Rir para não chorar
A narrativa é centrada em Alex (Will Arnett) e Tess (Laura Dern) eles estão casados há 25 anos, mas o casamento esfriou. De maneira extremamente casual, como se não fosse grande coisa, eles decidem se separar. Alex se muda para um apartamento e os dois filhos do casal parecem compreender o que está acontecendo sem muitos problemas. Eles, no entanto, tem dificuldade de explicar a decisão para as pessoas próximas, como os pais de Alex ou o casal de amigos Balls (Bradley Cooper) e Christine (Andra Day). Um dia Alex entra num bar e percebe que está sem dinheiro. A única maneira de pagar seu drinque é se inscrevendo para se apresentar no open mic de stand up comedy do bar. Mesmo sem piadas, ele se conecta com o público ao compartilhar histórias sobre seu casamento fracassado. Encorajado pelos demais comediantes do local, Alex decide tentar a comédia.
De certa forma é uma trama previsível sobre um sujeito de meia idade em crise que reconstrói a vida e redescobre sua alegria. Ainda que seja uma narrativa que vimos antes, envolve pela sinceridade. Will Arnett traz um senso genuíno de vulnerabilidade a Alex, alguém que passou os últimos anos se sentindo infeliz embora também esteja abalado com o fim do relacionamento. Do mesmo modo, Laura Dern traz a angústia de alguém que perdeu o senso de identidade depois de duas décadas de abrir mão da carreira e viver pelos papéis de mãe e esposa. Os dois tem uma ótima química juntos, convencendo do afeto e do ressentimento que carregam depois de anos juntos.
A condução de Cooper confia nos atores e foca neles suas atenções evitando grandes firulas estilísticas e deixando que os dramas e alegrias dos personagens nos conquistem. Há um evidente cuidado em fazer todo o universo do stand up soar genuíno, inclusive recorrendo a comediantes de verdade como Chloe Radcliffe ou Dave Attell para interpretar os colegas que Alex conhece no ofício. É algo mais próximo de Nasce Uma Estrela (2018), primeiro trabalho de Cooper como diretor, que era carregado por um afeto muito verdadeiro no modo como transitava pelas relações entre os vários personagens do que o histrionismo de Maestro.
A narrativa acerta ao apontar um
caminho para Alex e Tess sem deixar explícito o que eles farão um para o outro
depois redescobrirem o antigo afeto e voltarem a se afastar. O uso da canção Under Pressure, do David Bowie com o
Queen, fecha muito bem a reflexão que o filme faz sobre o amor como um ato de
ousadia que altera o modo como cuidamos uns dos outros e que apesar das
pressões, das dificuldades, estar com alguém é partilhar tudo de bom e ruim que
no outro se sentindo confortável com isso.
Nota: 7/10
Trailer

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