Olá Sidney
Sidney Prescott (Neve Campbell) vive tranquila em uma pequena cidade ao lado do marido, Mark (Joel McHale), e da filha, Tatum (Isabel May). O maior problema de Sidney é a relação com a filha adolescente passando por sua fase de rebeldia, mas seus dias de ter que lidar com assassinos encapuzados parecem ter terminado. Isso até que ela recebe um vídeo de alguém que diz ser Stu Macher (Matthew Lillard), um dos assassinos do primeiro filme, dizendo estar vivo e em busca de vingança contra Sidney. Logo uma nova onda de assassinatos começa na cidade e Sidney precisa se mobilizar para defender a própria família.
Como a essa altura Sidney já é uma sobrevivente experiente, ela está mais preparada para lidar com o novo Ghostface e a melhor cena do filme é justamente quando o assassino ataca a casa dela e vemos todas as contingências que a protagonista preparou e como o assassino tenta ser astuto para superá-las. Todo o segmento constrói uma perseguição tensa na qual quem é vítima e quem é algoz se alterna. O problema é que os méritos do filme param por aí.
O grupo de amigos de Tatum é um bando de clichês adolescentes genéricos que não tem nada de marcante, sendo difícil se importar se eles vivem ou morrem, esvaziando a tensão das sequências em que eles lidam com os assassinos. Os gêmeos Chad (Mason Gooding) e Mindy (Jasmin Savoy Brown), amigos de Sam (Melissa Barrera), retornam depois do quinto e sexto filme, agora integrando a equipe de reportagem de Gale (Courtney Cox), mas não tem muito o que fazer além de mais uma vez falharem em identificar os assassinos. A impressão é que os dois personagens já estavam presentes desde a primeira versão do roteiro que ainda tinha Sam como protagonista e foram mantidos porque já tinham fechado contrato com Gooding e Brown para participar, já que fazem pouca diferença aqui.
Metalinguagem vazia
Uma das coisas que torna a franquia Pânico singular era o modo metalinguístico com o qual observava o cinema de terror e as tendências de Hollywood como um todo e isso está praticamente ausente neste filme. Há uma tentativa de comentar a respeito da figura da “final girl” como um arquétipo de empoderamento feminino e a possibilidade desse tipo de personagem servir como figura inspiradora, mas isso fica restrito ao final e tratado de modo relativamente simplório.
A reviravolta envolvendo Stu é bem previsível, afinal Pânico ainda se vincula a um certo realismo e trazer de volta alguém que vimos explicitamente ser morto seria transformar a franquia em algo mais próximo de Velozes e Furiosos na qual ninguém fica morto e qualquer desdobramento mais definitivo pode ser desfeito com alguma gambiarra narrativa tosca. A maneira como o “retorno” de Stu é explicado poderia ser um caminho para o filme comentar sobre IAs, deepfakes e como isso vem sendo usado por Hollywood de um jeito que mesmo a morte de alguém não impede que a indústria ressuscite essa pessoa e continue a explorar sua imagem e fazê-lo trabalhar depois de morto só para ganhar dinheiro, um ponto de vista que Matrix Ressurections (2021) defendeu bem na dolorosa cena que mostra como Neo ainda estava vivo a despeito do terceiro filme. Aqui, porém, a “volta” de Stu existe só para apelar para a nostalgia dos fãs e criar uma reviravolta fácil de antever.
Esse apelo nostálgico poderia ser
outro ponto de comentário metalinguístico, mas novamente o filme não tem nada a
dizer a respeito. A identidade de quem estava por trás da máscara de Ghostface
é outro aspecto decepcionante, com a motivação da assassina soando forçada e
desinteressante (provavelmente porque o filme não foi inicialmente pensado com
Sidney como protagonista), falhando em criar uma antagonista minimamente
memorável. É mais um aspecto que faz Pânico
7 soar como uma continuação burocrática, inane e que confia apenas numa
nostalgia inane pelos primeiros filmes.
Nota: 4/10
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