quinta-feira, 30 de abril de 2026

Crítica – Noite da Pizza

 

Análise Crítica – Noite da Pizza

Review – Noite da Pizza
Famosas dos anos 80 às primeiras décadas dos anos 2000, as comédias besteirol sobre jovens sob efeito de drogas e/ou em busca de sexo se tornaram um gênero ao qual Hollywood tem recorrido cada vez menos. Em parte é compreensível considerando o quanto desses filmes baseiam sua comédia em machismo e vários tipos de estereótipos preconceituosos, por outro lado parece que há certo comodismo ou aversão a risco da indústria em tentar um besteirol que não se apoie em preconceitos datados. Noite da Pizza é exatamente isso, uma tentativa de fazer um besteirol sobre universitários lombrados sem ter que recorrer a preconceitos.

Bad trip

A narrativa é centrada nos amigos Jack (Gaten Matarazzo, de Stranger Things) e Montgomery (Sean Giambrone). Eles são detestados pela faculdade inteira depois que Jack acidentalmente fez o time de futebol americano ser preso. Um dia, eles encontram uma caixa de drogas no forro do teto do dormitório e decidem ingeri-las, mas logo depois descobrem que se tomar essas drogas de barriga vazia pode dar uma bad trip capaz de causar danos irreversíveis então decidem pedir uma pizza. Só há um problema, a pizza é entregue por um robô que não consegue subir as escadas e a viagem errada das drogas já está começando a bater, tornando difícil que eles consigam descer principalmente porque o elevador está quebrado e os monitores patrulham os corredores visando punir qualquer estudante com drogas ou outros itens proibidos.

O que seria simplesmente descer alguns lances de escada se torna uma aventura épica por conta da percepção de realidade alterada pelas drogas, que faz os personagens sentirem que as cabeças estão explodindo quando falam palavrões ou sentir como se trocassem de corpos um com o outro. Há um senso caótico de criatividade que me faz pensar que a dupla que escreveu e dirigiu o filme provavelmente passou por sua própria viagem errada quando conceberam esse projeto. 

Nem sempre faz sentido e nem sempre a narrativa se preocupa em mostrar como a conduta dos personagens soa para as outras pessoas o que resulta em momentos em que nada tem muita lógica porque só temos acesso ao que os personagens veem na sua lombra. Um exemplo é quando Montgomery acha que trocou de corpo com uma borboleta, Lisandro (voz de Daniel Radcliffe), e ouve o plano dos monitores enquanto está voando no corpo da borboleta. Obviamente ele não virou uma borboleta e isso é só efeito das drogas, mas como, de fato, ele conseguiu ouvir os planos?

Em outros momentos o filme exibe para nós como o resto das pessoas vê as ações deles, a exemplo da luta final contra os monitores em que Montgomery, Jack e Lizzy (Lulu Wilson) acreditam ter se fundido em uma pessoa só. Enquanto o trio se vê como um homem latino fortão, os demais simplesmente veem os três agarrados uns nos outros, o que torna tudo mais engraçado. Uma das melhores sacadas é quando um personagem toma uma dose alta de drogas e passa ver “como o mundo realmente é” se desesperando ao se dar conta de que é só um personagem em um filme.

É por conta do comprometimento com a falta de noção e o senso de caos que Noite da Pizza consegue divertir, mesmo que a trama em si seja bem banal e os personagens não sejam lá grande coisa.

 

Nota: 6/10


Trailer


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