Irmãos em armas
A narrativa acompanha James (Dave Bautista) e Jonny (Jason Momoa), dois irmãos que estão há anos sem se falar e não tem uma boa relação. Quando o pai deles, que era investigador particular, morre em um suposto atropelamento, Jonny vai até o Havaí para o enterro. Lá ele desconfia que há algo mais na morte do pai e convence James a investigar a questão junto com ele. Logo eles esbarram em uma grande conspiração criminosa.
É uma trama bem básica em que até mesmo as reviravoltas são bem previsíveis e toda a dinâmica entre os dois protagonistas emula a estrutura de filmes de parceiros ao estilo Máquina Mortífera (1987) ao fazer as personalidades opostas dos protagonistas entrarem em conflito, com James sendo um militar rígido e certinho e Jonny sendo um policial esquentado que age sem pensar. Funciona pela química entre Bautista e Momoa, que convencem como irmãos que não se suportam e também pelo timing cômico de ambos com os diálogos bem humorados.
Outro elemento que faz o filme funcionar são os vários coadjuvantes excêntricos que a narrativa nos apresenta. Do ajudante de investigador vivido por Jacob Batalon (o Ned dos filmes recentes do Homem-Aranha) à ex namorada de de Jonny vivida por Morena Baccarin, responsável por alguns dos momentos mais engraçados do filme, há sempre uma personalidade curiosa a ser apresentada. Por outro lado, o dinamarquês Claes Bang não consegue fazer nada de interessante com o vilão, não sendo nada mais que um empresário malvado genérico.
Me surpreendi pelo fato do filme ter algo a dizer, comentando sobre a situação da população nativa havaiana e como as pessoas do continente vem há décadas tomando as terras dos nativos para construir resorts e outros empreendimentos turísticos enquanto as populações originárias do local são deixadas à míngua. Tudo bem que não é exatamente um tratado político ou sociológico complexo sobre violência colonial, mas não é o tipo de tema que esperava ser abordado nesse tipo de filme de ação aloprado.
A ação, por sinal, é o ponto alto do filme. O diretor Angel Manuel Soto (responsável pelo filme do Besouro Azul) confere um senso de energia pelo modo como filma em câmera na mão e com takes longos, a exemplo da cena em que Jonny enfrenta um bando de yakuzas dentro de seu apartamento e a câmera o acompanha através dos cômodos. A luta é marcada também por um senso de criatividade sangrenta conforme o personagem improvisa armas com objetos domésticos, usando, por exemplo, um ralador para esfolar a pele de um adversário. Há também uma luta envolvendo James enfrentando um longo corredor de inimigos que é claramente inspirada por Oldboy (2003). Ocasionalmente, no entanto, a ação é prejudicada por uma computação gráfica pouco convincente, como na perseguição envolvendo um helicóptero. A brutalidade sangrenta da ação é retratada com um senso de exagerado que faz tudo pender para o humor, contribuindo para o clima de aventura excêntrica que o filme tenta construir.
Mesmo que tenha uma trama básica,
Dupla Perigosa consegue entregar uma aventura divertida por conta do carisma dos personagens e das boas cenas
de ação.
Nota: 7/10
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