terça-feira, 2 de junho de 2026

Crítica – Jack Ryan: Guerra Fantasma

 

Análise Crítica – Jack Ryan: Guerra Fantasma

Review – Jack Ryan: Guerra Fantasma
Com o fim da série Jack Ryan, achei que não veríamos mais John Krasinski como o analista de inteligência criado por Tom Clancy. O longa Jack Ryan: Guerra Fantasma, porém, continua a partir dos eventos da série, funcionando como um epílogo para a história.

Fantasmas da guerra

A trama segue os eventos da temporada final da série, com Jack Ryan (John Krasinski) agora trabalhando no setor privado. Ele está prestes a embarcar em uma viagem para Dubai quando é abordado por Greer (Wendell Pierce) que lhe pede ajuda para coletar material de uma fonte em Dubai. Jack aceita, recebendo apoio de Mike (Michael Kelly) para completar a tarefa. Na coleta, a fonte de Greer é assassinada e Jack é tido como suspeito do crime, precisando confiar na agente britânica Marlow (Sienna Miller) para escapar. Ele logo descobre que a missão está ligada ao passado de Greer, que liderou um grupo secreto de operações junto com o governo britânico no pós 11 de setembro e agora um agente britânico renegado está tentando reativar esses grupos com métodos radicais.

Há uma tentativa de construir uma crítica ao modo como os Estados Unidos conduziu sua “guerra ao terror” nas últimas décadas, com prisões secretas, tortura e financiamento de grupos extremistas para combater grupos terroristas, o que sempre criava novas ameaças. A ideia de que hoje existem pessoas com saudade das táticas do passado poderia funcionar como um comentário sobre a política de hoje dos EUA e de outros países aliados, mas o texto nunca chega a algo contundente sobre isso.

Mesmo a tentativa de olhar criticamente para o passado recente dos EUA não sai da superfície e nunca chega a efetivamente ponderar sobre as consequências do imperialismo do país ou o modo como ele se impõe diante do mundo. Em momento algum o filme pensa que, talvez, ter um único país atuando como polícia do mundo não seja o ideal. Pelo contrário, o texto praticamente autoriza o país a agir assim, apenas fazendo a ressalva de evitar os métodos de outrora. Com isso, toda a crítica que a narrativa tenta fazer soa oca.

Confrontos fáceis

Nem mesmo a ação funciona para envolver o espectador. As perseguições de carro sofrem com uma edição excessivamente picotada que nunca consegue transmitir a tensão desses momentos nem evidenciar a lógica espacial dessas sequências, não dando o devido tempo para situar quem está aonde em relação aos demais.

Os tiroteios e outros embates são conduzidos de maneira razoavelmente competente, mas burocrática, sem nada que já não tenhamos visto antes e nada que os faça se destacar de um oceano de outros filmes de ação similares. É o tipo de coisa que você começa a esquecer assim que o filme acaba. A ação sofre ainda pelo modo como Jack, Mike e os demais eliminam seus adversários sem muita dificuldade, raramente conseguindo dar a sensação de que o personagem está em perigo ou que ele pode não conseguir cumprir seus objetivos.

Sim, John Krasinski, Wendell Pierce e Michael Kelly seguem defendendo seus personagens com competência, mas a trama falha em trazer qualquer novo elemento a eles ou levar esses personagens em direções diferentes. É tudo meio que mais do mesmo.

Sem nada contundente a dizer em sua reflexão a respeito de guerra e imperialismo, muitas vezes descambando para um ufanismo bobo, nem qualquer desenvolvimento a seus personagens e cenas de ação esquecíveis, Jack Ryan: Guerra Fantasma é um filme dispensável.

 

Nota: 4/10


Trailer


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