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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Crítica – Família de Aluguel

 

Análise Crítica – Família de Aluguel

Review – Família de Aluguel
Como qualquer país o Japão tem sua parcela de paradoxos e contradições. Por um lado é um país bastante avançado tecnologicamente, com uma ética de trabalho admirável. Por outro ainda é uma sociedade extremamente rígida e apegada a tradições, inclusive em relação a questões de gênero, sexualidade e relacionamentos. Família de Aluguel explora algumas dessas contradições do país ao observar dinâmicas de relações familiares.

Performance cotidiana

A narrativa é protagonizada por Philip (Brendan Fraser), um ator dos Estados Unidos que mora há anos no Japão e cuja carreira está estagnada. As coisas mudam para ele quando vai trabalhar na empresa de Shinji (Takehiro Hira, de Monarch: Legado de Monstros) que contrata atores para atuarem como “familiares de aluguel” para seus clientes. Boa parte desses serviços visa contornar tradições rígidas da vida familiar japonesa. Uma jovem lésbica contrata Philip para posar como seu marido para os pais para finalmente poder sair do país e viver com a namoradas. Maridos adúlteros contratam as atrizes para se passarem por suas amantes para pedir perdão às esposas sem precisar expor suas amantes reais. Uma mãe pede a Philip para se passar por seu marido para que sua filha tenha chance em entrar em uma escola de prestígio, já que uma mãe solteira não seria bem vista.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Crítica – Song Sung Blue: Um Sonho a Dois

 

Análise Crítica – Song Sung Blue: Um Sonho a Dois

Review – Song Sung Blue: Um Sonho a Dois
Biografias de artistas da música normalmente se debruçam sobre figuras de grande sucesso, que marcaram época e tiveram canções que ficaram no imaginário da população. O que me chamou atenção neste Song Sung Blue: Um Sonho a Dois foi justamente o fato do filme ir na contramão disso ao acompanhar uma dupla de músicos de modesto sucesso local.

Música em família

A trama se baseia na história real do casal Mike (Hugh Jackman) e Claire (Kate Hudson) Sardina, duas pessoas de meia idade que se apaixonam pelo desejo de viver de música e juntos formam uma banda-tributo a Neil Diamond que faz muito sucesso na cidade de Milwaukee. A narrativa mostra as vidas difíceis dos dois e como eles se conectam pelo amor música, com a banda servindo para que eles superem os momentos mais difíceis de suas vidas.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Crítica – Palm Royale: 2ª Temporada

 

Análise Crítica – Palm Royale: 2ª Temporada

Review – Palm Royale: 2ª Temporada
Depois de uma divertida primeira temporada, Palm Royale entra em sua segunda temporada investindo ainda mais em seus excessos folhetinescos. Ainda que seja sustentado pelo ótimo elenco, esse segundo ano acaba sendo um pouco inferior que o primeiro.

Fundos de família

A narrativa se passa meses depois do fim da primeira temporada. Maxine (Kristen Wiig) foi colocada em um manicômio e Linda (Laura Dern) fugiu do país depois de ser considerada a responsável pelo tiroteio que aconteceu no Palm Royale. Já recuperada, Norma (Carol Burnett) incentiva Douglas (Josh Lucas) a casar com Mitzi (Kaia Garber) que está grávida dele para que finalmente possam desbloquear o fundo fiduciário para um herdeiro da família Dellacorte assim que o bebê nascer. Como os Dellacorte morreram cedo e sem filhos, nas últimas décadas, com Norma e Douglas sendo os últimos remanescentes, essa pode ser a única esperança de acessar o dinheiro. O problema é que no final da temporada descobrimos que Norma não é quem diz ser, tendo assumido o lugar da verdadeira Norma quando estudou com ela em um colégio interno na juventude e Maxine busca meios de revelar a fraude de Norma.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Crítica – Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria

 

Análise Crítica – Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria

Review – Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
Dirigido por Mary Bronstein, Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria transita entre o horror, a comédia, o drama e o surrealismo para acompanhar a ansiedade constante da maternidade, em especial quando uma mãe tenta lidar com tudo sozinha, cuidando da filha, tendo uma profissão e ainda lidando com os problemas do lar. É um exame angustiante de uma mulher em crise que não dá ao espectador ou a sua protagonista um instante para respirar.

Crise maternal

A narrativa é protagonizada por Linda (Rose Byrne) uma mulher lidando com uma misteriosa doença que acomete a filha, obrigando a garota a usar uma sonda. Ela também se encontra morando em um quarto de hotel, já que o teto de seu apartamento desabou por conta de mofo e de encanamento defeituoso. Ela lida com tudo isso sozinha já que o marido (Christian Slater) é um militar que trabalha longe. Linda trabalha como terapeuta e uma de suas pacientes, a jovem mãe Caroline (Danielle Macdonald), desaparece no meio de uma sessão e deixa seu bebê no consultório. Linda faz terapia para tentar enfrentar todas essas crises, mas sente que seu terapeuta (Conan O’Brien) não dá a mínima para ela.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Crítica – Marty Supreme

 

Análise Crítica – Marty Supreme

Review – Marty Supreme
Os irmãos Josh e Benny Safdie dirigiram juntos filmes intensos como Bom Comportamento (2017) e Joias Brutas (2019). Esse ano eles resolveram trabalhar cada um em um projeto solo, com Benny dirigindo o morno Coração de Lutador e Josh conduzindo este Marty Supreme, que é bem mais próximo da energia insana dos filmes da dupla.

Destino na mesa

A narrativa se passa na Nova Iorque da década de 50 e acompanha Marty (Timothee Chalamet), um jovem que trabalha na loja de sapatos do tio, mas que sonha em se tornar uma estrela do ping pong. Ele larga o emprego, roubando dinheiro da loja financiar a viagem já que tem a certeza que vencerá o campeonato e voltará como um herói com fama e dinheiro para fazer todos os seus problemas sumirem. Os planos de Marty não dão certo e ele volta ao país com dívidas e problemas com a lei, ainda assim ele acredita que se conseguir vencer o próximo torneio, que será no Japão, ele conseguirá resolver tudo. No percurso ele tenta conseguir patrocínio do empresário Milton Rockwell (Kevin O’Leary, em um papel que certamente iria para Bob Hoskins se esse filme fosse feito nos anos 90), mas se envolve com a esposa dele, a atriz Kay Stone (Gwyneth Paltrow), que é infeliz no relacionamento e quer voltar a atuar. As coisas se complicam ainda mais quando Rachel (Odessa A’zion), uma garota com quem Marty se relacionou no passado, aparece grávida dizendo que o filho é dele.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Crítica – O Beijo da Mulher Aranha (2025)

 

Análise Crítica – O Beijo da Mulher Aranha (2025)

Review – O Beijo da Mulher Aranha (2025)
Escrito por Manuel Puig, o romance O Beijo da Mulher Aranha já tinha sido levado aos cinemas em 1985 no ótimo filme homônimo dirigido por Hector Babenco e estrelado por Raul Julia e William Hurt. O texto foi também levado ao teatro, onde foi adaptado como musical e agora esse musical teatral é levado aos cinemas neste novo O Beijo da Mulher Aranha.

Porões da ditadura

A narrativa se passa em 1983 durante a ditadura militar argentina. Valentin Arregui (Diego Luna, em mais um papel de revolucionário depois de Andor) é um preso político detido por seu envolvimento em movimentos contra a ditadura. Ele vai parar na mesma cela que Luis Molina (Tonatiuh), um homem gay preso por “atos obscenos”. Para lidar com a realidade brutal da prisão, Molina fala sobre os filmes que gosta. Arregui inicialmente se aborrece com a conduta pueril do companheiro de cela, mas logo ele passa a se interessar sobre a narrativa de Molina, usando-a para debater sobre política e como o cinema transmite ideologias. Os dois logo se tornam amigos e tentam sobreviver juntos aos horrores do lugar, principalmente às torturas.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Crítica – Valor Sentimental

 

Análise Crítica – Valor Sentimental

Review – Valor Sentimental
É interessante como nossas memórias, nossas histórias pessoais e afetos estão muito conectados a objetos, a lugares. Coisas que quando retornamos a elas nos levam de volta a diferentes momentos de nossas vidas. Em Valor Sentimental o diretor Joachim Trier explora como a arte mobiliza essas relações com espaços, tempos, memórias e afetos.

Histórias que contamos

A narrativa acompanha Nora (Renate Reinsve, do excelente A Pior Pessoa do Mundo) uma atriz que tem uma relação distante com o pai, o diretor de cinema Gustav (Stellan Skarsgard). Um dia Gustav procura Nora dizendo que escreveu para ela o papel de protagonista em seu próximo filme e que ele será filmado na antiga casa da família em que Gustav cresceu e na qual criou as filhas. Nora recusa, afirmando que não consegue dialogar com o pai e Gustav segue para fazer o filme sem ela. Gustav contrata a jovem atriz estadunidense Rachel (Elle Fanning) para o papel que seria de Nora e consegue financiamento de uma plataforma de streaming. Quando Gustav e Rachel vão para a casa da família, o processo de ensaios mexe tanto com as memórias dele quanto com as das filhas Nora e Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas).

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Drops – Jovens Mães

 

Análise – Jovens Mães

Review – Jovens Mães
Dirigido pelos irmãos Dardenne, Jovens Mães se beneficia de sua abordagem naturalista ao acompanhar o cotidiano de cinco garotas que acabaram de se tornar mães e estão vivendo em um abrigo de mulheres. Há algo de previsível nas histórias contadas, no entanto, o filme acerta no clima de realidade vivida e na construção do universo emocional das personagens.

De repente mãe

Jessica (Babette Verbeek) está prestes a parir, mas busca sua mãe biológica para saber porque ela a deu para adoção. Ela tem certeza de que não faria o mesmo com sua filha por nascer, mas age de maneira intempestiva ao perseguir respostas sobre seu passado. Perla (Lucie Laruelle) espera o namorado e pai de seu recém nascido sair do reformatório, mas logo vê que ele não tem interesse em construir uma família. Naima (Samia Hilmi) está de saída do abrigo e parece a mais ajustada do grupo. Julie (Elsa Houben) lida com seus vícios e tenta recuperar a vida junto com o namorado. Ariane (Janaina Halloy Fokan) quer dar o seu bebê para adoção, mas Natalie (Christelle Cornil), sua mãe alcoólatra e abusiva, tenta manipular a garota a deixar a criança com ela.

sábado, 27 de dezembro de 2025

Crítica – Pluribus

 

Análise Crítica – Pluribus

Resenha Crítica – Pluribus
Nova série de Vince Gilligan, criador de Breaking Bad, Pluribus estreou cercada de mistério. Só se sabia que era uma ficção científica e que seria estrelada por Rhea Seehorn, com quem Gilligan trabalhou em Better Call Saul. O primeiro episódio fazia parecer mais uma trama de invasão alienígena, mas logo a narrativa se desloca de elementos familiares do gênero para falar de questões mais contemporâneas. Aviso que o texto contem SPOILERS da temporada.

Júbilo coletivo

Na série, cientistas encontram uma mensagem vinda do espaço. A mensagem traz uma sequência de DNA. Eles sintetizam essa sequência e começam a experimentar em ratos, mas logo um pesquisador é mordido e sua primeira ação é infectar o maior número de pessoas possível. Descobrimos que todos os “infectados” se unem em uma espécie de mente coletiva que vive em plena harmonia, mas alguns humanos se mostram imunes ao processo. Carol Surka (Rhea Seehorn) é uma entre cerca de uma dúzia de pessoas ao redor do mundo que é imune à infecção da mente coletiva. O coletivo não parece inicialmente hostil, disposto a ajudar Carol e conversar com ela, mas a escritora desconfia deles, principalmente porque no processo de “união” sua companheira, Helen (Miriam Shor), morre.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Crítica – Foi Apenas um Acidente

 

Análise Crítica – Foi Apenas um Acidente

Review – Foi Apenas um Acidente
Dirigida por Jafar Panahi, a produção iraniana Foi Apenas um Acidente é uma reflexão poderosa sobre os impactos da violência e do autoritarismo, ponderando como essas marcas afetam a vida das pessoas e pequenos eventos podem servir de gatilhos para traumas antigos. É simultaneamente bem acessível na complexidade moral e política que tenta discutir, mas denso e duro de acompanhar por conta das vivências duras que narra.

Memórias do cárcere

A trama começa com uma família dirigindo à noite, um homem, uma mulher e sua filha pequena. O homem (Ebrahim Azizi) acidentalmente atropela um cachorro e para em uma oficina para consertar o carro. O mecânico, Vahid (Vahid Mobasseri), se assusta com a chegada do homem, reconhecendo o som da prótese que ele tem na perna como o mesmo do carcereiro que o torturou na prisão anos atrás. Vahid então decide seguir o homem e o sequestra na rua, levando ao meio do deserto para enterrá-lo vivo e se vingar do que foi feito com ele. O homem, no entanto, nega ser Eghbal, afirmando que perdeu a perna cerca de um ano atrás e mostrando a Vahid que suas cicatrizes de amputação são recentes. Em dúvida, Vahid procura outros companheiros de cárcere para se certificar de que aquele é mesmo Eghbal antes que possa completar sua vingança.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Crítica – Jay Kelly

 

Análise Crítica – Jay Kelly

Review – Jay Kelly
A todo o momento em nossas vidas estamos adequando nosso comportamento ao contexto nos quais nos inserimos, adotando diferentes posturas nos diferentes espaços. Na prática, construímos diferentes performances do nosso “eu”. Novo filme de Noah Baumbach, Jay Kelly examina como o nosso senso de si pode se perder em meio a essas performances constantes.

O cara interpretando um cara

Jay Kelly (George Clooney) é um bem-sucedido astro do cinema. Ele é famoso, ele é bem reconhecido, mas seu trabalho já não lhe dá a mesma satisfação de antes. Ele também sente que os anos dedicados à carreira o afastaram das filhas Jessica (Riley Keough), com quem tem uma relação conturbada, e a caçula Daisy (Grace Edwards) que está prestes a sair de casa. A crise de Jay se agrava quando ele reencontra Timothy (Billy Crudup), um antigo colega de teatro e amigo. O papel que catapultou Jay ao estrelato veio por acaso, quando ele acompanhou Timothy em um teste e o diretor ignorou Timothy e se interessou por Jay. No reencontro Timothy ainda revela um ressentimento por Jay ter obtido um sucesso que acreditava pertencer a ele. Tudo isso faz Jay repensar seu lugar na indústria e ele abandona o set do seu mais recente projeto para ir ficar com Grace que viajou para a Europa com amigas. O agente de Jay, Ron (Adam Sandler), resolve acompanhar o cliente para que ele não se meta em problemas.

A citação a Sylvia Plath que inicia o filme deixa evidente que o foco da narrativa é a dificuldade de ser você mesmo e encarar quem se é quando é muito mais fácil ser outra pessoa (criando uma performance de si) ou vivendo em fuga de si. Jay, com toda sua aura de astro, é alguém que passou tantos anos performando uma identidade, agindo como o grande astro que todos esperam que ele seja, que perdeu de vista quem ele realmente é por trás de todo esse comportamento construído ao longo de vários anos.

George Clooney é uma escolha precisa para interpretar um astro carismático e respeitado, convencendo desde o início do magnetismo pessoal de Jay e como ele seria capaz de se tornar uma grande estrela. Além do carisma, Clooney traz ao personagem uma melancolia e vulnerabilidade que certamente vem de suas próprias experiências em Hollywood e como o topo pode ser um lugar solitário. Ao lado dele está um eficiente Adam Sandler que evoca o mesmo tipo de sujeito neurótico e cheio de raiva contida que costuma interpretar em suas comédias, mas se lá ele normalmente descamba para a caricatura, aqui o texto e a condução de Baumbach dão ao personagem elementos para que ele tenha mais camadas. Alguém que é tão devotado ao seu principal cliente e tão focado em fazer o que ele demanda que as linhas entre o pessoal e o profissional se borraram e ambos perderam a capacidade de separar as coisas.

Viagem interior

Ao longo da viagem pela Europa, Jay rememora a juventude, lembrando os momentos marcantes da carreira, mas também seus fracassos, em especial a relação distante com Jessica, que ressente o pai por preferir suas famílias da ficção do que com sua filha real. A dor dela é sentida principalmente na cena em que ela diz ter se emocionado mais com pai vendo ele interpretar um pai de família no cinema do que em qualquer uma das poucas interações reais que teve com ele. A escolha de colocar Jay para caminhar em meio aos próprios flashbacks, como se assistisse alguém encenar sua vida e fosse um espectador da própria história ajuda a comunicar a dissociação que há entre quem ele é de fato e a sua persona midiática.

Por mais que o texto e o elenco construa bem o dilema dos personagens, o material não afasta a sensação de que o drama existencial de Jay nunca soa como uma grande crise que vai trazer mudanças ou riscos severos para o personagem. Mesmo que ele de fato abandone o filme e desista de atuar, ele ainda vai ser um milionário com uma vida bastante confortável, então profissionalmente não há nada em risco. No plano pessoal é a mesma coisa. Por mais ele tenha sido um pai ausente, não se reconectar com as filhas nesse momento específico não soa como algo que o fará perdê-las para sempre, principalmente por ele ter meios e recursos para contatá-las quando bem entender. Assim, a narrativa nunca consegue transmitir que essa crise é o ponto de virada irreversível do personagem que o texto tenta nos convencer que é.

Mesmo com essa sensação de que falta drama, Jay Kelly se sustenta pelo carisma de George Clooney e pelo modo como pensa sobre a natureza performática da identidade.

 

Nota: 7/10


Trailer

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Crítica – Sonhos de Trem

 

Análise Crítica – Sonhos de Trem

Resenha – Sonhos de Trem
Baseado em um romance escrito por Denis Johnson, Sonhos de Trem tem um quê de Terrence Malick no modo como o diretor Clint Bentley filma o cotidiano de seu protagonista. Digo isso tanto pelas escolhas estilísticas quanto narrativas, já que esta também é uma história sobre um sujeito comum vivendo em graça e plenitude a despeito de uma existência simples e marcada por tragédias, similar ao que Malick fez em produções como Uma Vida Oculta (2020) ou A Árvore da Vida (2011).

Vida natural

A narrativa é protagonizada por Robert (Joel Edgerton) um lenhador vivendo no oeste dos Estados Unidos no início do século XX. Ele consegue um trabalho que paga bem, mas que o deixa distante da esposa, Gladys (Felicity Jones), e da filha pequena. Acompanhamos Robert ao longo dos anos conforme ele lida com as tragédias que acometem a sua vida e com a passagem do tempo.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Crítica – Depois da Caçada

 

Análise Crítica – Depois da Caçada

Review – Depois da Caçada
A arte muitas vezes nasce do diálogo com o mundo real. Alguém olhou para alguma coisa no mundo, sentiu algo e resolveu transformar isso em arte. A arte, no entanto, não tem qualquer obrigação de reproduzir o mundo real, nem uma representação realista, próxima de como as coisas funcionam no mundo real, torna uma peça artística automaticamente boa. Digo isso porque reconheço como Depois da Caçada, novo filme do diretor Luca Guadagnino (de Rivais e Me Chame Pelo Seu Nome), é uma representação fiel do universo que representa, mas, ao mesmo tempo, ser fiel à realidade não significa que isso rende um bom drama.

Politicagem acadêmica

A trama é centrada em Alma (Julia Roberts), professora de filosofia em Yale. Ela tem um caso extraconjugal com Hank (Andrew Garfield), também professor na universidade, e um relacionamento distante com o marido, Frederik (Michael Stuhlbarg). Quando Maggie (Ayo Edebiri), uma doutoranda orientada por Hank, o acusa de estupro, Alma fica no meio da questão. Hank se defende dizendo que Maggie inventou a acusação depois que confrontou a orientanda sobre a tese dela ser um plágio. Alma já tinha noção que Maggie não era uma boa aluna e que seu trabalho poderia ser plágio, mas ela também sabe que Hank é mulherengo e gosta de dar em cima das alunas.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Drops – Os Roses

 

Análise Crítica – Os Roses

Resenha Crítica – Os Roses
Estrelado por Benedict Cumberbatch e Olivia Colman, Os Roses é a mais nova adaptação para os cinemas do romance A Guerra dos Roses de Warren Adler que já tinha sido levado aos cinemas 1989 em um filme homônimo ao livro dirigido por Danny DeVito. Nunca li o livro e vi o filme do Danny DeVito, com Michael Douglas e Kathleen Turner nos papéis principais, há muito tempo e não tenho muita memória, então vou analisar essa nova versão sem fazer nenhuma comparação com outros materiais.

Inimigo íntimo

A trama acompanha o casal Theo (Benedict Cumberbatch) e Ivy (Olivia Colman), cujo casamento vai erodindo ao longo dos anos conforme a carreira de Theo vai piorando e a de Ivy deslancha. As tensões entre os dois crescem ao ponto de se tornarem insustentáveis e eles acabam se divorciando, mas a disputa pelos bens, em especial pela casa construída por Theo e paga por Ivy, se torna tensa.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Crítica – Coração de Lutador

 

Análise Crítica – Coração de Lutador

Review – Coração de Lutador
Depois de dirigir filmes como Bom Comportamento (2017) e Joias Brutas (2019) ao lado do irmão Josh, Coração de Lutador marca o primeiro esforço de Benny Safdie dirigindo um filme sozinho. Se os trabalhos com o irmão renderam resultados instigantes, esse primeiro trabalho solo de Benny Safdie na cadeira de diretor entrega um resultado morno.

Máquina de esmagar

A trama conta a história real de Mark Kerr (Dwayne “The Rock” Johnson), lutador que foi um dos pioneiros no UFC. A narrativa acompanha a ascensão de Kerr nos primeiros anos da modalidade, quando ela ainda era olhada com desconfiança pela população e os lutadores não recebiam muito, seus problemas com narcóticos e sua relação atribulada com a esposa, Dawn (Emily Blunt).

A despeito do título e do material de divulgação focarem bastante em Kerr como lutador, o filme acaba sendo mais sobre o processo de sobriedade dele do que sobre lutas em si. Não que a narrativa não apresente cenas de luta e que elas não reflitam o quão brutal era o UFC no final dos anos 90 com bem menos regras e segurança para os lutadores, mas a trama foca menos nisso do que na recuperação de Mark.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Crítica – Sacramento

 

Análise Crítica – Sacramento

Review – Sacramento
Estrelado por Michael Cera e Michael Angarano, que também escreveu e dirigiu o filme, Sacramento é um típico road movie sobre pessoas em busca de si mesmas. A narrativa usa uma viagem como catalisador para confrontar os problemas de seus personagens, mas nunca explora isso de maneira consistente.

Viagem atribulada

Glenn (Michael Cera) é um homem certinho, tenso por estar prestes a ser pai e preocupado em fazer tudo corretamente pela esposa e filha que vai nascer. Rickey (Michael Angarano) é seu melhor amigo desde a infância, mas eles estão há algum tempo sem se falar. Quando Rickey pede que Glenn o acompanhe em uma viagem de Los Angeles até Sacramento para que ele espalhe as cinzas do pai lá.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Crítica – Quando o Céu Se Engana

 

Análise Crítica – Quando o Céu Se Engana

Review – Quando o Céu Se Engana
Dirigido e estrelado por Aziz Ansari, Quando o Céu Se Engana é uma daquelas produções em que a ideia é melhor do que a execução em si. Se na série Master of None Ansari conseguia fazer um retrato simultaneamente cômico e sensível das agruras de um jovem adulto, aqui tanto o humor quanto as críticas sociais construídas nunca ficam a altura do potencial da premissa inicial.

Trocando as bolas

A narrativa acompanha Gabriel (Keanu Reeves), um anjo da guarda cuja ocupação principal é proteger pessoas que mandam mensagens de texto enquanto dirigem. Gabriel, no entanto, aspira trabalhos mais nobres, em especial o de redimir almas perdidas e vê uma oportunidade de fazer isso ao conhecer Arj (Aziz Ansari), um jovem aspirante a documentarista desempregado, que vive de bicos e aceita um trabalho como assistente pessoal do ricaço Jeff (Seth Rogen). Quando Arj é demitido e sente que perdeu tudo, Gabriel se aproxima para ajudar Arj a perceber que sua vida é mais significativa do que imagina. Para ensinar uma lição a Arj o anjo troca a vida de Arj com a de Jeff para que Arj perceba que o dinheiro de Jeff não é o que resolveria seus anseios. O problema é que Arj de fato consegue usar o dinheiro de sua nova vida para lidar com a maioria de suas questões e não se mostra disposto a voltar para sua antiga vida.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Crítica – A Longa Marcha

 

Análise Crítica – A Longa Marcha

Review – A Longa Marcha
Adaptando um dos primeiros romances de Stephen King A Longa Marcha é uma daquelas produções que pode soar derivativa não pelo seu conteúdo em si, mas pelo momento em que foi lançada. Hoje cenários distópicos nos quais jovens são forçados a competir entre si até a morte para distrair da dureza do regime ou vida precária não são exatamente novidade embora não fosse o caso em 1979 quando a obra de King foi publicada. O próprio Francis Lawrence, que dirige essa adaptação, já levou aos cinemas outra saga sobre jovens em competições mortais ao conduzir as adaptações de Jogos Vorazes. Mesmo sendo um formato que Hollywood explorou à exaustão nos últimos anos A Longa Marcha consegue funcionar pelo cuidado que tem com seus personagens.

Marcha da morte

A trama se passa em um Estados Unidos distópico que foi devastado por uma guerra civil e que agora vive sob um governo autoritário liderado pelo truculento Major (Mark Hamill). A população vive em um estado precário e periodicamente é realizado um evento chamado “a longa marcha” no qual cinquenta jovens são sorteados para uma disputa. Eles precisam caminhar mantendo uma velocidade constante de três milhas por hora, quem ficar abaixo disso ou parar será morto. Vence o último que sobrar. O grande prêmio em dinheiro e a realização de um pedido são o que motiva a população a se envolver nesse jogo mortal, mas alguns participantes tem motivações diferentes. Ray Garraty (Cooper Hoffman) se voluntariou para a competição com o desejo de se vingar do Major que executou seu pai por ser um dissidente. Ao longo da marcha Ray forma uma amizade com outro competidor, Peter McVries (David Jonsson, de Alien Romulus). O laço que se forma entre eles os mantem resistindo às agruras da competição.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Crítica – Frankenstein

 

Análise Crítica – Frankenstein

Review – Frankenstein
Se tem um cineasta contemporâneo capaz de entender a sensibilidade do romance Frankenstein de Mary Shelley esse alguém é Guillermo del Toro. Seu Frankenstein, produzido em parceria com a Netflix, é uma competente releitura do seminal texto de Shelley, se mantendo fiel ao seu espírito ao mesmo tempo em que agrega uma visão bem particular do diretor.

Pessoas normais assustam

A narrativa é centrada em Victor Frankenstein (Oscar Isaac), um nobre destituído que desde jovem se tornou obcecado em ser capaz de reanimar os mortos e criar uma nova forma de vida. Sem ser levado a sério pela comunidade científica, ele consegue financiar sua pesquisa através do magnata comercial Harlander (Christoph Waltz). Com o dinheiro Victor consegue montar um laboratório e começa seu processo de estudar a reanimação. Quando ele finalmente consegue reconstruir um ser humano a partir de partes de cadáveres e reanima seu construto, se decepciona com a Criatura (Jacob Elordi) e decide destruir o experimento. A Criatura, no entanto, sobrevive e passa a perseguir Victor.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Crítica – O Agente Secreto

 

Análise Crítica – O Agente Secreto

Review – O Agente Secreto
Meses atrás o diretor Paul Thomas Anderson produziu uma poderosa síntese das disputas políticas e sociais nos Estados Unidos ao longo das últimas décadas com Uma Batalha Após a Outra. Com O Agente Secreto o diretor Kleber Mendonça Filho faz algo semelhante para o contexto brasileiro, uma síntese consistente, abrangente, por vezes bem-humorada, de vários processos políticos e sociais em marcha no Brasil desde a segunda metade do século XX.

O homem que sabia demais

A narrativa se passa em Recife em 1977 e acompanha Marcelo (Wagner Moura), um homem perseguido pela ditadura militar brasileira que chega na cidade para reencontrar o filho enquanto espera documentos para sair do país. Ele se abriga no edifício Ofir, lugar onde outros “refugiados” se escondem sob a tutela de Dona Sebastiana (Tânia Maria). Ao mesmo tempo, uma dupla de matadores de aluguel chega a Recife atrás de Marcelo.