quinta-feira, 9 de abril de 2026

Crítica – A Rainha do Xadrez

 

Análise Crítica – A Rainha do Xadrez

Review – A Rainha do Xadrez
Conheço pouco do universo do xadrez, cheguei a jogar um pouco no ensino médio, mas sou uma pessoa muito ansiosa para o ritmo do jogo. Conheço algumas das grandes figuras do xadrez do século XX como Bobby Fischer, Garry Kasparov, Boris Spassky (cuja disputa com Fischer foi retratada no filme O Dono do Jogo) ou Anatoly Karpov, então costumo me interessar por histórias sobre o xadrez competitivo. O que me atraiu para este A Rainha do Xadrez foi o resgate da história de uma figura feminina que venceu os maiores jogadores e ainda assim não é tão conhecida fora do meio.

Rainha em jogo

O documentário acompanha a trajetória da enxadrista húngara Judit Polgar, a única mulher a entrar para o top 10 dos rankings de jogadores de xadrez e uma das poucas pessoas a derrotar o grão mestre Garry Kasparov. A narrativa acompanha Judit desde a infância, explicando como o pai dela decidiu fazer um experimento de como criar filhos que fossem excepcionais em algo e desde de pequenas criou as três filhas para serem jogadoras de xadrez. A partir daí vemos a ascensão de Judit, ganhando competições femininas internacionais, quebrando o recorde de Bobby Fischer ao se tornar a pessoa mais jovem a chegar ao ranking de grão mestre no xadrez e passar a competir com homens.

Estruturalmente a produção segue os elementos comuns de documentários biográficos, com imagens de arquivo, entrevistas e encenações, mas o texto consegue atrair o expectador, sendo acessível e didático no modo como explica o mundo do xadrez sem soar cansativo. O filme faz um bom trabalho em narrar as principais partidas de Judit e explicar de modo compreensível o que a tornava uma jogadora tão arrojada e ainda consegue dotar de tensão essas partidas. Parte do mérito vem da montagem ágil, que consegue dar um senso de movimento e fluidez para a história, articulando de maneira eficiente as entrevistas, o arquivo e as encenações. O dinamismo também vem da trilha musical, que recorre bastante a canções não originais de bandas de rock femininas ou com vocalistas mulheres, essas canções contribuem para marcar a trajetória de Judit como uma mulher subversiva, que desafiou os tabus de sua época.

Nesse sentido é interessante como a narrativa constrói a relação de Judit com Kasparov, seu principal rival. Seria fácil reduzir o enxadrista a um machista ególatra (não que ele não tenha essas características) que representa tudo que há de atrasado no xadrez, no entanto, a trama explora a relação deles com mais nuance. Sim, Kasparov de fato a subestimou por ser mulher e tentou trapacear na primeira partida entre eles, com a cena em que ele tenta relativizar a trapaça explicitando sua cara de pau, porém, a narrativa explora como Kasparov mudou de atitude, passando não só a respeitar Judit como se tornou amigo dela, com as duas famílias chegando a viajar juntas. O filme não deixa de observar o machismo presente nas falas dele, mas resiste a tentações de simplificar a dinâmica entre ele e Judit.

Ainda que relativamente convencional em sua forma, A Rainha do Xadrez consegue dar um bom ritmo à sua história, explorando bem a protagonista envolvente que tem e a relação dela com o principal rival.

 

Nota: 7/10


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