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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Crítica – Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte

 

Análise Crítica – Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte

A arte é um produto de seu tempo. Quando olhamos para um filme feito décadas atrás, por mais que gostemos dele, provavelmente veremos elementos que mostrem o quanto essa produção é datada e reflete certos pontos de vista que não bem aceitos como na época em que foram realizados. O horror slasher, principalmente aquele feito nas décadas de 70 e 80, com histórias voltadas para personagens adolescentes e muitas vezes situados em acampamentos de férias ou cabanas isoladas, não é exceção a essa regra. Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte se propõe a refletir sobre o slasher apontando os seus problemas, mas também tentando entender o fascínio que esses filmes exercem ainda hoje.

Indústria cíclica

A narrativa é protagonizada por Kris (Hannah Einbinder) uma jovem diretora independente contratada para produzir um reboot da franquia de terror Acampamento Miasma. Os executivos do estúdio esperam que ela, uma diretora preocupada com representatividade, crie uma nova história de origem para o assassino Little Death (Jack Haven), colocando-o como uma figura trágica e afastando as acusações de transfobia da franquia original. Kris busca a atriz Billy Presley (Gillian Anderson) que atuou no filme original e evitou as continuações, mas o estúdio se opõe a trazer uma atriz sexagenária e não tão famosa como protagonista do reboot.

A premissa aponta tendências contemporâneas de Hollywood que recorre a cineastas independentes para tentar revitalizar franquias cansadas sob a justificativa de renovar o olhar, mas o que eles querem é apenas usar o nome dessas pessoas para dar algum verniz de algo mais artístico, mais preocupado com posicionamentos políticos ou sociais, sem de fato querer transformar nada. No mundo real diretoras como Chloe Zhao ou Nia DaCosta são cooptadas para grandes franquias como a Marvel (em Eternos e As Marvels) justamente para esse fim.

Isso é visível na cena em que Kris conversa via Zoom com os executivos e produtores, com a preocupação deles sendo apenas a de “limpar” os preconceitos da franquia sem mexer no resto. A própria Kris diz isso em uma conversa com Billy, afirmando ter sido contratada apenas por ser uma jovem e promissora diretora envolvida com questões LGBT para dar a impressão de que os produtores se preocupam com sensibilidades contemporâneas enquanto vendem a mesma coisa.

Passado problemático

O filme comenta mais especificamente sobre as representações feitas pelos filmes slasher e certa tradição conservadora e de reforçar preconceitos que esses filmes tem. Não é exatamente novidade, a franquia Pânico já falava um pouco sobre como esses filmes punem com mortes sangrentas condutas como fazer sexo ou usar drogas, além de mirarem em minorias.

Aqui, porém, o foco é em alguns tipos de representação. Filmes como Acampamento Sinistro (1983) traziam pessoas trans como assassinos desequilibrados como se ser trans fosse algo aberrante e um atestado de instabilidade mental ou conduta dissimulada. Quando Kris e Billy assistem ao Acampamento Miasma original, elas comentam como a origem de Little Death é tratada em termos puramente preconceituosos. As cenas de morte também seguem a cartilha da punição, o assassino mata pessoas que transam ou que usam drogas.

As mortes são filmadas de maneira propositalmente tosca e exagerada, com chafarizes de sangue jorrando a cada golpe do assassino e uma física nada realista, como o momento em que Little Death empala um adolescente com sua lança e depois bate o corpo dele em um mastro, fazendo sua vítima explodir em mil pedaços. É algo feito não para aterrorizar ou chocar como esses filmes originalmente faziam, mas para satirizar o exagero dessas produções e modo virulento que essas mortes refletiam certos preconceitos e visões conservadoras. O segmento em que Billy e Kris assistem aos filmes antigos, no entanto, dão a sensação de que o filme se detém neles mais do que deveria.

Paradoxos do coração

Embora tenha críticas à franquia, Kris também exibe uma apreciação por esses filmes e tenta entender o que move sua conexão com eles. Em suas interações com Billy, que florescem em um affair, ela pondera sobre a natureza erótica desses filmes, da nudez, do tesão adolescente, da excitação de transar no mato e também na tensão de correr pela vida enquanto perseguida por um assassino, de estar em meio a uma crise dessas lutando para sobreviver e extrair prazer disso. As falas da personagem encontram eco nas falas de Billy sobre perder a virgindade e como ela teve o melhor orgasmo da vida ao imaginar Little Death se aproximando.

São ideias que me remetem ao livro A Filosofia do Horror de Noel Carroll que analisa o porquê de consumirmos histórias de horror. O teórico analisa como o medo e a repulsa são emoções que guiam o horror, que o prazer do gênero vem da curiosidade com o anômalo, com o monstruoso e ter essa curiosidade saciada. A grosso modo, queremos saber como é lidar com algo assim imponderável, assustador, e o horror permite experimentar essas emoções sem estarmos realmente em perigo.

A relação com o anômalo, com o monstruoso que Kris pensa em fazer no seu filme, no entanto, não é o da rejeição ao anômalo, ao tabu, como era no passado. Isso perpassa tanto no modo como ela pensa no assassino Little Death como em outros tabus do slasher, em especial o sexo. O prazer, o orgasmo, o voyeurismo não deveriam ser objetos de punição. Morte e sexo caminhariam lado a lado em fornecer prazer e catarse. Isso fica evidente durante o clímax no qual Kris começa a ser perseguida por Little Death e a criatura começa a matar as pessoas que ela conhece e que passou o resto do filme julgando silenciosamente, como sua agente ou os executivos de estúdio, enquanto a montagem corta para imagens de Kris e Billy fazendo sexo enquanto Little Death se aproxima delas. Há uma catarse em ver os desafetos da personagem serem mortos enquanto que a proximidade com a morte parece tornar o sexo mais intenso, como se a lembrança da mortalidade tornasse mais importante nossos momentos de prazer.

O filme aborda a metalinguagem da narrativa com um surrealismo similar ao que a diretora Jane Schoenbrun fez em seu filme anterior, Eu Vi o Brilho da TV (2024). As fronteiras entre a realidade e o universo subjetivo de Kris são borradas, durante boa parte do filme não sabemos até que ponto ela está de fato sendo observada por Little Death ou se é tudo imaginação dela. A fotografia adota uma iluminação estourada e alterações na paleta de cores para comunicar esses momentos de descolamento da realidade. A dimensão paralela na qual Little Death observa nosso mundo, com paredes rosas e enrugadas, lembra um cérebro. É como se a criatura fosse o nosso subconsciente, os desejos reprimidos de pulsão de morte e de vida, de matar que detestamos ou como sentimos culpa pelos nossos prazeres sexuais. Nesse sentido, a trama não apenas critica os preconceitos carregados por esse tipo de história, mas defende suas qualidades, advogando que esses filmes tem implicitamente uma dimensão transgressora, de apontar tabus e prazeres considerados proibidos, defendendo que o gênero precisa abraçar isso se quiser continuar relevante. O filme pondera que o sexo não deveria ser punido, mas celebrado.

 

Nota: 9/10


Trailer

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Crítica – Por Detrás das Palmeiras

 

Análise Crítica – Por Detrás das Palmeiras

Review – Por Detrás das Palmeiras
Triângulos amorosos, bem como conflitos de classe e etnia são uma constante no cinema. A produção marroquina Por Detrás das Palmeiras mistura drama e suspense para narrar uma história sobre abismos que separam as pessoas, como eles podem ser intransponíveis e uma crença do contrário resultar em tragédia.

Relações de poder

A narrativa se passa em Marrakesh, capital do Marrocos. Mehdi (Driss Ramdi) trabalha com o pai em seu negócio de construção e está prestando serviço para uma família de franceses quando conhece Marie (Sara Giraudau), a filha dos donos da propriedade. Marie parece se interessar por ele, mas Mehdi namora a muçulmana Salma (Nadia Kounda). Salma se recusa a fazer sexo com Mehdi, dizendo que só podem fazer isso depois que se casarem. Como Marie demonstra interesse nele, Mehdi vai para cama com ela. O protagonista tenta terminar o relacionamento com Salma, dizendo que não consegue mais esperar para terem intimidade, então Salma decide transar com ele mesmo não estando casados. Ainda assim, Mehdi deixa Salma de lado e continua a passar tempo com Marie apreciando seu estilo de vida de classe alta e a possibilidade dela conseguir um emprego para ele na prestigiosa empresa de um amigo da família. As coisas se complicam quando Salma o procura e diz que está grávida dele.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Crítica – Memória da Princesa Mumbi

Análise Crítica – Memória da Princesa Mumbi

Review – Memória da Princesa Mumbi
Falsos documentários ou mockumentaries brincam com a ideia de realidade documental e como muitas vezes recebemos de modo muito acrítico as imagens que o cinema nos dá, lembrando que mesmo no registro do real há uma construção dessas imagens e que elas podem ser modificadas ou falseadas. Memória da Princesa Mumbi mescla essa estética de falso documentário com ficção científica e romance para pensar nossa relação com as imagens, o cinema e a representação do mundo.

Futuro reverso

A narrativa se passa em 2093. Kuve (Ibrahim Joseph) viaja ao reino de Umata na costa da África para fazer um documentário sobre os efeitos de uma guerra ocorrida em 2070 que culminou com o lugar banindo a tecnologia para tentar resolver a depressão causada pela dependência tecnológica, se reestruturando em reinos retrofuturistas. Lá ele conhece Mumbi (Shandra Apondi) e a recruta para ajudar com seu documentário. Mumbi desafia Kuve a fazer um filme sem usar IA e aos poucos os dois vão se apaixonando, mas Mumbi está prometida em casamento para um príncipe de um reino vizinho.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Crítica – Gundam Hathaway: The Sorcery of Nymph Circe

 

Análise Crítica – Gundam Hathaway: The Sorcery of Nymph Circe

Review – Gundam Hathaway: The Sorcery of Nymph Circe
Na história da Odisseia, em voga nos últimos tempos por conta do filme do Christopher Nolan, bruxa Circe mantem Ulisses (ou Odisseu, dependendo da tradução) em sua ilha ao transformar seus soldados em animais. Ela também é responsável por colocá-lo de volta em seu caminho ao apontar ele na direção de um oráculo. A bruxa é, portanto, um obstáculo e um guia ao personagem e essa dualidade é evocada em Gundam Hathaway: The Sorcery of Nymph Circe na figura de Gigi Andalucia e na relação dela com Hathaway Noa.

Balada do jovem soldado

Depois dos eventos do primeiro filme em que descobrimos que Hathaway Noa é Mafty Navue Erin, líder de um movimento contrário à Federação e no qual ele recuperou o Xi Gundam, agora Hatahway começa sua cruzada contra o governo ao planejar um ataque contra uma conferência na Austrália. Enquanto isso, Gigi usa suas habilidades newtype para ver o futuro e manejar tanto Hathaway quanto o oficial Kenneth Sleg para o que ela quer.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Crítica - Morte e Vida Madalena

 

Análise Crítica - Morte e Vida Madalena

Review - Morte e Vida Madalena
A produção Morte e Vida Madalena trata sobre os percursos tortos pelos quais nos conectamos com os outros, lidamos com a morte e com a renovação de nossas vidas. São temas que o diretor Guto Parente já tinha abordado em sua obra anterior, o ótimo Estranho Caminho (2024), e que aqui volta a falar com o mesmo esforço de equilibrar drama e comédia.

Encarando a perda

A narrativa é protagonizada por Madalena (Noá Bonoba). Grávida de oito meses, ela acabou de perder o pai e decide honrá-lo terminando seu último filme, uma ficção científica B. Ela decide filmar logo, antes que seu bebê nasça para não precisar lidar com a correria de uma produção com um recém-nascido. O problema é que muitas coisas fogem de seu controle e as filmagens são tomadas por caos quando o diretor, Davi (Marcus Curvelo), ex-marido de Madalena, desaparece. Ela traz Oswaldo (Tavinho Teixeira), amigo de seu falecido pai, para assumir o filme, mas Oswaldo parece ter ideias próprias para o filme, saindo do roteiro e irritando Madalena.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Crítica – A Morte de Robin Hood

 

Análise Crítica – A Morte de Robin Hood

Review – A Morte de Robin Hood
Muitas histórias já foram contadas sobre Robin Hood. Algumas com um viés de fantasia, outras buscando algum realismo histórico, mas a grande maioria delas retratava Robin como uma figura heroica que combatia injustiças e ajudava os pobres. A Morte de Robin Hood, por sua vez, tenta ver o que há por trás desse mito e como uma vida à margem da lei provavelmente faria de Robin Hood um alvo constante e o obrigaria a deixar uma trilha de corpos por onde quer que passasse.

Marcas da violência

A trama mostra um Robin (Hugh Jackman) já velho, vivendo isolado e sendo alvo de constantes ataques de pessoas tentando se vingar pela morte de seus entes queridos. Um dia ele é procurando pelo seu antigo parceiro, que agora atende pelo nome de Edward (Bill Skarsgard), que pede ajuda a Robin para repelir um ataque feito à propriedade em que vive por pessoas buscando vingança pelo passado deles. Robin ajuda, mas tudo dá errado e ele termina gravemente ferido, acordando numa ilha sob controle da freira Brigid (Jodie Comer, de Killing Eve) que usa o local como um espaço de cura e recuperação. Enquanto se recupera, Robin teme que descubram sua identidade e que venham atrás dele.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Crítica – Não Deseje Boa Sorte

 

Análise Crítica – Não Deseje Boa Sorte

Review – Não Deseje Boa Sorte
Depois que Você Não Tá Convidada pro Meu Bat Mitzvá (2023) mostrou que a filha caçula do Adam Sandler conseguia segurar um longa como protagonista, a Happy Madison, produtora de Sandler, a coloca a frente de mais um filme neste Não Deseje Boa Sorte, que vai mais para o drama do que para a comédia.

Amadurecimento forçado

A narrativa é protagonizada por Sophie (Sunny Sandler) que tenta entrar para o elenco do musical da escola e se surpreende ao conseguir o papel de protagonista. Enquanto lida com o senso de inadequação ao não se sentir boa o suficiente para ser a principal, Sophie acidentalmente descobre que sua mãe, Elizabeth (Melanie Lynskey), está com um câncer severo. Agora a garota precisa lidar com as pressões do colégio e a perspectiva de perder a mãe.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Crítica – Pressão

 

Análise Crítica – Pressão

Review – Pressão
Inúmeras histórias reais sobre a Segunda Guerra Mundial já foram contadas. Talvez pela vastidão de histórias contadas, algumas soam menos interessantes. Esse é o caso de Pressão, que acompanha os meteorologistas responsáveis por fazer a previsão do tempo para o Dia D e contribuíram para o sucesso da invasão da Normandia.

Tempo fechado

A narrativa conta a história real do britânico James Stagg (Andrew Scott), meteorologista convocado para ajudar os aliados a planejar o ataque do Dia D. Faltando três dias para o ataque, Stagg crê que o dia previsto será de tempestade, mas o meteorologista do exército dos Estados Unidos, Irving Krick (Chris Messina), crê que será de tempo aberto. Com o tempo contra eles, o general Eisenhower (Brendan Fraser) os pressiona a ter certeza.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Crítica – O Convite (2026)

 

Análise Crítica – O Convite (2026)

Review – O Convite (2026)
A atriz Olivia Wilde teve uma estreia promissora como diretora no bacana Fora de Série (2019), mas decepcionou em seu filme seguinte com o fraco Não Se Preocupe, Querida (2022). Agora ela chega em seu terceiro longa neste O Convite e entrega o que pode ser o seu melhor trabalho atrás das câmeras.

Cenas de um casamento

O casamento de Angela (Olivia Wilde) e Joe (Seth Rogen, que trabalhou com Wilde na série O Estúdio) está por um fio. Eles mal conversam, não fazem sexo, discutem constantemente e tudo na relação deles soa protocolar. Um dia Joe chega do trabalho e descobre que Angela convidou os vizinhos de cima para um jantar para agradecer a paciência deles com o barulho da reforma. Joe não está disposto a receber ninguém, mas pensa que pode ser uma oportunidade de questionar os vizinhos pelo barulho constante à noite do que parecem ser longas sessões de sexo. Quando o casal vizinho Pina (Penelope Cruz) e Hawk (Edward Norton) chega eles encontram um clima constrangedor já que Angela e Joe estavam no meio de uma briga. Ainda assim tentam seguir com a noite que se desdobra em constrangimentos e tensões conforme os dois casais passam a se conhecer melhor.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Crítica – O Fim da Rua

Análise Crítica – O Fim da Rua

Review – O Fim da Rua
É curioso como em Hollywood muitas vezes ideias parecidas surgem ao mesmo tempo. Não faz nem uma semana que chegou na Netflix o suspense A Última Casa, que fala de uma família tendo seu cotidiano interrompido quando uma estranha crise os ameaça e ficam presos em casa. Agora chega aos cinemas O Fim da Rua, também sobre uma família lidando com uma ameaça estranha que transporta o seu bairro para um local estranho e agora precisam se proteger em casa. Ambos partem de elementos similares, mas os desenvolvem de maneira diferente embora nenhum dos dois seja particularmente bom.

Mundo perdido

A narrativa começa na década de 80 com a família de Greg (Ewan McGregor) e Denise (Anne Hathaway). O casamento deles está em crise e os filhos Audrey (Maisy Stella) e Brian (Christian Convery, de Sweet Tooth) notam que o fim pode ser eminente. Um dia, durante uma forte chuva, o bairro em que moram é tomado por uma estranha luz e na manhã seguinte eles descobrem que o bairro está no meio de uma floresta pré-histórica, tomada por dinossauros. Agora a família precisa encontrar um meio de sobreviver.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Crítica – Sugar: Segunda Temporada

 

Análise Crítica – Sugar: Segunda Temporada

Review – Sugar: Segunda Temporada
A primeira temporada de Sugar começa como um interessante noir contemporâneo acompanhando o detetive cinéfilo John Sugar em casos de pessoas desaparecidas em Los Angeles. Uma reviravolta no meio da temporada, no entanto, muda a série ao revelar que ele é um alienígena e que a presença dele e de seu povo foi descoberta. A mudança causou reações polarizadas, mas, geral, gosto da primeira temporada e fiquei curioso como esse segundo ano ia abordar as consequências dessa guinada.

Cidade dos anjos e demônios

A temporada começa aparentemente resolvendo rapidamente o gancho do primeiro em que Sugar (Colin Ferrell) descobria que sua irmã estava viva. Digo aparentemente porque é muito óbvio que é um despiste, mas o que incomoda mesmo é que isso meio que retorna o personagem ao seu status quo de atuar como detetive em casos de desaparecimento. Dessa vez o detetive é incumbido de ajudar o boxeador Danny Moon (Jin Ha) a encontrar seu irmão desaparecido, Danny (Raymond Lee).

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Crítica – A Última Casa

 

Análise Crítica – A Última Casa

Review – A Última Casa
Mesmo depois de quase seis anos do início da pandemia, ainda sentimos os impactos daquele período por conta do confinamento e dos temores constantes de uma ameaça que não vemos e não compreendemos exatamente. A Última Casa dialoga um pouco com esses sentimentos, mas leva sua premissa a direções pouco interessantes.

Confinamento familiar

A narrativa acompanha a família de Jason (Wagner Moura) e Ann (Greta Lee). Uma estranha chuva cria uma barreira ao redor das casas e as pessoas ficam presas dentro de suas residências sem conseguir sair e sem qualquer contato com o mundo, já que sinais de tv, rádio ou internet deixam de funcionar. Agora o casal precisa pensar em como gerenciar os recursos que tem, lidando com o confinamento e os dois filhos.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Crítica – Elize: Sombras de Uma Mulher

 

Análise Crítica – Elize: Sombras de Uma Mulher

Review – Elize: Sombras de Uma Mulher
Ocorrido em 2012, o assassinato cometido por Elize Matsunaga chocou o país por ela ter matado o marido, herdeiro da empresa Yoki, esquartejado o corpo e desovado os pedaços no mato. Na última década inúmeras produções foram feitas sobre o crime, desde episódios de séries dedicadas a crimes reais, passando por longas documentais, mas até agora não tinha sido feito um longa ficcional. A questão que vinha à mente ao me aproximar deste Elize: Sombras de Uma Mulher é se ainda há algo a acrescentar a essa história e se o longa faria isso. Depois de ver o filme a impressão é de que não.

Inimigo íntimo

A trama segue Elize (Lorena Comparato) a partir do momento em que ela conhece Marcos (Henrique Kimura) quando trabalhava como prostituta até o momento da prisão dela pelo assassinato. O principal problema do filme é o quanto os personagens são construídos de maneira superficial. Desde a primeira cena do filme em que vemos Marcos e Elize num quarto o filme já deixa claro o quanto Marcos é escroto com ela e a vê como objeto e isso é basicamente o personagem inteiro. Não que seja um retrato equivocado, por tudo que já foi divulgado do caso ele provavelmente era um babaca mesmo, mas se a ideia é entender o que levou ao crime fazer dele uma figura unidimensional não ajuda a uma maior compreensão.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Crítica – A Incrível Eleanor

 

Análise Crítica – A Incrível Eleanor

Review – A Incrível Eleanor
Dirigido por Scarlett Johansson, A Incrível Eleanor explora o impacto do luto em diferentes gerações ao mesmo tempo em que analisa como certas feridas nunca fecham e a importância da memória ao ponderar sobre o Holocausto e a importância de ouvir seus sobreviventes. Nem sempre todas as ideias são bem amarradas, mas a produção tem sentimento o bastante para cativar.

O peso da solidão

A narrativa acompanha a viúva nonagenária Eleanor (June Squibb), que há mais de uma década mora com a melhor amiga Bessie (Rita Zohar) desde que ambas se tornaram viúvas. Quando Bessie morre, Eleanor vai temporariamente morar com a filha, Lisa (Jessica Hecht), enquanto pensa em novos arranjos para si. Como a filha e o neto não tem muito tempo para ela, Eleanor decide frequentar um centro de cultura judaica e acidentalmente entra para um grupo de apoio aos sobreviventes do Holocausto. Com vergonha de admitir seu erro Eleanor conta a história de sobrevivência de Bessie como se fosse dela, comovendo a todos, sem perceber que a sessão estava sendo acompanhada pela estudante de jornalismo Nina (Erin Kellyman), que aborda Eleanor para escrever uma reportagem a seu respeito. Como se sente sozinha, Eleanor aceita conversar com Nina.

terça-feira, 21 de julho de 2026

Crítica – Manual de Assassinato Para Boas Garotas: Segunda Temporada

 

Análise Crítica – Manual de Assassinato Para Boas Garotas: Segunda Temporada

Review – Manual de Assassinato Para Boas Garotas: Segunda Temporada
Quando escrevi sobre a primeira temporada de Manual de Assassinato Para Boas Garotas mencionei como a série conduzia corretamente sua trama de mistério, mas não conseguia trazer nada que realmente capturasse nossa atenção. Fui assistir essa segunda temporada esperando algo melhor, mas o resultado é igualmente insosso.

Investigação morna

A jovem Pippa (Emma Myers, de Wandinha) lida com as consequências da temporada anterior conforme o julgamento do estuprador Max (Henry Ashton) está prestes a começar. Ao mesmo tempo, surge um novo mistério quando Jamie (Eden H. Davies), um garoto local, desaparece. De início Pippa desconfia que isso pode estar conectado com o julgamento de Max, que parece disposto a qualquer coisa para evitar a condenação, mas quanto mais investiga, mais descobre outras tramas em jogo.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Crítica – Futuro Futuro

Análise Crítica – Futuro Futuro

Review – Futuro Futuro
Com uma presença cada vez mais penetrante em nosso cotidiano, as ferramentas de IA geram discussão dos impactos disso nas pessoas. Em Futuro Futuro o diretor Davi Pretto imagina um Brasil dominado por IA e a sociedade distópica que isso gera.

Presente Futuro

A narrativa é protagonizada por K (Zé Maria Pescador) um homem sem memória encontrado na periferia de uma grande cidade. Nesse futuro próximo há uma separação ainda maior entre ricos e pobres, com os ricos vivendo entre arranha-céus distantes enquanto os mais pobres vivem em favelas sem emprego e com pouco acesso ao básico, como água e comida. A população é afligida por uma doença que afeta a cognição e as pessoas precisam passar por um curso para tentarem retomar a capacidade de imaginar.

Como toda a distopia, o filme não fala sobre coisas que podem acontecer e sim sobre eventos que já estão em marcha no mundo de agora. O abismo social cada vez maior, o desemprego, a opressão contra os mais pobres e o uso da tecnologia como ferramenta de alienação. Os afetados pela misteriosa síndrome perdem o senso de si e precisam ser “ensinados” a pensar, a imaginar, novamente, recorrendo a uma inteligência artificial que supostamente os ajuda.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Crítica – Christy: Um Novo Round

 

Análise Crítica – Christy: Um Novo Round

Review – Christy: Um Novo Round
Estrelado por Sidney Sweeney, Christy: Um Novo Round é aquele tipo de filme que parece todo pensado para premiações. Uma história real, com temas socialmente relevantes e uma estrela em evidência que passa por uma transformação física por sua personagem. Ingredientes comuns em filmes que aparecem em premiação, mas passou batido quando foi lançado nos Estados Unidos no ano passado, tanto na recepção da crítica quanto do público. Muito se especulou se a polêmica envolvendo uma publicidade de jeans feita por Sweeney que desembocou em discussões sobre o posicionamento político dela prejudicaram a produção. Tendo visto o filme, não sei até que ponto é possível creditar a recepção morna a elementos externos considerando que o filme em si não é grande coisa.

Luta constante

A trama acompanha a história real de Christy Martin (Sydney Sweeney), principal nome do boxe feminino nos Estados Unidos. Seguimos Christy desde sua juventude, quando descobre o boxe, até o auge como boxeadora quando se afasta dos abusos do marido e treinador Jim (Ben Foster). Christy é também uma lésbica enrustida, nunca assumindo a sexualidade, sendo oprimida desde jovem pela mãe conservadora, Joyce (Merritt Wever).

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Crítica – A Odisseia

 

Análise Crítica – A Odisseia

Review – A Odisseia
O diretor Christopher Nolan não é alguém cuja obra é associada com fantasia. Ele já lidou com ficção científica e mesmo seus filmes de super-heróis, como sua trilogia do Batman, defenestravam os elementos mais fantásticos ou sobrenaturais do universo do homem-morcego. Ainda assim não fiquei surpreso com o anúncio de que A Odisseia seria seu próximo filme. 

O cinema de Nolan sempre se estruturou em narrativas não lineares, então é lógico que ele se interessaria por uma das primeiras narrativas ocidentais (talvez a primeira, mas estou enferrujado em história da arte) a contar sua história fora de ordem cronológica. Seus filmes também são carregados de metalinguagem, ponderando sobre o poder das histórias e dos mitos que elas criam, muitas vezes ocultando verdades sombrias que não queremos confrontar. O poema épico escrito por Homero em uma das peças artísticas mais basilares da cultura ocidental e aqui Nolan desvela algumas noções brutais que o olhar mitificado para a jornada de Odisseu (ou Ulisses, dependendo da tradução) pode ocultar, principalmente diante de um olhar contemporâneo.

terça-feira, 14 de julho de 2026

Crítica – Twinless: Um Gêmeo a Menos

 

Análise Crítica – Twinless: Um Gêmeo a Menos

Review – Twinless: Um Gêmeo a Menos
A ficção criou toda uma mística em torno de pessoas gêmeas e a conexão que eles têm. Twinless: Um Gêmeo a Menos vai para o caminho oposto e indaga o que acontece quando essa conexão que existe desde o nascimento é rompida? Qual é o impacto do luto no gêmeo que fica?

Irmão ausente

A narrativa é protagonizada por Roman (Dylan O’Brien), que recentemente perdeu o irmão gêmeo Rocky. Ele participa de um grupo de apoio para gêmeos que perderam os irmãos e lá conhece Dennis (James Sweeney, que também escreveu e dirigiu o filme), um jovem que também perdeu o irmão. Roman sente muita afinidade com Dennis e logo eles se tornam amigos, quase funcionando como gêmeos novamente, dando a impressão que eles irão preencher o vazio um do outro. As coisas se complicam quando descobrimos que Dennis oculta várias informações de Roman, inclusive a de que conhecia Rocky e que tem envolvimento no acidente que causou a morte dele.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Crítica – Por Inteiro

 

Análise Crítica – Por Inteiro

Review – Por Inteiro
Se passando em um futuro próximo, Por Inteiro tem uma premissa que remete ao episódio Hang the DJ da quarta temporada de Black Mirror ao mostrar um mundo em que casais se aproximam por conta de um algoritmo que seleciona uma pessoa perfeita para você. Embora parta dessa premissa tecnológica, o filme acaba deixando isso de lado para focar na dinâmica dos dois protagonistas.

Conexões humanas

Simon (Brett Goldstein) e Laura (Imogen Poots) são amigos há muito tempo e a tensão amorosa entre eles é tão evidente que as pessoas próximas se surpreendem que eles nunca se relacionaram. Laura pensa em se submeter a um famoso teste de compatibilidade que promete encontrar sua alma gêmea, mas Simon não acredita nesse tipo de coisa. Ao passar pelo processo Laura conhece Lukas (Steven Cree), um sujeito que parece ter tudo que ela espera, oferecendo um relacionamento tranquilo, seguro, mas sem a abertura que ela tem com Simon. Quando o pai de Laura morre é Simon quem a consola e os dois acabam dormindo juntos, iniciando um caso que se estende por anos.