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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Drops – Matchbox: O Filme

 

Crítica – Matchbox: O Filme

Review – Matchbox: O Filme
Com o sucesso de Barbie (2023) Hollywood como sempre aprendeu as lições erradas e entendeu que a alta bilheteria do filme se deu porque o público estava sedento por filmes baseados em brinquedos. Vários estúdios correram para dar sinal verde em projetos baseados envolvendo linha de brinquedos e este Matchbox: O Filme, que se baseia em uma linha de carrinhos de brinquedo, é um deles.

Brincadeira de gente grande

A trama gira em torno de Sean (John Cena), um agente da CIA que tem uma ogiva nuclear roubada dele durante uma missão. A agência suspeita que ele é um traidor e detem ele, bem como seus amigos de infância, as únicas pessoas com quem ele teve alguma conexão, para tentar forçá-lo a falar. Sean consegue fugir com os amigos e agora eles precisam descobrir o que aconteceu e provar a própria inocência. E os carrinhos Matchbox, onde entram na história? Bem, quando eles eram crianças se tornaram amigos por colecionarem esses carrinhos e é só isso, eles não fazem qualquer diferença.

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Crítica – Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte

 

Análise Crítica – Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte

A arte é um produto de seu tempo. Quando olhamos para um filme feito décadas atrás, por mais que gostemos dele, provavelmente veremos elementos que mostrem o quanto essa produção é datada e reflete certos pontos de vista que não bem aceitos como na época em que foram realizados. O horror slasher, principalmente aquele feito nas décadas de 70 e 80, com histórias voltadas para personagens adolescentes e muitas vezes situados em acampamentos de férias ou cabanas isoladas, não é exceção a essa regra. Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte se propõe a refletir sobre o slasher apontando os seus problemas, mas também tentando entender o fascínio que esses filmes exercem ainda hoje.

Indústria cíclica

A narrativa é protagonizada por Kris (Hannah Einbinder) uma jovem diretora independente contratada para produzir um reboot da franquia de terror Acampamento Miasma. Os executivos do estúdio esperam que ela, uma diretora preocupada com representatividade, crie uma nova história de origem para o assassino Little Death (Jack Haven), colocando-o como uma figura trágica e afastando as acusações de transfobia da franquia original. Kris busca a atriz Billy Presley (Gillian Anderson) que atuou no filme original e evitou as continuações, mas o estúdio se opõe a trazer uma atriz sexagenária e não tão famosa como protagonista do reboot.

A premissa aponta tendências contemporâneas de Hollywood que recorre a cineastas independentes para tentar revitalizar franquias cansadas sob a justificativa de renovar o olhar, mas o que eles querem é apenas usar o nome dessas pessoas para dar algum verniz de algo mais artístico, mais preocupado com posicionamentos políticos ou sociais, sem de fato querer transformar nada. No mundo real diretoras como Chloe Zhao ou Nia DaCosta são cooptadas para grandes franquias como a Marvel (em Eternos e As Marvels) justamente para esse fim.

Isso é visível na cena em que Kris conversa via Zoom com os executivos e produtores, com a preocupação deles sendo apenas a de “limpar” os preconceitos da franquia sem mexer no resto. A própria Kris diz isso em uma conversa com Billy, afirmando ter sido contratada apenas por ser uma jovem e promissora diretora envolvida com questões LGBT para dar a impressão de que os produtores se preocupam com sensibilidades contemporâneas enquanto vendem a mesma coisa.

Passado problemático

O filme comenta mais especificamente sobre as representações feitas pelos filmes slasher e certa tradição conservadora e de reforçar preconceitos que esses filmes tem. Não é exatamente novidade, a franquia Pânico já falava um pouco sobre como esses filmes punem com mortes sangrentas condutas como fazer sexo ou usar drogas, além de mirarem em minorias.

Aqui, porém, o foco é em alguns tipos de representação. Filmes como Acampamento Sinistro (1983) traziam pessoas trans como assassinos desequilibrados como se ser trans fosse algo aberrante e um atestado de instabilidade mental ou conduta dissimulada. Quando Kris e Billy assistem ao Acampamento Miasma original, elas comentam como a origem de Little Death é tratada em termos puramente preconceituosos. As cenas de morte também seguem a cartilha da punição, o assassino mata pessoas que transam ou que usam drogas.

As mortes são filmadas de maneira propositalmente tosca e exagerada, com chafarizes de sangue jorrando a cada golpe do assassino e uma física nada realista, como o momento em que Little Death empala um adolescente com sua lança e depois bate o corpo dele em um mastro, fazendo sua vítima explodir em mil pedaços. É algo feito não para aterrorizar ou chocar como esses filmes originalmente faziam, mas para satirizar o exagero dessas produções e modo virulento que essas mortes refletiam certos preconceitos e visões conservadoras. O segmento em que Billy e Kris assistem aos filmes antigos, no entanto, dão a sensação de que o filme se detém neles mais do que deveria.

Paradoxos do coração

Embora tenha críticas à franquia, Kris também exibe uma apreciação por esses filmes e tenta entender o que move sua conexão com eles. Em suas interações com Billy, que florescem em um affair, ela pondera sobre a natureza erótica desses filmes, da nudez, do tesão adolescente, da excitação de transar no mato e também na tensão de correr pela vida enquanto perseguida por um assassino, de estar em meio a uma crise dessas lutando para sobreviver e extrair prazer disso. As falas da personagem encontram eco nas falas de Billy sobre perder a virgindade e como ela teve o melhor orgasmo da vida ao imaginar Little Death se aproximando.

São ideias que me remetem ao livro A Filosofia do Horror de Noel Carroll que analisa o porquê de consumirmos histórias de horror. O teórico analisa como o medo e a repulsa são emoções que guiam o horror, que o prazer do gênero vem da curiosidade com o anômalo, com o monstruoso e ter essa curiosidade saciada. A grosso modo, queremos saber como é lidar com algo assim imponderável, assustador, e o horror permite experimentar essas emoções sem estarmos realmente em perigo.

A relação com o anômalo, com o monstruoso que Kris pensa em fazer no seu filme, no entanto, não é o da rejeição ao anômalo, ao tabu, como era no passado. Isso perpassa tanto no modo como ela pensa no assassino Little Death como em outros tabus do slasher, em especial o sexo. O prazer, o orgasmo, o voyeurismo não deveriam ser objetos de punição. Morte e sexo caminhariam lado a lado em fornecer prazer e catarse. Isso fica evidente durante o clímax no qual Kris começa a ser perseguida por Little Death e a criatura começa a matar as pessoas que ela conhece e que passou o resto do filme julgando silenciosamente, como sua agente ou os executivos de estúdio, enquanto a montagem corta para imagens de Kris e Billy fazendo sexo enquanto Little Death se aproxima delas. Há uma catarse em ver os desafetos da personagem serem mortos enquanto que a proximidade com a morte parece tornar o sexo mais intenso, como se a lembrança da mortalidade tornasse mais importante nossos momentos de prazer.

O filme aborda a metalinguagem da narrativa com um surrealismo similar ao que a diretora Jane Schoenbrun fez em seu filme anterior, Eu Vi o Brilho da TV (2024). As fronteiras entre a realidade e o universo subjetivo de Kris são borradas, durante boa parte do filme não sabemos até que ponto ela está de fato sendo observada por Little Death ou se é tudo imaginação dela. A fotografia adota uma iluminação estourada e alterações na paleta de cores para comunicar esses momentos de descolamento da realidade. A dimensão paralela na qual Little Death observa nosso mundo, com paredes rosas e enrugadas, lembra um cérebro. É como se a criatura fosse o nosso subconsciente, os desejos reprimidos de pulsão de morte e de vida, de matar que detestamos ou como sentimos culpa pelos nossos prazeres sexuais. Nesse sentido, a trama não apenas critica os preconceitos carregados por esse tipo de história, mas defende suas qualidades, advogando que esses filmes tem implicitamente uma dimensão transgressora, de apontar tabus e prazeres considerados proibidos, defendendo que o gênero precisa abraçar isso se quiser continuar relevante. O filme pondera que o sexo não deveria ser punido, mas celebrado.

 

Nota: 9/10


Trailer

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Crítica – Digger

 

Análise Crítica – Digger

Review – Digger
Eu tenho uma relação de altos e baixos com o diretor Alejandro Iñarritu. Se por um lado aprecio e energia e a encenação cuidadosa de produções como Birdman (2015), por outro me incomodo com seus arroubos de autoindulgência que resultam em produções como Bardo (2023) que se acham mais espertas do que realmente são. Esse Digger me chamou atenção por tirar Tom Cruise de sua zona de conforto. Por anos o astro esteve preso em filmes de ação (como Missão Impossível e Jack Reacher)  em que repetia a mesma persona e Digger era uma chance de fazer algo diferente e explorar o potencial que o ator demonstrara em produções como Magnólia (1999), Colateral (2004) ou até mesmo em Trovão Tropical (2008).

Senhores do caos

A narrativa é focada em Digger Rockwell (Tom Cruise) magnata do petróleo que recebe de seus funcionários a notícia que suas operações na Groelândia causaram a separação de uma geleira que periga destruir a Europa. Digger notifica o caquético presidente Compson (John Goodman), mas entre fazer a coisa certa e agarrar uma oportunidade de maiores lucros, Digger opta por continuar ganhando dinheiro.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Crítica – Conforme a Música

 

Análise Crítica – Conforme a Música

Filmes hollywoodianos de dança normalmente seguem uma estrutura bem similar. Há um grupo de dança, uma competição ou disputa por uma vaga, uma rivalidade e um interesse amoroso. Estruturalmente Conforme a Música segue bem esse formato, mas tenta se diferenciar com ritmos musicais indianos e números de dança que evocam Bollywood, apelido dado à indústria cinematográfica da Índia.

Ritmo previsível

A narrativa acompanha duas amigas que acabaram de entrar na faculdade, Maya (Maitreyi Ramakrishnan, de Eu Nunca...) e Anjali (Priyanka Kedia). Buscando se enturmar, elas buscam as comunidades de descendentes de indianos como elas e decidem por entrar para o grupo de dança indiana capitaneado pelo bonitão Ronak (Ankur Rathee), por quem Anjali logo se encanta. As duas se destacam no grupo e na hora de escolher a protagonista feminina para o número da próxima competição há um empate entre Maya e Anjali. Sem contar para o grupo, Ronak decide desempatar em prol de Anjali por gostar mais dela e ter problemas com as sugestões criativas de Maya. O grupo ainda precisa pensar em uma coreografia criativa para tentar derrubar o grupo que vem sendo campeão há anos liderado por Selena (Neha Anushka).

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Crítica – Memória da Princesa Mumbi

Análise Crítica – Memória da Princesa Mumbi

Review – Memória da Princesa Mumbi
Falsos documentários ou mockumentaries brincam com a ideia de realidade documental e como muitas vezes recebemos de modo muito acrítico as imagens que o cinema nos dá, lembrando que mesmo no registro do real há uma construção dessas imagens e que elas podem ser modificadas ou falseadas. Memória da Princesa Mumbi mescla essa estética de falso documentário com ficção científica e romance para pensar nossa relação com as imagens, o cinema e a representação do mundo.

Futuro reverso

A narrativa se passa em 2093. Kuve (Ibrahim Joseph) viaja ao reino de Umata na costa da África para fazer um documentário sobre os efeitos de uma guerra ocorrida em 2070 que culminou com o lugar banindo a tecnologia para tentar resolver a depressão causada pela dependência tecnológica, se reestruturando em reinos retrofuturistas. Lá ele conhece Mumbi (Shandra Apondi) e a recruta para ajudar com seu documentário. Mumbi desafia Kuve a fazer um filme sem usar IA e aos poucos os dois vão se apaixonando, mas Mumbi está prometida em casamento para um príncipe de um reino vizinho.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Crítica - Morte e Vida Madalena

 

Análise Crítica - Morte e Vida Madalena

Review - Morte e Vida Madalena
A produção Morte e Vida Madalena trata sobre os percursos tortos pelos quais nos conectamos com os outros, lidamos com a morte e com a renovação de nossas vidas. São temas que o diretor Guto Parente já tinha abordado em sua obra anterior, o ótimo Estranho Caminho (2024), e que aqui volta a falar com o mesmo esforço de equilibrar drama e comédia.

Encarando a perda

A narrativa é protagonizada por Madalena (Noá Bonoba). Grávida de oito meses, ela acabou de perder o pai e decide honrá-lo terminando seu último filme, uma ficção científica B. Ela decide filmar logo, antes que seu bebê nasça para não precisar lidar com a correria de uma produção com um recém-nascido. O problema é que muitas coisas fogem de seu controle e as filmagens são tomadas por caos quando o diretor, Davi (Marcus Curvelo), ex-marido de Madalena, desaparece. Ela traz Oswaldo (Tavinho Teixeira), amigo de seu falecido pai, para assumir o filme, mas Oswaldo parece ter ideias próprias para o filme, saindo do roteiro e irritando Madalena.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Crítica – Mayday

 

Análise Crítica – Mayday

Review – Mayday
Estrelado por Ryan Reynolds e Kenneth Branagh, Mayday é uma comédia de ação nos moldes de Máquina Mortífera (1987) ao apresentar uma dupla de protagonistas com personalidades opostas que precisam sobreviver a uma ameaça. Ele tenta falar sobre outras coisas ao situar sua trama no final da Guerra Fria, mas isso não leva a nada muito interessante.

Atrás das linhas inimigas

A narrativa se passa em 1987. O piloto Troy é designado para uma aeronave espiã em uma missão de voo sobre a União Soviética, mas quando seu avião é abatido, ele precisa dar um jeito de sair do país antes de ser capturado pela KGB. Ele é encontrado por Nikolai (Kenneth Branagh), um ex-agente soviético que convenientemente adora os Estados Unidos. Em troca de asilo político Nikolai aceita ajudar Troy a escapar, mas com uma condição, a de que levem junto a filha dele, Anna (Maria Bakalova), que mora em Moscou.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Crítica – Não Deseje Boa Sorte

 

Análise Crítica – Não Deseje Boa Sorte

Review – Não Deseje Boa Sorte
Depois que Você Não Tá Convidada pro Meu Bat Mitzvá (2023) mostrou que a filha caçula do Adam Sandler conseguia segurar um longa como protagonista, a Happy Madison, produtora de Sandler, a coloca a frente de mais um filme neste Não Deseje Boa Sorte, que vai mais para o drama do que para a comédia.

Amadurecimento forçado

A narrativa é protagonizada por Sophie (Sunny Sandler) que tenta entrar para o elenco do musical da escola e se surpreende ao conseguir o papel de protagonista. Enquanto lida com o senso de inadequação ao não se sentir boa o suficiente para ser a principal, Sophie acidentalmente descobre que sua mãe, Elizabeth (Melanie Lynskey), está com um câncer severo. Agora a garota precisa lidar com as pressões do colégio e a perspectiva de perder a mãe.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Crítica – O Convite (2026)

 

Análise Crítica – O Convite (2026)

Review – O Convite (2026)
A atriz Olivia Wilde teve uma estreia promissora como diretora no bacana Fora de Série (2019), mas decepcionou em seu filme seguinte com o fraco Não Se Preocupe, Querida (2022). Agora ela chega em seu terceiro longa neste O Convite e entrega o que pode ser o seu melhor trabalho atrás das câmeras.

Cenas de um casamento

O casamento de Angela (Olivia Wilde) e Joe (Seth Rogen, que trabalhou com Wilde na série O Estúdio) está por um fio. Eles mal conversam, não fazem sexo, discutem constantemente e tudo na relação deles soa protocolar. Um dia Joe chega do trabalho e descobre que Angela convidou os vizinhos de cima para um jantar para agradecer a paciência deles com o barulho da reforma. Joe não está disposto a receber ninguém, mas pensa que pode ser uma oportunidade de questionar os vizinhos pelo barulho constante à noite do que parecem ser longas sessões de sexo. Quando o casal vizinho Pina (Penelope Cruz) e Hawk (Edward Norton) chega eles encontram um clima constrangedor já que Angela e Joe estavam no meio de uma briga. Ainda assim tentam seguir com a noite que se desdobra em constrangimentos e tensões conforme os dois casais passam a se conhecer melhor.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Crítica – Jackass: O Último é o Melhor

 

Análise Crítica – Jackass: O Último é o Melhor

Review – Jackass: O Último é o Melhor
Há quase três décadas a trupe liderada por Johnny Knoxville testa os limites de seus corpos e do bom gosto na televisão e no cinema com Jackass. Agora próximo aos sessenta anos e sentindo o peso dos vários danos ao seu corpo, Knoxville apresenta esse Jackass: O Último é o Melhor como a derradeira obra do grupo, embora venha dizendo isso faz uns dois ou três filmes.

Tempo perdido

Embora venha há tempos dizendo que seu próximo trabalho será o último, aqui o tom é mais de desfecho que qualquer outro Jackass. O filme apresenta vários momentos de introspecção de Knoxville e sua trupe na qual ponderam sobre o percurso até aqui, as maluquices que fizeram e todo o dano que já sofreram. São momentos que oferecem respiros ao caos e escatologia típicos do grupo e permitem lançar outra luz sobre eles, na qual eles conversam sobre envelhecimento, os limites do corpo e até o próprio legado. Esses momentos poderiam ser o principal elemento do filme, mas não são aproveitados como deveriam, com a câmera rapidamente cortando quando alguém se emociona ou não dando muito espaço para algumas questões que são abordadas de maneira muito passageira, como o falecimento de Ryan Dunn ou os problemas que alguns membros do grupo, como Steve-O tiveram ao longo dos anos.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Crítica – Coyote vs ACME

 

Análise Crítica – Coyote vs ACME

Review – Coyote vs ACME
É difícil não pensar na máxima “a vida imita a arte” ao assistir Coyote vs ACME. O filme fala sobre ganância corporativa e a dificuldade de enfrentar uma mega corporação para que ela seja finalmente responsabilizada pela sua negligência e desmandos. Pois para chegar aos cinemas o filme precisou enfrentar ganância corporativa e viu a dificuldade de enfrentar uma mega corporação que não quer ter responsabilidade pelas suas ações. A Warner, que produziu o filme, queria engavetar a produção e nunca lançá-la, trancando-a em seu cofre para receber descontos em impostos da mesma forma que fez com o filme da Batgirl e a continuação de Scooby! (2020).

Diferente dos outros dois, que não tinham completado pós-produção quando foram engavetados, Coyote vs ACME estava finalizado quando a Warner decidiu cancelá-lo, o que tornou a decisão ainda mais revoltante. Os envolvidos com o filme se mobilizaram para tentar salvá-lo e o que se seguiu foi uma batalha de quase um ano para conseguir uma distribuidora para comprar o filme e durante o processo a Warner adotou uma posição de dificultar as negociações, pedindo valores altíssimos e recusando contraofertas. Com muito esforço e mobilização a Ketchup Entertainment (que já tinha comprado os direitos do longa animado Looney Tunes O Filme: O Dia Que a Terra Explodiu) conseguiu adquirir os direitos de distribuição e o filme finalmente chega aos cinemas depois de enfrentar poderes corporativos tão vilanescos quanto os que o Coiote enfrenta na trama.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Crítica – A Morte do Demônio: Em Chamas

 

Análise Crítica – A Morte do Demônio: Em Chamas

Review – A Morte do Demônio: Em Chamas
Eu tenho expectativas muito delineadas na minha mente sempre que vou assistir um novo A Morte do Demônio. Espero um uso abundante e criativo de gore e certo senso de humor sombrio, embora não sejam exatamente primores narrativos. A Morte do Demônio: Em Chamas entrega exatamente o que eu esperava. É uma produção que sabe o público que tem e dialoga com esse público.

Sombras do trauma

A trama é centrada em Alice (Souheila Yacoub). Depois que seu marido, Will (George Pullar), morre em um acidente de carro com contornos sobrenaturais, ela vai para a remota casa dos sogros para o funeral. O clima é tenso, já que Will a agredia e a os pais dele, em especial a mãe, Susan (Tandi Wright), tomavam partido dele. As coisas se complicam durante a cerimônia fúnebre na qual Edgar (Erroll Shand), o pai de Will, é infectado por algo demoníaco no corpo do filho. Aos poucos Edgar começa a agir de maneira agressiva e isso começa a afetar o resto da família e Alice precisa encontrar um jeito de sobreviver a isso.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Crítica – Prazer Máximo Garantido

 

Análise Crítica – Prazer Máximo Garantido

Review – Prazer Máximo Garantido
Fui assistir a série Prazer Máximo Garantido pela Tatiana Maslany e acabei ficando pela mistura envolvente entre suspense e comédia que a série faz, misturando uma trama de conspiração com o cotidiano de uma mãe divorciada. Nem todos os seus elementos, no entanto, são bem amarrados e a série produzida pela AppleTV tem sua parcela de problemas.

Ponto de ebulição

Paula (Tatiana Maslany) é uma mulher divorciada em meio a uma batalha pela custódia da filha com o ex-marido, Karl (Jake Johnson). Ela mantem uma relação com o camboy Trevor (Brandon Flynn), mas durante uma das sessões ela vê Trevor ser agredido e sequestrado. Paula entra em contato com a polícia e a detetive Gonzalez (Dolly de Leon) avisa que é provavelmente um esquema para tirar dinheiro dela. Logo Paula começa a receber ligações de Trevor, dizendo que está devendo dinheiro e que precisa da ajuda de Paula. Ela ignora, mas conforme as ligações começam a atrapalhar seu cotidiano, decide ir tirar satisfação com Trevor. Depois de descobrir onde ele mora, Paula chega no apartamento do camboy para encontrá-lo morto, entrando acidentalmente em uma perigosa conspiração.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Drops – The Dink: A Última Chance

 

Análise Crítica– The Dink: A Última Chance

Review – The Dink: A Última Chance
Produzido por Ben Stiller, este The Dink: A Última Chance me lembrou outra comédia da produtora dele: Com a Bola Toda (2004). Ambos são filmes sobre sujeitos fracassados que buscam uma chance de redenção ao competirem em um esporte meio tosco. As comparações, no entanto, param aí. Se Com a Bola Toda tem cenas memoráveis e diálogos que até hoje são usados como memes, The Dink está longe de oferecer algo tão bacana.

Bolas em jogo

A trama é protagonizada Dustin (Jake Johnson) um jogador de tênis que era promissor na juventude, mas uma lesão acabou com seus prospectos. Hoje ele trabalha como instrutor em um clube de tênis gerenciado por seu pai, Chuck (Ed Harris), que até hoje o trata como uma decepção. O tênis vem perdendo espaço no clube para jogadores de pickleball, algo que Chuck vê como decadência. Dustin resolve ajudar o pai a expulsar os jogadores de pickleball do clube, mas logo se aproxima de alguns deles, como Candace (Mary Steenburgen).

terça-feira, 28 de julho de 2026

Crítica – 72 Horas em Miami

 

Análise Crítica – 72 Horas em Miami

Review – 72 Horas em Miami
Fui assistir 72 Horas em Miami esperando que fosse mais uma daquelas comédias preguiçosas que o Kevin Hart faz para streaming e confesso que saí surpreso dele. Não que ele faça qualquer coisa para reinventar a roda ou eleve esse tipo de produção a outro patamar, mas pelo menos consegue entregar o senso de caos e falta de noção que se espera desse tipo de besteirol.

Se beber, não case

A trama gira em torno de Joe (Kevin Hart), um executivo de publicidade cujo emprego está por um fio. Quando ele é acidentalmente adicionado em um grupo de texto de jovens de vinte e poucos anos organizando uma despedida de solteiro. Joe vê isso como uma oportunidade de se conectar com os jovens e se prontifica para pagar as despesas da festa se os jovens deixarem ele participar. Assim, Joe vai para Miami encontrar Mason (Mason Gooding), o noivo, Nick (Marcello Hernandez), o melhor amigo do noivo, e outros dois amigos, Repetente (Kam Patterson) e Hunter (Ben Marshall). Obviamente confusões acontecem, principalmente quando Joe é confundido por traficantes locais como um criminoso tentando tomar o território deles.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Crítica – Todo Mundo em Pânico (2026)

Análise Crítica – Todo Mundo em Pânico (2026)

Review – Todo Mundo em Pânico (2026)
O primeiro Todo Mundo em Pânico (2000) foi uma sensação quando foi lançado, lembro de ter visto mais de uma vez no cinema e memorizado vários diálogos. O sucesso trouxe continuações que ficavam progressivamente piores, principalmente depois que a produtora Miramax ejetou os irmãos Wayans (responsáveis por filmes como As Branquelas) do controle da franquia. Agora o Wayans retornam prometendo compensar o tempo perdido. O resultado, porém, é irregular 

Rindo do terror

A trama satiriza filmes de terror como o quinto e o sexto Pânico, o reboot de Halloween e produções recentes como Corra! (2017), os dois Sorria ou A Hora do Mal (2025). Um novo assassino Ghostface volta a aterrorizar a cidade na qual Cindy (Anna Faris) vive, agora tendo como alvo sua filha, Sara (Olivia Rose Keegan). Tendo passado os últimos anos reclusa, temendo o retorno do assassino Cindy volta à ação e se reúne com antigos aliados como Brenda (Regina Hall) e Shorty (Marlon Wayans).

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Crítica – A Incrível Eleanor

 

Análise Crítica – A Incrível Eleanor

Review – A Incrível Eleanor
Dirigido por Scarlett Johansson, A Incrível Eleanor explora o impacto do luto em diferentes gerações ao mesmo tempo em que analisa como certas feridas nunca fecham e a importância da memória ao ponderar sobre o Holocausto e a importância de ouvir seus sobreviventes. Nem sempre todas as ideias são bem amarradas, mas a produção tem sentimento o bastante para cativar.

O peso da solidão

A narrativa acompanha a viúva nonagenária Eleanor (June Squibb), que há mais de uma década mora com a melhor amiga Bessie (Rita Zohar) desde que ambas se tornaram viúvas. Quando Bessie morre, Eleanor vai temporariamente morar com a filha, Lisa (Jessica Hecht), enquanto pensa em novos arranjos para si. Como a filha e o neto não tem muito tempo para ela, Eleanor decide frequentar um centro de cultura judaica e acidentalmente entra para um grupo de apoio aos sobreviventes do Holocausto. Com vergonha de admitir seu erro Eleanor conta a história de sobrevivência de Bessie como se fosse dela, comovendo a todos, sem perceber que a sessão estava sendo acompanhada pela estudante de jornalismo Nina (Erin Kellyman), que aborda Eleanor para escrever uma reportagem a seu respeito. Como se sente sozinha, Eleanor aceita conversar com Nina.

terça-feira, 14 de julho de 2026

Crítica – Twinless: Um Gêmeo a Menos

 

Análise Crítica – Twinless: Um Gêmeo a Menos

Review – Twinless: Um Gêmeo a Menos
A ficção criou toda uma mística em torno de pessoas gêmeas e a conexão que eles têm. Twinless: Um Gêmeo a Menos vai para o caminho oposto e indaga o que acontece quando essa conexão que existe desde o nascimento é rompida? Qual é o impacto do luto no gêmeo que fica?

Irmão ausente

A narrativa é protagonizada por Roman (Dylan O’Brien), que recentemente perdeu o irmão gêmeo Rocky. Ele participa de um grupo de apoio para gêmeos que perderam os irmãos e lá conhece Dennis (James Sweeney, que também escreveu e dirigiu o filme), um jovem que também perdeu o irmão. Roman sente muita afinidade com Dennis e logo eles se tornam amigos, quase funcionando como gêmeos novamente, dando a impressão que eles irão preencher o vazio um do outro. As coisas se complicam quando descobrimos que Dennis oculta várias informações de Roman, inclusive a de que conhecia Rocky e que tem envolvimento no acidente que causou a morte dele.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Drops – Tomando Rumo

 


Os irmãos Peter e Bobby Farrely dirigiram algumas das comédias mais marcantes da década de 90, como Débi e Lóide (1994) e Quem Vai Ficar com Mary (1998). Há alguns anos eles vem atuado separados. Recentemente Peter entregou o horrendo Bola Pra Cima enquanto Bobby fez este Tomando Rumo, que tão ruim quanto, só um pouco menos ofensivo.

Viagem pela estrada

A trama segue Jeremy (Sam Nivola, de White Lotus), um colegial que sente saudades da namorada, que já foi para a faculdade. Durante uma conversa por telefone ele sente que ela irá terminar com ele. No dia seguinte Jeremy rouba o carro da autoescola junto com outros três colegas para chegar à cidade onde a namorada faz faculdade.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Drops – Meu Irmão é um Problema

 

Análise Crítica – Meu Irmão é um Problema

Review – Meu Irmão é um Problema
Com John Cena e Eric Andre, Meu Irmão é um Problema é uma comédia que deriva da premissa do sujeito certinho que tem a vida invadida por um sujeito inconveniente e carismático nos moldes de Antes Só do que Mal Acompanhado (1987), Nosso Querido Bob (1991) ou O Pentelho (1996). Segue bem a cartilha desse tipo de filme e não se esforça muito para sair desse traçado.

Conflito entre irmãos

Na trama, Rudd (John Cena) é um corretor imobiliário em ascensão, prestes a estrelar em um reality show, as coisas se complicam quando Marcus (Eric Andre) retorna a sua vida. Quando adolescente Rudd participou de programa voluntário para ajudar crianças carentes, agindo como “irmão” de Marcus. Marcus se apegou a isso e, agora adulto, busca se reconectar com Rudd. O problema é que a personalidade amalucada e espontaneidade de Marcus causam problemas no cotidiano planejado de Rudd.