Detetives de poltrona
A trama é centrada nos amigos Elizabeth (Helen Mirren), Ibrahim (Ben Kingsley) e Ron (Pierce Brosnan), que vivem na mesma comunidade de idosos e todas as quintas-feiras se reúnem para discutir algum crime antigo sem solução na esperança de resolvê-lo. Ao trio se junta Joyce (Celia Imrie), enfermeira aposentada que traz ao grupo um importante conhecimento médico. As coisas se tornam mais sérias para eles quando um dos donos da comunidade em que vivem é assassinado e o outro planeja vender o local, o que implicaria em tirar dali todos os idosos. Agora eles precisam correr contra o tempo para resolver o crime antes de perderem seus lares.
O mistério no coração da trama por vezes soa complicado ou mirabolante demais em relação ao universo relativamente realista habitado pelos personagens e como eles estão relativamente distantes dos eventos em si raramente há uma sensação de que eles de fato estão em perigo. É o tipo de mistério barroco excessivamente complicado que remete a essa era de ouro da narrativa policial que para funcionar hoje precisaria de algum grau de autoconsciência, como a franquia Knives Out. A venda da comunidade, por outro lado, consegue dar algum senso de urgência para a resolução do crime e a impressão de que há algo em jogo caso os personagens fracassem.
O que sustenta nosso interesse no
filme é o carisma dos protagonistas e o senso de humor com o qual o filme conduz
a investigação deles. Muitas vezes os personagens usam a idade para se fingir
de frágeis ou confusos para obter informação das pessoas, rendendo vários
momentos divertidos. A excentricidade de alguns personagens também colabora
para dar personalidade ao filme, a exemplo do traficante que se aposentou para virar
florista interpretado por Richard E. Grant. Ele aparece em apenas uma cena, mas
Grant faz valer seu tempo de tela, entregando um personagem que soa esquisito e
ameaçador ao mesmo tempo.
Nota: 6/10
Trailer
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