De volta para o futuro
A narrativa começa no ano 3000. A humanidade vive uma utopia movida a energia solar em casas acima das nuvens. Nessa época, viagem espacial e no tempo também foi dominada com o uso de arco-íris, com incursões no tempo sendo usadas, por exemplo, para recuperar espécimes de plantas extintas. O garoto Arco vive nessa época e morre de vontade de viajar no tempo para ver dinossauros, mas ainda não atingiu a idade permitida. Um dia ele resolve pegar o traje da irmã para viajar no tempo, mas erra o destino indo parar no ano 2075 e perdendo seu cristal de viagem no tempo durante o desastroso pouso. Ele é resgatado pela garota Íris (Arco e Íris, sacaram?), que vive com seu robô babá Mikki e sente saudades dos pais, que trabalham na cidade grande e só aparecem nos finais de semana. Iris tenta ajudar Arco a voltar para casa, mas são perseguidos por um trio de irmãos atrapalhados que há anos tentam desvendar o mistério das “pessoas arco-íris”.
Em um meio onde a animação 3D tem dominado, o longa chama atenção pela seus visuais bidimensionais cheios de cores saturadas e que por vezes pendem para algo psicodélico, principalmente nos momentos em que os personagens vestem seus trajes de arco-íris e se dissolvem no espaço enquanto voam. As cenas de voo, por sinal remetem bastante à imensidão, esplendor e plenitude das cenas de voo comumente encontradas nos filmes do Miyazaki (como O Menino e a Garça ou A Viagem de Chihiro), com enquadramentos similares aos do cineasta japonês.
Inicialmente as histórias de Arco e Íris são sobre famílias separadas, algo comum nos filmes do Spielberg e bem presente em E.T. De um lado Arco precisa voltar para seu lar e Íris, por sua vez, é uma garota solitária, que sente a ausência dos pais, que tentam compensar a distância com chamadas holográficas na hora do jantar ou com o cuidadoso robô babá Mikki, no entanto, a garota de fato sente falta da presença física da família. Conforme a trama avança, porém, esses temas vão dando espaço para reflexões sobre meio ambiente e o nosso papel em imaginar um futuro melhor.
Salvando a natureza
O mundo de 2075 já está imerso em catástrofes climáticas, com grandes incêndios florestais sendo tão parte do cotidiano que as pessoas simplesmente aprenderam a conviver com eles, com escudos de energia ao redor das casas para esse tipo de ocasião. Recursos são racionados, com um locutor no mercado avisando que cada pessoa só pode levar uma quantidade específica de cada item, tudo tratado como normal.
Essa humanidade não apenas chegou no estado de desarranjo climático que anunciamos hoje como se conformou a ele. Enquanto arco transita por esse mundo ninguém parece se indignar ou fazer algum esforço para transformar a situação, apenas para dirimir seus impactos. Nesse sentido, o filme pondera sobre a importância de sonhar, de imaginar futuros possíveis, de construir soluções mesmo que elas demorem a se concretizar. Ideias que ficam bem explícitas nas imagens finais dos desenhos de Íris que mostram que as ações de arco criaram um paradoxo temporal.
Um desfecho que amarra muito bem
a trama de viagem no tempo e o olhar otimista do filme a respeito da importância
de criar novas gerações que tenham o desejo de fazer algo diferente, de construir
um futuro melhor e que tentem ser melhores do que somos. A utopia pode levar um
milênio para chegar, mas ela nunca virá se ninguém der o primeiro passo.
Nota: 8/10
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