quarta-feira, 11 de março de 2026

Crítica – Máquina de Guerra (2026)

 

Análise Crítica – Máquina de Guerra (2026)

Review – Máquina de Guerra (2026)
Um grupo de soldados de elite em missão na floresta encontra uma criatura alienígena com armas avançadas que começa a caçá-los. Essa é a premissa de O Predador (1987) que é emulada diretamente por este Máquina de Guerra (não confundir com o filme de mesmo nome protagonizado por Brad Pitt e também lançado pela Netflix), que não faz nada interessante com o conceito além de repetir de maneira burocrática elementos já conhecidos.

Conflito mecânico

A narrativa acompanha o soldado 81 (Alan Ritchson, de Reacher) que tenta entrar para os rangers, a divisão de elite do exército dos Estados Unidos. Anos atrás ele prometeu ao irmão que os dois fariam a seleção para os rangers, mas o irmão é morto em combate junto com o resto da unidade, deixando o protagonista como o único sobrevivente. Agora, ele tenta entrar para a divisão de elite como meio de cumprir a promessa ao irmão. O protagonista chega à etapa final da seleção, uma missão simulada em meio a montanhas remotas. Durante a missão, no entanto, ele e os companheiros encontram uma enorme criatura metálica que caiu dos céus em um meteoro e começa a caçá-los.

Se alguém tentasse me convencer a ver o filme dizendo que é basicamente “Jack Reacher vs Predador” eu ficaria interessado, mas infelizmente o filme não chega nem perto de ser tão divertido quanto sua premissa promete. Primeiro que tem um problema de tom, a primeira meia hora conduz tudo como um drama militar sério e realista, focado no cotidiano do exército e no senso de dever daquelas pessoas, funcionando sem qualquer sutileza como uma publicidade das forças armadas. Assim que eles encontram o robô na montanha, porém, a narrativa enfia os dois pés na ficção cientifica e na ação hiperbólica, mas segue conduzindo tudo como se fosse um drama de guerra sério ao invés de abraçar a farofa oitentista que sua premissa quer evocar. Tudo bem que a guinada é telegrafada de maneira bem óbvia pela narrativa, com imagens de telejornais avisando de estranhos meteoritos se aproximando de nosso planeta, mas ainda assim parece que entramos em um filme diferente uma vez que ela acontece.

Ameaça artificial

Não ajuda que o inimigo seja uma criatura genérica, que sequer tem um visual interessante, parecendo um misto de Transformer com um mecha dos games Armored Core. Como nenhum dos membros da tropa tem qualquer traço discernível, é difícil se importar com as mortes, mesmo quando a violência gráfica ofereça alguns momentos de impacto. A ação é prejudicada também por muitos momentos de uma computação gráfica pouco convincente, fazendo tudo parecer artificial, como na perseguição em que os personagens tentam fugir da criatura em um veículo blindado.

Alan Ritchson interpreta o protagonista como o mesmo grandalhão estoico que faz em Reacher, mas aqui ele falha em dar conta dos momentos de maior emoção do personagem conforme ele confronta os próprios traumas de guerra. Os diálogos que exageram no ufanismo e numa cafonice sem qualquer pingo de autoconsciência pioram tudo.

Assim, Máquina de Guerra é um filme de ação inconsistente, que não se decide entre se levar a sério ou abraçar o exagero, povoado por personagens inanes e ação que não empolga.

 

Nota: 3/10


Trailer

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