Golpe duplo
A narrativa acompanha os assaltantes Sid (Vladimir Brichta) e Nancy (Bruna Marquezine), que roubam as casas vazias de idosos que saem em viagens de navio da empresa de turismo em que Nancy trabalha. Um dia eles vão roubar a casa de Marta (Fernanda Montenegro) e Rodolfo (Ary Fontoura) e são pegos pelos dois idosos. Marta e Rodolfo convencem Sid e Nancy a participarem de um roubo a banco que irá render milhões para eles, mas não há lealdade entre ladrões e a dupla logo pensa em um jeito de passar a perna no casal de idosos e ficar com o dinheiro todo para si. Em meio a tudo isso o policial Oswaldo (Lázaro Ramos) investiga as ações do bando.
O elenco principal é ótimo, com Montenegro e Fontoura transitando com muita naturalidade entre as ambiguidades de Marta e Rodolfo, que ora posam como idosos frágeis e ora agem como se estivessem vários passos à frente de Sid e Nancy, tentando criar dúvida até mesmo se os problemas de saúde que dizem ter são reais. Marquezine e Brichta conseguem acompanhar os veteranos no timing cômico e nas trocas de farpas, embora o texto várias vezes evidencie que eles provavelmente não serão páreos para os golpistas experientes. Por outro lado, o filme desperdiça um ótimo elenco coadjuvante formado por nomes como Tony Tornado, Vera Fischer e Reginaldo Faria, que acabam tendo muito pouco o que fazer ao longo da narrativa e terminam quase como pontas de luxo.
Crime fácil
A trama segue a estrutura típica de filmes de roubo, com o início mostrando os personagens se preparando para o grande golpe e depois trazendo a execução do crime. O problema é justamente a realização do assalto, que primeiramente soa bastante implausível. Além disso, o roubo acontece de maneira muito fácil. Normalmente o momento do crime é quando as coisas não saem como esperado e os personagens precisam usar a astúcia para improvisar algo que não estava planejado e ainda assim terminar o golpe. Aqui não há isso, é tudo muito desprovido de tensão.
O filme tenta criar intriga com o que acontece depois do golpe, mas as reviravoltas e mudanças de lealdade apresentadas são tão previsíveis (era óbvio que Marta e Rodolfo anteciparam as ações de Sid e Nancy e se prepararam de acordo) que não causam o impacto desejado. Incomoda também o epílogo que apresenta um “final feliz” para todos os envolvidos que vai de encontro ao espírito trambiqueiro do resto do filme no qual cada personagem tentava cuidar de si mesmo. É uma conciliação que não soa devidamente construída ou merecida.
Assim, mesmo com momentos bem
divertidos por conta do quarteto principal, Velhos
Bandidos soa como uma oportunidade desperdiçada dada a qualidade do elenco
e premissa promissora.
Nota: 5/10
Trailer


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