Guerra iminente
Depois de aparentemente matar Conquista, Mark lida com o fato de que talvez matar seus inimigos de fato resolva seus problemas, algo que deixa seus aliados preocupados. Enquanto isso, Nolan e Allen se preparam para a guerra contra os viltrumitas coletando aliados e itens capazes de enfrentá-los.
Os primeiros episódios lidam com as consequências da temporada anterior, com Mark afetado pelo trauma e instintivamente atacando seus inimigos com o máximo de agressividade ao ponto de chocar até mesmo Oliver, que na temporada anterior reclamava de não poder eliminar seus adversários. Muita gente reclamou do quarto episódio por desviar da trama principal ao levar Mark para o inferno para ajudar Damien Darkblood, mas preciso admitir que gostei da distração de uma aventura mais cômica para dar um respiro e também pela série finalmente explorar o que aconteceu com Darkblood depois de ser exorcizado de nosso mundo na primeira temporada.
Conforme a trama avança e chegamos à guerra a série entrega mais da ação sangrenta que se tornou uma de suas principais marcas, em especial na luta entre Mark e Conquista, que termina de modo tão intenso e explícito que chega a dar agonia conforme o vilão expõe as entranhas de Mark para tentar detê-lo. É algo que mostra como Mark se tornou mais forte (considerando a primeira vez que ele enfrentou Conquista) mas também revela o quanto é difícil eliminar um inimigo viltrumita poderoso, um prenúncio das dificuldades da guerra vindoura.
Redenção precisa ser merecida
Um dos arcos mais importantes da temporada é a tentativa de Nolan em se redimir por tudo que fez na Terra, não só liderando os esforços contra como viltrumitas, como tentando conseguir o perdão de Mark, Oliver e Debbie. Fiquei contente que a cena entre Nolan e Debbie não resulta em uma redenção fácil, com Debbie botando para fora toda mágoa, dor e raiva que sentiu por conta das mentiras de Nolan e do genocídio que ele cometeu em uma impressionante performance vocal de Sandra Oh. A mão machucada de Debbie ao final da discussão acaba servindo como símbolo do quanto Nolan feriu emocionalmente e como esse dano não será facilmente desfeito.
Do mesmo modo, Oliver tem sua parcela de mágoa por Nolan pelo modo como o pai o abandonou e tem tempo para confrontar ele a respeito disso ao longo dos meses em que passa com ele em um planeta desolado enquanto esperam Mark se recuperar da luta contra Conquista. Dedicando um episódio inteiro à relação entre Nolan e Oliver, a série consegue mostrar como Nolan realmente se esforça para se conectar com o filho mais novo e como Oliver ajuda o pai a desapegar de seus instintos viltrumitas, algo evidenciado na cena em que Oliver convence o pai a não matar a criatura insetoide da qual roubam ovos para se alimentar.
Esses breves momentos de alívio em que os personagens podem interagir entre si servem como calmaria antes da tempestade que é o confronto com os viltrumitas que, acuados pela aliança de planetas, resolvem atacar o planeta Talescria, centro da aliança. Uma manobra ousada do regente Thragg, líder dos viltrumitas, que mostra que mesmo acuado pode ser bastante perigoso.
Inimigo implacável
Confesso que me surpreendi com a escalação de Lee Pace para fazer a voz de Thragg. Esperava alguém com uma voz mais áspera e bruta, como o Jeffrey Dean Morgan como o Conquista, mas Pace interpreta o regente não como um lutador brucutu e sim como um líder fanático que evoca seu trabalho como Ronan em Guardiões da Galáxia (2014). Thragg se apega a um ideal que não existe mais, incapaz de lidar com os próprios sentimentos por ter sido traído por alguém que considerava um amigo e de ter falhado em proteger seu imperador. Ele vive em negação da queda de seu império e acredita piamente que pode fazer o planeta Viltrum voltar a ser o que era. Sentado em um trono em um salão vazio, que mais parece um mausoléu do que o coração pulsante de seu império, Thragg é incapaz de perceber que seu ideal está morto há muito tempo.
O episódio que narra o contágio do vírus que matou os viltrumitas dá o devido peso ao genocídio planetário cometido por Thaedus com sua arma biológica, quase me fazendo sentir pena dos viltrumitas a despeito deles serem um bando de colonizadores sanguinários. Por sua vez, o flashback que mostra a rebelião de Thaedus e o expurgo que Thragg iniciou recontextualiza uma fala de Nolan em temporadas anteriores que o expurgo aconteceu para fortalecer os viltrumitas, deixando claro que tudo foi uma decisão emocional de Thragg, incapaz de lidar com a morte do líder a traição de Thaedus.
O confronto com os viltrumitas no penúltimo episódio é uma das batalhas mais intensas da série, mostrando que mesmo poucos, os viltrumitas são oponentes formidáveis. Mais que isso, finalmente podemos ver Thragg em ação e a facilidade com a qual ele derrota Thaedus, Nolan, Mark e Oliver mostra como ele está em um patamar muito acima dos demais, dando a impressão de que os personagens podem, de fato, fracassar.
O episódio final funciona como um epílogo, encerrando as pontas soltas da temporada conforme Mark volta à Terra. Entendo que mostrar os delírios de Mark com Thragg matando as pessoas ao seu redor servem para mostrar o quanto o protagonista ficou traumatizado com o poder do inimigo, mas o episódio recorre tanto a esse expediente que se torna cansativo. Incomoda também como algumas resoluções acontecem fora de cena, como o término entre Debbie e Paul. Considerando o tempo investido neles e que essa relação era uma tentativa de Debbie se reconstruir em uma relação mais normal e saudável depois de tudo que aconteceu com Nolan, a série deveria nos mostrar o término e o que motivou a decisão de Debbie, já que quando Mark deixou a Terra os dois pareciam bem. É o tipo de coisa que parece acontecer mais por necessidade de roteiro, para que ela tenha eventualmente o caminho livera para poder perdoar Nolan, do que para contribuir para o desenvolvimento dos personagens.
Ainda assim, a temporada termina
com duras consequências conforme Mark aceita a trégua proposta por Thragg,
encerrando a guerra em um tenso impasse que evidenciam a incapacidade do herói
em lidar com a ameaça que Thragg representa. É um desfecho que nos deixa com um
gosto amargo na boca, mas coerente com o que foi construído até aqui.
Nota: 9/10
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