segunda-feira, 27 de abril de 2026

Crítica – Saída 8

 

Análise Crítica – Saída 8

Review – Saída 8
O game Exit 8 é uma mistura de walking simulator com jogo da memória, no qual você precisa caminhar por corredores de uma estação de metrô observando por anomalias nos elementos que compõem o corredor para decidir seu caminho e encontrar a saída. É relativamente simples e pode ser terminado em poucos minutos se você memorizar os elementos do corredor para identificar as pequenas diferenças, mas é algo que poderia render como um terror ou suspense psicológico e é justamente isso que o filme Saída 8 tenta fazer.

Purgatório contemporâneo

A narrativa acompanha um jovem (Kazunari Ninomiya) que se perde na saída de uma estação de metrô e todos os corredores parecem dar no mesmo lugar em um loop infinito. Uma placa o avisa que se ele ver alguma anomalia, ou seja algo que não devia estar ali, nos corredores ele deve voltar e se não anomalias deve seguir adiante. Essa é a única maneira de chegar na saída 8 e finalmente ir embora dali.

O filme cria um senso de claustrofobia e estranhamento com os corredores fechados e arrumação asséptica que faz tudo parecer frígido e desprovido de humanidade. Há uma agonia latente em andar pelos mesmos espaços o tempo todo sem vislumbrar uma saída e o filme explora bem essa sensação. A tensão também vem de fenômenos estranhos que o protagonista aos poucos vai notando, como criaturas bizarras que aparecem ou comportamentos sinistros das outras figuras humanas que encontra pelo corredor.

A trama tenta construir uma mensagem sobre a apatia do cotidiano, em que todo dia fazemos as mesmas coisas, caminhamos pelos mesmos lugares e nunca damos o devido valor às nossas vidas ou a aproveitamos de fato. Considerando a ambientação, é uma ideia que poderia render alguma discussão sobre como nos colocamos para andar em círculos sem sermos capazes de notar as prisões que criamos para nós mesmos, mas o filme nunca faz muito com a ideia além de apontar o fato.

Com isso, não há muita substância para sustentar os noventa minutos de filme, que começa a ficar cansativo lá pela metade e, talvez ciente disso, a trama decida por contar histórias de outras pessoas presas no corredor. O problema é que essas outras histórias não tem nada de muito diferente da história do protagonista e só contribuem para a impressão de que a produção esgotou suas ideias.

Considerando o escopo limitado do game, talvez a premissa se adequasse mais a um curta metragem. Algo similar aconteceu no pavoroso Iron Lung (2026), que também adaptava um game claustrofóbico e relativamente simples em seu funcionamento e não consegue sustentar a premissa. Aqui o resultado é um pouco melhor do que Iron Lung por ao menos ser capaz de criar algum senso de tensão e drama convincente para seus personagens.

 

Nota: 5/10


Trailer

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