Depois de um morno terceiro ano,
temi que a quarta temporada de O Poder e
a Lei tivesse menos ainda a oferecer. Felizmente esses novos episódios
aproveitam bem o gancho deixado no ano anterior e constroem uma trama tensa ao
redor dos novos problemas jurídicos do protagonista.
Advogando em causa própria
A temporada começa exatamente no
ponto em que a anterior parou, com Mickey Haller (Manuel Garcia Rulfo) sendo detido
depois que o corpo de seu cliente, o trambiqueiro Sam (Christopher Thornton), é
encontrado no porta-malas do seu carro. Agora Mickey precisa defender a si
mesmo no tribunal contra a implacável promotora Dana (Constance Zimmer).
Enquanto isso, Lorna (Becki Newton) tenta manter o escritório funcionando, mas
a prisão de Mickey afeta a reputação da firma e eles começam a perder clientes.
Como sou fã de romances
policiais, fiquei curioso para conferir a minissérie da Netflix Os Sete Relógios de Agatha Christie,
adaptando um romance da famosa escritora de mistério. Infelizmente o resultado deixa
a desejar e parece não compreender o que tornava as histórias de Christie tão
envolventes.
Assassinato no campo
A narrativa parte de uma premissa
típica dos livros de Christie. Durante uma festa em uma mansão, uma pessoa é
assassinada. Há um número limitado de suspeitos e uma arguta investigadora em
Lady Eileen (Mia McKenna-Bruce), amiga do falecido. Ela é auxiliada pelo
superintendente Battle (Martin Freeman) e ao longo da investigação se envolvem
com uma misteriosa organização secreta e o roubo de uma invenção
revolucionária.
Ao longo de três episódios a
impressão é que a trama caminha de maneira arrastada. Apesar de ser uma
história sobre conspirações, sociedades secretas, invenções sigilosas e muitos
segredos em jogo, não há qualquer senso de urgência, de que esses personagens
estão correndo contra o tempo ou sob algum senso real de ameaça. Mesmo durante
o clímax no trem com alianças mudando e armas sendo brandidas, nunca sentimos
que Eileen corre qualquer risco.
Os episódios conduzem a investigação
de modo bastante protocolar, mostrando as pistas, as reviravoltas e despistes.
A impressão é que os responsáveis pela série acham que basta reproduzir essa
natureza de quebra cabeça dos mistérios de Christie para fazer a história
funcionar, mas não entendem que há muito mais nesse tipo de narrativa do que
apresentar um mistério com pistas a serem desvendadas.
Além da já citada incapacidade de
construir intriga ou tensão, algo que os romances de Christie faziam muito bem,
a série deixa de lado outro aspecto muito importante da obra da escritora que é
a sua prosa e a personalidade que ela dá aos seus personagens. As histórias de
Christie normalmente são habitadas por um limitado plantel de suspeitos, cada
um com suas idiossincrasias e personalidades excêntricas. Aqui, os personagens
são figuras esquecíveis, que existem para mover a narrativa adiante, mas não
tem nada de memorável.
Os diálogos espirituosos e
mordazes, que constantemente comentavam sobre a sociedade britânica, também não
estão presentes nessa adaptação, perdendo muito do charme do texto de Christie.
O resultado são diálogos predominantemente expositivos, onde os personagens o
tempo todo explicam as pistas e seu raciocínio, mas sem muita coisa que dê
personalidade a essas falas. A jovem Mia McKenna-Bruce até tenta fazer de Lady
Eileen uma jovem destemida, que não hesita em falar o que pensa, porém é
limitada pelo texto insosso.
No fim, Os Sete Relógios de Agatha Christie entrega um mistério inane, sem
qualquer suspense, povoado por personagens desinteressantes e uma trama que
rapidamente mergulha no tédio.
Dirigido por Sam Raimi, Socorro! é um filme cuja existência não
sabia até cerca de uma semana antes da sessão para imprensa. Não sabia nada a
respeito dele além de que era estrelado por Rachel McAdams e fui assistir sem
sequer ter assistido trailer. O que encontrei foi uma grata surpresa misturando
terror, comédia e a esquisitice que sempre está presente nos filmes de Raimi.
Sobrevivência corporativa
Na trama, Rachel McAdams
interpreta Linda Liddle (um nome que facilmente poderia ter sido criado pelo
Stan Lee), responsável pelo planejamento estratégico da empresa onde trabalha.
Quando Bradley (Dylan O’Brien), filho do dono da empresa, assume a presidência
do negócio e dá a promoção que seu pai prometera a Linda para um amigo pessoal,
a protagonista se sente frustrada. Para compensar, Bradley promete levá-la a
uma viagem de negócios para a Tailândia, onde ela poderia provar seu valor. No
caminho o avião cai e Linda e Bradley são os únicos sobreviventes. Bradley não
tem qualquer habilidade para sobreviver na ilha deserta em que caem, mas Linda
é uma experiente amante da natureza e engenhosa no modo como lida com os
elementos, o que muda a dinâmica entre ela e seu chefe.
Sinto que desde que chamou
atenção com o ótimo Narc (2002), o
diretor Joe Carnahan nunca mais fez algo no mesmo nível, variando entre algumas
coisas divertidas, mas pouco memoráveis, como seu reboot de Esquadrão Classe A (2010),
ou péssimas, como pavoroso Shadow Force: Sentença de Morte (2025). Talvez por conta disso fui assistir esse Dinheiro Suspeito, produzido pela
Netflix, esperando mais um chorume genérico de streaming, no entanto, o resultado é um sólido thriller e o melhor trabalho de Carnahan em muito tempo.
A cor do dinheiro
A narrativa é levemente baseada
na história real de agentes de Narcóticos da Flórida que encontraram mais de
vinte milhões de dinheiro de tráfico de drogas guardado em uma casa. Aqui a
trama é protagonizada por Dane (Matt Damon), o segundo no comando de sua
unidade que assume a liderança depois que sua capitã, Jackie (Lina Esco), é
assassinada em uma emboscada ainda não investigada. Dane leva sua unidade a uma
casa nos subúrbios depois de supostamente receber uma denúncia de que o local
guardava dinheiro dos cartéis. Chegando lá, a única habitante é Desi (Sasha
Calle, a Supergirl de Flash) que diz
não saber nada do dinheiro. Investigando o local, descobrem ainda mais dinheiro
do que a denúncia inicial sugeria e logo eles sabem que virarão alvos. Dane
decide seguir o protocolo de contar o dinheiro no local e depois chamar o
comando para vir pegá-los, mas o tempo para contar tanto dinheiro significa
mais tempo para as coisas darem errado, seja em termos dos donos do dinheiro
aparecerem, seja porque os membros da unidade podem se interessar em ficar com
parte do valor.
Estrelado por Dave Bautista, fui
assistir Boca de Fumo esperando ao
menos um filme B de ação divertido, mas nem isso ele consegue entregar. É uma
trama que poderia render algo interessante se não se acomodasse no mais
rasteiro do cinema de ação e nem isso conseguisse fazer direito.
Crime em família
O agente Ray (Dave Bautista) e
seu parceiro Washburn (Bobby Cannavale) trabalham para a DEA em El Paso e
investigam um perigoso cartel operando na cidade. As coisas se complicam quando
o cartel passa a ser alvo de roubos e a dupla tenta investigar quem os está
atacando. O que Ray não sabe é que a gangue é liderada por seu filho, Cody
(Jack Champion, o Spider de Avatar).
Cody e outros colegas de escola, também filhos de agentes do DEA passaram a
usar o equipamento dos pais para roubar o cartel depois que o pai de outro
colega foi morto durante a operação. Vendo que o DEA não daria apoio financeiro
à família do falecido, Cody e os amigos decidiram roubar o cartel para dar a
família deles meios para sobreviverem.
Lançado em 1987, O Sobrevivente adaptava o romance O Concorrente de Stephen King em uma
típica farofa oitentista de ação protagonizada por Arnold Schwarzenegger, cheio
de canastrice e frases de efeito. Agora o diretor Edgar Wright (de Em Ritmo de Fugae Noite Passada em Soho) tenta fazer uma adaptação mais próxima à
distopia criada por King e a crítica social que o autor tentava fazer.
Jogos vorazes
A narrativa se passa em um futuro
no qual há um abismo social ainda maior no qual os ricos vivem em bairros
fechados, cheios de segurança, enquanto os mais pobres são abandonados à
própria sorte em periferias sujas. Ben (Glen Powell, de Twisterse Todos Menos Você)
acaba de perder o emprego e a filha está doente. Sem ter como pagar o
tratamento ele tenta se candidatar a uma das várias competições televisivas que
permitem aos mais pobres ganhar algum dinheiro às custas de humilhação ou
perigo. A raiva dele contra o sistema o faz ser selecionado para a principal e
mais mortal das competições. Chamada de “o sobrevivente” é um reality show no
qual os participantes precisam sobreviver por trinta dias sendo caçados pelas
autoridades e vigiados pela população para ganhar um prêmio milionário.
Dirigida por Jafar Panahi, a produção
iraniana Foi Apenas um Acidente é uma
reflexão poderosa sobre os impactos da violência e do autoritarismo, ponderando
como essas marcas afetam a vida das pessoas e pequenos eventos podem servir de
gatilhos para traumas antigos. É simultaneamente bem acessível na complexidade
moral e política que tenta discutir, mas denso e duro de acompanhar por conta das
vivências duras que narra.
Memórias do cárcere
A trama começa com uma família
dirigindo à noite, um homem, uma mulher e sua filha pequena. O homem (Ebrahim
Azizi) acidentalmente atropela um cachorro e para em uma oficina para consertar
o carro. O mecânico, Vahid (Vahid Mobasseri), se assusta com a chegada do
homem, reconhecendo o som da prótese que ele tem na perna como o mesmo do carcereiro
que o torturou na prisão anos atrás. Vahid então decide seguir o homem e o
sequestra na rua, levando ao meio do deserto para enterrá-lo vivo e se vingar
do que foi feito com ele. O homem, no entanto, nega ser Eghbal, afirmando que
perdeu a perna cerca de um ano atrás e mostrando a Vahid que suas cicatrizes de
amputação são recentes. Em dúvida, Vahid procura outros companheiros de cárcere
para se certificar de que aquele é mesmo Eghbal antes que possa completar sua
vingança.
Quando foi anunciado, esperei o
pior da série It: Bem-Vindos a Derry.
Era o tipo de projeto que soava como mais um prelúdio caça-níqueis feito para
capitalizar em cima de uma produção conhecida em uma Hollywood cada vez mais
aversa a riscos e nem mesmo a presença de Andy Muschietti, responsável pelos doisIt: A Coisa, no comando da série
me empolgava. Fui conferir a estreia por pura curiosidade e fui imediatamente
fisgado. Claro, a aversão a riscos e explorar o sucesso de um nome conhecido
pode de fato ter sido o gatilho para que o projeto fosse aprovado, mas o
resultado final é muito bom.
Cidade do Medo
A narrativa se passa na Derry da
década de 60. O major Leroy Hanlon (Jovan Adepo) chega na cidade para uma
missão secreta na base militar do local. Lá ele conhece Dick Halloran (Chris
Chalk), um aviador com dons sobrenaturais que aparentemente está ajudando os
militares a encontrar algo nos subterrâneos da cidade. Ao mesmo tempo um grupo
de crianças liderados por Lilly (Clara Stack) tenta investigar a morte de um
garoto local, mas esbarram em Pennywise (Bill Skarsgard) como o responsável
pelo desaparecimento de crianças na cidade. Will (Blake Cameron James), filho
de Leroy eventualmente se juntando ao grupo, conectando os dois núcleos.
O primeiro Entre Facas e Segredos(2019) é um divertido suspense que brincava
com os clichês da era de ouro do romance policial e nos apresentava a um
interessante protagonista no excêntrico detetive Benoit Blanc. O segundo filme,
Glass Onion (2022), dobrou a aposta
na sátira apresentando um mistério que fazia piada em cima dos excessos
barrocos desse tipo de narrativa e como esse encadeamento de reviravoltas
grandiloquentes muitas vezes é feito para parecer mais inteligente do que se é,
dando a impressão de algo complexo quando na verdade é simples, como a “cebola
de vidro” que dá título ao filme. Já este Vivo
ou Morto: Um Mistério Knives Out é o mais sério dos três, ainda que muito
autoconsciente dos clichês com os quais trabalha e faça graça com ele.
Os crimes do padre Jud
A trama acompanha o jovem padre
Jud (Josh O’Connor, de Rivais) que é
enviado para uma paróquia remota chefiada pelo amargo monsenhor Wicks (Josh
Brolin), um sacerdote conservador que tem prazer em constranger os membros da
congregação. Quando Wicks é assassinado durante uma missa, sendo encontrado no
pequeno armário ao lado do altar, as autoridades tem dificuldade de resolver
crime, já que ele estava em um espaço fechado e ninguém tinha acesso a ele.
Nesse momento chega o detetive Benoit Blanc (Daniel Craig) para ajudar o padre
a resolver o mistério.
Novo filme do diretor grego
Yorgos Lanthimos, Bugonia declara já
em seu título sua temática de morte e renovação da vida. O termo bugonia viria
de uma expressão grega que postulava que abelhas e outros insetos nasciam das
carcaças de boi. Essas ideias, no entanto, permanecem subjacentes ao longo de
boa parte do filme, que parece priorizar outros temas.
Teoria da conspiração
A narrativa gira em torno de
Michelle (Emma Stone), presidente de uma grande empresa que é sequestrada por
Teddy (Jesse Plemons). Ele acredita que a executiva é na verdade uma alienígena
que está na Terra para matar as abelhas e destruir nosso ecossistema, com uma
ação grande planejada para um eclipse que acontecerá em poucos dias. Teddy e o
primo, Don (Aidan Delbis) matem Michelle no porão e tentam forçá-la a admitir o
plano dos alienígenas.
Nova versão do suspense homônimo
de 1992 protagonizado por Rebecca De Mornay, o novo A Mão Que Balança o Berço sofre por não saber exatamente que
história quer contar e por não conseguir manejar a construção do suspense.
Ameaça na residência
A narrativa segue Caitlin (Mary
Elizabeth Winstead), uma advogada sobrecarregada com o trabalho e o cuidado com
as duas filhas que decide contratar a jovem Polly (Maika Monroe) para cuidar
das filhas depois de cuidar de um processo envolvendo o local em que Polly
mora. De início a jovem parece se integrar bem à família, se conectando com as
filhas de Caitlin, mas logo a advogada começa a sentir que Polly está
interferindo demais no cotidiano da casa. Preocupações que o marido dela,
Miguel (Raul Castillo), relativiza dizendo que ela pode estar próxima de um
episódio de burnout, algo que já tinha acometido Caitlin antes.
Se passando em um espaço contido,
Drop: Ameaça Anônima tenta construir
suspense nas limitações desse confinamento a partir de preocupações sobre
privacidade digital. A produção é até eficiente em criar tensão, mas não consegue
resolver tudo de modo satisfatório.
Ameaça invisível
A narrativa é protagonizada por
Violet (Meghann Fahy, da minissérie Sereias),
uma sobrevivente de violência doméstica que depois de anos resolve retomar a
sua vida amorosa e está saindo em um encontro com Henry (Brandon Sklenar). Ela
deixa o filho pequeno com a irmã e vai ao restaurante. Durante o encontro com
Henry a protagonista começa a receber mensagens anônimas no celular ameaçando
seu filho e dando ordens para que ela recupere um cartão de memória na posse de
Henry. Sem ter como avisar ninguém por medo que a figura anônima dê cabo da
ameaça, Violet tenta descobrir quem é o responsável sem despertar suspeitas.
Adaptando um dos primeiros romances de
Stephen King A Longa Marcha é uma
daquelas produções que pode soar derivativa não pelo seu conteúdo em si, mas
pelo momento em que foi lançada. Hoje cenários distópicos nos quais jovens são
forçados a competir entre si até a morte para distrair da dureza do regime ou
vida precária não são exatamente novidade embora não fosse o caso em 1979
quando a obra de King foi publicada. O próprio Francis Lawrence, que dirige
essa adaptação, já levou aos cinemas outra saga sobre jovens em competições
mortais ao conduzir as adaptações de Jogos Vorazes. Mesmo sendo um formato que Hollywood explorou à exaustão nos
últimos anos A Longa Marcha consegue
funcionar pelo cuidado que tem com seus personagens.
Marcha da morte
A trama se passa em um Estados
Unidos distópico que foi devastado por uma guerra civil e que agora vive sob um
governo autoritário liderado pelo truculento Major (Mark Hamill). A população
vive em um estado precário e periodicamente é realizado um evento chamado “a
longa marcha” no qual cinquenta jovens são sorteados para uma disputa. Eles
precisam caminhar mantendo uma velocidade constante de três milhas por hora,
quem ficar abaixo disso ou parar será morto. Vence o último que sobrar. O
grande prêmio em dinheiro e a realização de um pedido são o que motiva a
população a se envolver nesse jogo mortal, mas alguns participantes tem
motivações diferentes. Ray Garraty (Cooper Hoffman) se voluntariou para a
competição com o desejo de se vingar do Major que executou seu pai por ser um
dissidente. Ao longo da marcha Ray forma uma amizade com outro competidor,
Peter McVries (David Jonsson, de Alien Romulus). O laço que se forma entre eles os mantem resistindo às agruras da
competição.
Meses atrás o diretor Paul Thomas
Anderson produziu uma poderosa síntese das disputas políticas e sociais nos
Estados Unidos ao longo das últimas décadas com Uma Batalha Após a Outra. Com O
Agente Secreto o diretor Kleber Mendonça Filho faz algo semelhante para o
contexto brasileiro, uma síntese consistente, abrangente, por vezes
bem-humorada, de vários processos políticos e sociais em marcha no Brasil desde
a segunda metade do século XX.
O homem que sabia demais
A narrativa se passa em Recife em
1977 e acompanha Marcelo (Wagner Moura), um homem perseguido pela ditadura
militar brasileira que chega na cidade para reencontrar o filho enquanto espera
documentos para sair do país. Ele se abriga no edifício Ofir, lugar onde outros
“refugiados” se escondem sob a tutela de Dona Sebastiana (Tânia Maria). Ao
mesmo tempo, uma dupla de matadores de aluguel chega a Recife atrás de Marcelo.
Um bom final pode elevar uma
narrativa, pode nos fazer esquecer suas falhas, relevar seus problemas.
Analogamente um final ruim nos faz deixar um filme com um gosto ruim na boca,
esquecer seus méritos e diluir a força de suas ideias. Casa de Dinamite, novo filme da Kathryn Bigelow (responsável por
produções como A Hora Mais Escurae Guerra ao Terror) produzido pela
Netflix, sofre exatamente por conta de seu final ruim.
Perigo real e imediato
A narrativa começa com um
letreiro dizendo que no pós Guerra Fria as nações do mundo começaram a reduzir
seus arsenais nucleares com medo de que eles pudessem ser usados para dar
início a uma guerra catastrófica. Nos últimos anos, porém, os países vêm
diminuindo o ritmo do desmonte desses arsenais, indicando um movimento mais
belicista. Acompanhamos a capitã Olivia Walker (Rebecca Ferguson) responsável
pela sala de crise na Casa Branca, monitorando possíveis ameaças. Quando o
lançamento de um míssil vindo do Oceano Pacífico é detectado, todos ficam em
alerta para monitorar se é um ataque ou alguma outra coisa. Conforme a situação
se desenvolve vemos como ela se articula com outras autoridades do governo para
formular uma resposta.
Dirigido por Ron Howard, Eden conta uma intensa história real que
poderia render um cuidadoso estudo sobre civilidade, a relação do ser humano
com o mundo e os riscos da soberba humana em ser incapaz de entender sua
pequenez diante do poder da natureza. Digo poderia porque o filme nunca faz jus
ao potencial que sua história carrega.
Na natureza selvagem
A narrativa se passa na década de
1940. A Europa está devastada por conta da Primeira Guerra Mundial, o fascismo
está em ascensão. O médico Ritter (Jude Law) se muda com a esposa Dore (Vanessa
Kirby) para a ilha de Floriana no arquipélago de Galápagos para iniciar um novo
modo de vida em comunhão com a natureza e escrever uma nova filosofia para a
humanidade. Com o tempo, as histórias do modo de vida dele alcançam o
continente e atraem novas pessoas para ilha, como o casal Heinz (Daniel Bruhl)
e a esposa Margret (Sydney Sweeney) que vai até lá na esperança de reconstruir
a vida, ou a rica Baronesa (Ana de Armas) que chega no local esperando
construir um hotel de luxo apesar dos poucos recursos na ilha. Ritter e Dore
não ficam animados com a chegada de vizinhos e logo começam as hostilidades por
conta dos poucos recursos na ilha.
Eu fui assistir este Jogo Sujo, produzido pela Prime Video,com alguma curiosidade, já que o
diretor e roteirista Shane Black, criador de Máquina Mortífera, dirigiu algumas das comédias de ação mais
divertidas e subestimadas dos últimos anos em Beijos e Tiros (2005) e Dois Caras Legais(2016). Infelizmente, no entanto, o que acontece aqui é uma
produção sem graça, mais próxima do que Black fez no fraco O Predador(2018) do que em seus melhores trabalhos.
Honra entre ladrões
A narrativa adapta um dos
romances protagonizados pelo ladrão Parker, criado por Donald Westlake e que já
tinha sido levado antes aos cinemas em um filme protagonizado por Jason
Statham. Aqui, Parker (Mark Wahlberg) sobrevive a uma emboscada depois de um
roubo e decide se vingar de quem o traiu. No caminho ele descobre que a ladra
Zen (Rosa Salazar, de Alita: Anjo de Combate) um esquema de roubo ainda maior, envolvendo roubar o tesouro de
uma ditadura latino-americana que está sendo exposto na ONU.
Lançado em 1997 Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado não
era lá grande coisa, mas surfou na onda do revival de filmes slasher causado pelo sucesso do primeiro
Pânico, tendo também em seu favor um
jovem elenco de astros em ascensão como Ryan Phillipe, Sarah Michelle Gellar,
Jennifer Love Hewitt e Freddie Prinze Jr. A tentativa de transformar esse filme
em uma franquia morreu na praia na péssima continuação lançada um ano depois.
Este novo Eu Sei o que Vocês Fizeram no
Verão Passado tenta renovar esses filmes em uma produção que não consegue
se decidir se é um reboot ou uma
continuação tardia e não faz nada digno de nota.
Feriado macabro
Como no filme original, a história
acompanha um grupo de jovens que, depois de uma noite de bebedeira, causam um
acidente na estrada matando uma pessoa. Como o lugar era deserto e não tinha
mais ninguém eles fazem um pacto de nunca mais falar sobre isso. Dois anos
depois eles se afastaram por conta do trauma, mas Ava (Chase Sui Wonders)
retorna para sua cidade por conta do aniversário de Danica (Madelyn Cline).
Durante a festa Danica recebe um bilhete com o lembrete do que aconteceu e logo
uma estranha figura portando um gancho começa a atacar os envolvidos. Sem saber
como lidar com a ameaça Ava procura Julie (Jennifer Love Hewitt) para entender
como ela sobreviveu no passado.
O suspense A Mulher na Cabine 10 parecia uma típica trama investigativa cujo
elenco variado poderia ser capaz de sustentar sua narrativa mesmo que a
estrutura do mistério fosse bem conhecida. Infelizmente não é isso que
acontece, já que a péssima condução da intriga e soluções pouco verossímeis
estragam o que poderia ser um thriller competente.
Mulheres desacreditadas
A narrativa é protagonizada por
Laura (Keira Knightley), uma repórter que recentemente passou por uma
experiência traumática ao noticiar injustiças cometidas contra mulheres. Para
que ela relaxe, sua chefe, Rowan (Gugu Mbatha-Raw), lhe passa uma tarefa que
pode ser mais tranquila. Laura deve passar três dias acompanhando a viagem
marítima do super iate da ricaça norueguesa Anne (Lisa Loven Kongsli). Ela está
com câncer terminal e com a ajuda do marido, Bullmer (Guy Pearce), irá devotar
sua fortuna a uma fundação de pesquisa ao câncer, fazendo uma festa de
arrecadação para o lançamento da ONG. Na viagem, Laura tem como tarefa
entrevistar Anne e ajudar a divulgar a causa. Os problemas começam quando Laura
vê uma estranha mulher loira na cabine ao lado da sua e na primeira noite ela
ouve sons de briga na cabine vizinha e vê um corpo sendo atirado ao mar. Ela
alerta a equipe, mas é informada que não havia ninguém na cabine ao lado. Agora
ela precisa desvendar o que aconteceu.
O primeiro O Telefone Preto(2022) era um conto eficiente sobre perda de
inocência que tocava em alguns elementos sobrenaturais, mas se mantinha
razoavelmente pé no chão focando no protagonista que tentava escapar do
cativeiro de um serial killer. Este O Telefone Preto 2 entra mais no
sobrenatural e expande a mitologia ao redor dos personagens apresentados no
filme anterior.
Nas montanhas da loucura
A narrativa se passa alguns anos
depois que Finn (Mason Thames, cujo crescimento torna um pouco difícil
acreditar que seu personagem ainda é um adolescente) sobreviveu ao Sequestrador
(Ethan Hawke). Ele é marcado pelo trauma de tudo que viveu e sua irmã caçula
Gwen (Madeleine McGraw) começa a ter visões intensas de crianças sendo mortas
na neve e de sua falecida mãe ainda jovem em um retiro religioso nas montanhas.
Finn recebe estranhas ligações, similares às do telefone preto de quando estava
em cativeiro e Gwen passa a acreditar que as duas coisas estão conectadas. A
garota logo descobre que a mãe deles trabalhou em um acampamento cristão nas
montanhas geladas do interior e convence Finn a se candidatar com ela para
trabalharem no local como monitores para investigar mais. Chegando lá, o local
é tomado por uma violenta tempestade de neve, deixando Finn, Gwen e os
funcionários do local isolados antes que os campistas chegassem. Presos nas
montanhas, eles precisam descobrir o que conecta aquele lugar à mãe deles e ao
Sequestrador.