Depois de uma divertida primeira temporada, Palm Royale entra em sua
segunda temporada investindo ainda mais em seus excessos folhetinescos. Ainda
que seja sustentado pelo ótimo elenco, esse segundo ano acaba sendo um pouco
inferior que o primeiro.
Fundos de família
A narrativa se passa meses depois
do fim da primeira temporada. Maxine (Kristen Wiig) foi colocada em um
manicômio e Linda (Laura Dern) fugiu do país depois de ser considerada a
responsável pelo tiroteio que aconteceu no Palm Royale. Já recuperada, Norma
(Carol Burnett) incentiva Douglas (Josh Lucas) a casar com Mitzi (Kaia Garber)
que está grávida dele para que finalmente possam desbloquear o fundo fiduciário
para um herdeiro da família Dellacorte assim que o bebê nascer. Como os
Dellacorte morreram cedo e sem filhos, nas últimas décadas, com Norma e Douglas
sendo os últimos remanescentes, essa pode ser a única esperança de acessar o
dinheiro. O problema é que no final da temporada descobrimos que Norma não é
quem diz ser, tendo assumido o lugar da verdadeira Norma quando estudou com ela
em um colégio interno na juventude e Maxine busca meios de revelar a fraude de
Norma.
Dirigido por Mary Bronstein, Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
transita entre o horror, a comédia, o drama e o surrealismo para acompanhar a
ansiedade constante da maternidade, em especial quando uma mãe tenta lidar com
tudo sozinha, cuidando da filha, tendo uma profissão e ainda lidando com os
problemas do lar. É um exame angustiante de uma mulher em crise que não dá ao
espectador ou a sua protagonista um instante para respirar.
Crise maternal
A narrativa é protagonizada por
Linda (Rose Byrne) uma mulher lidando com uma misteriosa doença que acomete a
filha, obrigando a garota a usar uma sonda. Ela também se encontra morando em
um quarto de hotel, já que o teto de seu apartamento desabou por conta de mofo
e de encanamento defeituoso. Ela lida com tudo isso sozinha já que o marido
(Christian Slater) é um militar que trabalha longe. Linda trabalha como
terapeuta e uma de suas pacientes, a jovem mãe Caroline (Danielle Macdonald),
desaparece no meio de uma sessão e deixa seu bebê no consultório. Linda faz
terapia para tentar enfrentar todas essas crises, mas sente que seu terapeuta
(Conan O’Brien) não dá a mínima para ela.
Os irmãos Josh e Benny Safdie
dirigiram juntos filmes intensos como Bom Comportamento(2017) e Joias Brutas(2019). Esse ano eles
resolveram trabalhar cada um em um projeto solo, com Benny dirigindo o morno Coração de Lutador e Josh conduzindo
este Marty Supreme, que é bem mais
próximo da energia insana dos filmes da dupla.
Destino na mesa
A narrativa se passa na Nova
Iorque da década de 50 e acompanha Marty (Timothee Chalamet), um jovem que
trabalha na loja de sapatos do tio, mas que sonha em se tornar uma estrela do
ping pong. Ele larga o emprego, roubando dinheiro da loja financiar a viagem já
que tem a certeza que vencerá o campeonato e voltará como um herói com fama e
dinheiro para fazer todos os seus problemas sumirem. Os planos de Marty não dão
certo e ele volta ao país com dívidas e problemas com a lei, ainda assim ele
acredita que se conseguir vencer o próximo torneio, que será no Japão, ele
conseguirá resolver tudo. No percurso ele tenta conseguir patrocínio do
empresário Milton Rockwell (Kevin O’Leary, em um papel que certamente iria para
Bob Hoskins se esse filme fosse feito nos anos 90), mas se envolve com a esposa
dele, a atriz Kay Stone (Gwyneth Paltrow), que é infeliz no relacionamento e
quer voltar a atuar. As coisas se complicam ainda mais quando Rachel (Odessa
A’zion), uma garota com quem Marty se relacionou no passado, aparece grávida
dizendo que o filho é dele.
Nova série de Vince Gilligan,
criador de Breaking Bad, Pluribus estreou cercada de mistério. Só
se sabia que era uma ficção científica e que seria estrelada por Rhea Seehorn,
com quem Gilligan trabalhou em Better Call Saul. O primeiro episódio fazia parecer mais uma trama de invasão
alienígena, mas logo a narrativa se desloca de elementos familiares do gênero
para falar de questões mais contemporâneas. Aviso que o texto contem SPOILERS
da temporada.
Júbilo coletivo
Na série, cientistas encontram
uma mensagem vinda do espaço. A mensagem traz uma sequência de DNA. Eles
sintetizam essa sequência e começam a experimentar em ratos, mas logo um
pesquisador é mordido e sua primeira ação é infectar o maior número de pessoas
possível. Descobrimos que todos os “infectados” se unem em uma espécie de mente
coletiva que vive em plena harmonia, mas alguns humanos se mostram imunes ao
processo. Carol Surka (Rhea Seehorn) é uma entre cerca de uma dúzia de pessoas
ao redor do mundo que é imune à infecção da mente coletiva. O coletivo não
parece inicialmente hostil, disposto a ajudar Carol e conversar com ela, mas a
escritora desconfia deles, principalmente porque no processo de “união” sua
companheira, Helen (Miriam Shor), morre.
De início não me interessei muito
por Um Natal Surreal. Parece mais uma
daquelas comédias natalinas que inundam streamings
sempre que chegam as festas de fim de ano, a única coisa que me atraiu a ele
foi a presença de Michelle Pfeiffer. Infelizmente a estrela não consegue
sozinha carregar uma produção tão sem alma.
Natal materno
A trama parte de uma ideia
interessante. Narrativas de Natal são sempre centradas em figuras masculinas,
nos pais de família, com as mulheres tendo pouco espaço e seu trabalho para
fazer as comemorações familiares sendo invisibilizado. Assim, a narrativa foca
Claire (Michelle Pfeiffer) uma mãe de família que está dobrando os esforços
para as festas já que todos os seus filhos estão vindo para casa. Ela pede que
os filhos façam um vídeo indicando ela para uma competição de mães no programa
de auditório de Zazzy Tims (Eva Longoria), mas eles a ignoram. Quando seus
filhos, Channing (Felicity Jones), Taylor (Chloe Grace Moretz) e Sammy (Dominic
Sessa, de Os Rejeitados) chegam em
casa eles continuam a ignorá-la, esquecendo Claire em casa quando vão em um
passeio em família. Farta de ser menosprezada, ela decide viajar sozinha no
natal.
O primeiro Entre Facas e Segredos(2019) é um divertido suspense que brincava
com os clichês da era de ouro do romance policial e nos apresentava a um
interessante protagonista no excêntrico detetive Benoit Blanc. O segundo filme,
Glass Onion (2022), dobrou a aposta
na sátira apresentando um mistério que fazia piada em cima dos excessos
barrocos desse tipo de narrativa e como esse encadeamento de reviravoltas
grandiloquentes muitas vezes é feito para parecer mais inteligente do que se é,
dando a impressão de algo complexo quando na verdade é simples, como a “cebola
de vidro” que dá título ao filme. Já este Vivo
ou Morto: Um Mistério Knives Out é o mais sério dos três, ainda que muito
autoconsciente dos clichês com os quais trabalha e faça graça com ele.
Os crimes do padre Jud
A trama acompanha o jovem padre
Jud (Josh O’Connor, de Rivais) que é
enviado para uma paróquia remota chefiada pelo amargo monsenhor Wicks (Josh
Brolin), um sacerdote conservador que tem prazer em constranger os membros da
congregação. Quando Wicks é assassinado durante uma missa, sendo encontrado no
pequeno armário ao lado do altar, as autoridades tem dificuldade de resolver
crime, já que ele estava em um espaço fechado e ninguém tinha acesso a ele.
Nesse momento chega o detetive Benoit Blanc (Daniel Craig) para ajudar o padre
a resolver o mistério.
A todo o momento em nossas vidas
estamos adequando nosso comportamento ao contexto nos quais nos inserimos,
adotando diferentes posturas nos diferentes espaços. Na prática, construímos
diferentes performances do nosso “eu”. Novo filme de Noah Baumbach, Jay Kelly examina como o nosso senso de
si pode se perder em meio a essas performances constantes.
O cara interpretando um cara
Jay Kelly (George Clooney) é um
bem-sucedido astro do cinema. Ele é famoso, ele é bem reconhecido, mas seu
trabalho já não lhe dá a mesma satisfação de antes. Ele também sente que os
anos dedicados à carreira o afastaram das filhas Jessica (Riley Keough), com
quem tem uma relação conturbada, e a caçula Daisy (Grace Edwards) que está
prestes a sair de casa. A crise de Jay se agrava quando ele reencontra Timothy
(Billy Crudup), um antigo colega de teatro e amigo. O papel que catapultou Jay
ao estrelato veio por acaso, quando ele acompanhou Timothy em um teste e o
diretor ignorou Timothy e se interessou por Jay. No reencontro Timothy ainda
revela um ressentimento por Jay ter obtido um sucesso que acreditava pertencer
a ele. Tudo isso faz Jay repensar seu lugar na indústria e ele abandona o set
do seu mais recente projeto para ir ficar com Grace que viajou para a Europa
com amigas. O agente de Jay, Ron (Adam Sandler), resolve acompanhar o cliente
para que ele não se meta em problemas.
A citação a Sylvia Plath que
inicia o filme deixa evidente que o foco da narrativa é a dificuldade de ser
você mesmo e encarar quem se é quando é muito mais fácil ser outra pessoa
(criando uma performance de si) ou vivendo em fuga de si. Jay, com toda sua
aura de astro, é alguém que passou tantos anos performando uma identidade,
agindo como o grande astro que todos esperam que ele seja, que perdeu de vista
quem ele realmente é por trás de todo esse comportamento construído ao longo de
vários anos.
George Clooney é uma escolha
precisa para interpretar um astro carismático e respeitado, convencendo desde o
início do magnetismo pessoal de Jay e como ele seria capaz de se tornar uma
grande estrela. Além do carisma, Clooney traz ao personagem uma melancolia e
vulnerabilidade que certamente vem de suas próprias experiências em Hollywood e
como o topo pode ser um lugar solitário. Ao lado dele está um eficiente Adam
Sandler que evoca o mesmo tipo de sujeito neurótico e cheio de raiva contida
que costuma interpretar em suas comédias, mas se lá ele normalmente descamba
para a caricatura, aqui o texto e a condução de Baumbach dão ao personagem
elementos para que ele tenha mais camadas. Alguém que é tão devotado ao seu
principal cliente e tão focado em fazer o que ele demanda que as linhas entre o
pessoal e o profissional se borraram e ambos perderam a capacidade de separar
as coisas.
Viagem interior
Ao longo da viagem pela Europa,
Jay rememora a juventude, lembrando os momentos marcantes da carreira, mas
também seus fracassos, em especial a relação distante com Jessica, que ressente
o pai por preferir suas famílias da ficção do que com sua filha real. A dor
dela é sentida principalmente na cena em que ela diz ter se emocionado mais com
pai vendo ele interpretar um pai de família no cinema do que em qualquer uma
das poucas interações reais que teve com ele. A escolha de colocar Jay para
caminhar em meio aos próprios flashbacks,
como se assistisse alguém encenar sua vida e fosse um espectador da própria
história ajuda a comunicar a dissociação que há entre quem ele é de fato e a
sua persona midiática.
Por mais que o texto e o elenco
construa bem o dilema dos personagens, o material não afasta a sensação de que
o drama existencial de Jay nunca soa como uma grande crise que vai trazer
mudanças ou riscos severos para o personagem. Mesmo que ele de fato abandone o
filme e desista de atuar, ele ainda vai ser um milionário com uma vida bastante
confortável, então profissionalmente não há nada em risco. No plano pessoal é a
mesma coisa. Por mais ele tenha sido um pai ausente, não se reconectar com as
filhas nesse momento específico não soa como algo que o fará perdê-las para
sempre, principalmente por ele ter meios e recursos para contatá-las quando bem
entender. Assim, a narrativa nunca consegue transmitir que essa crise é o ponto
de virada irreversível do personagem que o texto tenta nos convencer que é.
Mesmo com essa sensação de que
falta drama, Jay Kelly se sustenta
pelo carisma de George Clooney e pelo modo como pensa sobre a natureza
performática da identidade.
Novo filme do diretor grego
Yorgos Lanthimos, Bugonia declara já
em seu título sua temática de morte e renovação da vida. O termo bugonia viria
de uma expressão grega que postulava que abelhas e outros insetos nasciam das
carcaças de boi. Essas ideias, no entanto, permanecem subjacentes ao longo de
boa parte do filme, que parece priorizar outros temas.
Teoria da conspiração
A narrativa gira em torno de
Michelle (Emma Stone), presidente de uma grande empresa que é sequestrada por
Teddy (Jesse Plemons). Ele acredita que a executiva é na verdade uma alienígena
que está na Terra para matar as abelhas e destruir nosso ecossistema, com uma
ação grande planejada para um eclipse que acontecerá em poucos dias. Teddy e o
primo, Don (Aidan Delbis) matem Michelle no porão e tentam forçá-la a admitir o
plano dos alienígenas.
O prospecto de uma comédia
romântica estrelada por Keanu Reeves e Winona Ryder parecia promissor. Eles já
tinham sido um casal em Drácula de Bram
Stoker (1992) do Francis Ford Coppola, mas neste Com Quem Será? teriam a chance de construir um outro tipo de
relacionamento, mais próximo de filmes românticos. O resultado, no entanto, é
decepcionante mesmo que não seja culpa da dupla principal.
Afeto estático
A trama acompanha Frank (Keanu
Reeves) e Lindsay (Winona Ryder). Eles se conhecem durante um voo e se
desentendem durante o trajeto. Chegando ao destino os dois descobrem que vão
para o mesmo lugar, o casamento do irmão de Frank. Ele não tem um bom
relacionamento e só foi para o casamento por insistência da família. Já Lindsey
tinha sido noiva do irmão de Frank, mas foi largada por ele há seis anos e
resolveu ir para mostrar que o tinha superado. Incialmente os dois se conectam
pelo seu desdém do noivo, mas logo veem que tem mais coisas em comum e também
bastante divergências.
Certas decisões são impossíveis
de determinar de antemão que são péssimas escolhas. Em outras, porém, sabemos
na hora que fizemos uma péssima opção. Dar play em Plano em Família 2 foi uma dessas escolhas. Eu já não tinha achado
o primeiro Plano em Família grande coisa e não tinha como esperar algo muito melhor desse, mas
ainda assim resolvi assistir. Talvez eu seja masoquista.
Família internacional
Depois dos eventos do filme
anterior, a família liderada por Dan (Mark Wahlberg) e Jessica (Michelle
Monaghan) viajam para Londres para passarem o Natal com a filha mais velha,
Nina (Zoe Coletti), que foi morar lá para estudar. Lá Dan se vê enredado em uma
trama de roubo arquitetada por Finn (Kit Harington), um antigo conhecido da
época em que Dan trabalhava com o pai, o vilão do primeiro filme. Com a família
novamente alvo de criminosos internacionais, Dan precisa encontrar um meio de
deter Finn.
Fui assistir este Love Me sem saber absolutamente nada
além dele ser estrelado por Kristen Stewart e Steven Yeun. Nada me preparou
para a natureza aloprada da narrativa, ainda que sinta que a produção não
consegue sustentar todas as ambições que tem.
Amor digital
A narrativa se passa milênios no
futuro quando a humanidade foi extinta e a Terra ficou desabitada. Um satélite
vaga na órbita do nosso planeta contendo todo o acervo digital da humanidade
para que outras formas de vida o encontrem. A única outra forma de vida
inteligente, porém, é uma boia marítima criada para analisar os níveis de
salinização da água. Ela entra em contato com o satélite e ao acessar seu
acervo se torna fixada em um casal de influencers (interpretados por Stewart e
Yeun) e decide experimentar a vida humana. Para isso tenta fazer a amizade com
o satélite e juntos tentam construir uma simulação de como era a vida desse
casal para reproduzir a experiência humana. Logicamente, viver um
relacionamento humano é bem mais complexo do que imitar algumas centenas de reels de influencers e logo o casal
começa a ter problemas.
Estrelado por Benedict
Cumberbatch e Olivia Colman, Os Roses é
a mais nova adaptação para os cinemas do romance A Guerra dos Roses de Warren Adler que já tinha sido levado aos
cinemas 1989 em um filme homônimo ao livro dirigido por Danny DeVito. Nunca li
o livro e vi o filme do Danny DeVito, com Michael Douglas e Kathleen Turner nos
papéis principais, há muito tempo e não tenho muita memória, então vou analisar
essa nova versão sem fazer nenhuma comparação com outros materiais.
Inimigo íntimo
A trama acompanha o casal Theo
(Benedict Cumberbatch) e Ivy (Olivia Colman), cujo casamento vai erodindo ao
longo dos anos conforme a carreira de Theo vai piorando e a de Ivy deslancha.
As tensões entre os dois crescem ao ponto de se tornarem insustentáveis e eles
acabam se divorciando, mas a disputa pelos bens, em especial pela casa
construída por Theo e paga por Ivy, se torna tensa.
Lançado depois de vinte anos do
original, Uma Sexta-Feira Mais Louca
Ainda soa como mais uma continuação tardia que visa apelar para a nostalgia
do filme original, Sexta-Feira Muito
Louca (2003), numa Hollywood que tem se tornado cada vez mais avessa a
riscos e que prefere requentar velhas propriedades que ninguém pedia
continuações do que fazer algo novo. Tendo visto o filme, ele é exatamente
isso, embora tenha sua graça.
Se eu fosse você...
Na trama, Anna (Lindsay Lohan)
agora tem uma boa relação com a mãe, Tess (Jamie Lee Curtis), e tem sua própria
filha adolescente, Harper (Julia Butters). Quando Anna conhece o viúvo Eric
(Manny Jacinto, de The Good Place e The Acolyte) acaba se apaixonando por
ele e planejam se casar. O problema é que Harper não se dá bem com Lily (Sophia
Hammons) e as brigas das duas ameaçam o relacionamento do casal. Quando elas
brigam durante a festa de noivado de Anna e Eric, uma cartomante apresenta uma
profecia para elas e na manhã seguinte Harper e Lily acordam respectivamente
nos corpos de Anna e Tess. Obviamente elas vão precisar aprender valiosas
lições de vida antes de retornarem a seus corpos.
Estrelado por Michael Cera e
Michael Angarano, que também escreveu e dirigiu o filme, Sacramento é um típico road
movie sobre pessoas em busca de si mesmas. A narrativa usa uma viagem como
catalisador para confrontar os problemas de seus personagens, mas nunca explora
isso de maneira consistente.
Viagem atribulada
Glenn (Michael Cera) é um homem
certinho, tenso por estar prestes a ser pai e preocupado em fazer tudo
corretamente pela esposa e filha que vai nascer. Rickey (Michael Angarano) é
seu melhor amigo desde a infância, mas eles estão há algum tempo sem se falar.
Quando Rickey pede que Glenn o acompanhe em uma viagem de Los Angeles até
Sacramento para que ele espalhe as cinzas do pai lá.
Dirigido e estrelado por Aziz
Ansari, Quando o Céu Se Engana é uma
daquelas produções em que a ideia é melhor do que a execução em si. Se na série
Master of NoneAnsari conseguia fazer
um retrato simultaneamente cômico e sensível das agruras de um jovem adulto,
aqui tanto o humor quanto as críticas sociais construídas nunca ficam a altura
do potencial da premissa inicial.
Trocando as bolas
A narrativa acompanha Gabriel
(Keanu Reeves), um anjo da guarda cuja ocupação principal é proteger pessoas
que mandam mensagens de texto enquanto dirigem. Gabriel, no entanto, aspira
trabalhos mais nobres, em especial o de redimir almas perdidas e vê uma
oportunidade de fazer isso ao conhecer Arj (Aziz Ansari), um jovem aspirante a
documentarista desempregado, que vive de bicos e aceita um trabalho como
assistente pessoal do ricaço Jeff (Seth Rogen). Quando Arj é demitido e sente
que perdeu tudo, Gabriel se aproxima para ajudar Arj a perceber que sua vida é
mais significativa do que imagina. Para ensinar uma lição a Arj o anjo troca a
vida de Arj com a de Jeff para que Arj perceba que o dinheiro de Jeff não é o
que resolveria seus anseios. O problema é que Arj de fato consegue usar o dinheiro
de sua nova vida para lidar com a maioria de suas questões e não se mostra
disposto a voltar para sua antiga vida.
Se não me engano foi o crítico
Roger Ebert quem disse que um filme bom nunca é longo o bastante e um filme
ruim nunca é curto o suficiente. A segunda proposição se aplica perfeitamente a
este Um Dia Fora de Controle, que
apesar de enxutos noventa minutos parece durar uma eternidade de tão ruim.
Amizade perigosa
A trama é protagonizada por Brian
(Kevin James), um contador que fica desempregado e agora se vê casa cuidando do
enteado, Lucas (Benjamin Pajak), com quem tem pouca conexão. Um dia Brian
resolve levar Lucas ao parque e conhece Jeff (Alan Ritchson) e o filho CJ (Banks
Pierce), como eles são os únicos pais em um ambiente cheio de mães, os dois
tentam se aproximar, mas logo Brian descobre que há algo errado com Jeff e o
filho, pois ambos estão sendo perseguidos por pessoas perigosas. Arrastado para
a crise, Brian e o enteado precisam encontrar um meio de sobreviver.
Meses atrás o diretor Paul Thomas
Anderson produziu uma poderosa síntese das disputas políticas e sociais nos
Estados Unidos ao longo das últimas décadas com Uma Batalha Após a Outra. Com O
Agente Secreto o diretor Kleber Mendonça Filho faz algo semelhante para o
contexto brasileiro, uma síntese consistente, abrangente, por vezes
bem-humorada, de vários processos políticos e sociais em marcha no Brasil desde
a segunda metade do século XX.
O homem que sabia demais
A narrativa se passa em Recife em
1977 e acompanha Marcelo (Wagner Moura), um homem perseguido pela ditadura
militar brasileira que chega na cidade para reencontrar o filho enquanto espera
documentos para sair do país. Ele se abriga no edifício Ofir, lugar onde outros
“refugiados” se escondem sob a tutela de Dona Sebastiana (Tânia Maria). Ao
mesmo tempo, uma dupla de matadores de aluguel chega a Recife atrás de Marcelo.
A primeira temporada de Twisted Metalfoi uma grata surpresa ao
entregar uma aventura sangrenta e cômica em um mundo pós-apocalíptico no qual
as pessoas cotidianamente recorrem à barbárie para sobreviver. A segunda
temporada amplia a mitologia dos games ao finalmente colocar os personagens
para disputar o brutal torneio de combate veicular que dá nome ao título.
Metal pesado
Depois dos eventos do primeiro
ano, John (Anthony Mackie) continua a viver em uma cidade murada enquanto é
treinado pela nova Raven (Patty Guggenheim, de Mulher Hulk) para disputar o torneio Twisted Metal. O protagonista,
no entanto, não se adequa à vida na cidade nem com a ideia de ser um lacaio de
Raven. Ele acaba deixando a cidade na busca por Quiet (Stephanie Beatriz) e
descobre que ela está trabalhando com as Dolls, um grupo de saqueadoras que
visa acabar com as muralhas. Para tal, planejam competir no Twisted Metal, cujo
prêmio é dar ao vencedor o que mais deseja. John decide se juntar a elas, mas o
caminho até o torneio não será fácil.
Histórias são produtos de seu
tempo, elas refletem ideais, posicionamentos e visões de mundo do período em
que são feitos. A fábula da Cinderela foi feita em um período em que o valor de
uma mulher estava atrelado à sua beleza e que a única coisa que se esperava de
uma mulher era que ela arrumasse um marido de posses para casar, melhorando a
posição de sua família. É por isso que certas histórias que permanecem no imaginário
popular são constantemente reinterpretadas, para pensar como ela seria adequada
aos valores do contexto em que se insere. A produção norueguesa A Meia-Irmã Feia faz exatamente isso ao
olhar a fábula sobre valores contemporâneos de objetificação da mulher e
padrões de beleza tacanhos.
Rivalidade feminina
A trama gira em torno de Elvira (Lea
Myren), uma jovem que sonha em se casar com o príncipe, mas cuja família não vai
bem financeiramente. Sua mãe, Rebekka (Ane Dahl Torp) se casa novamente com um
aristocrata que parece ter dinheiro e se muda para a Suécia com Elvira e a
filha mais nova, Alma (Flo Fagerli). Lá elas conhecem Agnes (Thea Sofie Loch
Næss), a bela filha do novo padrasto. Agnes age como uma garota mimada,
julgando Elvira pela aparência e menosprezando a nova irmã. É aí que a protagonista
descobre que o padrasto não tinha dinheiro e casou com Rebekka por interesse.
Ele morre pouco tempo depois, deixado a família cheia de dívidas. Como Alma
ainda é muito jovem, o plano de Rebekka é arrumar um marido rico para Elvira,
salvando a família. Ela espera conseguir no baile oferecido pelo príncipe, mas
para isso precisará fazer algo à respeito da aparência de Elvira, em especial
quando ela é ofuscada pela naturalmente bela Agnes.
De certa maneira Djeli: Contos Modernos adere com grande
proximidade a estruturas típicas do melodrama. Por outro lado, porém, essa
produção de 1981 da Costa do Marfim dirigida por Fadika Kramo-Lanciné apresenta
um senso de frescor pelo modo como o filme acompanha uma realidade cultural
pouco mostrada pelo cinema hegemônico e como usa essa realidade para pensar
seus conflitos.
Conto ancestral
A narrativa é focada em Fanta,
uma jovem da Costa do Marfim que se apaixona por Kramoko Kouyate, mas apesar
dos dois se amarem eles não podem se casar. Kramoko Kouyate vem de uma linhagem
de griots, enquanto Fanta vem de uma origem mais nobre e as famílias de ambos
não aprovam o casamento. Ainda assim, o casal viaja da capital para sua vila
natal de modo a tentar convencer seus pais a deixarem o casamento acontecer.