quinta-feira, 12 de março de 2026

Crítica – O Refúgio

 

Análise Crítica – O Refúgio

Review – O Refúgio
Filmes de piratas fizeram muito sucesso na Hollywood dos anos 1930 e 1940, alçando ao estrelato nomes como Errol Flynn. Assim como aconteceu nos westerns, no entanto, esses filmes meio que saíram de moda com o tempo e era raro a indústria voltar a eles, com algumas tentativas como A Ilha da Garganta Cortada (1995) resultando em fracassos retumbantes. A coisa mudou quando a Disney lançou Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra (2003) com enorme sucesso e iniciando uma franquia que se estendeu por cinco filmes (embora o quarto e o quinto sejam muito ruins) e outras produções.

Era de se imaginar que a aventura do capitão Jack Sparrow faria por essas histórias de swashbuckling o que Gladiador (2000) e O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (2001) fizeram pelos épicos ou que Moulin Rouge (2001) e Chicago (2002) fizeram pelos musicais, reinvigorando o gênero e iniciando um novo ciclo de produção dessas narrativas. Não foi o que aconteceu, ao menos nos cinemas, já que na televisão tivemos algumas séries com piratas. Algumas tentativas de aventuras marítimas como Mestre dos Mares (2003) ou No Coração do Mar (2015) eram mais interessados em algo mais histórico do que o tom aventuresco das aventuras de piratas. Faço todo esse preâmbulo porque meu tempo assistindo este O Refúgio, produção da Prime Video, me fez pensar como a indústria hollywoodiana realmente passou batido por uma possível onda de filmes de piratas e essa aventura estrelada por Priyanka Chopra e Karl Urban se situa exatamente nesse gênero.

Tesouro escondido

A narrativa parece se passar no final da época de ouro da pirataria. O brutal capitão Connor (Karl Urban) encontra barras de ouro que foram roubadas dele durante um saque ao navio mercante capitaneado por T.H Bodden (Ismael Cruz Cordova, de Anéis de Poder). Connor suspeita que Bodden conhece o paradeiro da antiga aliada que o traiu e roubou seu ouro, obrigando Bodden a levá-lo até ela. A esposa de Bodden, Ercell (Priyanka Chopra), vive em uma pequena ilha na região das Cayman com o filho do casal e a cunhada. Vendo a chegada dos piratas de Connor, que dizimam o vilarejo da praia, ela precisa se armar para proteger a ilha e resolver a velha rixa com Connor.

É uma espécie de mistura entre Duro de Matar (1988) e um filme de pirata, com Ercell praticamente sozinha e em desvantagem de armas tendo que enfrentar toda a trupe de bucaneiros de Connor com sua habilidade e astúcia. A trama não tem muito mais do que esse fiapo de roteiro da a busca por tesouro e vingança, mas consegue nos manter interessados pela intensidade da ação.

A cena em que dois piratas invadem a cabana de Ercell e tentam torturá-la para obter a localização do ouro dá o tom da intensidade que a ação terá. Em uma luta sangrenta e demorada, na qual precisa improvisar com os objetos ao seu redor, Ercell despacha os inimigos com ferocidade e em planos com poucos cortes enquanto a câmera acompanha a luta dentro da casa e fora dela, mostrando que é Priyanka Chopra fazendo esses movimentos. A ação destaca o quanto Ercell é uma matadora eficiente e uma defensora astuta de seu território sabendo usar o terreno e as imediações contra os adversários algo que fica ainda mais evidente conforme os piratas de Connor caem nas armadilhas que ela deixou nos pântanos e cavernas da ilha.

Rivalidade feroz

Connor, por sua vez, se mostra um oponente altura. Em sua primeira grande luta ele sozinho despacha na praia toda a guarnição que protegia o local enquanto seus piratas remam até o local. É o tipo de sujeito bruto e eficiente que Karl Urban sabe interpretar muito bem, vide seus trabalhos em Dredd (2012) e na série The Boys. Eu diria até que ele faz Connor como uma versão mais cruel do Billy Bruto.

Sem muitos flashbacks ou elementos para dar contexto na rixa entre Connor e Ercell, a trama confia em Urban e Chopra para convencer da rivalidade e rancor que move o embate entre esses dois personagens e a dupla funciona bem para nos fazer sentir que estamos diante de pessoas com anos de raiva guardada. Priyanka Chopra também é competente em estabelecer o afeto que sua personagem tem pelo marido nas poucas cenas ao lado dele. É por conta do trabalho deles que conseguimos minimamente nos importar com esses personagens a despeito da trama básica e do pouco desenvolvimento deles.

Mesmo com uma narrativa bem básica, O Refúgio consegue ao menos criar uma bacana aventura de piratas por conta da intensidade da heroína e do vilão e das boas cenas de ação.

 

Nota: 6/10


Trailer

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