Inimigo íntimo
A trama acompanha o casal Theo (Benedict Cumberbatch) e Ivy (Olivia Colman), cujo casamento vai erodindo ao longo dos anos conforme a carreira de Theo vai piorando e a de Ivy deslancha. As tensões entre os dois crescem ao ponto de se tornarem insustentáveis e eles acabam se divorciando, mas a disputa pelos bens, em especial pela casa construída por Theo e paga por Ivy, se torna tensa.
Cumberbatch e Colman são ótimos nas trocas de farpas do casal, convocando um senso de humor ácido no modo passivo-agressivo com o qual vocalizam seus ressentimentos um para o outro. O problema é que o filme parece não saber o que quer fazer com esses personagens e com a história deles. Em alguns momentos o filme parece querer construir um estudo de personagem mais sério e dramático, analisando como um casamento vai erodindo por conta de sentimentos não ditos e mágoas mal resolvidas. Em outros momentos embarca no puro pastelão como no segmento em Theo e Ivy ficam pregando peças um no outro para tentar ficar com a casa. O filme também tem momentos em que se move na direção de um humor mais sombrio, com os personagens tentando matar um ao outro e o filme dando todo o peso e realismo dessas ações, mas ainda tentando extrair alguma comédia disso.
A narrativa nunca consegue
transitar de modo fluido entre essas diferentes abordagens à história e com
isso fica a impressão de uma constante inconsistência tonal na qual fica
difícil aderir aos personagens ou suas tramas porque eles dão guinadas muito
bruscas nessa variação de estilos. É uma pena, já que a dupla de protagonistas
funciona bem juntos, mas Os Roses não
consegue aproveitá-los.
Nota: 5/10
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