade diante do corpo feminino.

quarta-feira, 15 de maio de 2024

Crítica – Abigail

 

Análise Crítica – Abigail

Review – Abigail
Partindo de uma premissa típica de Agatha Christie, Abigail mistura suspense, horror e histórias de vampiros de um jeito bem singular. A narrativa acompanha um grupo de criminosos contratados pelo misterioso Lambert (Giancarlo Esposito) para sequestrarem uma garota de 12 anos, Abigail (Alisha Weir, de Matilda: O Musical), e exigir um resgate milionário. Conforme a noite avança, os criminosos, trancados na mansão, começam a morrer um a um. Joey (Melissa Barrera) desconfia que seja um mercenário a serviço do poderoso pai da menina, mas logo descobrem que na verdade Abigail é uma vampira e quer devorar a todos.

O filme começa sem pressa, estabelecendo a lógica espacial da mansão na qual eles guardam a garota e construindo as tensões entre os excêntricos criminosos que compõem o grupo, como a patricinha hacker Sammy (Kathryn Newton) ou o estúpido Peter. Essas tensões são importantes para compreendermos as motivações desses personagens depois que Abigail se revela e eles são obrigados a cooperarem para sobreviver apesar de não confiarem uns nos outros.

sexta-feira, 5 de abril de 2024

Drops – Feriado Sangrento

 

Crítica – Feriado Sangrento

Review – Thanksgiving
Começando sua vida como um trailer falso no projeto Grindhouse de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, Feriado Sangrento seguiu o caminho de Machete e se tornou um longa metragem. Não esperava muita coisa, mas o resultado é um competente slasher. A narrativa começa quando uma liquidação de Black Friday dá errado e várias pessoas são mortas quando uma multidão enfurecida invade uma loja de departamentos. Um ano depois, o Dia de Ação de Graças se aproxima mais uma vez e um misterioso assassino fantasiado de peregrino começa a matar os envolvidos no incidente do ano anterior. Um grupo de adolescentes se vê na mira do assassino enquanto o xerife Eric (Patrick Dempsey) tenta manter a paz na cidade.

A cena inicial da Black Friday tem ecos do O Despertar dos Mortos (1978) do George Romero no modo como constrói um brutal retrato da zumbificação do individuo dentro do capitalismo e como as pessoas são reduzidas a feras irracionais que existem apenas para consumir, não importando a destruição causada. Apesar dos personagens em cena não serem de fato zumbis e sim pessoas normais, eles se comportam como feras enfurecidas, com uma brutalidade que remete a vídeos do mundo real de liquidações que terminaram em tragédia.

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Crítica – O Mal Que Nos Habita

 

Análise Crítica – O Mal Que Nos Habita

Review – O Mal Que Nos Habita
Faz tempo que um filme de terror me deixa com um senso tão forte de que os personagens estão cercados por uma presença maligna tão potente que não há esperança de sobrevivência. A produção argentina O Mal Que Nos Habita não apenas é eficiente em nos fazer sentir o poder do mal, mas como o mal se espalha no mundo justamente por conta das ações humanas.

A narrativa acompanha os irmãos Pedro (Ezequiel Rodríguez) e Jimi (Demián Salomón) que vivem em uma cidade pequena no interior da Argentina. Quando eles descobrem que uma pessoa da vila foi infectada por forças demoníacas e está prestes a gerar um demônio, eles decidem mover o sujeito da cidade na esperança de livrar o local da influência maligna. A ação, no entanto, só faz o mal se espalhar por suas vidas.

O filme é inteligente ao definir alguns parâmetros de como essas entidades malignas agem para que saibamos exatamente do que ter medo e quais situações são perigosas ao mesmo tempo em que evita explicar demais ou criar uma mitologia muito aprofundada ao ponto em que não há mais o mistério ou incerteza quanto ao desconhecido. Entendemos como esse mal age manipulando os medos das pessoas enquanto simultaneamente soa como algo que escapa nossa compreensão plena, mantendo um grau de imprevisibilidade que é importante para nos deixar imersos nos horrores que o filme nos apresenta.

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Crítica – Mergulho Noturno

 

Análise Crítica – Mergulho Noturno

Review – Mergulho Noturno
Nem sempre um bom curta-metragem rende um bom longa. Temos exemplos em que isso funciona muito bem, como Whiplash: Em Busca da Perfeição (2015), que aprofunda as ideias do curta original. Por outro lado, filmes como Mergulho Noturno mostram que algumas ideias se prestam melhor ao formato de curta-metragem.

A trama, escrita e dirigida por Bryce McGuire a partir de seu curta metragem de mesmo nome, acompanha a família de Ray (Wyatt Russell), um jogador de baseball que teve que abandonar a carreira depois de descobrir que tem esclerose múltipla. Como os médicos recomendam que ele pratique natação, o jogador e sua família se mudam para uma casa com piscina. De início o exercício parece fazer bem à saúde de Ray, mas coisas estranhas começam a acontecer com a família dele ao redor da piscina.

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Drops – A Freira 2

Análise Crítica – A Freira 2
 


Review – A Freira 2
O primeiro A Freira (2018) não tinha nada de muito espetacular, mas funcionava principalmente por conta do visual sinistro de sua criatura. Este A Freira 2, ainda que se apoie nesse mesmo elemento, soa como uma continuação protocolar, feita só para tentar arrancar dinheiro do público, sem muito a dizer sobre seus personagens ou o mal que seu demônio representa.

A trama se passa em 1956. A irmã Irene (Taissa Farmiga) reconstruiu sua vida depois dos eventos do primeiro filme, mas a igreja lhe incumbiu uma nova missão: investigar uma série de mortes em locais religiosos através da Europa que indicam que o demônio Valak está à solta mais uma vez. A investigação aponta para um convento na França que serve de escola para jovens garotas.

A trama demora a colocar Irene e a irmã Debra (Storm Reid), sua aliada da vez, em meio ao conflito principal, jogando as duas ao redor da Europa investigando pistas e tentando encontrar um artefato sagrado, os olhos de Santa Luzia, que supostamente deteriam a freira demoníaca. É algo que mais parece saído de um filme do Indiana Jones do que de uma trama de terror e com tanto tempo gasto com o isso o filme desperdiça as possibilidades de usar a presença de um demônio que assombra igrejas para ponderar sobre a natureza do mal, a falibilidade humana ou como os mais santos entre nós também tem a mácula do pecado.

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Crítica – A Queda da Casa de Usher

 

Análise Crítica – A Queda da Casa de Usher

Review – A Queda da Casa de Usher
Não vi as séries anteriores que o diretor Mike Flanagan fez para a Netflix, como Missa da Meia Noite e A Maldição da Residência Hill, mas o que me atraiu para este A Queda da Casa de Usher ser inspirada na obra de Edgar Allan Poe. Apesar do título evocar um conto específico do escritor e poeta, a minissérie pega elementos de várias histórias e poemas escritos por ele, com cada episódio evocando uma obra específica além de personagens inspirados em diferentes outras obras.

A narrativa se passa nos dias atuais, sendo centrada no magnata da indústria farmacêutica Roderick Usher (Bruce Greenwood). Sua empresa está no auge do poder e riqueza depois de lançar um analgésico altamente viciante que agrava a epidemia de opioides nos EUA. Aos poucos eventos estranhos começam a acontecer ao redor dele e de sua família, com seus filhos sendo mortos um a um. É então que a irmã de Roderick, Madeline (Mary McDonnell), se recorda de um acordo que fizeram com uma misteriosa mulher (Carla Gugino) anos atrás em troca de poder e riqueza.

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Crítica – Ninguém Vai Te Salvar

 

Análise Crítica – Ninguém Vai Te Salvar

Review – Ninguém Vai Te Salvar
Desde que desenvolveu a projeção síncrona de som e imagem o cinema é predominantemente vococêntrico. A banda sonora em geral vai colocar a voz, em específico a voz falada, em primeiro plano, o elemento sonoro mais proeminente. Por isso soa tão pouco usual quando um filme como Ninguém Vai Te Salvar resolve construir toda sua história praticamente sem diálogos.

A trama é protagonizada por Brynn (Kaitlyn Dever), uma jovem solitária que recentemente perdeu a mãe e que guarda um trauma de infância em relação à morte de uma amiga próxima. Uma noite sua casa é invadida por uma estranha criatura alienígena que tenta atacá-la e agora Brynn precisa lutar para sobreviver.

Filmes com protagonistas isolados normalmente usam expedientes como o personagem gravando uma mensagem ou se comunicando com alguém para ter alguma desculpa desse personagem sozinho falar sobre o que acontece consigo. Ninguém Vai Te Salvar não tenta fazer esse tipo de malabarismo e Brynn não fala durante o filme todo, deixando que seu rosto e outros elementos do cenário contem a história da solidão e traumas da personagem.

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Crítica – O Demônio dos Mares

 

Análise Crítica – O Demônio dos Mares

Review – O Demônio dos Mares
Não contente em fazer filmes sobre tubarões, Hollywood decidiu fazer filmes sobre tubarões gigantes como em Megatubarão (2018). Não contente em fazer filmes sobre tubarões gigantes, a indústria resolveu fazer filmes sobre tubarões gigantes com poderes sobrenaturais astecas como neste O Demônio dos Mares. É o tipo de mistureba maluca que poderia dar certo se fosse aloprada o suficiente, mas o resultado aqui é puro tédio.

A trama acompanha a família de Paul (Josh Lucas), que vai até o México fiscalizar uma plataforma de petróleo e aproveita para levar a família de férias. Ao chegar na cidade em que a plataforma se localiza, Paul estranha a cidade estar tão deserta e desolada. Ele vai para a plataforma e descobre que não restou quase ninguém lá. Aparentemente a perfuração despertou um megalodonte que dormia no assoalho oceânico e agora a criatura está causando o caos nos mares.

quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Crítica – Piscina Infinita

 

Análise Crítica – Piscina Infinita

Review – Piscina Infinita
Em Piscina Infinita o diretor Brandon Cronenberg explora o mesmo tipo de horror corporal que seu pai, o diretor David Cronenberg, construiu tão bem ao longo de sua carreira. O resultado é algo que soa como uma mistura de Crash: Estranhos Prazeres (1996) com Uma Noite de Crime (2013).

A trama se passa na fictícia ilha de La Tolqa (que parece remeter à Indonésia), focando no escritor James (Alexander Skarsgard) que vai passar férias na ilha em um resort de luxo acompanhado da esposa. Lá ele conhece Gabi (Mia Goth) e o marido Alban (Jalil Lespert) e fica amigo do casal. Em uma noitada ao lado deles, James acidentalmente atropela e mata um morador local. Ele é preso no dia seguinte pelas autoridades da ilha e condenado à morte e aí ele descobre o estranho sistema judicial da ilha. Para não desencorajar o turismo, a ilha oferece que os ricaços que frequentam o local assinem um termo e paguem um valor para serem clonados e que o clone seja executado em seu lugar. Assim James descobre que não há consequência para os ricos na ilha e que Gabi viaja para La Tolqa a anos apenas para exercitar seus piores impulsos. Seduzido pela jovem, o escritor se entrega a uma existência de hedonismo e violência.

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Crítica – Fale Comigo

Análise Crítica – Fale Comigo

 

Review – Fale Comigo
Sem que ninguém esperasse o terror australiano Fale Comigo se tornou um fenômeno de bilheteria e chegou a ser alardeado como o melhor terror do ano. Não chega a ser tudo isso, mas é uma produção bem envolvente por conta do cuidado com seus personagens e da maneira singular com a qual apresenta seu mundo de espíritos.

A trama acompanha um grupo de jovens que encontra uma mão embalsamada que tem o poder de entrar em contato com os espíritos. Por diversão eles usam a mão em festas como se tudo fosse uma grande brincadeira. Mia (Sophie Wilde) fica mais tempo do que deveria com um espírito no corpo e passa a ver coisas mesmo quando não usa a mão, sendo assombrada inclusive pelo espírito da falecida mãe. Aos poucos a garota vai perdendo o senso de realidade e passa a ser manipulada por esses espíritos.

Enquanto premissa não há exatamente nada de novo em histórias de jovens que brincam com o sobrenatural e esbarram em forças muito além de seu controle, o que chama atenção aqui é a maneira com a qual o filme trabalha essas ideias. É um terror com um ritmo bem deliberado, que toma seu tempo para estabelecer seus personagens e sua mitologia. Talvez o ritmo soe lento para alguns, mas essa construção de como o trauma da perda da mãe pesa sobre Mia e o que significa para ela a amizade com Jade (Alexandra Jensen), Riley (Joe Bird), bem como o acolhimento que recebe da mãe de Jade, Sue (Miranda Otto) são importantes para que sintamos o risco de tudo que está em jogo para Mia uma vez que a crise se estabeleça.

terça-feira, 8 de agosto de 2023

Crítica – Ursinho Pooh: Sangue e Mel

 

Análise Crítica – Ursinho Pooh: Sangue e Mel

Review – Ursinho Pooh: Sangue e Mel
Pegar o universo do Ursinho Pooh e transformar em um terror slasher sangrento poderia render uma podreira divertida. O diretor e roteirista Rhys Frake-Waterfield aproveitou que a obra de A.A Milne se tornou domínio público resolveu fazer esse terror Ursinho Pooh: Sangue e Mel.  

A trama concebe Pooh e seus amigos como híbridos bizarros entre homens e animais, que foram lembrados como animais fofos por conta da imaginação infantil de Christopher Robin. Quando Robin deixa de frequentar a floresta para ir para a faculdade, Pooh e seus aliados ficam sozinhos e à míngua. Com o tempo eles passam a nutrir ódio da humanidade e a matar qualquer um que se aproxime. Já adulto, Robin (Nikolai Leon) retorna à floresta e encontra as vítimas de Pooh e Leitão, tendo sua namorada morta por eles e sendo capturado pela dupla. As criaturas também passam a mirar em um grupo de mulheres que alugou uma casa nas margens da floresta.

segunda-feira, 24 de julho de 2023

Drops – O Convento

 

Análise Crítica – O Convento

Review – O Convento
Estrelado por Jena Malone, O Covento prometia ser uma mistura de thriller e terror sobrenatural, mas o resultado final acaba não aproveitando nenhuma das abordagens. A trama é centrada em Grace (Jena Malone), uma médica que recebe a notícia de que o irmão, Michael (Steffan Cennydd), que vivia como padre em uma remota abadia na Escócia, teria matado um colega de batina e cometido suicídio. Grace viaja ao local e ao examinar o corpo do irmão começa a desconfiar da versão oficial dos fatos.

Daí é evidente que ela vai esbarrar em uma grande conspiração do clero local e ações conectadas ao sobrenatural. O problema é que apesar de todas as ideias a respeito de como a clausura da religião produz um fanatismo tão virulento que torna difícil distinguir deus e diabo, o texto nunca vai além do que já foi dito antes sobre esse tema, então a exploração dessas questões soa superficial e em nada diferente de outros produtos que já vimos antes.

terça-feira, 18 de julho de 2023

Drops – Bird Box: Barcelona

Resenha Crítica – Bird Box: Barcelona


Review – Bird Box: Barcelona
Lançado em 2018 Bird Box era um terror pós apocalíptico típico que se sustentava pela performance de Sandra Bullock e alguns momentos de tensão. Agora a Netflix tenta expandir o universo desse filme com Bird Box: Barcelona e o resultado é bem fraquinho.

A trama é protagonizada por Sebastian (Mario Casas) que vaga por uma Barcelona vazia com a filha tentando sobreviver. As criaturas continuam vagando por espaços abertos, sendo obrigatório cobrir os olhos ao sair na rua. No entanto, proteger a visão não é mais o suficiente, já que os seres podem se fazer ouvir pelas pessoas e emulam as vozes de entes queridos deles. Sebastian chegou a sobreviver um encontro com esses seres, mas agora parece estar sob a influência deles.

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Crítica – Batman: A Perdição Chegou a Gotham

Análise Crítica – Batman: A Perdição Chegou a Gotham

 

Review – Batman: A Perdição Chegou a Gotham
Baseado no quadrinho de mesmo nome escrito por Mike Mignola (criador de Hellboy) para o selo Elseworlds da DC, Batman: A Perdição Chegou a Gotham situa o herói no começo do século XX e coloca o personagem em uma trama de horrores lovecraftianos.

A trama começa com Bruce e seus aprendizes no ártico, investigando o desaparecimento de uma expedição científica liderada por Oswald Cobblepot. Chegando nos destroços da expedição, são atacados por pinguins monstruosos e descobrem que todos foram mortos e que algum horror ancestral foi desencavado do local e está partindo para Gotham. Agora Bruce precisa retornar à sua cidade e investigar o misterioso culto que parece dominar a cidade secretamente.

Como muitas histórias do selo Elseworlds, é uma trama que vai direto ao ponto e faz pouco para situar os não iniciados em elementos do universo do Batman. Nesse sentido, muito da graça de ver como elementos desse universo são imaginados dentro desse contexto de horror lovecraftiano só farão sentido se você tiver algum conhecimento prévio para entender que ao invés de ser hábil com computadores, a Barbara Gordon/Oráculo apresentada aqui é uma médium que canaliza espíritos.

quarta-feira, 21 de junho de 2023

Crítica – Black Mirror: 6ª Temporada

 

Análise Crítica – Black Mirror: 6ª Temporada

Review – Black Mirror: 6ª Temporada
Depois de um hiato de quatro anos Black Mirror retorna para sua sexta temporada com alguns de seus episódios mais fracos. É também uma temporada que se volta para elementos de horror sobrenatural ao invés de ficar apenas na tecnologia, o que em si não é um problema para mim, já que sempre vi a série como esse “espelho sombrio” das neuroses humanas cujas histórias recorriam à tecnologia para mostrar como nossa cultura e modo de vida materializa essas neuroses. Ainda assim imagino que muita gente irá ficar decepcionada com a guinada mais ao horror e um foco menor na tecnologia.

O primeiro episódio, Joan is Awful, é centrado em Joan (Annie Murphy), uma mulher aparentemente comum que vê sua vida transformada em série por um serviço de streaming que coletou seus dados. Com a intimidade exposta, Joan tenta entrar em contato com a protagonista da série, Salma Hayek (interpretando ela mesma), para acabar com tudo. É um episódio que reflete sobre a quantidade de poder de monitoramento que damos às plataformas digitais, que coletam quantidades enormes de dados sobre nós sem que saibamos ou fiscalizemos o que elas fazem com isso.

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Crítica – O Exorcista do Papa

 

Análise Crítica – O Exorcista do Papa

Review – O Exorcista do Papa
Levemente baseado nos casos reais do padre Gabriele Amorth, cujos exorcismos já foram narrados por William Friedkin no péssimo documentário O Diabo e o Padre Amorth (2018), este O Exorcista do Papa não faz muito além de repetir os lugares comuns que já vimos em outros filmes de exorcismo. A narrativa se passa na década de 80 e leva o padre Amorth (Russell Crowe) até a Espanha para investigar a possível possessão de uma família que vive próxima a uma igreja em reforma. Lá Amorth encontra a pior ameaça sobrenatural que encontrou até então.

Não tem nada aqui que já não tenhamos visto antes em produções similares. Possuídos mutilam o próprio corpo, gritam profanidades, testam a fé dos envolvidos, se contorcem em posições humanamente impossível e arremessam coisas com o poder da mente. Temos também um padre em crise por conta de erros do passado e o demônio que possui a família irá tentar explorar essa fraqueza para se alimentar das dúvidas do protagonista. Russell Crowe tenta dar alguma personalidade a Amorth, com seu jeito desafiador que tenta tirar o próprio demônio do sério, mas o ator esbarra em um texto que não lhe dá muito além de uma série de clichês.

quinta-feira, 4 de maio de 2023

Crítica – Renfield: Dando Sangue pelo Chefe

 

Análise Crítica – Renfield: Dando Sangue pelo Chefe

Review – Renfield: Dando Sangue pelo Chefe
A ideia de fazer uma história do Drácula do ponto de vista do capanga Renfield, soava como um desses caça-níqueis hollywoodianos para reembalar a mesma história num embrulho diferente. Por conta disso, não tive lá muito interesse inicialmente neste Renfield: Dando Sangue Pelo Chefe. As coisas mudaram quando soube que Nicolas Cage seria o Drácula e esse é o tipo de papel grandiloquente que casa muito bem com a energia hiperbólica do ator. Não por acaso Cage é a melhor coisa do filme.

A trama começa com Renfield (Nicholas Hoult) narrando como conheceu Drácula (Nicolas Cage) em flashbacks que recriam cenas de antigos filmes do vampiro (em especial versões vividas por Christopher Lee e Bela Lugosi) até chegar aos dias atuais quando Renfield chega a Nova Orleans para proteger um Drácula ferido depois de sua mais luta contra caçadores de vampiros. Com séculos de servidão, Renfield começa a se questionar se não pode mudar o rumo de sua vida, buscando um grupo de apoio a pessoas em relacionamentos tóxicos. Enquanto Drácula se recupera, Renfield resolve usar suas habilidades sobrenaturais para ajudar pessoas necessitadas e aí conhece a policial Rebecca (Awkwafina), que está em confronto com uma perigosa família criminosa da cidade.

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Crítica – Tic-Tac: A Maternidade do Mal

 

Análise Crítica – Tic-Tac: A Maternidade do Mal

Review – Tic-Tac: A Maternidade do Mal
Longa-metragem de estreia da diretora Alexis Jacknow, Tic-Tac: A Maternidade do Mal parte de ideias interessantes ao construir um terror sobre a pressão social sobre as mulheres em relação a maternidade e os horrores que emergem de tentar se conformar a essas exigências. A questão é que a produção insere tantas ideias que não tem tempo para desenvolvê-las a contento.

Ella (Dianna Agron) é uma mulher bem sucedida, mas que não deseja ter filhos. Com o seu aniversário de 37 anos se aproximando, vendo as amigas todas terem filhos e com indiretas (ou diretas) do pai sobre a necessidade de ter filhos, a protagonista sente que talvez tenha algo errado consigo. É aí que ela descobre um tratamento experimental sendo testado pela doutora Simmons (Melora Hardin), que visa “consertar” o relógio biológico quebrado de mulheres como Ella, lhes devolvendo o desejo de ser mãe. A terapia consiste de imagens que soam como uma mistura de hipnose com lavagem cerebral, além de uma pesada carga de hormônios. Aos poucos, porém, Ella começa a experimentar horrendos efeitos colaterais.

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Crítica – O Chamado 4: Samara Ressurge

 

Análise Crítica – O Chamado 4: Samara Ressurge

Review – O Chamado 4: Samara Ressurge
Por mais que a ideia da crítica seja refletir sobre a obra em sua imanência, sobre nossa experiência do momento da apreciação, é impossível separar completamente isso de elementos contextuais à obra. Digo isso porque embora este O Chamado 4: Samara Ressurge seja muito ruim por seus próprios méritos (ou falta deles), ela se torna ainda pior por conta do contexto picareta de seu lançamento.

O título usado no Brasil e na América Latina dá a entender que se trata de uma continuação de O Chamado 3 (2017), versão hollywoodiana da franquia de terror japonesa Ringu. Não é o caso. O que está sendo lançado aqui como O Chamado 4: Samara Ressurge é, na verdade, a produção japonesa Sadako DX, um spin-off da franquia Ringu. Por mais que até as legendas chamem a assombração Sadako de Samara, tentando criar uma conexão com os filmes hollywoodianos, e as personagens até tenham suas semelhanças, elas não são a mesma criatura e tem mitologias bem diferentes. Ou seja, trata-se de uma estratégia apelativa para pegar desavisados e se eu entrasse no cinema pagando ingresso achando que assistiria um novo O Chamado apenas para ver algo sem qualquer relação, eu ficaria muito, muito irritado.