quinta-feira, 16 de abril de 2026

Drops – Oi, Sumido!

 

Crítica – Oi, Sumido!

Review – Oi, Sumido!
Fui assistir Oi, Sumido! achando que seria uma comédia sobre relacionamentos envolvendo um casal em sua primeira viagem juntos. Em essência o filme é sobre isso, no entanto, o percurso que ele faz para abordar esses temas caminha por trilhas bem inesperadas.

Confinamento afetivo

A narrativa acompanha o casal Iris (Molly Gordon, de The Bear) e Isaac (Logan Lerman) que faz sua primeira viagem juntos para uma remota casa de campo. Tudo parece correr bem, até que depois da primeira noite juntos Isaac confessa que não tem interesse em namorar Iris. Irritada com a rejeição, ela o mantem algemado na cama e propõe a ele um acordo: se em doze horas não conseguir convencê-lo a namorar, ela o libera. Logicamente as coisas só se tornam mais absurdas a partir daí, principalmente quando Iris se dá conta de que cometeu crime de cárcere privado (Isaac explicando “foi assim que pegaram O.J Simpson” me trouxe risos inesperados) e chama a amiga Max (Geraldine Viswanathan) para ajudar.

É quase como se a conduta de Iris fosse uma inversão do comportamento masculino de achar que mulheres devem sexo a eles se elas forem legais com ele. Isso é evidenciado pela linguagem dela, dizendo que Isaac deu a entender, pelas gentilezas e jantares, que queria um relacionamento com ela, agindo impulsivamente como recusada por ele. Ao inverter a lógica, o filme expõe o quanto tudo isso é ridículo.

O ridículo da situação é potencializado pelo modo absurdo e sem sentido com o qual os personagens lidam com toda a situação em uma grande espiral de maluquice, culminando em Iris e Max tentando um ritual de bruxaria para apagar a memória de Isaac. O senso de absurdo também se constrói pelos personagens esquisitos que a narrativa apresenta, como o vizinho interpretado por David Cross.

Chama a atenção, no entanto, como, em meio a todo caos, o filme consegue fazer algumas reflexões sinceras sobre conexões afetivas, sobre o medo que as pessoas têm de ser rejeitadas, de não dar certo e não se permitem se abrir aos outros. Isso ajuda a dar humanidade aos personagens e a não reduzi-los a caricaturas. Sim, não tem nada muito profundo ou complexo em como o filme pondera sobre relações humanas, mas é genuíno o bastante para funcionar.

No fim, é justamente por conta dessa fluidez com a qual transita entre a comédia de absurdo e o drama que torna Oi, Sumido! um filme interessante.

 

Nota: 6/10


Trailer

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