segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Crítica – O Poder e a Lei: Quarta Temporada

 

Análise Crítica – O Poder e a Lei: Quarta Temporada

Review – O Poder e a Lei: Quarta Temporada
Depois de um morno terceiro ano, temi que a quarta temporada de O Poder e a Lei tivesse menos ainda a oferecer. Felizmente esses novos episódios aproveitam bem o gancho deixado no ano anterior e constroem uma trama tensa ao redor dos novos problemas jurídicos do protagonista.

Advogando em causa própria

A temporada começa exatamente no ponto em que a anterior parou, com Mickey Haller (Manuel Garcia Rulfo) sendo detido depois que o corpo de seu cliente, o trambiqueiro Sam (Christopher Thornton), é encontrado no porta-malas do seu carro. Agora Mickey precisa defender a si mesmo no tribunal contra a implacável promotora Dana (Constance Zimmer). Enquanto isso, Lorna (Becki Newton) tenta manter o escritório funcionando, mas a prisão de Mickey afeta a reputação da firma e eles começam a perder clientes.

Colocar Mickey como o “cliente da vez” ajuda a dar um senso de urgência, já que o caso o afeta diretamente e há muito em jogo (sua liberdade, reputação, firma, seus amigos) caso ele perca. O trabalho de Constance Zimmer como Dana contribui para a tensão e intriga da temporada, já que ela se mostra uma oponente dura, capaz de pegar os protagonistas desprevenidos com suas manobras legais e disposta a qualquer coisa para conseguir sua condenação.

Se em muitos momentos da série Mickey parecia estar sempre no controle e um passo adiante de seus adversários, aqui ele está mais acuado, mostrando uma faceta mais vulnerável ao lidar com forças maiores que ele e sendo observado muito de perto, sem muito espaço para as manobras audazes que costuma fazer.

Equipe jurídica

Limitado em seus movimentos por conta da tornozeleira eletrônica, Mickey precisa confiar ainda mais em seus aliados. Recém ordenada advogada, Lorna tenta equilibrar o caso de Mickey com o resto dos clientes do escritório, não dando conta do volume de demandas. Isso leva Maggie (Neve Campbell), a ex-esposa de Mickey, a se juntar a eles, assumindo a defesa do marido enquanto Lorna lida com o resto dos clientes.

Com isso, a série finalmente dá a Maggie uma participação maior da trama ao invés de ser a ex que constantemente expressa sua consternação por Mickey. Com uma intérprete como Neve Campbell (a Sydney da franquia Pânico) chegava a ser desperdício utilizá-la tão pouco. Aqui ela consegue se mostrar como uma advogada durona ao mesmo tempo em que o trabalho ao lado de Mickey reaproxima os dois. Lorna, por sua vez, é obrigada a se virar sozinha com seus clientes, sem a mentoria de Mickey, encontrando seus próprios caminhos para ser uma boa advogada. Os demais membros do escritório, no entanto, acabam não tendo muito em termos de tramas próprias, funcionando mais como suporte no caso de Mickey. A subtrama romântica da namorada de Jazz (Izzy Raycole), por exemplo, não faz muita diferença.

Por um instante temi que o caso principal fosse descambar para algo excessivamente mirabolante como no ano anterior, mas felizmente a narrativa evita isso. Por outro lado, incomoda como o episódio final resolve de maneira muito rápida o processo contra Mickey, falhando em dar o devido senso de catarse que a vitória dele deveria trazer. Os episódios finais aceleram tanto para amarrar todas as pontas soltas que certos desdobramentos, como o falecimento do mentor de Mickey, David “Legal” Siegel (Elliott Gould), acabam não tendo tempo de repercutir. Legal não era só um mentor, mas praticamente um pai para o protagonista e a série não dá o devido tempo de explorar como essa perda impacta Mickey.

Apesar de alguns problemas de ritmo, essa quarta temporada de O Poder e a Lei ao menos consegue manejar melhor a tensão e o suspense que o ano anterior, tanto que devorei os dez episódios em dois dias. Tudo bem que a série não faz nada muito diferente do que se espera de dramas jurídicos, mas para quem gosta do gênero ela é aquele tipo de “série conforto” que entrega exatamente o que esperamos.

 

Nota: 7/10


Trailer

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