quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Crítica – Você Só Precisa Matar

 Análise Crítica – Você Só Precisa Matar

Review – Você Só Precisa Matar
A série de livros All You Need is Kill de Hiroshi Sakurazaka já tinha sido adaptada em mangá e levada para os cinemas via Hollywood com No Limite do Amanhã (2014). Agora retorna aos cinemas em forma de longa animado com este Você Só Precisa Matar.

Viva, Morra, Repita

A narrativa acompanha Rita, uma jovem solitária que faz parte de uma força-tarefa dedicada a estudar o Darol, um enorme alienígena em formato de planta que caiu na Terra um ano atrás. Um dia, o ser emite um enorme pulso eletromagnético e libera várias criaturas no planeta. Rita é morta por um deles, mas estranhamente acorda no mesmo dia, como se nada tivesse acontecido. Ela tenta avisar os companheiros da catástrofe iminente, mas ninguém acredita nela. Rita então tenta resolver as coisas sozinha, aprendendo a cada morte como se fosse um videogame.

A animação combina personagens desenhados a mão com ambientes digitais e cria por vezes uma atmosfera psicodélica, principalmente quando Rita interage com as criaturas alienígenas e é afetada por elas, com luzes e cores tomando a tela como que para refletir a mudança de consciência da protagonista diante do deslocamento temporal e todos os fenômenos estranhos que ocorrem com ela.

As escolhas visuais também refletem o isolamento de Rita, com ela aparecendo sozinha em quadro em planos abertos que ressaltam o vazio ao seu redor e com o traço de vários personagens deixando de oferecer elementos discerníveis ou até faltando elementos no rosto, como se aquelas pessoas fossem uma massa amorfa de gente com a qual a protagonista não tem nenhuma conexão.

O modo como ela lida com essa solidão é questionado ao longo da narrativa, já que o loop temporal no qual ela está presa a obriga a repensar constantemente seus modos de agir e ao fazer isso ela começa a ponderar a respeito de sua própria conduta no mundo. Ela sempre se manteve sozinha e esperava que algo mudasse para tirá-la dessa situação e ao longo da trama Rita vai percebendo que ela própria precisa mudar para que as coisas mudem. Isso fica evidente no modo como ela vai construindo sua relação com Keiji, outro jovem que, assim como ela, está preso no mesmo dia.

A ação é ágil e sangrenta, mostrando os movimentos caóticos das criaturas e as tentativas dos protagonistas de sobreviverem aos seus ataques. A montagem ilustra essa dificuldade em sequências que encadeiam as mortes sucessivas de Rita em suas tentativas de enfrentamento da ameaça e como ela aos poucos vai melhorando e encontrando maneiras mais eficientes de usar seu equipamento.

Por outro lado, a curta duração de 86 minutos faz o filme correr para dar conta da trama e isso é sentido principalmente durante o clímax, com muita coisa acontecendo sem a devida construção e resoluções que soam fáceis demais, deixando o desfecho pouco satisfatório em relação ao resto.

 

Nota: 7/10


Trailer

Nenhum comentário: