Partindo de uma briga de casal, a comédia Por Cima do Seu Cadáver constrói um absurdo crescente que surpreende pelo senso de caos que consegue criar. A trama acompanha Lisa (Samara Weaving, de Casamento Sangrento) e Dan (Jason Segel), casados há sete anos, mas que vivem em crise, nutrindo grande ressentimento um pelo outro. Eles viajam para uma cabana remota do pai de Dan para passarem um final de semana juntos, mas chegando lá descobrimos que eles planejam matar um ao outro e usar o dinheiro do seguro de vida do cônjuge para reconstruir a vida.
Viagem perigosa
Uma vez que os dois tentam mover adiante seus planos de assassinar o companheiro, as coisas saem do controle bem rápido, se tornando progressivamente mais caóticas ao ponto em que o filme fica divertidamente imprevisível. É raro assistir algo que não tenho a menor ideia a respeito da direção na qual ele pode ir e que o filme consegue fazer isso de maneira coerente. O diretor Jorma Taccone (responsável pelo divertido Popstar: Sem Parar, Sem Limites) imprime uma energia insana ao filme, tanto pela encenação quanto pela montagem e isso, somado à ultraviolência da ação, confere à história um clima de desenho animado, como se estivéssemos vendo algo dos Looney Tunes ou Tom & Jerry, mas em live action.
A violência exagerada e personagens bizarros, como o trio de condenados que se esconde na cabana, contribui para o senso de caos. Impressiona o quanto o filme é gráfico nas cenas de ação, seja mostrando as consequências de levar um tiro de espingarda no pé ou quando um personagem tem a mão colocada em um cortador de grama. Samara Weaving e Jason Segel constroem de maneira crível a dinâmica de um casal que já não se suporta, com diálogos lacônicos, como se só falassem com o outro quando necessário e expressões que revelam o quanto estão de saco cheio das idiossincrasias do parceiro. O modo como eles falam soa sempre carregado de ressentimento, algo evidenciado pelas conversas nas quais eles falam exatamente o que sabem que irá magoar o outro. Os dois são auxiliados por um competente elenco de apoio, das performances amalucadas de Juliette Lewis e Timothy Oliphant, passando por uma breve ponta do veterano Paul Guilfoyle como o pai de Dan.
Por outro lado, o desenvolvimento
dos personagens se perde em meio ao caos. É evidente desde o início que em
algum momento o casal irá colocar as diferenças de lado e redescobrir o que
gostam um no outro, mas esse conflito se resolve muito rápido e fácil lá pela
metade da projeção, não restando muito para nos conectar a eles. Ao menos o
humor e os rumos inesperados da trama são suficientes para nos manter
interessados.
Nota: 6/10
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