segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Crítica – Dupla Perigosa

 

Análise Crítica – Dupla Perigosa

Review – Dupla Perigosa
Todo o material de divulgação de Dupla Perigosa dava a impressão de um filme de ação bem qualquer coisa, daqueles que serviços de streaming jogam no catálogo todo final de semana só pra dizer que tem coisa nova para assistir. Resolvi conferir por pura preguiça de procurar alguma coisa e acabei me surpreendendo positivamente. Não reinventa a roda, nem qualquer inovação, a trama é relativamente previsível, mas é carismático e bem executado o bastante pra divertir.

Irmãos em armas

A narrativa acompanha James (Dave Bautista) e Jonny (Jason Momoa), dois irmãos que estão há anos sem se falar e não tem uma boa relação. Quando o pai deles, que era investigador particular, morre em um suposto atropelamento, Jonny vai até o Havaí para o enterro. Lá ele desconfia que há algo mais na morte do pai e convence James a investigar a questão junto com ele. Logo eles esbarram em uma grande conspiração criminosa.

É uma trama bem básica em que até mesmo as reviravoltas são bem previsíveis e toda a dinâmica entre os dois protagonistas emula a estrutura de filmes de parceiros ao estilo Máquina Mortífera (1987) ao fazer as personalidades opostas dos protagonistas entrarem em conflito, com James sendo um militar rígido e certinho e Jonny sendo um policial esquentado que age sem pensar. Funciona pela química entre Bautista e Momoa, que convencem como irmãos que não se suportam e também pelo timing cômico de ambos com os diálogos bem humorados.

Outro elemento que faz o filme funcionar são os vários coadjuvantes excêntricos que a narrativa nos apresenta. Do ajudante de investigador vivido por Jacob Batalon (o Ned dos filmes recentes do Homem-Aranha) à ex namorada de de Jonny vivida por Morena Baccarin, responsável por alguns dos momentos mais engraçados do filme, há sempre uma personalidade curiosa a ser apresentada. Por outro lado, o dinamarquês Claes Bang não consegue fazer nada de interessante com o vilão, não sendo nada mais que um empresário malvado genérico.

Me surpreendi pelo fato do filme ter algo a dizer, comentando sobre a situação da população nativa havaiana e como as pessoas do continente vem há décadas tomando as terras dos nativos para construir resorts e outros empreendimentos turísticos enquanto as populações originárias do local são deixadas à míngua. Tudo bem que não é exatamente um tratado político ou sociológico complexo sobre violência colonial, mas não é o tipo de tema que esperava ser abordado nesse tipo de filme de ação aloprado.

A ação, por sinal, é o ponto alto do filme. O diretor Angel Manuel Soto (responsável pelo filme do Besouro Azul) confere um senso de energia pelo modo como filma em câmera na mão e com takes longos, a exemplo da cena em que Jonny enfrenta um bando de yakuzas dentro de seu apartamento e a câmera o acompanha através dos cômodos. A luta é marcada também por um senso de criatividade sangrenta conforme o personagem improvisa armas com objetos domésticos, usando, por exemplo, um ralador para esfolar a pele de um adversário. Há também uma luta envolvendo James enfrentando um longo corredor de inimigos que é claramente inspirada por Oldboy (2003). Ocasionalmente, no entanto, a ação é prejudicada por uma computação gráfica pouco convincente, como na perseguição envolvendo um helicóptero. A brutalidade sangrenta da ação é retratada com um senso de exagerado que faz tudo pender para o humor, contribuindo para o clima de aventura excêntrica que o filme tenta construir.

Mesmo que tenha uma trama básica, Dupla Perigosa consegue entregar uma aventura divertida por conta do carisma dos personagens e das boas cenas de ação.

 

Nota: 7/10


Trailer


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