quarta-feira, 25 de março de 2026

Crítica – Eles Vão Te Matar

 

Análise Crítica – Eles Vão Te Matar

Review – Eles Vão Te Matar
Fui assistir Eles Vão Te Matar sem ter visto nenhum trailer e sabendo muito pouco sobre o filme, apenas com a noção de que a personagem estava confinada em um prédio e precisava escapar. Felizmente o resultado é uma mistura divertida de suspense, ação e toques de comédia, ainda se acomode em emular o estilo de certos diretores.

Disputa de classes

A trama é protagonizada por Asia (Zazie Beetz), que aceita um emprego como empregada em um prédio chique no centro de Nova Iorque. Ela pegou o trabalho por estar em busca da irmã, Maria (Myha’la, de Deu Match e O Mundo Depois de Nós), de quem não tem notícias há dez anos. Chegando lá Asia descobre que os ricos que moram no lugar fazem parte de um culto satânico, querem usá-la como sacrifício e agora ela precisa lutar para sobreviver.

Desde o início o filme tem um clima “tarantinesco” emulando muito do estilo do diretor de Kill Bill, como seus zoom ins nos rostos dos protagonistas, constantes planos detalhe dos pés da protagonista, cartelas de texto com os nomes dos personagens aparecendo na tela e trazendo breves interlúdios que explicam a história de personagens recém apresentados, além da ultraviolência característica, com chafarizes de sangue jorrando a cada decapitação. É melhor conduzido do que outros filmes que tem essa vibe de “quero ser Tarantino” principalmente por conta do universo coeso que cria, mas não afasta a sensação de algo relativamente derivativo por seu cruzamento de Kill Bill com Casamento Sangrento (2019).

Residência sangrenta

A ação é o ponto alto do filme, prezando por planos mais abertos que destacam as coreografias de luta enquanto Zazie Beetz mutila sala após sala repleta de cultistas de maneira cartunescamente exagerada. É tudo muito violento e repleto de sangue, mas tão absurdo que chega a ser cômico. Um exemplo é a primeira luta no quarto de Asia na qual ela usa um dos inimigos como escudo fazendo os golpes e objetos arremessados pelos outros adversários atingirem a cultista que está diante dela. Em outro momento, Asia amarra um pano embebido em álcool na lâmina de um machado e toca fogo nele para lutar contra inimigos em uma sala escura, com cada golpe incendiando o inimigo no ponto de impacto. É pouco realista? Com certeza, mas é bastante divertido. Há uma comicidade bizarra no modo como o filme explora o gore e as possibilidades das habilidades dos membros do culto, como toda a sequência que envolve um olho desmembrado seguindo Asia pelos dutos de ventilação do filme.

A trama de vingança e redenção é bem básica, mas ao menos Zazie Beetz consegue transmitir um afeto genuíno pela irmã, bem como o arrependimento e ferocidade que guiam sua personagem em sua onda homicida ao longo do prédio. A narrativa tenta construir um comentário social sobre divisão de classe, mas não vai além de apontar que ricos constroem seus privilégios em cima da exploração e sacrifício dos mais pobres, onde até mesmo algo que parece beneficiar os menos abastados é feito apenas para que os ricos continuem a explorá-los.

Ainda que se acomode em ser uma espécie de “sub Tarantino”, Eles Vão Te Matar ao menos consegue funcionar como uma farofa divertida por conta do senso de humor e ação sangrenta.

 

Nota: 7/10


Trailer

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