Depois de um quarto filme que não
tinha muita razão de existir, embora entregasse uma aventura competente, não
estava nem um pouco empolgado para esse Toy
Story 5. A impressão era de que a franquia continuava existindo só porque
fazia dinheiro e não porque tinham histórias interessantes a serem contadas
nesse universo. Fiquei um pouco mais esperançoso quando soube que o filme
exploraria o impacto de tablets e outros dispositivos na vida das crianças e
dos brinquedos, já que fazia o filme soar menos como um caça-níqueis e mais
como se tivesse algo a dizer, embora, ainda assim, não estivesse
particularmente empolgado. Tendo visto o filme, fico feliz de estar errado e constatar
que Toy Story 5 é melhor que seu
antecessor.
O dilema das redes
Na trama, Bonnie tem dificuldade
em fazer amigos. Ela é a única criança na vizinhança que ainda brinca com
brinquedos enquanto todas as outras já estão usando dispositivos eletrônicos.
Preocupados com a filha, os pais dela compram um tablet para ela, a Lillypad.
Os outros brinquedos ficam preocupados quando o dispositivo toma a rotina de
Bonnie, com Lillypad colocando várias atividades online entre ela e outras
meninas para que ela se enturme. Jessie, no entanto, desconfia de que essas
amizades não tem uma conexão real com Bonnie e tenta ajudar a garota de algum
modo.
Os trailers de Cara de Um, Focinho de Outro, nova
animação da Pixar, não vendem direito o que a animação. Pela divulgação é só
uma comédia aloprada sobre uma garota que controla um robô para falar com
animais. O filme em si, no entanto, é bem mais que isso, falando sobre luto,
cooperação e preservação da natureza.
Na natureza selvagem
A narrativa é protagonizada por
Mabel, uma jovem que tenta evitar a derrubada de um bosque próximo a sua
cidade. O prefeito quer acabar com o bosque para construir uma rodovia, mas
Mabel quer que o espaço vire uma área de preservação para proteger os animais
da região. A jovem tem motivos pessoais para proteger o espaço, já que ela
costumava ir lá com sua falecida avó. Mabel tenta pedir ajuda a uma de suas
professoras da faculdade, a Dra. Sam, e descobre que ela desenvolveu uma
tecnologia de robôs animais realistas para o qual é possível transferir sua
consciência e controlar os robôs diretamente. Assim, Mabel passa a controlar um
robô castor para convencer os animais a lutarem pelo bosque, mas seu plano tem
consequências inesperadas.
O primeiro Super Mario Bros: O Filme(2023) estava mais interessado em fisgar
o espectador pela nostalgia envolvendo os games do que com uma história ou
construção de personagem interessante. Considerando o alto faturamento do
primeiro filme era de se esperar que a Illumination e a Nintendo dobrassem a
aposta nesse Super Mario Galaxy: O Filme
e o resultado é um filme ainda mais ancorado na nostalgia, com uma trama ainda
menos consistente, mais fragmentada e pouco interesse em trazer qualquer
desenvolvimento aos personagens.
Guardiões da galáxia
A trama começa com Bowser Jr.
sequestrando a princesa Rosalina. Um dos Lumas de Rosalina escapa do ataque e
vai pedir ajuda à Princesa Peach que parte para o resgate ao lado de Toad,
deixando Mario e Luigi encarregados pelo Reino do Cogumelo. O problema é que
Bowser Jr também ataca o reino em uma tentativa de resgatar o pai, Bowser. No
processo, o castelo é destruído, deixando Mario, Luigi e Yoshi perdidos no
espaço. Agora eles precisam encontrar Peach para impedir que Bowser Jr. drene o
poder de Rosalina para usar em uma poderosa arma capaz de destruir a galáxia.
Primeiro longa-metragem do
diretor francês Ugo Bienvenu, Arco funciona
como uma mistura entre E.T: O
Extraterrestre (1982) e os filmes do Hayao Miyazaki, somados com uma discussão
sobre meio-ambiente e como normalizamos o nosso caos climático.
De volta para o futuro
A narrativa começa no ano 3000. A
humanidade vive uma utopia movida a energia solar em casas acima das nuvens.
Nessa época, viagem espacial e no tempo também foi dominada com o uso de
arco-íris, com incursões no tempo sendo usadas, por exemplo, para recuperar espécimes
de plantas extintas. O garoto Arco vive nessa época e morre de vontade de
viajar no tempo para ver dinossauros, mas ainda não atingiu a idade permitida.
Um dia ele resolve pegar o traje da irmã para viajar no tempo, mas erra o
destino indo parar no ano 2075 e perdendo seu cristal de viagem no tempo
durante o desastroso pouso. Ele é resgatado pela garota Íris (Arco e Íris,
sacaram?), que vive com seu robô babá Mikki e sente saudades dos pais, que
trabalham na cidade grande e só aparecem nos finais de semana. Iris tenta
ajudar Arco a voltar para casa, mas são perseguidos por um trio de irmãos
atrapalhados que há anos tentam desvendar o mistério das “pessoas arco-íris”.
O primeiro Zootopia(2016) era uma animação bacana, mas não era um filme que
eu sentia necessidade de uma continuação. Quando esse Zootopia 2 foi anunciado temi que fosse uma sequência caça-níqueis,
feita de qualquer jeito para capitalizar em cima do sucesso do anterior.
Felizmente não é o que acontece, ainda que de certa forma o filme repita
algumas ideias do antecessor.
Mundo animal
Na trama, a posição de Judy e
Nick na polícia está ameaçada depois de uma operação que dá errado por conta
das ações deles. Mesmo por um fio, Judy continua a investigar uma conspiração
para atingir a família Lynxley, que seriam os responsáveis pelas muralhas
climáticas que permitem que os animais coexistam em Zootopia. Durante uma festa
dada pelos Lynxley para anunciar a expansão de seu território, o local é
atacado por uma cobra, Gary, e Judy descobre que os Lynxley guardam segredos
sombrios, tentando ajudar Gary. Assim, ela e Nick são colocados como cúmplices
do atentado e precisam investigar o que os Lynxley se esforçam tanto para
manter em segredo.
Toda a produção deste Branca de Neve foi tomada por tantas
polêmicas e controvérsias que era difícil que todo o discurso sobre o filme
antes mesmo que ele fosse lançado não afetasse seu desempenho nas bilheterias.
Desde a escolha de Rachel Zegler para ser a protagonista, passando pelo recuo da
Disney em escalar atores com nanismo para fazer os sete anões por conta de uma
declaração de Peter Dinklage (os anões do filme acabaram sendo digitais), além
de histórias de desentendimentos entre Zegler e Gal Gadot por conta de
perspectivas políticas, tudo no filme estava envolto em polêmica. A verdade, no
entanto, é que mesmo descontando todas as controvérsias, não há muita
substância que sustente o filme ou que o torne minimamente envolvente.
Conto antigo
A premissa da história se mantem
a mesma, Branca de Neve (Rachel Zegler) é uma jovem princesa que cresce
controlada pela Rainha Má (Gal Gadot), que tomou o controle do reino depois da
morte de seu pai. A Rainha é obcecada pela beleza e por ser a mais bela do
reino, mas quando seu espelho mágico diz que Branca de Neve é a mais bela, a
Rainha decide matá-la. Assim, Branca de Neve foge para a floresta onde é
acolhida pelos sete anões. Em seu exílio ela conhece Jonathan (Andrew Burnap),
um charmoso renegado que lidera a resistência contra a Rainha.
Quando Shrek foi lançado em 2001 sacudiu o meio da animação de Hollywood
ao apresentar um filme acessível para todas as idades com um protagonista que
estava bem distante do tipo de personagem típico das animações da Disney, a
principal referência no meio. Nesse sentido, não parece coincidência que pouco
tempo depois a Disney lança uma animação que, como o ogro Shrek, era
protagonizada por uma criatura bruta, destrutiva, mau-humorada e de caráter
duvidoso, quase como uma resposta à Dreamworks. Até a publicidade do filme era
focada em mostrar como o monstrinho Stitch era uma antítese de tudo que a
Disney tinha feito até então, deixando evidente que a Casa do Mickey queria
chamar atenção do público que gostou de Shrek por ser “anti-Disney”.
Ohana significa família
A trama acompanha Lilo, uma
menina de cinco anos que perdeu os pais e é criada pela irmã mais velha, Nani.
Lilo é bem solitária e Nani luta para manter um emprego sob o risco de perder a
guarda da irmã. Depois que Lilo cria problemas na escola, Nani decide levá-la
para adotar um cachorro, pensando que um animal de estimação aplacaria a
solidão da menina. É aí que Lilo encontra Stitch, uma criatura alienígena fruto
de experimentos genéticos que veio fugida para a Terra e está sendo caçado por
forças intergalácticas. Agora, Lilo deve ajudar Stitch a ser parte de sua
família, ao mesmo tempo em que a criatura tenta encontrar um meio de evadir
seus perseguidores.
Depois de toda a querela
envolvendo o engavetamento de Coyote vs
ACME mesmo com o filme já pronto, imaginei que a Warner não ia querer fazer
mais nada com os Looney Tunes, o que seria uma pena, considerando que eles são
basicamente os mascotes da empresa. Felizmente o estúdio continua a investir
nos personagens com este longa animado Looney
Tunes O Filme: O Dia Que a Terra Explodiu.
De volta à ação
A trama é focada em Patolino e
Gaguinho, que cresceram juntos e agora precisam juntar dinheiro para reformarem
a casa em que vivem, caso contrário a perderão. Depois de muitas tentativas
frustradas eles conseguem emprego em uma fábrica de chicletes, mas Patolino
logo descobre que o lugar guarda segredos sombrios e que parasitas alienígenas
estão sendo colocados nos chicletes. Agora cabe a essa dupla amalucada salvar o
mundo e desvendar a conspiração extraterrestre.
O primeiro Moana: Um Mar de Aventuras(2016) era uma aventura bacana,
carregada por personagens carismáticas, boas canções e uma reviravolta final
que ressignificava muito do que tínhamos visto até então. Este Moana 2, por outro lado, soa como uma
continuação burocrática, pensada apenas para capitalizar em cima do sucesso do
primeiro filme.
Mar adentro
Na trama, Moana (voz de Auli’i
Cravalho) se torna a exploradora de sua vila e é incumbida de encontrar uma
ilha mítica que teria sido escondida pelo deus Nalo (voz de Tofiga Fepulea'i).
Essa ilha seria capaz de apontar as rotas para todos os povos que vivem no mar
e unir as populações. Para alcançar a ilha, Moana mais uma vez busca a ajuda do
semideus Maui (voz de Dwayne “The Rock” Johnson).
Produção da Letônia, a animação Flow conta a história de um gato que
fica preso em um pequeno barco com outros animais depois de uma enchente. A
trama é toda contada sem diálogos, acompanhando o gato e seus companheiros
animais enquanto eles tentam encontrar um meio de sobreviver à enchente.
Instinto de sobrevivência
Toda feita no software de código
aberto Blender, a animação mostra como é possível fazer algo visualmente
marcante com poucas ferramentas. Os animais se movem de maneira bastante
coerente com o modo que imaginamos que gatos, cães ou lêmures reagiriam uns aos
outros e diante das situações que a narrativa os coloca. A direção de arte
remete a pinturas feitas em aquarela por conta do esquema de cores e o modo
como a luz e os movimentos se comportam e fazem os modelos 3D dos animais
parecerem desenhos feitos à mão.
Como outras animações estreadas
pela dupla criada pela Aardman Animations, Wallace
& Gromit: Avengança é uma aventura que conquista pela sua
excentricidade e senso de encantamento. Na trama Gromit passa a ficar cada vez
mais preocupado com a dependência de Wallace de suas invenções, se agravando
quando Wallace cria um robô gnomo para realizar todas as tarefas domésticas. As
coisas pioram quando o vilão Feathers McGraw toma o controle do robô e passa a
usá-lo para fins malignos, buscando vingança contra Wallace e Gromit por
prendê-lo no passado.
Ludicidade aloprada
Em essência é uma narrativa sobre
os perigos de confiar demais em automação e inteligência artificial, lembrando
como nada substitui o componente humano, como o ato de você mesmo fazer carinho
em seu cachorro ao invés de recorrer a alguma traquitana maluca como faz
Wallace. Que essa crítica a uma dependência de inteligência artificial seja
feita por uma animação em stop motion
feita à mão só torna essa crítica mais apropriada.
O sucesso de Sonic: O Filme(2020) foi um dos raros casos em que um bando de
nerds raivosos de internet conseguiu tornar algo melhor ao substituir o bizarro
visual fotorrealista do ouriço veloz por algo mais cartunesco e próximo do seu design nos games. Mesmo não sendo grande
coisa, o filme arrecadou o bastante para justificar uma continuação em Sonic 2: O Filme(2022) que melhorou um
pouco em relação ao anterior, ainda que sofresse com parte dos mesmos
problemas. Agora chegamos a este Sonic 3:
O Filme que entrega algo superior aos anteriores e se continuarmos a
progredir nesse nível talvez tenhamos um filme do Sonic realmente excelente lá
pelo sexto ou sétimo filme.
A trama acompanha Chico Bento
(Isaac Amendoim) e seus amigos da Vila Abobrinha enquanto eles tentam impedir
que um empresário local derrube a goiabeira do Nhô Lau (Luis Lobianco) para
construir uma estrada. É uma trama simples que foca mais no lado de uma
aventura pueril e na comédia do que no desenvolvimento emocional presente nos
filmes da Turma da Mônica.
Lançado em 1964 como um especial
televisivo, a animação Rudolph: A Rena do
Nariz Vermelho faz parte de um ciclo de produções natalinas em stop-motion produzidas pela Videocraft
como Frosty: O Boneco de Neve (1969)
ou Verdadeira História de Papai Noel (1970).
Todas elas são produções infantis que recorrem a números musicais para contar
suas histórias.
Aceitando as diferenças
A narrativa é baseada em uma
canção natalina lançada em 1949, que, por sua vez, se baseava em um poema
escrito dez anos antes. Ela é protagonizada por Rudolph, uma rena que nasce com
um nariz vermelho brilhante e é alvo de zombaria de todos, incluindo seu pai,
por conta de sua aparência diferente. Isolado, Rudolph conhece um elfo que
deixou a oficina de Papai Noel para buscar o sonho de ser dentista e ambos vão
parar na ilha dos brinquedos rejeitados, um lugar onde vivem os brinquedos que
ninguém quer. Lá, Rudolph se compromete a voltar à oficina do Papai Noel e
convencê-lo a encontrar um lar para esses brinquedos.
Não esperava nada da animação Robô Selvagem e me surpreendi com sua
narrativa singela e emocionante sobre cuidado, cooperação e maternidade. A
trama é focada na robô Roz (voz de Lupita Nyong’o), que depois de uma
tempestade vai parar em uma ilha habitada apenas por animais. Lá ela acaba
acolhendo um bebê ganso órfão, a quem chama de Bico-Bonito, e toma para si a
tarefa de criá-lo e prepará-lo para voar até o momento da migração de inverno,
contando com a ajuda da raposa Escobar (voz de Pedro Pascal) para educar a
pequena ave.
Cresci com as tirinhas do
Garfield e assistindo a série animada que passava no Cartoon Network, até
assisti os dois live action em que
Bill Murray deu voz ao gato mal humorado (o primeiro é inofensivo, o segundo é
ruim), mas mesmo o retorno à animação não me empolgou muito para este Garfield: Fora de Casa. A trama tenta
recontar o início da relação do gato Garfield (Chris Pratt) com seu dono, Jon
(Nicholas Hoult), com Garfield eventualmente sendo sequestrado e forçado a
ajudar o pai que nunca conheceu, Vic (Samuel L. Jackson), a realizar um roubo
para a perigosa gata Jinx (Hannah Waddingham) como forma de pagar um dívida.
Quando escrevi sobre Meu Malvado Favorito 3(2017) mencionei como o filme deixava evidente o
desgaste criativo da franquia, se limitando a encadear uma série de gags
cômicas de modo aleatório e episódico sem uma trama que ajudasse a nos manter
investidos em todo o caos. Este Meu
Malvado Favorito 4 segue o mesmo caminho, partindo de um fiapo narrativo
para jogar um monte de situações cômicas a esmo, sendo que uma parcela não
funciona como deveria.
Gru (Leandro Hassum) se vê ameaçado pelo antigo inimigo
Maxime Le Mal, que fugiu da prisão e jura se vingar de Gru e de sua família.
Agora ele, a esposa, Lucy (Maria Clara Gueiros), e as filhas se mudam para uma
pequena cidade, recebendo novas identidades. Ao mesmo tempo, os minions são
levados para o QG da Liga Antivilões para serem treinados como agentes, o que
logicamente dá muito errado e gera muitas confusões.
Assim como outras animações que tiveram continuações demais,
Kung Fu Panda 4 dá sinais de cansaço
da franquia e um senso de que tudo é feito a toque de caixa simplesmente porque
é mais barato e menos arriscado financeiramente fazer mais um do que tentar
algo novo. A trama coloca Po para enfrentar uma nova vilã ao mesmo tempo em que
o mestre Shifu o incumbe de encontrar um novo Dragão Guerreiro para
substituí-lo, já que Po deve se tornar o líder espiritual do Vale da Paz. Em
sua jornada, Po encontra a raposa Zhen e se alia a ela contra a nova vilã.
A trama é relativamente previsível, sendo óbvio desde o
início que Zhen vai trair Po e depois se arrepender por conta da amizade
genuína que o panda mostrou a ela. Do mesmo modo, é bem evidente quem Po
escolherá como seu sucessor. A vilã Camaleoa, apesar da dublagem de Viola Davis
torná-la ameaçadora, acaba se revelando uma antagonista bastante genérica,
longe dos vilões marcantes dos filmes anteriores, em especial o Tai Lung do
primeiro filme que reaparece aqui para nos lembrar de filmes melhores da
franquia. A ideia da vilã poder se transformar em inimigos do passado de Po
poderia servir de metáfora para o personagem confrontar seu passado, mas na
narrativa nunca faz nada de muito interessante com esse conceito.
Não tive lá muita vontade de conferir Wonka. A ideia de contar a origem do personagem nunca me soou como
uma premissa interessante e o personagem não era o tipo que pedia um prelúdio.
Na verdade, parte do charme de Willy Wonka era ter uma aura de mistério ao seu
redor por não sabermos muito a respeito dele e isso lhe conferia certa
imprevisibilidade. Wonka de fato não
tem muito a dizer sobre seu personagem e conhecermos sua origem não traz nada
que nos ajude a vê-lo sob um novo prisma, mas tem encantamento o bastante para
ser uma aventura divertida.
Na trama um jovem Willy Wonka (Timothee Chalamet) chega à
Inglaterra para abrir sua loja de chocolates, mas enfrenta resistência de um
cartel de chocolate que não vê com bons olhos as invenções de Wonka.
Perseguido, Wonka conta com a ajuda da órfã Noodle (Calah Lane) e do misterioso
Umpa Lumpa (Hugh Grant) para denunciar a corrupção do cartel que mantem
controle até mesmo sobre o chefe de polícia (Keegan Michael Key).
Feito para celebrar os 100 anos da Disney, Wish: O Poder dos Desejos é uma
homenagem mais focada em nos lembrar do longevo legado do estúdio do que para
mostrar o espírito de inovação que o tornou tão amado. É uma produção que tem
sua parcela de qualidades, mas que não tem o impacto que esperaríamos de uma
celebração de um século.
A trama é focada em Asha, uma jovem que deseja se tornar
aprendiz do rei Magnifico, um monarca que trouxe paz e prosperidade ao reino
com seu poder de extrair e guardar os desejos de seus cidadãos, realizando-os
periodicamente. Quando Asha descobre que o rei usa os desejos como forma de
controlar a população ao invés de inspirá-la, ela decide devolver os desejos ao
povo. A jovem faz um pedido para uma estrela e ela ganha vida. Agora, com a
ajuda da estrela e seus poderes mágicos, ela decide enfrentar o rei.
É uma trama típica da Disney, com animais falantes e números
musicais que nos lembra da importância de sonhar e perseguir os próprios
desejos. Não tem nada aqui que quebre o molde do estúdio, mas não chega a ser
um grande problema já que a produção tem carisma e encantamento o suficiente
para nos manter interessados. Os números musicais são vibrantes e alguns deles,
como o que envolve galinhas dançantes, remetem aos mosaicos das coreografias de
Busby Berkeley. Não tem nenhuma música que soe com o impacto de hit instantâneo algo como Dos Oruguitas ou Não Falamos do Bruno de Encanto (2021), mas são canções carismáticas que entregam o que se espera.
Muito da graça do filme vem de como a trama costura
referências aos vários filmes da Disney ao longo do último século, da silhueta
da Malévola que aparece no livro de magia sombria do rei, passando pelo fato de
que os amigos de Asha se vestem como os sete anões, que o manto que a
protagonista usa remete ao da fada madrinha de Cinderela (1950) ou o vilão basicamente se tornar ao final no
espelho da Rainha Má de Branca de Neve e
os Sete Anões (1937). Nesse sentido, o avô de Asha ser um idoso de 100 anos
em busca de alcançar seu desejo de inspirar as pessoas é uma clara metáfora
para a Disney em si, que chega ao seu aniversário de um século ainda tentando
nos fazer acreditar nos sonhos e na magia.
Como algo que nos diz o tempo todo que foi feito para
celebrar o legado do seu estúdio, é relativamente decepcionante que ele
arrisque tão pouco e prefira que sua celebração consista meramente de repousar
sobre os próprios louros passados (nos lembrando de vários filmes melhores do
que esse que estamos assistindo) do que em nos mostrar que a Disney ainda é
capaz de inovar, de nos surpreender, de nos pegar desprevenidos e nos fazer nos
perguntar “como eles imaginaram isso?” como fizemos em seus filmes mais
memoráveis. Ao invés de nos mostrar como tem vigor para mais outros 100 anos de
encantamento Wish: O Poder dos Desejos
se acomoda em meramente nos fazer lembrar das glórias passadas. Claro, o filme
tem lá seus bons momentos e não tem nada de particularmente problemático, só
não está plenamente à altura de ser celebração que se propõe a ser.