Com o sucesso de Barbie(2023) Hollywood como sempre
aprendeu as lições erradas e entendeu que a alta bilheteria do filme se deu
porque o público estava sedento por filmes baseados em brinquedos. Vários
estúdios correram para dar sinal verde em projetos baseados envolvendo linha de
brinquedos e este Matchbox: O Filme, que
se baseia em uma linha de carrinhos de brinquedo, é um deles.
Brincadeira de gente grande
A trama gira em torno de Sean
(John Cena), um agente da CIA que tem uma ogiva nuclear roubada dele durante
uma missão. A agência suspeita que ele é um traidor e detem ele, bem como seus
amigos de infância, as únicas pessoas com quem ele teve alguma conexão, para
tentar forçá-lo a falar. Sean consegue fugir com os amigos e agora eles
precisam descobrir o que aconteceu e provar a própria inocência. E os carrinhos
Matchbox, onde entram na história? Bem, quando eles eram crianças se tornaram
amigos por colecionarem esses carrinhos e é só isso, eles não fazem qualquer
diferença.
A arte é um produto de seu tempo.
Quando olhamos para um filme feito décadas atrás, por mais que gostemos dele,
provavelmente veremos elementos que mostrem o quanto essa produção é datada e
reflete certos pontos de vista que não bem aceitos como na época em que foram
realizados. O horror slasher,
principalmente aquele feito nas décadas de 70 e 80, com histórias voltadas para
personagens adolescentes e muitas vezes situados em acampamentos de férias ou
cabanas isoladas, não é exceção a essa regra. Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte se propõe a refletir
sobre o slasher apontando os seus
problemas, mas também tentando entender o fascínio que esses filmes exercem
ainda hoje.
Indústria cíclica
A narrativa é protagonizada por
Kris (Hannah Einbinder) uma jovem diretora independente contratada para
produzir um reboot da franquia de
terror Acampamento Miasma. Os executivos do estúdio esperam que ela, uma diretora
preocupada com representatividade, crie uma nova história de origem para o
assassino Little Death (Jack Haven), colocando-o como uma figura trágica e
afastando as acusações de transfobia da franquia original. Kris busca a atriz
Billy Presley (Gillian Anderson) que atuou no filme original e evitou as
continuações, mas o estúdio se opõe a trazer uma atriz sexagenária e não tão
famosa como protagonista do reboot.
A premissa aponta tendências
contemporâneas de Hollywood que recorre a cineastas independentes para tentar
revitalizar franquias cansadas sob a justificativa de renovar o olhar, mas o
que eles querem é apenas usar o nome dessas pessoas para dar algum verniz de
algo mais artístico, mais preocupado com posicionamentos políticos ou sociais,
sem de fato querer transformar nada. No mundo real diretoras como Chloe Zhao ou
Nia DaCosta são cooptadas para grandes franquias como a Marvel (em Eternose As Marvels) justamente para esse fim.
Isso é visível na cena em que
Kris conversa via Zoom com os executivos e produtores, com a preocupação deles
sendo apenas a de “limpar” os preconceitos da franquia sem mexer no resto. A
própria Kris diz isso em uma conversa com Billy, afirmando ter sido contratada
apenas por ser uma jovem e promissora diretora envolvida com questões LGBT para
dar a impressão de que os produtores se preocupam com sensibilidades
contemporâneas enquanto vendem a mesma coisa.
Passado problemático
O filme comenta mais
especificamente sobre as representações feitas pelos filmes slasher e certa tradição conservadora e
de reforçar preconceitos que esses filmes tem. Não é exatamente novidade, a
franquia Pânicojá falava um pouco
sobre como esses filmes punem com mortes sangrentas condutas como fazer sexo ou
usar drogas, além de mirarem em minorias.
Aqui, porém, o foco é em alguns
tipos de representação. Filmes como Acampamento
Sinistro (1983) traziam pessoas trans como assassinos desequilibrados como
se ser trans fosse algo aberrante e um atestado de instabilidade mental ou
conduta dissimulada. Quando Kris e Billy assistem ao Acampamento Miasma
original, elas comentam como a origem de Little Death é tratada em termos
puramente preconceituosos. As cenas de morte também seguem a cartilha da
punição, o assassino mata pessoas que transam ou que usam drogas.
As mortes são filmadas de maneira
propositalmente tosca e exagerada, com chafarizes de sangue jorrando a cada
golpe do assassino e uma física nada realista, como o momento em que Little
Death empala um adolescente com sua lança e depois bate o corpo dele em um
mastro, fazendo sua vítima explodir em mil pedaços. É algo feito não para
aterrorizar ou chocar como esses filmes originalmente faziam, mas para
satirizar o exagero dessas produções e modo virulento que essas mortes
refletiam certos preconceitos e visões conservadoras. O segmento em que Billy e
Kris assistem aos filmes antigos, no entanto, dão a sensação de que o filme se
detém neles mais do que deveria.
Paradoxos do coração
Embora tenha críticas à franquia,
Kris também exibe uma apreciação por esses filmes e tenta entender o que move
sua conexão com eles. Em suas interações com Billy, que florescem em um affair, ela pondera sobre a natureza
erótica desses filmes, da nudez, do tesão adolescente, da excitação de transar
no mato e também na tensão de correr pela vida enquanto perseguida por um
assassino, de estar em meio a uma crise dessas lutando para sobreviver e
extrair prazer disso. As falas da personagem encontram eco nas falas de Billy
sobre perder a virgindade e como ela teve o melhor orgasmo da vida ao imaginar
Little Death se aproximando.
São ideias que me remetem ao
livro A Filosofia do Horror de Noel
Carroll que analisa o porquê de consumirmos histórias de horror. O teórico
analisa como o medo e a repulsa são emoções que guiam o horror, que o prazer do
gênero vem da curiosidade com o anômalo, com o monstruoso e ter essa
curiosidade saciada. A grosso modo, queremos saber como é lidar com algo assim
imponderável, assustador, e o horror permite experimentar essas emoções sem
estarmos realmente em perigo.
A relação com o anômalo, com o
monstruoso que Kris pensa em fazer no seu filme, no entanto, não é o da
rejeição ao anômalo, ao tabu, como era no passado. Isso perpassa tanto no modo
como ela pensa no assassino Little Death como em outros tabus do slasher, em especial o sexo. O prazer, o
orgasmo, o voyeurismo não deveriam ser objetos de punição. Morte e sexo
caminhariam lado a lado em fornecer prazer e catarse. Isso fica evidente
durante o clímax no qual Kris começa a ser perseguida por Little Death e a
criatura começa a matar as pessoas que ela conhece e que passou o resto do
filme julgando silenciosamente, como sua agente ou os executivos de estúdio,
enquanto a montagem corta para imagens de Kris e Billy fazendo sexo enquanto
Little Death se aproxima delas. Há uma catarse em ver os desafetos da personagem
serem mortos enquanto que a proximidade com a morte parece tornar o sexo mais
intenso, como se a lembrança da mortalidade tornasse mais importante nossos
momentos de prazer.
O filme aborda a metalinguagem da
narrativa com um surrealismo similar ao que a diretora Jane Schoenbrun fez em
seu filme anterior, Eu Vi o Brilho da TV(2024).
As fronteiras entre a realidade e o universo subjetivo de Kris são borradas,
durante boa parte do filme não sabemos até que ponto ela está de fato sendo
observada por Little Death ou se é tudo imaginação dela. A fotografia adota uma
iluminação estourada e alterações na paleta de cores para comunicar esses
momentos de descolamento da realidade. A dimensão paralela na qual Little Death
observa nosso mundo, com paredes rosas e enrugadas, lembra um cérebro. É como
se a criatura fosse o nosso subconsciente, os desejos reprimidos de pulsão de
morte e de vida, de matar que detestamos ou como sentimos culpa pelos nossos
prazeres sexuais. Nesse sentido, a trama não apenas critica os preconceitos
carregados por esse tipo de história, mas defende suas qualidades, advogando
que esses filmes tem implicitamente uma dimensão transgressora, de apontar
tabus e prazeres considerados proibidos, defendendo que o gênero precisa
abraçar isso se quiser continuar relevante. O filme pondera que o sexo não
deveria ser punido, mas celebrado.
Eu tenho uma relação de altos e baixos
com o diretor Alejandro Iñarritu. Se por um lado aprecio e energia e a
encenação cuidadosa de produções como Birdman(2015), por outro me incomodo com seus arroubos de autoindulgência que
resultam em produções como Bardo(2023)
que se acham mais espertas do que realmente são. Esse Digger me chamou atenção por tirar Tom Cruise de sua zona de
conforto. Por anos o astro esteve preso em filmes de ação (como Missão Impossível e Jack Reacher) em que repetia a
mesma persona e Digger era uma chance de fazer algo diferente e explorar o
potencial que o ator demonstrara em produções como Magnólia (1999), Colateral (2004)
ou até mesmo em Trovão Tropical (2008).
Senhores do caos
A narrativa é focada em Digger
Rockwell (Tom Cruise) magnata do petróleo que recebe de seus funcionários a
notícia que suas operações na Groelândia causaram a separação de uma geleira
que periga destruir a Europa. Digger notifica o caquético presidente Compson
(John Goodman), mas entre fazer a coisa certa e agarrar uma oportunidade de
maiores lucros, Digger opta por continuar ganhando dinheiro.
Filmes hollywoodianos de dança
normalmente seguem uma estrutura bem similar. Há um grupo de dança, uma
competição ou disputa por uma vaga, uma rivalidade e um interesse amoroso.
Estruturalmente Conforme a Música segue
bem esse formato, mas tenta se diferenciar com ritmos musicais indianos e
números de dança que evocam Bollywood, apelido dado à indústria cinematográfica
da Índia.
Ritmo previsível
A narrativa acompanha duas amigas
que acabaram de entrar na faculdade, Maya (Maitreyi Ramakrishnan, de Eu Nunca...) e Anjali (Priyanka Kedia).
Buscando se enturmar, elas buscam as comunidades de descendentes de indianos
como elas e decidem por entrar para o grupo de dança indiana capitaneado pelo
bonitão Ronak (Ankur Rathee), por quem Anjali logo se encanta. As duas se
destacam no grupo e na hora de escolher a protagonista feminina para o número
da próxima competição há um empate entre Maya e Anjali. Sem contar para o
grupo, Ronak decide desempatar em prol de Anjali por gostar mais dela e ter
problemas com as sugestões criativas de Maya. O grupo ainda precisa pensar em
uma coreografia criativa para tentar derrubar o grupo que vem sendo campeão há
anos liderado por Selena (Neha Anushka).
Falsos documentários ou mockumentaries brincam com a ideia de
realidade documental e como muitas vezes recebemos de modo muito acrítico as
imagens que o cinema nos dá, lembrando que mesmo no registro do real há uma
construção dessas imagens e que elas podem ser modificadas ou falseadas. Memória da Princesa Mumbi mescla essa
estética de falso documentário com ficção científica e romance para pensar
nossa relação com as imagens, o cinema e a representação do mundo.
Futuro reverso
A narrativa se passa em 2093. Kuve
(Ibrahim Joseph) viaja ao reino de Umata na costa da África para fazer um
documentário sobre os efeitos de uma guerra ocorrida em 2070 que culminou com o
lugar banindo a tecnologia para tentar resolver a depressão causada pela dependência
tecnológica, se reestruturando em reinos retrofuturistas. Lá ele conhece Mumbi
(Shandra Apondi) e a recruta para ajudar com seu documentário. Mumbi desafia
Kuve a fazer um filme sem usar IA e aos poucos os dois vão se apaixonando, mas
Mumbi está prometida em casamento para um príncipe de um reino vizinho.
A produção Morte e Vida Madalena trata sobre os percursos tortos pelos quais
nos conectamos com os outros, lidamos com a morte e com a renovação de nossas
vidas. São temas que o diretor Guto Parente já tinha abordado em sua obra
anterior, o ótimo Estranho Caminho
(2024), e que aqui volta a falar com o mesmo esforço de equilibrar drama e
comédia.
Encarando a perda
A narrativa é protagonizada por
Madalena (Noá Bonoba). Grávida de oito meses, ela acabou de perder o pai e
decide honrá-lo terminando seu último filme, uma ficção científica B. Ela decide
filmar logo, antes que seu bebê nasça para não precisar lidar com a correria de
uma produção com um recém-nascido. O problema é que muitas coisas fogem de seu
controle e as filmagens são tomadas por caos quando o diretor, Davi (Marcus
Curvelo), ex-marido de Madalena, desaparece. Ela traz Oswaldo (Tavinho
Teixeira), amigo de seu falecido pai, para assumir o filme, mas Oswaldo parece
ter ideias próprias para o filme, saindo do roteiro e irritando Madalena.
Estrelado por Ryan Reynolds e
Kenneth Branagh, Mayday é uma comédia
de ação nos moldes de Máquina Mortífera (1987)
ao apresentar uma dupla de protagonistas com personalidades opostas que
precisam sobreviver a uma ameaça. Ele tenta falar sobre outras coisas ao situar
sua trama no final da Guerra Fria, mas isso não leva a nada muito interessante.
Atrás das linhas inimigas
A narrativa se passa em 1987. O
piloto Troy é designado para uma aeronave espiã em uma missão de voo sobre a
União Soviética, mas quando seu avião é abatido, ele precisa dar um jeito de
sair do país antes de ser capturado pela KGB. Ele é encontrado por Nikolai
(Kenneth Branagh), um ex-agente soviético que convenientemente adora os Estados
Unidos. Em troca de asilo político Nikolai aceita ajudar Troy a escapar, mas
com uma condição, a de que levem junto a filha dele, Anna (Maria Bakalova), que
mora em Moscou.
Depois que Você Não Tá Convidada pro Meu Bat Mitzvá (2023) mostrou que a filha
caçula do Adam Sandler conseguia segurar um longa como protagonista, a Happy
Madison, produtora de Sandler, a coloca a frente de mais um filme neste Não Deseje Boa Sorte, que vai mais para
o drama do que para a comédia.
Amadurecimento forçado
A narrativa é protagonizada por
Sophie (Sunny Sandler) que tenta entrar para o elenco do musical da escola e se
surpreende ao conseguir o papel de protagonista. Enquanto lida com o senso de
inadequação ao não se sentir boa o suficiente para ser a principal, Sophie
acidentalmente descobre que sua mãe, Elizabeth (Melanie Lynskey), está com um câncer
severo. Agora a garota precisa lidar com as pressões do colégio e a perspectiva
de perder a mãe.
A atriz Olivia Wilde teve uma
estreia promissora como diretora no bacana Fora de Série(2019), mas decepcionou em seu filme seguinte com o fraco Não Se Preocupe, Querida (2022). Agora
ela chega em seu terceiro longa neste O
Convite e entrega o que pode ser o seu melhor trabalho atrás das câmeras.
Cenas de um casamento
O casamento de Angela (Olivia
Wilde) e Joe (Seth Rogen, que trabalhou com Wilde na série O Estúdio) está por um fio. Eles mal conversam, não fazem sexo,
discutem constantemente e tudo na relação deles soa protocolar. Um dia Joe
chega do trabalho e descobre que Angela convidou os vizinhos de cima para um
jantar para agradecer a paciência deles com o barulho da reforma. Joe não está
disposto a receber ninguém, mas pensa que pode ser uma oportunidade de
questionar os vizinhos pelo barulho constante à noite do que parecem ser longas
sessões de sexo. Quando o casal vizinho Pina (Penelope Cruz) e Hawk (Edward
Norton) chega eles encontram um clima constrangedor já que Angela e Joe estavam
no meio de uma briga. Ainda assim tentam seguir com a noite que se desdobra em
constrangimentos e tensões conforme os dois casais passam a se conhecer melhor.
Há quase três décadas a trupe
liderada por Johnny Knoxville testa os limites de seus corpos e do bom gosto na
televisão e no cinema com Jackass.
Agora próximo aos sessenta anos e sentindo o peso dos vários danos ao seu
corpo, Knoxville apresenta esse Jackass:
O Último é o Melhor como a derradeira obra do grupo, embora venha dizendo
isso faz uns dois ou três filmes.
Tempo perdido
Embora venha há tempos dizendo
que seu próximo trabalho será o último, aqui o tom é mais de desfecho que
qualquer outro Jackass. O filme apresenta vários momentos de introspecção de
Knoxville e sua trupe na qual ponderam sobre o percurso até aqui, as maluquices
que fizeram e todo o dano que já sofreram. São momentos que oferecem respiros
ao caos e escatologia típicos do grupo e permitem lançar outra luz sobre eles,
na qual eles conversam sobre envelhecimento, os limites do corpo e até o
próprio legado. Esses momentos poderiam ser o principal elemento do filme, mas
não são aproveitados como deveriam, com a câmera rapidamente cortando quando
alguém se emociona ou não dando muito espaço para algumas questões que são
abordadas de maneira muito passageira, como o falecimento de Ryan Dunn ou os
problemas que alguns membros do grupo, como Steve-O tiveram ao longo dos anos.
É difícil não pensar na máxima “a
vida imita a arte” ao assistir Coyote vs
ACME. O filme fala sobre ganância corporativa e a dificuldade de enfrentar
uma mega corporação para que ela seja finalmente responsabilizada pela sua
negligência e desmandos. Pois para chegar aos cinemas o filme precisou enfrentar
ganância corporativa e viu a dificuldade de enfrentar uma mega corporação que
não quer ter responsabilidade pelas suas ações. A Warner, que produziu o filme,
queria engavetar a produção e nunca lançá-la, trancando-a em seu cofre para receber
descontos em impostos da mesma forma que fez com o filme da Batgirl e a
continuação de Scooby! (2020).
Diferente dos outros dois, que
não tinham completado pós-produção quando foram engavetados, Coyote vs ACME estava finalizado quando
a Warner decidiu cancelá-lo, o que tornou a decisão ainda mais revoltante. Os
envolvidos com o filme se mobilizaram para tentar salvá-lo e o que se seguiu foi
uma batalha de quase um ano para conseguir uma distribuidora para comprar o
filme e durante o processo a Warner adotou uma posição de dificultar as
negociações, pedindo valores altíssimos e recusando contraofertas. Com muito
esforço e mobilização a Ketchup Entertainment (que já tinha comprado os
direitos do longa animado Looney Tunes O Filme: O Dia Que a Terra Explodiu) conseguiu adquirir os direitos de distribuição
e o filme finalmente chega aos cinemas depois de enfrentar poderes corporativos
tão vilanescos quanto os que o Coiote enfrenta na trama.
Eu tenho expectativas muito
delineadas na minha mente sempre que vou assistir um novo A Morte do Demônio. Espero um uso abundante e criativo de gore e
certo senso de humor sombrio, embora não sejam exatamente primores narrativos. A Morte do Demônio: Em Chamas entrega
exatamente o que eu esperava. É uma produção que sabe o público que tem e
dialoga com esse público.
Sombras do trauma
A trama é centrada em Alice
(Souheila Yacoub). Depois que seu marido, Will (George Pullar), morre em um
acidente de carro com contornos sobrenaturais, ela vai para a remota casa dos
sogros para o funeral. O clima é tenso, já que Will a agredia e a os pais dele,
em especial a mãe, Susan (Tandi Wright), tomavam partido dele. As coisas se
complicam durante a cerimônia fúnebre na qual Edgar (Erroll Shand), o pai de
Will, é infectado por algo demoníaco no corpo do filho. Aos poucos Edgar começa
a agir de maneira agressiva e isso começa a afetar o resto da família e Alice
precisa encontrar um jeito de sobreviver a isso.
Fui assistir a série Prazer Máximo Garantido pela Tatiana
Maslany e acabei ficando pela mistura envolvente entre suspense e comédia que a
série faz, misturando uma trama de conspiração com o cotidiano de uma mãe
divorciada. Nem todos os seus elementos, no entanto, são bem amarrados e a
série produzida pela AppleTV tem sua parcela de problemas.
Ponto de ebulição
Paula (Tatiana Maslany) é uma
mulher divorciada em meio a uma batalha pela custódia da filha com o ex-marido,
Karl (Jake Johnson). Ela mantem uma relação com o camboy Trevor (Brandon
Flynn), mas durante uma das sessões ela vê Trevor ser agredido e sequestrado.
Paula entra em contato com a polícia e a detetive Gonzalez (Dolly de Leon)
avisa que é provavelmente um esquema para tirar dinheiro dela. Logo Paula
começa a receber ligações de Trevor, dizendo que está devendo dinheiro e que
precisa da ajuda de Paula. Ela ignora, mas conforme as ligações começam a
atrapalhar seu cotidiano, decide ir tirar satisfação com Trevor. Depois de
descobrir onde ele mora, Paula chega no apartamento do camboy para encontrá-lo
morto, entrando acidentalmente em uma perigosa conspiração.
Produzido por Ben Stiller, este The Dink: A Última Chance me lembrou
outra comédia da produtora dele: Com a
Bola Toda (2004). Ambos são filmes sobre sujeitos fracassados que buscam
uma chance de redenção ao competirem em um esporte meio tosco. As comparações,
no entanto, param aí. Se Com a Bola Toda tem
cenas memoráveis e diálogos que até hoje são usados como memes, The Dink está longe de oferecer algo tão
bacana.
Bolas em jogo
A trama é protagonizada Dustin
(Jake Johnson) um jogador de tênis que era promissor na juventude, mas uma
lesão acabou com seus prospectos. Hoje ele trabalha como instrutor em um clube
de tênis gerenciado por seu pai, Chuck (Ed Harris), que até hoje o trata como
uma decepção. O tênis vem perdendo espaço no clube para jogadores de pickleball, algo que Chuck vê como
decadência. Dustin resolve ajudar o pai a expulsar os jogadores de pickleball do clube, mas logo se
aproxima de alguns deles, como Candace (Mary Steenburgen).
Fui assistir 72 Horas em Miami esperando que fosse mais uma daquelas comédias
preguiçosas que o Kevin Hart faz para streaming
e confesso que saí surpreso dele. Não que ele faça qualquer coisa para
reinventar a roda ou eleve esse tipo de produção a outro patamar, mas pelo
menos consegue entregar o senso de caos e falta de noção que se espera desse
tipo de besteirol.
Se beber, não case
A trama gira em torno de Joe
(Kevin Hart), um executivo de publicidade cujo emprego está por um fio. Quando
ele é acidentalmente adicionado em um grupo de texto de jovens de vinte e
poucos anos organizando uma despedida de solteiro. Joe vê isso como uma
oportunidade de se conectar com os jovens e se prontifica para pagar as
despesas da festa se os jovens deixarem ele participar. Assim, Joe vai para
Miami encontrar Mason (Mason Gooding), o noivo, Nick (Marcello Hernandez), o
melhor amigo do noivo, e outros dois amigos, Repetente (Kam Patterson) e Hunter
(Ben Marshall). Obviamente confusões acontecem, principalmente quando Joe é
confundido por traficantes locais como um criminoso tentando tomar o território
deles.
O primeiro Todo Mundo em Pânico (2000) foi uma sensação quando foi lançado,
lembro de ter visto mais de uma vez no cinema e memorizado vários diálogos. O
sucesso trouxe continuações que ficavam progressivamente piores, principalmente
depois que a produtora Miramax ejetou os irmãos Wayans (responsáveis por filmes
como As Branquelas) do controle da
franquia. Agora o Wayans retornam prometendo compensar o tempo perdido. O
resultado, porém, é irregular
Rindo do terror
A trama satiriza filmes de terror
como o quinto e o sexto Pânico, o
reboot de Halloween e produções recentes
como Corra!(2017), os dois Sorria ou A Hora do Mal(2025). Um novo assassino Ghostface volta a
aterrorizar a cidade na qual Cindy (Anna Faris) vive, agora tendo como alvo sua
filha, Sara (Olivia Rose Keegan). Tendo passado os últimos anos reclusa,
temendo o retorno do assassino Cindy volta à ação e se reúne com antigos
aliados como Brenda (Regina Hall) e Shorty (Marlon Wayans).
Dirigido por Scarlett Johansson, A Incrível Eleanor explora o impacto do
luto em diferentes gerações ao mesmo tempo em que analisa como certas feridas
nunca fecham e a importância da memória ao ponderar sobre o Holocausto e a
importância de ouvir seus sobreviventes. Nem sempre todas as ideias são bem amarradas,
mas a produção tem sentimento o bastante para cativar.
O peso da solidão
A narrativa acompanha a viúva
nonagenária Eleanor (June Squibb), que há mais de uma década mora com a melhor
amiga Bessie (Rita Zohar) desde que ambas se tornaram viúvas. Quando Bessie
morre, Eleanor vai temporariamente morar com a filha, Lisa (Jessica Hecht),
enquanto pensa em novos arranjos para si. Como a filha e o neto não tem muito
tempo para ela, Eleanor decide frequentar um centro de cultura judaica e
acidentalmente entra para um grupo de apoio aos sobreviventes do Holocausto.
Com vergonha de admitir seu erro Eleanor conta a história de sobrevivência de
Bessie como se fosse dela, comovendo a todos, sem perceber que a sessão estava
sendo acompanhada pela estudante de jornalismo Nina (Erin Kellyman), que aborda
Eleanor para escrever uma reportagem a seu respeito. Como se sente sozinha, Eleanor
aceita conversar com Nina.
A ficção criou toda uma mística
em torno de pessoas gêmeas e a conexão que eles têm. Twinless: Um Gêmeo a Menos vai para o caminho oposto e indaga o que
acontece quando essa conexão que existe desde o nascimento é rompida? Qual é o
impacto do luto no gêmeo que fica?
Irmão ausente
A narrativa é protagonizada por
Roman (Dylan O’Brien), que recentemente perdeu o irmão gêmeo Rocky. Ele
participa de um grupo de apoio para gêmeos que perderam os irmãos e lá conhece
Dennis (James Sweeney, que também escreveu e dirigiu o filme), um jovem que
também perdeu o irmão. Roman sente muita afinidade com Dennis e logo eles se
tornam amigos, quase funcionando como gêmeos novamente, dando a impressão que
eles irão preencher o vazio um do outro. As coisas se complicam quando
descobrimos que Dennis oculta várias informações de Roman, inclusive a de que
conhecia Rocky e que tem envolvimento no acidente que causou a morte dele.
Os irmãos Peter e Bobby Farrely
dirigiram algumas das comédias mais marcantes da década de 90, como Débi e Lóide (1994) e Quem Vai Ficar com Mary (1998). Há
alguns anos eles vem atuado separados. Recentemente Peter entregou o horrendo Bola Pra Cima enquanto Bobby fez este Tomando Rumo, que tão ruim quanto, só
um pouco menos ofensivo.
Viagem pela estrada
A trama segue Jeremy (Sam Nivola,
de White Lotus), um colegial que
sente saudades da namorada, que já foi para a faculdade. Durante uma conversa
por telefone ele sente que ela irá terminar com ele. No dia seguinte Jeremy
rouba o carro da autoescola junto com outros três colegas para chegar à cidade
onde a namorada faz faculdade.
Com John Cena e Eric Andre, Meu Irmão é um Problema é uma comédia
que deriva da premissa do sujeito certinho que tem a vida invadida por um
sujeito inconveniente e carismático nos moldes de Antes Só do que Mal Acompanhado (1987), Nosso Querido Bob (1991) ou O
Pentelho (1996). Segue bem a cartilha desse tipo de filme e não se esforça
muito para sair desse traçado.
Conflito entre irmãos
Na trama, Rudd (John Cena) é um
corretor imobiliário em ascensão, prestes a estrelar em um reality show, as
coisas se complicam quando Marcus (Eric Andre) retorna a sua vida. Quando
adolescente Rudd participou de programa voluntário para ajudar crianças
carentes, agindo como “irmão” de Marcus. Marcus se apegou a isso e, agora
adulto, busca se reconectar com Rudd. O problema é que a personalidade
amalucada e espontaneidade de Marcus causam problemas no cotidiano planejado de
Rudd.