segunda-feira, 4 de maio de 2026

Crítica – Eclipse

 

Análise Crítica – Eclipse

Review – Eclipse
Dirigido e estrelado por Djin Sganzerla, Eclipse conta a história de duas mulheres bem diferentes entre si que acabam convergindo. É uma reflexão sobre ser mulher no mundo de hoje e como há mais coisas unindo as mulheres do que separando.

Paralelos femininos

A narrativa é protagonizada por Cleo (Djin Sganzerla), uma astrônoma que está prestes a ter o primeiro filho com o marido, Tony (Sérgio Guizé). Um dia ela recebe um contato de Nalu (Lian Gaia), a meia-irmã com quem ela não fala há anos. Nalu lhe conta a respeito de como o pai delas a abusou quando ela era adolescente. A revelação impacta Cleo, que começa a perceber condutas suspeitas do marido.

O filme estabelece bem a relação inicialmente tensa entre Nalu e Cleo, que na primeira conversa carregam anos de ressentimento e distância entre elas. Conforme a trama avança, porém, os vários paralelos entre as personagens vão aproximando as duas. Apesar de vidas diferentes, etnias diferentes e também experiências de vida, a narrativa examina a conexão delas com o cosmos, como Cleo conectada através da ciência e Nalu através da sua ancestralidade. Tal como o eclipse do título e que surge em conversas entre as duas, são dois corpos distantes um do outro, mas que tem pontos de convergência.

Há uma beleza no modo como o filme usa as imagens para pensar essa conexão do feminino com o universo e como as experiências das mulheres, mesmo as negativas, convergem de uma maneira que termina por uni-las, algo que também fica visível na sogra de Cleo, tão negligenciada por Tony quanto a própria esposa. O universo em que essas personagens habitam só se torna suportável justamente por conta das convergências do feminino, que eventualmente percebem que estão mais próximas do que distantes umas das outras.

Além da reflexão do feminino, a narrativa também tenta ser um suspense na medida que acompanha Cleo tentando monitorar as atividades do marido na internet. O problema dessa trama é que tudo é muito óbvio desde o início, carecendo de ambiguidade ou incerteza para de fato provocar tensão. É bem previsível onde tudo vai desembocar, então apenas acompanhamos as personagens descobrirem algo que já era bastante evidente para o espectador. A questão de como a internet facilita discursos masculinistas e cria espaços para que homens possam compartilhar impunemente conteúdo criminoso é tratada de maneira muito passageira para ter algo contundente a dizer.

Eclipse funciona melhor quando foca nos paralelismos entre as duas personagens principais, mas seu aspecto de suspense não envolve como deveria.

 

Nota: 5/10


Trailer

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