segunda-feira, 9 de março de 2026

Crítica – A Empregada

 

Análise Crítica – A Empregada

Review – A Empregada
O diretor Paul Feig fez seu nome em comédias e surpreendeu ao migrar para o suspense com Um Pequeno Favor (2018) sua segunda incursão ao gênero foi justamente a continuação Outro Pequeno Favor (2025), que ficou bem abaixo do antecessor. Agora ele retorna com outro suspense neste A Empregada.

Tensões domiciliares

A narrativa acompanha Millie (Sydney Sweeney), que está recomeçando a vida depois de sair da prisão. Ela consegue um trabalho como empregada doméstica na casa da rica Nina (Amanda Seyfred). Nos primeiros dias no trabalho, Millie percebe que a patroa é uma mulher instável e agressiva que não perde a oportunidade de humilhá-la. Ainda assim ela continua no emprego por necessidade. Ao mesmo tempo ela vai se aproximando do marido de Nina, Andrew (Brandon Sklenar), e logo começa a desejá-lo, formando um perigoso triângulo amoroso.

Feig e o elenco entendem como o material se presta a um novelão sensacionalista e abraça sem pudor esse clima de histrionismo. Amanda Seyfred devora o cenário como Nina, uma mulher que está sempre surtando pelas menores coisas, fazendo escândalos e sendo agressiva com as pessoas ao seu redor. De início ela parece só uma dondoca mimada, mas logo percebemos que há algo mais nela. Esse senso de excesso está presente nos demais personagens como Millie, que tem sonhos eróticos com o patrão mesmo mal tendo conhecido o sujeito e já sai se esfregando nele na primeira oportunidade que tem. Não que Andrew também não demostre interesse na funcionária sem qualquer preocupação de gentileza e a maneira como ele sempre faz questão de querer demonstrar que é um marido perfeito deixa bem evidente que ele esconde alguma coisa e torna a reviravolta que acontece no meio do filme bem previsível.

Abuso evidente

Se o filme diverte pelo senso de excesso, com constantes barracos, flertes, louças sendo quebradas e objetos sendo arremessados, ela perde força justamente pela previsibilidade dos desdobramentos, fazendo a narrativa carecer de suspense. É bem evidente desde o início que Andrew provavelmente não é o homem perfeito que ele age como se fosse e uma vez que isso é revelado, bem como o que de fato levou Millie a ser presa no passado, fica bem claro o que vai acontecer.

Tudo bem que é importante pensar em como é fácil para um homem abusivo ficar impune e como a sociedade nunca acredita na palavra das mulheres abusadas, mas a partir do momento em que ouvimos a versão de Nina a respeito dos fatos, sabemos bem onde tudo vai parar e a trama não deixa muito espaço para suspense ou tensão. Alguns elementos que são inseridos para criar tensão não funcionam, como o caseiro interpretado por Michele Morrone. Além do roteiro não dar muito para o personagem fazer, com sua presença não alterando nada e ele sendo um óbvio despiste, ainda há o problema de Morrone ser uma nulidade em cena, falhando em fazer seu personagem soar misterioso, ameaçador ou transmitir qualquer sentimento, algo que também acontecera na colaboração anterior do ator com Feig em Outro Pequeno Favor (2025) e é recorrente em seus trabalhos, como em Submissão (2024).

Não ajuda o modo como o desfecho apresenta uma série de soluções fáceis e coincidências convenientes para que as duas protagonistas saiam ilesas. É difícil crer que a superprotetora e opressiva mãe de Andrew iria aceitar sem questionar a narrativa de acidente doméstico, principalmente com tantos furos. Também soa forçado o fato da policial que cuida do caso ser convenientemente parente de uma ex de Andrew. Se ao menos a policial fosse apresentada em um ponto anterior da história, sendo chamada durante um surto de Nina, por exemplo, para mostrar que ela era alguém que já patrulhava a região, o aparecimento dela no final talvez soasse mais orgânico. Do jeito que está, porém, soa como um deus ex machina preguiçoso.

É uma pena, porque ao abraçar seu clima de filme B A Empregada poderia render ao menos um thriller interessante, mas desperdiça seu potencial.

 

Nota: 5/10


Trailer

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