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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Crítica – Palm Royale: 2ª Temporada

 

Análise Crítica – Palm Royale: 2ª Temporada

Review – Palm Royale: 2ª Temporada
Depois de uma divertida primeira temporada, Palm Royale entra em sua segunda temporada investindo ainda mais em seus excessos folhetinescos. Ainda que seja sustentado pelo ótimo elenco, esse segundo ano acaba sendo um pouco inferior que o primeiro.

Fundos de família

A narrativa se passa meses depois do fim da primeira temporada. Maxine (Kristen Wiig) foi colocada em um manicômio e Linda (Laura Dern) fugiu do país depois de ser considerada a responsável pelo tiroteio que aconteceu no Palm Royale. Já recuperada, Norma (Carol Burnett) incentiva Douglas (Josh Lucas) a casar com Mitzi (Kaia Garber) que está grávida dele para que finalmente possam desbloquear o fundo fiduciário para um herdeiro da família Dellacorte assim que o bebê nascer. Como os Dellacorte morreram cedo e sem filhos, nas últimas décadas, com Norma e Douglas sendo os últimos remanescentes, essa pode ser a única esperança de acessar o dinheiro. O problema é que no final da temporada descobrimos que Norma não é quem diz ser, tendo assumido o lugar da verdadeira Norma quando estudou com ela em um colégio interno na juventude e Maxine busca meios de revelar a fraude de Norma.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Crítica – Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria

 

Análise Crítica – Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria

Review – Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
Dirigido por Mary Bronstein, Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria transita entre o horror, a comédia, o drama e o surrealismo para acompanhar a ansiedade constante da maternidade, em especial quando uma mãe tenta lidar com tudo sozinha, cuidando da filha, tendo uma profissão e ainda lidando com os problemas do lar. É um exame angustiante de uma mulher em crise que não dá ao espectador ou a sua protagonista um instante para respirar.

Crise maternal

A narrativa é protagonizada por Linda (Rose Byrne) uma mulher lidando com uma misteriosa doença que acomete a filha, obrigando a garota a usar uma sonda. Ela também se encontra morando em um quarto de hotel, já que o teto de seu apartamento desabou por conta de mofo e de encanamento defeituoso. Ela lida com tudo isso sozinha já que o marido (Christian Slater) é um militar que trabalha longe. Linda trabalha como terapeuta e uma de suas pacientes, a jovem mãe Caroline (Danielle Macdonald), desaparece no meio de uma sessão e deixa seu bebê no consultório. Linda faz terapia para tentar enfrentar todas essas crises, mas sente que seu terapeuta (Conan O’Brien) não dá a mínima para ela.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Crítica – Marty Supreme

 

Análise Crítica – Marty Supreme

Review – Marty Supreme
Os irmãos Josh e Benny Safdie dirigiram juntos filmes intensos como Bom Comportamento (2017) e Joias Brutas (2019). Esse ano eles resolveram trabalhar cada um em um projeto solo, com Benny dirigindo o morno Coração de Lutador e Josh conduzindo este Marty Supreme, que é bem mais próximo da energia insana dos filmes da dupla.

Destino na mesa

A narrativa se passa na Nova Iorque da década de 50 e acompanha Marty (Timothee Chalamet), um jovem que trabalha na loja de sapatos do tio, mas que sonha em se tornar uma estrela do ping pong. Ele larga o emprego, roubando dinheiro da loja financiar a viagem já que tem a certeza que vencerá o campeonato e voltará como um herói com fama e dinheiro para fazer todos os seus problemas sumirem. Os planos de Marty não dão certo e ele volta ao país com dívidas e problemas com a lei, ainda assim ele acredita que se conseguir vencer o próximo torneio, que será no Japão, ele conseguirá resolver tudo. No percurso ele tenta conseguir patrocínio do empresário Milton Rockwell (Kevin O’Leary, em um papel que certamente iria para Bob Hoskins se esse filme fosse feito nos anos 90), mas se envolve com a esposa dele, a atriz Kay Stone (Gwyneth Paltrow), que é infeliz no relacionamento e quer voltar a atuar. As coisas se complicam ainda mais quando Rachel (Odessa A’zion), uma garota com quem Marty se relacionou no passado, aparece grávida dizendo que o filho é dele.

sábado, 27 de dezembro de 2025

Crítica – Pluribus

 

Análise Crítica – Pluribus

Resenha Crítica – Pluribus
Nova série de Vince Gilligan, criador de Breaking Bad, Pluribus estreou cercada de mistério. Só se sabia que era uma ficção científica e que seria estrelada por Rhea Seehorn, com quem Gilligan trabalhou em Better Call Saul. O primeiro episódio fazia parecer mais uma trama de invasão alienígena, mas logo a narrativa se desloca de elementos familiares do gênero para falar de questões mais contemporâneas. Aviso que o texto contem SPOILERS da temporada.

Júbilo coletivo

Na série, cientistas encontram uma mensagem vinda do espaço. A mensagem traz uma sequência de DNA. Eles sintetizam essa sequência e começam a experimentar em ratos, mas logo um pesquisador é mordido e sua primeira ação é infectar o maior número de pessoas possível. Descobrimos que todos os “infectados” se unem em uma espécie de mente coletiva que vive em plena harmonia, mas alguns humanos se mostram imunes ao processo. Carol Surka (Rhea Seehorn) é uma entre cerca de uma dúzia de pessoas ao redor do mundo que é imune à infecção da mente coletiva. O coletivo não parece inicialmente hostil, disposto a ajudar Carol e conversar com ela, mas a escritora desconfia deles, principalmente porque no processo de “união” sua companheira, Helen (Miriam Shor), morre.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Crítica – Um Natal Surreal

 

Análise Crítica – Um Natal Surreal

Review – Um Natal Surreal
De início não me interessei muito por Um Natal Surreal. Parece mais uma daquelas comédias natalinas que inundam streamings sempre que chegam as festas de fim de ano, a única coisa que me atraiu a ele foi a presença de Michelle Pfeiffer. Infelizmente a estrela não consegue sozinha carregar uma produção tão sem alma.

Natal materno

A trama parte de uma ideia interessante. Narrativas de Natal são sempre centradas em figuras masculinas, nos pais de família, com as mulheres tendo pouco espaço e seu trabalho para fazer as comemorações familiares sendo invisibilizado. Assim, a narrativa foca Claire (Michelle Pfeiffer) uma mãe de família que está dobrando os esforços para as festas já que todos os seus filhos estão vindo para casa. Ela pede que os filhos façam um vídeo indicando ela para uma competição de mães no programa de auditório de Zazzy Tims (Eva Longoria), mas eles a ignoram. Quando seus filhos, Channing (Felicity Jones), Taylor (Chloe Grace Moretz) e Sammy (Dominic Sessa, de Os Rejeitados) chegam em casa eles continuam a ignorá-la, esquecendo Claire em casa quando vão em um passeio em família. Farta de ser menosprezada, ela decide viajar sozinha no natal.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Crítica – Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out

 

Análise Crítica – Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out

Review – Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out
O primeiro Entre Facas e Segredos (2019) é um divertido suspense que brincava com os clichês da era de ouro do romance policial e nos apresentava a um interessante protagonista no excêntrico detetive Benoit Blanc. O segundo filme, Glass Onion (2022), dobrou a aposta na sátira apresentando um mistério que fazia piada em cima dos excessos barrocos desse tipo de narrativa e como esse encadeamento de reviravoltas grandiloquentes muitas vezes é feito para parecer mais inteligente do que se é, dando a impressão de algo complexo quando na verdade é simples, como a “cebola de vidro” que dá título ao filme. Já este Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out é o mais sério dos três, ainda que muito autoconsciente dos clichês com os quais trabalha e faça graça com ele.

Os crimes do padre Jud

A trama acompanha o jovem padre Jud (Josh O’Connor, de Rivais) que é enviado para uma paróquia remota chefiada pelo amargo monsenhor Wicks (Josh Brolin), um sacerdote conservador que tem prazer em constranger os membros da congregação. Quando Wicks é assassinado durante uma missa, sendo encontrado no pequeno armário ao lado do altar, as autoridades tem dificuldade de resolver crime, já que ele estava em um espaço fechado e ninguém tinha acesso a ele. Nesse momento chega o detetive Benoit Blanc (Daniel Craig) para ajudar o padre a resolver o mistério.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Crítica – Jay Kelly

 

Análise Crítica – Jay Kelly

Review – Jay Kelly
A todo o momento em nossas vidas estamos adequando nosso comportamento ao contexto nos quais nos inserimos, adotando diferentes posturas nos diferentes espaços. Na prática, construímos diferentes performances do nosso “eu”. Novo filme de Noah Baumbach, Jay Kelly examina como o nosso senso de si pode se perder em meio a essas performances constantes.

O cara interpretando um cara

Jay Kelly (George Clooney) é um bem-sucedido astro do cinema. Ele é famoso, ele é bem reconhecido, mas seu trabalho já não lhe dá a mesma satisfação de antes. Ele também sente que os anos dedicados à carreira o afastaram das filhas Jessica (Riley Keough), com quem tem uma relação conturbada, e a caçula Daisy (Grace Edwards) que está prestes a sair de casa. A crise de Jay se agrava quando ele reencontra Timothy (Billy Crudup), um antigo colega de teatro e amigo. O papel que catapultou Jay ao estrelato veio por acaso, quando ele acompanhou Timothy em um teste e o diretor ignorou Timothy e se interessou por Jay. No reencontro Timothy ainda revela um ressentimento por Jay ter obtido um sucesso que acreditava pertencer a ele. Tudo isso faz Jay repensar seu lugar na indústria e ele abandona o set do seu mais recente projeto para ir ficar com Grace que viajou para a Europa com amigas. O agente de Jay, Ron (Adam Sandler), resolve acompanhar o cliente para que ele não se meta em problemas.

A citação a Sylvia Plath que inicia o filme deixa evidente que o foco da narrativa é a dificuldade de ser você mesmo e encarar quem se é quando é muito mais fácil ser outra pessoa (criando uma performance de si) ou vivendo em fuga de si. Jay, com toda sua aura de astro, é alguém que passou tantos anos performando uma identidade, agindo como o grande astro que todos esperam que ele seja, que perdeu de vista quem ele realmente é por trás de todo esse comportamento construído ao longo de vários anos.

George Clooney é uma escolha precisa para interpretar um astro carismático e respeitado, convencendo desde o início do magnetismo pessoal de Jay e como ele seria capaz de se tornar uma grande estrela. Além do carisma, Clooney traz ao personagem uma melancolia e vulnerabilidade que certamente vem de suas próprias experiências em Hollywood e como o topo pode ser um lugar solitário. Ao lado dele está um eficiente Adam Sandler que evoca o mesmo tipo de sujeito neurótico e cheio de raiva contida que costuma interpretar em suas comédias, mas se lá ele normalmente descamba para a caricatura, aqui o texto e a condução de Baumbach dão ao personagem elementos para que ele tenha mais camadas. Alguém que é tão devotado ao seu principal cliente e tão focado em fazer o que ele demanda que as linhas entre o pessoal e o profissional se borraram e ambos perderam a capacidade de separar as coisas.

Viagem interior

Ao longo da viagem pela Europa, Jay rememora a juventude, lembrando os momentos marcantes da carreira, mas também seus fracassos, em especial a relação distante com Jessica, que ressente o pai por preferir suas famílias da ficção do que com sua filha real. A dor dela é sentida principalmente na cena em que ela diz ter se emocionado mais com pai vendo ele interpretar um pai de família no cinema do que em qualquer uma das poucas interações reais que teve com ele. A escolha de colocar Jay para caminhar em meio aos próprios flashbacks, como se assistisse alguém encenar sua vida e fosse um espectador da própria história ajuda a comunicar a dissociação que há entre quem ele é de fato e a sua persona midiática.

Por mais que o texto e o elenco construa bem o dilema dos personagens, o material não afasta a sensação de que o drama existencial de Jay nunca soa como uma grande crise que vai trazer mudanças ou riscos severos para o personagem. Mesmo que ele de fato abandone o filme e desista de atuar, ele ainda vai ser um milionário com uma vida bastante confortável, então profissionalmente não há nada em risco. No plano pessoal é a mesma coisa. Por mais ele tenha sido um pai ausente, não se reconectar com as filhas nesse momento específico não soa como algo que o fará perdê-las para sempre, principalmente por ele ter meios e recursos para contatá-las quando bem entender. Assim, a narrativa nunca consegue transmitir que essa crise é o ponto de virada irreversível do personagem que o texto tenta nos convencer que é.

Mesmo com essa sensação de que falta drama, Jay Kelly se sustenta pelo carisma de George Clooney e pelo modo como pensa sobre a natureza performática da identidade.

 

Nota: 7/10


Trailer

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Crítica – Bugonia

 

Análise Crítica – Bugonia

Review – Bugonia
Novo filme do diretor grego Yorgos Lanthimos, Bugonia declara já em seu título sua temática de morte e renovação da vida. O termo bugonia viria de uma expressão grega que postulava que abelhas e outros insetos nasciam das carcaças de boi. Essas ideias, no entanto, permanecem subjacentes ao longo de boa parte do filme, que parece priorizar outros temas.

Teoria da conspiração

A narrativa gira em torno de Michelle (Emma Stone), presidente de uma grande empresa que é sequestrada por Teddy (Jesse Plemons). Ele acredita que a executiva é na verdade uma alienígena que está na Terra para matar as abelhas e destruir nosso ecossistema, com uma ação grande planejada para um eclipse que acontecerá em poucos dias. Teddy e o primo, Don (Aidan Delbis) matem Michelle no porão e tentam forçá-la a admitir o plano dos alienígenas.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Drops – Com Quem Será?

 

Análise – Com Quem Será?

Review – Com Quem Será?
O prospecto de uma comédia romântica estrelada por Keanu Reeves e Winona Ryder parecia promissor. Eles já tinham sido um casal em Drácula de Bram Stoker (1992) do Francis Ford Coppola, mas neste Com Quem Será? teriam a chance de construir um outro tipo de relacionamento, mais próximo de filmes românticos. O resultado, no entanto, é decepcionante mesmo que não seja culpa da dupla principal. 

Afeto estático

A trama acompanha Frank (Keanu Reeves) e Lindsay (Winona Ryder). Eles se conhecem durante um voo e se desentendem durante o trajeto. Chegando ao destino os dois descobrem que vão para o mesmo lugar, o casamento do irmão de Frank. Ele não tem um bom relacionamento e só foi para o casamento por insistência da família. Já Lindsey tinha sido noiva do irmão de Frank, mas foi largada por ele há seis anos e resolveu ir para mostrar que o tinha superado. Incialmente os dois se conectam pelo seu desdém do noivo, mas logo veem que tem mais coisas em comum e também bastante divergências.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Drops – Plano em Família 2

 

Análise Crítica – Plano em Família 2

REVIEW – Plano em Família 2
Certas decisões são impossíveis de determinar de antemão que são péssimas escolhas. Em outras, porém, sabemos na hora que fizemos uma péssima opção. Dar play em Plano em Família 2 foi uma dessas escolhas. Eu já não tinha achado o primeiro Plano em Família grande coisa e não tinha como esperar algo muito melhor desse, mas ainda assim resolvi assistir. Talvez eu seja masoquista.

Família internacional

Depois dos eventos do filme anterior, a família liderada por Dan (Mark Wahlberg) e Jessica (Michelle Monaghan) viajam para Londres para passarem o Natal com a filha mais velha, Nina (Zoe Coletti), que foi morar lá para estudar. Lá Dan se vê enredado em uma trama de roubo arquitetada por Finn (Kit Harington), um antigo conhecido da época em que Dan trabalhava com o pai, o vilão do primeiro filme. Com a família novamente alvo de criminosos internacionais, Dan precisa encontrar um meio de deter Finn.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Crítica – Love Me

 

Análise Crítica – Love Me

Review – Love Me
Fui assistir este Love Me sem saber absolutamente nada além dele ser estrelado por Kristen Stewart e Steven Yeun. Nada me preparou para a natureza aloprada da narrativa, ainda que sinta que a produção não consegue sustentar todas as ambições que tem.

Amor digital

A narrativa se passa milênios no futuro quando a humanidade foi extinta e a Terra ficou desabitada. Um satélite vaga na órbita do nosso planeta contendo todo o acervo digital da humanidade para que outras formas de vida o encontrem. A única outra forma de vida inteligente, porém, é uma boia marítima criada para analisar os níveis de salinização da água. Ela entra em contato com o satélite e ao acessar seu acervo se torna fixada em um casal de influencers (interpretados por Stewart e Yeun) e decide experimentar a vida humana. Para isso tenta fazer a amizade com o satélite e juntos tentam construir uma simulação de como era a vida desse casal para reproduzir a experiência humana. Logicamente, viver um relacionamento humano é bem mais complexo do que imitar algumas centenas de reels de influencers e logo o casal começa a ter problemas.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Drops – Os Roses

 

Análise Crítica – Os Roses

Resenha Crítica – Os Roses
Estrelado por Benedict Cumberbatch e Olivia Colman, Os Roses é a mais nova adaptação para os cinemas do romance A Guerra dos Roses de Warren Adler que já tinha sido levado aos cinemas 1989 em um filme homônimo ao livro dirigido por Danny DeVito. Nunca li o livro e vi o filme do Danny DeVito, com Michael Douglas e Kathleen Turner nos papéis principais, há muito tempo e não tenho muita memória, então vou analisar essa nova versão sem fazer nenhuma comparação com outros materiais.

Inimigo íntimo

A trama acompanha o casal Theo (Benedict Cumberbatch) e Ivy (Olivia Colman), cujo casamento vai erodindo ao longo dos anos conforme a carreira de Theo vai piorando e a de Ivy deslancha. As tensões entre os dois crescem ao ponto de se tornarem insustentáveis e eles acabam se divorciando, mas a disputa pelos bens, em especial pela casa construída por Theo e paga por Ivy, se torna tensa.

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Drops – Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda

 

Crítica – Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda

Review – Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda
Lançado depois de vinte anos do original, Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda soa como mais uma continuação tardia que visa apelar para a nostalgia do filme original, Sexta-Feira Muito Louca (2003), numa Hollywood que tem se tornado cada vez mais avessa a riscos e que prefere requentar velhas propriedades que ninguém pedia continuações do que fazer algo novo. Tendo visto o filme, ele é exatamente isso, embora tenha sua graça.

Se eu fosse você...

Na trama, Anna (Lindsay Lohan) agora tem uma boa relação com a mãe, Tess (Jamie Lee Curtis), e tem sua própria filha adolescente, Harper (Julia Butters). Quando Anna conhece o viúvo Eric (Manny Jacinto, de The Good Place e The Acolyte) acaba se apaixonando por ele e planejam se casar. O problema é que Harper não se dá bem com Lily (Sophia Hammons) e as brigas das duas ameaçam o relacionamento do casal. Quando elas brigam durante a festa de noivado de Anna e Eric, uma cartomante apresenta uma profecia para elas e na manhã seguinte Harper e Lily acordam respectivamente nos corpos de Anna e Tess. Obviamente elas vão precisar aprender valiosas lições de vida antes de retornarem a seus corpos.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Crítica – Sacramento

 

Análise Crítica – Sacramento

Review – Sacramento
Estrelado por Michael Cera e Michael Angarano, que também escreveu e dirigiu o filme, Sacramento é um típico road movie sobre pessoas em busca de si mesmas. A narrativa usa uma viagem como catalisador para confrontar os problemas de seus personagens, mas nunca explora isso de maneira consistente.

Viagem atribulada

Glenn (Michael Cera) é um homem certinho, tenso por estar prestes a ser pai e preocupado em fazer tudo corretamente pela esposa e filha que vai nascer. Rickey (Michael Angarano) é seu melhor amigo desde a infância, mas eles estão há algum tempo sem se falar. Quando Rickey pede que Glenn o acompanhe em uma viagem de Los Angeles até Sacramento para que ele espalhe as cinzas do pai lá.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Crítica – Quando o Céu Se Engana

 

Análise Crítica – Quando o Céu Se Engana

Review – Quando o Céu Se Engana
Dirigido e estrelado por Aziz Ansari, Quando o Céu Se Engana é uma daquelas produções em que a ideia é melhor do que a execução em si. Se na série Master of None Ansari conseguia fazer um retrato simultaneamente cômico e sensível das agruras de um jovem adulto, aqui tanto o humor quanto as críticas sociais construídas nunca ficam a altura do potencial da premissa inicial.

Trocando as bolas

A narrativa acompanha Gabriel (Keanu Reeves), um anjo da guarda cuja ocupação principal é proteger pessoas que mandam mensagens de texto enquanto dirigem. Gabriel, no entanto, aspira trabalhos mais nobres, em especial o de redimir almas perdidas e vê uma oportunidade de fazer isso ao conhecer Arj (Aziz Ansari), um jovem aspirante a documentarista desempregado, que vive de bicos e aceita um trabalho como assistente pessoal do ricaço Jeff (Seth Rogen). Quando Arj é demitido e sente que perdeu tudo, Gabriel se aproxima para ajudar Arj a perceber que sua vida é mais significativa do que imagina. Para ensinar uma lição a Arj o anjo troca a vida de Arj com a de Jeff para que Arj perceba que o dinheiro de Jeff não é o que resolveria seus anseios. O problema é que Arj de fato consegue usar o dinheiro de sua nova vida para lidar com a maioria de suas questões e não se mostra disposto a voltar para sua antiga vida.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Crítica – Um Dia Fora de Controle

 

Análise Crítica – Um Dia Fora de Controle

Review – Um Dia Fora de Controle
Se não me engano foi o crítico Roger Ebert quem disse que um filme bom nunca é longo o bastante e um filme ruim nunca é curto o suficiente. A segunda proposição se aplica perfeitamente a este Um Dia Fora de Controle, que apesar de enxutos noventa minutos parece durar uma eternidade de tão ruim.

Amizade perigosa

A trama é protagonizada por Brian (Kevin James), um contador que fica desempregado e agora se vê casa cuidando do enteado, Lucas (Benjamin Pajak), com quem tem pouca conexão. Um dia Brian resolve levar Lucas ao parque e conhece Jeff (Alan Ritchson) e o filho CJ (Banks Pierce), como eles são os únicos pais em um ambiente cheio de mães, os dois tentam se aproximar, mas logo Brian descobre que há algo errado com Jeff e o filho, pois ambos estão sendo perseguidos por pessoas perigosas. Arrastado para a crise, Brian e o enteado precisam encontrar um meio de sobreviver.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Crítica – O Agente Secreto

 

Análise Crítica – O Agente Secreto

Review – O Agente Secreto
Meses atrás o diretor Paul Thomas Anderson produziu uma poderosa síntese das disputas políticas e sociais nos Estados Unidos ao longo das últimas décadas com Uma Batalha Após a Outra. Com O Agente Secreto o diretor Kleber Mendonça Filho faz algo semelhante para o contexto brasileiro, uma síntese consistente, abrangente, por vezes bem-humorada, de vários processos políticos e sociais em marcha no Brasil desde a segunda metade do século XX.

O homem que sabia demais

A narrativa se passa em Recife em 1977 e acompanha Marcelo (Wagner Moura), um homem perseguido pela ditadura militar brasileira que chega na cidade para reencontrar o filho enquanto espera documentos para sair do país. Ele se abriga no edifício Ofir, lugar onde outros “refugiados” se escondem sob a tutela de Dona Sebastiana (Tânia Maria). Ao mesmo tempo, uma dupla de matadores de aluguel chega a Recife atrás de Marcelo.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Crítica – Twisted Metal: Segunda Temporada

Análise Crítica – Twisted Metal: Segunda Temporada

Review – Twisted Metal: Segunda Temporada
A primeira temporada de Twisted Metal foi uma grata surpresa ao entregar uma aventura sangrenta e cômica em um mundo pós-apocalíptico no qual as pessoas cotidianamente recorrem à barbárie para sobreviver. A segunda temporada amplia a mitologia dos games ao finalmente colocar os personagens para disputar o brutal torneio de combate veicular que dá nome ao título.

Metal pesado

Depois dos eventos do primeiro ano, John (Anthony Mackie) continua a viver em uma cidade murada enquanto é treinado pela nova Raven (Patty Guggenheim, de Mulher Hulk) para disputar o torneio Twisted Metal. O protagonista, no entanto, não se adequa à vida na cidade nem com a ideia de ser um lacaio de Raven. Ele acaba deixando a cidade na busca por Quiet (Stephanie Beatriz) e descobre que ela está trabalhando com as Dolls, um grupo de saqueadoras que visa acabar com as muralhas. Para tal, planejam competir no Twisted Metal, cujo prêmio é dar ao vencedor o que mais deseja. John decide se juntar a elas, mas o caminho até o torneio não será fácil.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Crítica – A Meia-Irmã Feia

 

Análise Crítica – A Meia-Irmã Feia

Review – A Meia-Irmã Feia
Histórias são produtos de seu tempo, elas refletem ideais, posicionamentos e visões de mundo do período em que são feitos. A fábula da Cinderela foi feita em um período em que o valor de uma mulher estava atrelado à sua beleza e que a única coisa que se esperava de uma mulher era que ela arrumasse um marido de posses para casar, melhorando a posição de sua família. É por isso que certas histórias que permanecem no imaginário popular são constantemente reinterpretadas, para pensar como ela seria adequada aos valores do contexto em que se insere. A produção norueguesa A Meia-Irmã Feia faz exatamente isso ao olhar a fábula sobre valores contemporâneos de objetificação da mulher e padrões de beleza tacanhos.

Rivalidade feminina

A trama gira em torno de Elvira (Lea Myren), uma jovem que sonha em se casar com o príncipe, mas cuja família não vai bem financeiramente. Sua mãe, Rebekka (Ane Dahl Torp) se casa novamente com um aristocrata que parece ter dinheiro e se muda para a Suécia com Elvira e a filha mais nova, Alma (Flo Fagerli). Lá elas conhecem Agnes (Thea Sofie Loch Næss), a bela filha do novo padrasto. Agnes age como uma garota mimada, julgando Elvira pela aparência e menosprezando a nova irmã. É aí que a protagonista descobre que o padrasto não tinha dinheiro e casou com Rebekka por interesse. Ele morre pouco tempo depois, deixado a família cheia de dívidas. Como Alma ainda é muito jovem, o plano de Rebekka é arrumar um marido rico para Elvira, salvando a família. Ela espera conseguir no baile oferecido pelo príncipe, mas para isso precisará fazer algo à respeito da aparência de Elvira, em especial quando ela é ofuscada pela naturalmente bela Agnes.

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Crítica – Djeli: Contos Modernos

 

Análise Crítica – Djeli: Contos Modernos

Review – Djeli: Contos Modernos
De certa maneira Djeli: Contos Modernos adere com grande proximidade a estruturas típicas do melodrama. Por outro lado, porém, essa produção de 1981 da Costa do Marfim dirigida por Fadika Kramo-Lanciné apresenta um senso de frescor pelo modo como o filme acompanha uma realidade cultural pouco mostrada pelo cinema hegemônico e como usa essa realidade para pensar seus conflitos.

Conto ancestral

A narrativa é focada em Fanta, uma jovem da Costa do Marfim que se apaixona por Kramoko Kouyate, mas apesar dos dois se amarem eles não podem se casar. Kramoko Kouyate vem de uma linhagem de griots, enquanto Fanta vem de uma origem mais nobre e as famílias de ambos não aprovam o casamento. Ainda assim, o casal viaja da capital para sua vila natal de modo a tentar convencer seus pais a deixarem o casamento acontecer.