terça-feira, 10 de março de 2026

Crítica – Iron Lung: Oceano de Sangue

 

Análise Crítica – Iron Lung: Oceano de Sangue

Review – Iron Lung: Oceano de Sangue
Nunca joguei o game homônimo que este Iron Lung: Oceano de Sangue se baseia. Tampouco tenho muito conhecimento sobre o youtuber Markplier que dirigiu e estrelou o filme. Parto, portanto, do olhar de um neófito a tudo isso e o que eu posso dizer é que essa tentativa de um horror cósmico e claustrofóbico é bem sem graça.

Segredo do abismo

A narrativa se passa em um futuro apocalíptico no qual boa parte da humanidade e planetas habitáveis desapareceu. A chance de sobrevivência da humanidade reside em uma lua tomada por um oceano de sangue. Lá, Simon (Markplier) é um condenado em busca de redenção que aceita ser colocado em um Iron Lung, um pequeno submarino lacrado, para explorar o mar de sangue e possivelmente encontrar algo que possa dar esperança de sobrevivência à humanidade. Como câmeras não funcionam direito no mar de sangue, ele precisa recorrer a raio-x para ter imagens das imediações e logo encontra criaturas sombrias e horrores inimagináveis no local.

A trama se passa toda dentro do submarino, com Simon sendo o único personagem em cena durante quase toda duração do filme, com a maioria de suas interações acontecendo via conversas de rádio. O primeiro grande problema é que a narrativa não consegue criar tensão ou suspense dentro dessa atmosfera confinada. É tudo muito vago, muito pouco definido para criar qualquer expectativa a respeito do que pode vir a atacar o protagonista.

A narrativa também demora muito a engrenar, com praticamente nada além de diálogos expositivos (que ainda assim não explicam muito sobre o universo ou personagens) acontecendo. Considerando as duas horas de projeção, tudo se torna entediante muito rápido, deixando visível que a produção não tem estofo para sustentar a própria duração. Talvez uma duração mais enxuta, cerca de oitenta ou noventa minutos, seria menos cansativo.

Horrores cósmicos

Mesmo quando as coisas começam a acontecer e Simon começa a ter contato com criaturas bizarras que sussurram em sua mente, a trama faz muito pouco para envolver. O filme se pretende a algo mais sugestivo, mais misterioso, mas é tão vago em relação a seu universo ou personagens que é difícil se importar com qualquer coisa. Mesmo as imagens de esqueletos bizarros no raio-x do submarino que evocam horrores abissais fazem pouco para instilar medo.

Não ajuda que Markplier não consiga dar conta do senso de isolamento, desespero, culpa ou medo de seu protagonista. Boa parte do tempo ele soa apático, falhando em transmitir qualquer sentimento. Nos momentos em que tenta exibir emoções mais intensas descamba para a artificialidade, falhando em nos conectar com Simon. Os minutos finais trazem alguns (poucos) bons momentos de horror corporal, mas não basta para resgatar o filme de todo o tédio até então.

Com um ritmo arrastado, um protagonista inexpressivo e um universo narrativo que é vago demais para trazer qualquer coisa interessante, Iron Lung: Oceano de Sangue testa a paciência do espectador.

 

Nota: 2/10


Trailer

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