A guerra não muda
Depois dos eventos do primeiro ano, Lucy (Ella Purnell) e Cooper (Walton Goggins) viajam juntos em direção a New Vegas atrás do esconderijo de Hank (Kyle MacLachlan). Enquanto isso, Maximus (Aaron Moten) finalmente se torna o cavaleiro da Irmandade de Ferro que sempre sonhou, mas isso não significa que sua vida tenha necessariamente melhorado, principalmente quando o líder de sua divisão maquina um meio de assumir o controle.
O arco de Lucy e Cooper começa repetindo muito da dinâmica dos dois na temporada anterior, com Lucy tentando ser otimista e demonstrando compaixão pelas pessoas enquanto Cooper é brutal e implacável, tentando ensinar Lucy que ser gentil nos ermos só irá prejudicá-la. Tudo bem que ela aprende a ser mais dura contra alguém que tenta prejudicá-la principalmente depois que Cooper demostra ser capaz de sacrificar Lucy se isso ajudar nos objetivos dele.
A trama de Lucy também aproveita divertida algumas mecânicas do game, como o fato do personagem desenvolver vícios se você usar muitas substâncias em pouco tempo, resultando em um episódio divertido em que Lucy fica alucinada tentando usar tudo que aparece pela frente. O episódio que Lucy tem que mediar um conflito entre a Legião e o exército da Nova República da Califórnia é outro momento que constrói bem uma situação similar dos games, onde é comum ser colocado no meio de duas facções rivais e ter que resolver uma situação na qual não há um resultado que possa ser considerado plenamente “bom”, lembrando da moralidade cinzenta neste universo.
Maximus se tornou uma sombra do que fora, com um olhar perdido e apático ele vive no piloto automático, seguindo as ordens que recebe cometendo atos brutais de violência sem piscar e vivendo em um estado de apatia. Só quando ele percebe que nunca será visto como algo mais que um instrumento e que os líderes da irmandade não são os heróis que imaginava quando foi resgatado por eles quando criança que o personagem consegue despertar para sair do controle deles.
Tempestade que se aproxima
Os flashbacks de Cooper mostram o clima de paranoia do período pré-guerra e como o país vivia em um totalitarismo corporativo no qual corporações tinham mais poder que o próprio governo. Embora a trama ofereça algumas respostas em relação à família de Cooper e os planos da RobCo e da Vault-Tec, especialmente em relação a Henry, muito também é deixado para a próxima temporada. São tramas que não dão a satisfação de arcos completos que deixam gancho para outras histórias e sim de histórias inconclusas que a temporada interrompeu antes de terminar.
Do mesmo modo, ainda que o arco
de Maximus aponte para uma guerra civil na Irmandade, o conflito em si é
deixado para o ano seguinte. O mesmo acontece com as tensões entre a Legião e o
exército Nova República da Califórnia, que ao final da temporada se posicionam
em New Vegas prontos para uma guerra. Tudo isso dá a impressão de que essa
temporada é uma espécie de “capítulo do meio” em uma narrativa maior, servindo
como preparação para conflitos vindouros. A temporada não deixa de apresentar
momentos satisfatórios e boas cenas de ação que continuam a explorar de maneira
sangrenta o poder das armas futuristas desse universo, o destaque é a luta de
Maximus contra um grupo de Destroçadores no episódio final, mostrando como
essas criaturas são as mais temidas dos ermos.
Nota: 6/10
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