quarta-feira, 29 de abril de 2026

Crítica – Bola pra Cima

 

Análise Crítica – Bola pra Cima

Review – Bola pra Cima
Depois de voltar às comédias besteirol com o fraco Ricky Stanicky (2024), Peter Farrely tenta mais uma vez fazer algo próximo ao seu auge de comédias nos anos 90 com esse Bola pra Cima escrito em parceria com os roteiristas dos dois Zumbilândia, mas o resultado é ainda pior que seu filme anterior. A premissa até poderia render algo divertido, mas o filme conduz tudo pelos caminhos menos engraçados imagináveis.

Bola fora

A trama acompanha uma dupla de funcionários de uma empresa de preservativos. Elijah (Paul Walter Hauser) é um engenheiro que desenvolveu uma camisinha capaz de cobrir os testículos (o que é inútil e não faz o menor sentido, mas vamos suspender a descrença aqui) e sua chefe o coloca para trabalhar com o verborrágico Brad (Mark Wahlberg) para tentar conseguir tornar a camisinha o produto oficial da próxima Copa do Mundo que será no Brasil. Durante a final da Copa, Elijah e Brad acabam invadindo o campo e fazem o Brasil perder para a seleção argentina, tornando-os alvo de ódio de todo o país e levando a população a caçá-los pelas ruas.

A ideia de pessoas juradas de morte no Brasil porque estragaram um jogo da seleção poderia render uma boa comédia (embora a seleção brasileira já não empolgue a torcida desde o 7x1 em 2014), mas o resultado carece de energia e dinamismo. Ao invés de uma corrida absurda para evadir a raiva dos brasileiros, o filme deixa os personagens presos em locais e situações em que muito pouco acontece e que não exploram o potencial cômico do Brasil. O maior tempo da narrativa se passa na mansão do narcotraficante vivido por Sacha Baron Cohen e outro grande segmento é com eles em um acampamento de ativistas ambientais gringos. A impressão é que houve muito pouca pesquisa sobre o Brasil e, ainda que pontualmente acerte alguns aspectos, tudo soa muito distante de nossa realidade e, pior, não é sequer engraçado em seu absurdo.

Em todos os cerca de cem minutos de filme eu ri uma única vez, na cena em que os personagens cantam Somebody That I Used To Know de Gotye em um karaokê. De resto tudo varia entre o entediante, o previsível (como as várias piadas de pênis envolvendo o preservativo de Elijah) e a ausência de humor. Não ajuda que Mark Wahlberg nunca convence como um brilhante executivo de vendas hábil com palavras (assim como ele não convencia como um inventor em Transformers) sempre soando mais idiota do que astuto. Paul Walter Hauser se sai melhor ao conduzir Elijah e toda sua ideia imbecil de camisinha para as bolas de maneira bastante séria, algo similar ao que fez no remake de Corra Que a Polícia Vem Aí (2025), mas é prejudicado por um material que o deixa preso a uma escatologia preguiçosa, longe do humor físico criativo que os Farrelly exibiam em filmes como Debi & Loide (1994).

 

Nota: 2/10


Trailer

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