terça-feira, 5 de maio de 2026

Crítica – Monarch: Legado de Monstros Segunda Temporada

 

Análise Crítica – Monarch: Legado de Monstros Segunda Temporada

Review Crítica – Monarch: Legado de Monstros Segunda Temporada
Eu não esperava nada da primeira temporada de Monarch: Legado de Monstros e me surpreendi como ela expandia o universo de monstros construído no cinema e, ao mesmo tempo, finalmente contar uma história minimamente interessante com personagens humanos. A segunda temporada continua os méritos do ano de estreia, ainda que sofra um pouco com problemas de ritmo.

Negócio de família

A segunda temporada começa no ponto em que o primeiro ano parou, com Cate (Anna Sawai, de Xógum) retornando do Axis Mundi junto com a avó, Keiko (Mari Yamamoto), que por anos foi dada como morta, em uma estação da Monarch na Ilha da Caveira, lar do King Kong. Contrariando as ordens da Monarch, Cate e Keiko tentam abrir uma nova fenda para o Axis Mundi para resgatar Shaw (Kurt Russell). Elas conseguem, mas um enorme titã, o Titã X, escapa da fenda e agora cabe a elas encontrar um meio de deter a criatura para evitar um desastre.

O drama da família Randa segue sendo o ponto focal da série, dessa vez com o retorno de Keiko desencavando os problemas que Hiroshi (Takehiro Hira, de Família de Aluguel) tem com a ausência do pai, Bill Randa (Anders Holm). A revelação de que Bill abandonou o filho choca Keiko, já que soa como uma pessoa muito diferente daquela que ela amou, mas traz a tona também o caso que ela teve com Shaw no passado. Inclusive é curioso quando Keiko pergunta a Hiroshi sobre o motivo dele ter mantido duas famílias ao mesmo tempo e ele responde que a mãe não seria capaz de entender o que é estar dividido entre o amor de duas pessoas, sendo que Keiko entenderia perfeitamente.

Ao mesmo tempo, Cate lida com a culpa de ter soltado no mundo uma nova ameaça do nível do Godzilla, pensando em se afastar do grupo. May (Kiersey Clemons) tenta descobrir as intenções da misteriosa Apex, empresa que rivaliza com a Monarch na pesquisa dos Titãs. O drama entre esses personagens se agrava depois de perdas significativas que levam Kentaro (Ren Watanabe) a buscar suas próprias soluções, desafiando as ideias de Cate e Keiko. O drama entre esses três personagens funciona justamente porque entendemos o trauma que guia cada um deles e que eles possuem motivações convincentes para agir como tal. Cate quer reparar o erro de ter trazido o titã ao nosso mundo, Keiko quer provar a si mesma que Bill era um homem bom e não abandonou o filho a troco de nada e Kentaro se recusa a aceitar a perda de uma pessoa próxima.

Fúria de titãs

O problema é que muito desses conflitos demoram a engrenar, com a primeira metade da temporada acompanhando a perseguição ao titã em episódios que oferecem muito pouco em termos de desenvolvimento dos personagens ou da trama principal. Em alguns casos a narrativa demora a entregar desdobramentos que já ficaram evidentes para o espectador, como os três episódios que leva para mostrar o conteúdo da carta que Keiko escreveu a Shaw e que é encontrada por Bill. Era óbvio que ela admitia ali o que sentia por Shaw e que isso abalou Bill, não havendo motivo para enrolar isso por tanto tempo.

Toda a ideia do Axis Mundi funcionar como uma espécie de “reino quântico” com seu próprio tempo não me agradou muito. Sim, a temporada anterior estabelece como esse espaço tem uma temporalidade diferente da nossa, mas daí para que ele possa funcionar como uma máquina do tempo na qual é possível falar com o passado, a exemplo do episódio em que Shaw fala com sua versão mais jovem, deixa tudo desnecessariamente rocambolesco. Mais que isso, esse conceito tem o potencial de tirar o impacto de qualquer morte, já que se alguém foi para o Axis Mundi, é sempre possível encontrar aquela pessoa lá, em algum ponto do tempo, mesmo que ela já tenha morrido. Isso transformaria o universo da série em Velozes & Furiosos no qual morrer não significa nada e qualquer um pode voltar. Sinceramente espero que a série não entre nessa seara.

Por outro lado, a série segue sendo eficiente em fazer a ponte entre os filmes e dar mais camadas de sentido a elementos previamente conhecidos. Aqui temos mais contexto para algumas ações do Bill Randa (John Goodman) em Kong: A Ilha da Caveira (2017), embora a série não faça completamente a ponte entre como o Randa idealista vivido por Anders Holm se tornou o sujeito calejado interpretado por John Goodman no filme do Kong. Do mesmo modo, a série faz conexões com Godzilla vs Kong (2021) ao mostrar a ascensão da Apex e o desenvolvimento da tecnologia que desemboca no Mechagodzilla, inclusive explicitando melhor os objetivos da empresa através da antagonista Isabel Simmons (Amber Midthunder, de Predador: A Caçada), filha do vilão de Godzilla vs Kong.

Para uma produção televisiva, a série impressiona pelas cenas de ação envolvendo os monstros gigantes. O momentos em que acompanhamos essas criaturas ressaltam o poder irrefreável desses seres e a ilusão que é tentar controlá-los. Se os filmes muitas vezes nos distanciam da destruição e pavor que eles causam, ao nos situar às margens dos conflitos entre essas criaturas sentimos o que é estar próximo a um ataque deles e a força assustadora que eles comandam. Sem mencionar que é sempre bem divertido ver monstros gigantes trocando bordoadas, principalmente quando a série é criativa em explorar os poderes das criaturas, como na cena em que Godzilla enfrenta o Titã X ou o confronto entre X e Kong na Ilha da Caveira no episódio final.

Assim, mesmo que sofra um pouco com o ritmo dos primeiros episódios, a segunda temporada de Monarch: Legado de Monstros continua sendo uma aventura bacana, por conta do drama dos personagens e da ação entre monstros.

 

Nota: 6/10


Trailer

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