Como qualquer país o Japão tem
sua parcela de paradoxos e contradições. Por um lado é um país bastante
avançado tecnologicamente, com uma ética de trabalho admirável. Por outro ainda
é uma sociedade extremamente rígida e apegada a tradições, inclusive em relação
a questões de gênero, sexualidade e relacionamentos. Família de Aluguel explora algumas dessas contradições do país ao
observar dinâmicas de relações familiares.
Performance cotidiana
A narrativa é protagonizada por
Philip (Brendan Fraser), um ator dos Estados Unidos que mora há anos no Japão e
cuja carreira está estagnada. As coisas mudam para ele quando vai trabalhar na
empresa de Shinji (Takehiro Hira, de Monarch: Legado de Monstros) que contrata atores para atuarem como “familiares de
aluguel” para seus clientes. Boa parte desses serviços visa contornar tradições
rígidas da vida familiar japonesa. Uma jovem lésbica contrata Philip para posar
como seu marido para os pais para finalmente poder sair do país e viver com a
namoradas. Maridos adúlteros contratam as atrizes para se passarem por suas
amantes para pedir perdão às esposas sem precisar expor suas amantes reais. Uma
mãe pede a Philip para se passar por seu marido para que sua filha tenha chance
em entrar em uma escola de prestígio, já que uma mãe solteira não seria bem
vista.
Biografias de artistas da música
normalmente se debruçam sobre figuras de grande sucesso, que marcaram época e
tiveram canções que ficaram no imaginário da população. O que me chamou atenção
neste Song Sung Blue: Um Sonho a Dois
foi justamente o fato do filme ir na contramão disso ao acompanhar uma dupla de
músicos de modesto sucesso local.
Música em família
A trama se baseia na história
real do casal Mike (Hugh Jackman) e Claire (Kate Hudson) Sardina, duas pessoas
de meia idade que se apaixonam pelo desejo de viver de música e juntos formam
uma banda-tributo a Neil Diamond que faz muito sucesso na cidade de Milwaukee.
A narrativa mostra as vidas difíceis dos dois e como eles se conectam pelo amor
música, com a banda servindo para que eles superem os momentos mais difíceis de
suas vidas.
Depois de uma divertida primeira temporada, Palm Royale entra em sua
segunda temporada investindo ainda mais em seus excessos folhetinescos. Ainda
que seja sustentado pelo ótimo elenco, esse segundo ano acaba sendo um pouco
inferior que o primeiro.
Fundos de família
A narrativa se passa meses depois
do fim da primeira temporada. Maxine (Kristen Wiig) foi colocada em um
manicômio e Linda (Laura Dern) fugiu do país depois de ser considerada a
responsável pelo tiroteio que aconteceu no Palm Royale. Já recuperada, Norma
(Carol Burnett) incentiva Douglas (Josh Lucas) a casar com Mitzi (Kaia Garber)
que está grávida dele para que finalmente possam desbloquear o fundo fiduciário
para um herdeiro da família Dellacorte assim que o bebê nascer. Como os
Dellacorte morreram cedo e sem filhos, nas últimas décadas, com Norma e Douglas
sendo os últimos remanescentes, essa pode ser a única esperança de acessar o
dinheiro. O problema é que no final da temporada descobrimos que Norma não é
quem diz ser, tendo assumido o lugar da verdadeira Norma quando estudou com ela
em um colégio interno na juventude e Maxine busca meios de revelar a fraude de
Norma.
Dirigido por Mary Bronstein, Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
transita entre o horror, a comédia, o drama e o surrealismo para acompanhar a
ansiedade constante da maternidade, em especial quando uma mãe tenta lidar com
tudo sozinha, cuidando da filha, tendo uma profissão e ainda lidando com os
problemas do lar. É um exame angustiante de uma mulher em crise que não dá ao
espectador ou a sua protagonista um instante para respirar.
Crise maternal
A narrativa é protagonizada por
Linda (Rose Byrne) uma mulher lidando com uma misteriosa doença que acomete a
filha, obrigando a garota a usar uma sonda. Ela também se encontra morando em
um quarto de hotel, já que o teto de seu apartamento desabou por conta de mofo
e de encanamento defeituoso. Ela lida com tudo isso sozinha já que o marido
(Christian Slater) é um militar que trabalha longe. Linda trabalha como
terapeuta e uma de suas pacientes, a jovem mãe Caroline (Danielle Macdonald),
desaparece no meio de uma sessão e deixa seu bebê no consultório. Linda faz
terapia para tentar enfrentar todas essas crises, mas sente que seu terapeuta
(Conan O’Brien) não dá a mínima para ela.
Os irmãos Josh e Benny Safdie
dirigiram juntos filmes intensos como Bom Comportamento(2017) e Joias Brutas(2019). Esse ano eles
resolveram trabalhar cada um em um projeto solo, com Benny dirigindo o morno Coração de Lutador e Josh conduzindo
este Marty Supreme, que é bem mais
próximo da energia insana dos filmes da dupla.
Destino na mesa
A narrativa se passa na Nova
Iorque da década de 50 e acompanha Marty (Timothee Chalamet), um jovem que
trabalha na loja de sapatos do tio, mas que sonha em se tornar uma estrela do
ping pong. Ele larga o emprego, roubando dinheiro da loja financiar a viagem já
que tem a certeza que vencerá o campeonato e voltará como um herói com fama e
dinheiro para fazer todos os seus problemas sumirem. Os planos de Marty não dão
certo e ele volta ao país com dívidas e problemas com a lei, ainda assim ele
acredita que se conseguir vencer o próximo torneio, que será no Japão, ele
conseguirá resolver tudo. No percurso ele tenta conseguir patrocínio do
empresário Milton Rockwell (Kevin O’Leary, em um papel que certamente iria para
Bob Hoskins se esse filme fosse feito nos anos 90), mas se envolve com a esposa
dele, a atriz Kay Stone (Gwyneth Paltrow), que é infeliz no relacionamento e
quer voltar a atuar. As coisas se complicam ainda mais quando Rachel (Odessa
A’zion), uma garota com quem Marty se relacionou no passado, aparece grávida
dizendo que o filho é dele.
Escrito por Manuel Puig, o
romance O Beijo da Mulher Aranha já
tinha sido levado aos cinemas em 1985 no ótimo filme homônimo dirigido por Hector Babenco e estrelado por Raul Julia e William Hurt. O texto foi também
levado ao teatro, onde foi adaptado como musical e agora esse musical teatral é
levado aos cinemas neste novo O Beijo da
Mulher Aranha.
Porões da ditadura
A narrativa se passa em 1983
durante a ditadura militar argentina. Valentin Arregui (Diego Luna, em mais um
papel de revolucionário depois de Andor)
é um preso político detido por seu envolvimento em movimentos contra a
ditadura. Ele vai parar na mesma cela que Luis Molina (Tonatiuh), um homem gay
preso por “atos obscenos”. Para lidar com a realidade brutal da prisão, Molina
fala sobre os filmes que gosta. Arregui inicialmente se aborrece com a conduta
pueril do companheiro de cela, mas logo ele passa a se interessar sobre a
narrativa de Molina, usando-a para debater sobre política e como o cinema
transmite ideologias. Os dois logo se tornam amigos e tentam sobreviver juntos
aos horrores do lugar, principalmente às torturas.
É interessante como nossas
memórias, nossas histórias pessoais e afetos estão muito conectados a objetos,
a lugares. Coisas que quando retornamos a elas nos levam de volta a diferentes
momentos de nossas vidas. Em Valor Sentimental
o diretor Joachim Trier explora como a arte mobiliza essas relações com
espaços, tempos, memórias e afetos.
Histórias que contamos
A narrativa acompanha Nora
(Renate Reinsve, do excelente A Pior Pessoa do Mundo) uma atriz que tem uma relação distante com o pai, o
diretor de cinema Gustav (Stellan Skarsgard). Um dia Gustav procura Nora
dizendo que escreveu para ela o papel de protagonista em seu próximo filme e
que ele será filmado na antiga casa da família em que Gustav cresceu e na qual
criou as filhas. Nora recusa, afirmando que não consegue dialogar com o pai e
Gustav segue para fazer o filme sem ela. Gustav contrata a jovem atriz
estadunidense Rachel (Elle Fanning) para o papel que seria de Nora e consegue
financiamento de uma plataforma de streaming.
Quando Gustav e Rachel vão para a casa da família, o processo de ensaios mexe
tanto com as memórias dele quanto com as das filhas Nora e Agnes (Inga
Ibsdotter Lilleaas).
Dirigido pelos irmãos Dardenne, Jovens Mães se beneficia de sua
abordagem naturalista ao acompanhar o cotidiano de cinco garotas que acabaram
de se tornar mães e estão vivendo em um abrigo de mulheres. Há algo de
previsível nas histórias contadas, no entanto, o filme acerta no clima de
realidade vivida e na construção do universo emocional das personagens.
De repente mãe
Jessica (Babette Verbeek) está
prestes a parir, mas busca sua mãe biológica para saber porque ela a deu para
adoção. Ela tem certeza de que não faria o mesmo com sua filha por nascer, mas
age de maneira intempestiva ao perseguir respostas sobre seu passado. Perla (Lucie
Laruelle) espera o namorado e pai de seu recém nascido sair do reformatório,
mas logo vê que ele não tem interesse em construir uma família. Naima (Samia
Hilmi) está de saída do abrigo e parece a mais ajustada do grupo. Julie (Elsa
Houben) lida com seus vícios e tenta recuperar a vida junto com o namorado.
Ariane (Janaina Halloy Fokan) quer dar o seu bebê para adoção, mas Natalie (Christelle
Cornil), sua mãe alcoólatra e abusiva, tenta manipular a garota a deixar a
criança com ela.
Nova série de Vince Gilligan,
criador de Breaking Bad, Pluribus estreou cercada de mistério. Só
se sabia que era uma ficção científica e que seria estrelada por Rhea Seehorn,
com quem Gilligan trabalhou em Better Call Saul. O primeiro episódio fazia parecer mais uma trama de invasão
alienígena, mas logo a narrativa se desloca de elementos familiares do gênero
para falar de questões mais contemporâneas. Aviso que o texto contem SPOILERS
da temporada.
Júbilo coletivo
Na série, cientistas encontram
uma mensagem vinda do espaço. A mensagem traz uma sequência de DNA. Eles
sintetizam essa sequência e começam a experimentar em ratos, mas logo um
pesquisador é mordido e sua primeira ação é infectar o maior número de pessoas
possível. Descobrimos que todos os “infectados” se unem em uma espécie de mente
coletiva que vive em plena harmonia, mas alguns humanos se mostram imunes ao
processo. Carol Surka (Rhea Seehorn) é uma entre cerca de uma dúzia de pessoas
ao redor do mundo que é imune à infecção da mente coletiva. O coletivo não
parece inicialmente hostil, disposto a ajudar Carol e conversar com ela, mas a
escritora desconfia deles, principalmente porque no processo de “união” sua
companheira, Helen (Miriam Shor), morre.
Dirigida por Jafar Panahi, a produção
iraniana Foi Apenas um Acidente é uma
reflexão poderosa sobre os impactos da violência e do autoritarismo, ponderando
como essas marcas afetam a vida das pessoas e pequenos eventos podem servir de
gatilhos para traumas antigos. É simultaneamente bem acessível na complexidade
moral e política que tenta discutir, mas denso e duro de acompanhar por conta das
vivências duras que narra.
Memórias do cárcere
A trama começa com uma família
dirigindo à noite, um homem, uma mulher e sua filha pequena. O homem (Ebrahim
Azizi) acidentalmente atropela um cachorro e para em uma oficina para consertar
o carro. O mecânico, Vahid (Vahid Mobasseri), se assusta com a chegada do
homem, reconhecendo o som da prótese que ele tem na perna como o mesmo do carcereiro
que o torturou na prisão anos atrás. Vahid então decide seguir o homem e o
sequestra na rua, levando ao meio do deserto para enterrá-lo vivo e se vingar
do que foi feito com ele. O homem, no entanto, nega ser Eghbal, afirmando que
perdeu a perna cerca de um ano atrás e mostrando a Vahid que suas cicatrizes de
amputação são recentes. Em dúvida, Vahid procura outros companheiros de cárcere
para se certificar de que aquele é mesmo Eghbal antes que possa completar sua
vingança.
A todo o momento em nossas vidas
estamos adequando nosso comportamento ao contexto nos quais nos inserimos,
adotando diferentes posturas nos diferentes espaços. Na prática, construímos
diferentes performances do nosso “eu”. Novo filme de Noah Baumbach, Jay Kelly examina como o nosso senso de
si pode se perder em meio a essas performances constantes.
O cara interpretando um cara
Jay Kelly (George Clooney) é um
bem-sucedido astro do cinema. Ele é famoso, ele é bem reconhecido, mas seu
trabalho já não lhe dá a mesma satisfação de antes. Ele também sente que os
anos dedicados à carreira o afastaram das filhas Jessica (Riley Keough), com
quem tem uma relação conturbada, e a caçula Daisy (Grace Edwards) que está
prestes a sair de casa. A crise de Jay se agrava quando ele reencontra Timothy
(Billy Crudup), um antigo colega de teatro e amigo. O papel que catapultou Jay
ao estrelato veio por acaso, quando ele acompanhou Timothy em um teste e o
diretor ignorou Timothy e se interessou por Jay. No reencontro Timothy ainda
revela um ressentimento por Jay ter obtido um sucesso que acreditava pertencer
a ele. Tudo isso faz Jay repensar seu lugar na indústria e ele abandona o set
do seu mais recente projeto para ir ficar com Grace que viajou para a Europa
com amigas. O agente de Jay, Ron (Adam Sandler), resolve acompanhar o cliente
para que ele não se meta em problemas.
A citação a Sylvia Plath que
inicia o filme deixa evidente que o foco da narrativa é a dificuldade de ser
você mesmo e encarar quem se é quando é muito mais fácil ser outra pessoa
(criando uma performance de si) ou vivendo em fuga de si. Jay, com toda sua
aura de astro, é alguém que passou tantos anos performando uma identidade,
agindo como o grande astro que todos esperam que ele seja, que perdeu de vista
quem ele realmente é por trás de todo esse comportamento construído ao longo de
vários anos.
George Clooney é uma escolha
precisa para interpretar um astro carismático e respeitado, convencendo desde o
início do magnetismo pessoal de Jay e como ele seria capaz de se tornar uma
grande estrela. Além do carisma, Clooney traz ao personagem uma melancolia e
vulnerabilidade que certamente vem de suas próprias experiências em Hollywood e
como o topo pode ser um lugar solitário. Ao lado dele está um eficiente Adam
Sandler que evoca o mesmo tipo de sujeito neurótico e cheio de raiva contida
que costuma interpretar em suas comédias, mas se lá ele normalmente descamba
para a caricatura, aqui o texto e a condução de Baumbach dão ao personagem
elementos para que ele tenha mais camadas. Alguém que é tão devotado ao seu
principal cliente e tão focado em fazer o que ele demanda que as linhas entre o
pessoal e o profissional se borraram e ambos perderam a capacidade de separar
as coisas.
Viagem interior
Ao longo da viagem pela Europa,
Jay rememora a juventude, lembrando os momentos marcantes da carreira, mas
também seus fracassos, em especial a relação distante com Jessica, que ressente
o pai por preferir suas famílias da ficção do que com sua filha real. A dor
dela é sentida principalmente na cena em que ela diz ter se emocionado mais com
pai vendo ele interpretar um pai de família no cinema do que em qualquer uma
das poucas interações reais que teve com ele. A escolha de colocar Jay para
caminhar em meio aos próprios flashbacks,
como se assistisse alguém encenar sua vida e fosse um espectador da própria
história ajuda a comunicar a dissociação que há entre quem ele é de fato e a
sua persona midiática.
Por mais que o texto e o elenco
construa bem o dilema dos personagens, o material não afasta a sensação de que
o drama existencial de Jay nunca soa como uma grande crise que vai trazer
mudanças ou riscos severos para o personagem. Mesmo que ele de fato abandone o
filme e desista de atuar, ele ainda vai ser um milionário com uma vida bastante
confortável, então profissionalmente não há nada em risco. No plano pessoal é a
mesma coisa. Por mais ele tenha sido um pai ausente, não se reconectar com as
filhas nesse momento específico não soa como algo que o fará perdê-las para
sempre, principalmente por ele ter meios e recursos para contatá-las quando bem
entender. Assim, a narrativa nunca consegue transmitir que essa crise é o ponto
de virada irreversível do personagem que o texto tenta nos convencer que é.
Mesmo com essa sensação de que
falta drama, Jay Kelly se sustenta
pelo carisma de George Clooney e pelo modo como pensa sobre a natureza
performática da identidade.
Baseado em um romance escrito por
Denis Johnson, Sonhos de Trem tem um
quê de Terrence Malick no modo como o diretor Clint Bentley filma o cotidiano
de seu protagonista. Digo isso tanto pelas escolhas estilísticas quanto
narrativas, já que esta também é uma história sobre um sujeito comum vivendo em
graça e plenitude a despeito de uma existência simples e marcada por tragédias,
similar ao que Malick fez em produções como Uma Vida Oculta(2020) ou A Árvore da
Vida (2011).
Vida natural
A narrativa é protagonizada por
Robert (Joel Edgerton) um lenhador vivendo no oeste dos Estados Unidos no
início do século XX. Ele consegue um trabalho que paga bem, mas que o deixa
distante da esposa, Gladys (Felicity Jones), e da filha pequena. Acompanhamos
Robert ao longo dos anos conforme ele lida com as tragédias que acometem a sua
vida e com a passagem do tempo.
A arte muitas vezes nasce do
diálogo com o mundo real. Alguém olhou para alguma coisa no mundo, sentiu algo
e resolveu transformar isso em arte. A arte, no entanto, não tem qualquer
obrigação de reproduzir o mundo real, nem uma representação realista, próxima
de como as coisas funcionam no mundo real, torna uma peça artística
automaticamente boa. Digo isso porque reconheço como Depois da Caçada, novo filme do diretor Luca Guadagnino (de Rivaise Me Chame Pelo Seu Nome), é uma representação fiel do universo que
representa, mas, ao mesmo tempo, ser fiel à realidade não significa que isso
rende um bom drama.
Politicagem acadêmica
A trama é centrada em Alma (Julia
Roberts), professora de filosofia em Yale. Ela tem um caso extraconjugal com
Hank (Andrew Garfield), também professor na universidade, e um relacionamento
distante com o marido, Frederik (Michael Stuhlbarg). Quando Maggie (Ayo
Edebiri), uma doutoranda orientada por Hank, o acusa de estupro, Alma fica no
meio da questão. Hank se defende dizendo que Maggie inventou a acusação depois
que confrontou a orientanda sobre a tese dela ser um plágio. Alma já tinha
noção que Maggie não era uma boa aluna e que seu trabalho poderia ser plágio,
mas ela também sabe que Hank é mulherengo e gosta de dar em cima das alunas.
Estrelado por Benedict
Cumberbatch e Olivia Colman, Os Roses é
a mais nova adaptação para os cinemas do romance A Guerra dos Roses de Warren Adler que já tinha sido levado aos
cinemas 1989 em um filme homônimo ao livro dirigido por Danny DeVito. Nunca li
o livro e vi o filme do Danny DeVito, com Michael Douglas e Kathleen Turner nos
papéis principais, há muito tempo e não tenho muita memória, então vou analisar
essa nova versão sem fazer nenhuma comparação com outros materiais.
Inimigo íntimo
A trama acompanha o casal Theo
(Benedict Cumberbatch) e Ivy (Olivia Colman), cujo casamento vai erodindo ao
longo dos anos conforme a carreira de Theo vai piorando e a de Ivy deslancha.
As tensões entre os dois crescem ao ponto de se tornarem insustentáveis e eles
acabam se divorciando, mas a disputa pelos bens, em especial pela casa
construída por Theo e paga por Ivy, se torna tensa.
Depois de dirigir filmes como Bom Comportamento(2017) e Joias Brutas(2019) ao lado do irmão
Josh, Coração de Lutador marca o
primeiro esforço de Benny Safdie dirigindo um filme sozinho. Se os trabalhos
com o irmão renderam resultados instigantes, esse primeiro trabalho solo de
Benny Safdie na cadeira de diretor entrega um resultado morno.
Máquina de esmagar
A trama conta a história real de
Mark Kerr (Dwayne “The Rock” Johnson), lutador que foi um dos pioneiros no UFC.
A narrativa acompanha a ascensão de Kerr nos primeiros anos da modalidade,
quando ela ainda era olhada com desconfiança pela população e os lutadores não
recebiam muito, seus problemas com narcóticos e sua relação atribulada com a
esposa, Dawn (Emily Blunt).
A despeito do título e do
material de divulgação focarem bastante em Kerr como lutador, o filme acaba
sendo mais sobre o processo de sobriedade dele do que sobre lutas em si. Não
que a narrativa não apresente cenas de luta e que elas não reflitam o quão
brutal era o UFC no final dos anos 90 com bem menos regras e segurança para os
lutadores, mas a trama foca menos nisso do que na recuperação de Mark.
Estrelado por Michael Cera e
Michael Angarano, que também escreveu e dirigiu o filme, Sacramento é um típico road
movie sobre pessoas em busca de si mesmas. A narrativa usa uma viagem como
catalisador para confrontar os problemas de seus personagens, mas nunca explora
isso de maneira consistente.
Viagem atribulada
Glenn (Michael Cera) é um homem
certinho, tenso por estar prestes a ser pai e preocupado em fazer tudo
corretamente pela esposa e filha que vai nascer. Rickey (Michael Angarano) é
seu melhor amigo desde a infância, mas eles estão há algum tempo sem se falar.
Quando Rickey pede que Glenn o acompanhe em uma viagem de Los Angeles até
Sacramento para que ele espalhe as cinzas do pai lá.
Dirigido e estrelado por Aziz
Ansari, Quando o Céu Se Engana é uma
daquelas produções em que a ideia é melhor do que a execução em si. Se na série
Master of NoneAnsari conseguia fazer
um retrato simultaneamente cômico e sensível das agruras de um jovem adulto,
aqui tanto o humor quanto as críticas sociais construídas nunca ficam a altura
do potencial da premissa inicial.
Trocando as bolas
A narrativa acompanha Gabriel
(Keanu Reeves), um anjo da guarda cuja ocupação principal é proteger pessoas
que mandam mensagens de texto enquanto dirigem. Gabriel, no entanto, aspira
trabalhos mais nobres, em especial o de redimir almas perdidas e vê uma
oportunidade de fazer isso ao conhecer Arj (Aziz Ansari), um jovem aspirante a
documentarista desempregado, que vive de bicos e aceita um trabalho como
assistente pessoal do ricaço Jeff (Seth Rogen). Quando Arj é demitido e sente
que perdeu tudo, Gabriel se aproxima para ajudar Arj a perceber que sua vida é
mais significativa do que imagina. Para ensinar uma lição a Arj o anjo troca a
vida de Arj com a de Jeff para que Arj perceba que o dinheiro de Jeff não é o
que resolveria seus anseios. O problema é que Arj de fato consegue usar o dinheiro
de sua nova vida para lidar com a maioria de suas questões e não se mostra
disposto a voltar para sua antiga vida.
Adaptando um dos primeiros romances de
Stephen King A Longa Marcha é uma
daquelas produções que pode soar derivativa não pelo seu conteúdo em si, mas
pelo momento em que foi lançada. Hoje cenários distópicos nos quais jovens são
forçados a competir entre si até a morte para distrair da dureza do regime ou
vida precária não são exatamente novidade embora não fosse o caso em 1979
quando a obra de King foi publicada. O próprio Francis Lawrence, que dirige
essa adaptação, já levou aos cinemas outra saga sobre jovens em competições
mortais ao conduzir as adaptações de Jogos Vorazes. Mesmo sendo um formato que Hollywood explorou à exaustão nos
últimos anos A Longa Marcha consegue
funcionar pelo cuidado que tem com seus personagens.
Marcha da morte
A trama se passa em um Estados
Unidos distópico que foi devastado por uma guerra civil e que agora vive sob um
governo autoritário liderado pelo truculento Major (Mark Hamill). A população
vive em um estado precário e periodicamente é realizado um evento chamado “a
longa marcha” no qual cinquenta jovens são sorteados para uma disputa. Eles
precisam caminhar mantendo uma velocidade constante de três milhas por hora,
quem ficar abaixo disso ou parar será morto. Vence o último que sobrar. O
grande prêmio em dinheiro e a realização de um pedido são o que motiva a
população a se envolver nesse jogo mortal, mas alguns participantes tem
motivações diferentes. Ray Garraty (Cooper Hoffman) se voluntariou para a
competição com o desejo de se vingar do Major que executou seu pai por ser um
dissidente. Ao longo da marcha Ray forma uma amizade com outro competidor,
Peter McVries (David Jonsson, de Alien Romulus). O laço que se forma entre eles os mantem resistindo às agruras da
competição.
Se tem um cineasta contemporâneo capaz
de entender a sensibilidade do romance Frankenstein
de Mary Shelley esse alguém é Guillermo del Toro. Seu Frankenstein, produzido em parceria com a Netflix, é uma competente
releitura do seminal texto de Shelley, se mantendo fiel ao seu espírito ao
mesmo tempo em que agrega uma visão bem particular do diretor.
Pessoas normais assustam
A narrativa é centrada em Victor
Frankenstein (Oscar Isaac), um nobre destituído que desde jovem se tornou
obcecado em ser capaz de reanimar os mortos e criar uma nova forma de vida. Sem
ser levado a sério pela comunidade científica, ele consegue financiar sua
pesquisa através do magnata comercial Harlander (Christoph Waltz). Com o
dinheiro Victor consegue montar um laboratório e começa seu processo de estudar
a reanimação. Quando ele finalmente consegue reconstruir um ser humano a partir
de partes de cadáveres e reanima seu construto, se decepciona com a Criatura
(Jacob Elordi) e decide destruir o experimento. A Criatura, no entanto,
sobrevive e passa a perseguir Victor.
Meses atrás o diretor Paul Thomas
Anderson produziu uma poderosa síntese das disputas políticas e sociais nos
Estados Unidos ao longo das últimas décadas com Uma Batalha Após a Outra. Com O
Agente Secreto o diretor Kleber Mendonça Filho faz algo semelhante para o
contexto brasileiro, uma síntese consistente, abrangente, por vezes
bem-humorada, de vários processos políticos e sociais em marcha no Brasil desde
a segunda metade do século XX.
O homem que sabia demais
A narrativa se passa em Recife em
1977 e acompanha Marcelo (Wagner Moura), um homem perseguido pela ditadura
militar brasileira que chega na cidade para reencontrar o filho enquanto espera
documentos para sair do país. Ele se abriga no edifício Ofir, lugar onde outros
“refugiados” se escondem sob a tutela de Dona Sebastiana (Tânia Maria). Ao
mesmo tempo, uma dupla de matadores de aluguel chega a Recife atrás de Marcelo.