quarta-feira, 10 de junho de 2026

Crítica – Para Sempre Medo

 

Análise Crítica – Para Sempre Medo

Review – Para Sempre Medo
Novo filme de Osgood Perkins, responsável por Longlegs (2024) e O Macaco (2025), Para Sempre Medo compartilha alguns problemas com Longlegs, embora também traga consigo parte dos méritos que fizeram tanta gente prestar atenção em seu cinema. É o tipo de filme cuja experiência depende do quanto você adere ao estilo do diretor.

O segredo da cabana

A narrativa gira em torno de Liz (Tatiana Maslany), que viaja com o namorado Malcolm (Rossif Sutherland) para uma cabana remota da família dele para comemorarem um ano de namoro. Chegando lá, Liz começa a presenciar fenômenos estranhos e ter visões sinistras envolvendo a mata ao redor. A presença do estranho de Malcolm, Darren (Birkett Turton), que mora na cabana ao lado também deixa Liz em alerta.

A produção é eficiente em criar um clima de isolamento, estabelecendo a distância entre Liz e o namorado ao mantê-los afastados no enquadramento ou até em evitar filmá-los juntos. Malcolm parece estar constantemente observando Liz à distância, a espreita. A inquietação se amplia com a atmosfera da mata e dos nevoeiros ao redor, bem como o fato de não haver trancas nas portas.

A tensão também se constrói a partir das incertezas. Junto com Liz suspeitamos que há algo de errado, mas conforme a protagonista começa a ter visões surreais, a trama cria uma dúvida se ela está de fato tendo uma experiência sobrenatural ou se a protagonista só está paranoica com o isolamento e talvez seus problemas sejam mais mundanos.

Tatiana Maslany dá credibilidade à espiral de medo na qual Liz se encontra, inicialmente tentando racionalizar de que provavelmente não há nada errado e até rechaçando a amiga que lhe diz que Malcolm provavelmente só é um homem casado e Liz está sendo feita de idiota ao ser usada como amante. O medo, no entanto, vai tomando conta conforme a personagem percebe que há algo mais sinistro em jogo.

Mulheres esquecidas

A revelação das intenções de Malcolm tenta comentar como mulheres são usadas e descartadas por homens em posição de poder cuja prosperidade se constrói a partir da exploração desses corpos femininos. A narrativa, no entanto, não vai além dessas observações e o tema é pouco desenvolvido.

Como em Longlegs a preocupação maior é no clima perturbador, nas imagens sinistras, como na cena de Liz sendo cercada por criaturas no porão, do que em mensagens ou em criar uma ampla mitologia ao redor do passado de Malcolm e do primo. Aprecio o foco em não querer explicar demais sobre os elementos sobrenaturais, já que o excesso de informação acaba diluindo o quanto tudo isso pode ser ameaçador. Há algo de mais assustador no que é desconhecido ou incompreendido.

Por outro lado, essa recusa em dar muitos detalhes a respeito da natureza do que Liz está lidando termina por conduzir a um clímax no qual sabemos muito pouco a respeito do que está em jogo e, portanto, ficamos pouco investidos no resultado. Isso se agrava durante o desfecho, no qual um importante desenvolvimento acontece fora de cena, apenas nos informando posteriormente do que aconteceu. Sem uma motivação construída do que acontece com Liz e como ela é capaz de virar o jogo para Malcolm (o que o filme dos dá é muito vago) a reviravolta final não impacta como deveria, deixando a resolução sem a força que o filme pretende.

 

Nota: 6/10


Trailer


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