sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Crítica – Soulm8te

 

Análise Crítica – Soulm8te


Review – Soulm8te
Quando escrevi sobre Submissão (2024) mencionei que era basicamente M3gan (2022), mas com uma robô sexual ao invés de uma robô criança. Aparentemente os produtores da franquia M3gan se deram conta da oportunidade e criaram Soulm8te, um derivado que é justamente a história de uma “robô acompanhante” que, como Megan, sai matando pessoas.

Amores artificiais

A narrativa é protagonizada por David (David Rysdahl) um programador viúvo e solitário que passa seus dias trabalhando e conversando com sua assistente virtual. Quando sua empresa se prepara para lançar uma “robô acompanhante” que usaria os dados das assistentes virtuais para moldar suas personalidades, David resolve testar a nova criação. Ele recebe em casa o protótipo que nomeia como Sara (Lily Sullivan), mas se frustra com o quão limitada e pouco espontânea é sua personalidade. Ele decide mexer na programação dela para tirar certos limitadores e fazê-la parecer mais humana. Obviamente a mudança deixa Sara livre para fazer o que bem entende e rejeitar a programação, criando problemas.

O filme teve um caminho conturbado no lançamento, filmado em 2025 e planejado para lançar em janeiro desse ano, apenas para ter o lançamento cancelado e passar meses no limbo até ser anunciado que sairia em agosto direto em plataformas digitais de aluguel ou compra. É o tipo de estratégia que sugere que produtores e distribuidores não tinham muita confiança no produto, seja por conta da bilheteria abaixo do esperado do M3gan 2.0 (2025), seja pelos próprios deméritos de Soulm8te, que não são poucos.                                    

Ele tenta ser uma espécie de suspense erótico, mas atira em várias direções, tenta várias ideias e nada funciona muito bem. A ideia de uma robô feita para ser uma namorada artificial é usada para falar sobre como as pessoas se enganam ao achar que IA substitui companhia humana, sobre como empresas hoje tentam forçar IA em tudo que é coisa como se fosse resolver qualquer problema e também a ideia de que uma robô sexual seria o ponto culminante de uma sociedade machista que vê mulheres como objetos e visa controlar seus corpos. Em meio a tantos subtextos, o filme não tem nada consistente a dizer a respeito de nenhuma dessas ideias. Produções recentes como Acompanhante Perfeita (2025) executaram melhor a metáfora da robô sexual como objeto de uma sociedade machista.

Os personagens são igualmente inconsistentes. David é visto como um viúvo solitário, ainda enlutado pela perda da esposa, mas ele vai para cama com Sara na primeira oportunidade e o mesmo acontece quando a colega de trabalho Audrey (Claudia Doumit, de The Boys) demonstra interesse nele, com os dois indo imediatamente para cama. Sara é o clichê do robô que leva sua programação ao extremo e não há muita progressão no modo como ela age. No instante que David retira as limitações do código, ela já está saindo na rua e atacando pessoas, então não tem muita tensão ou suspense, tudo é bem óbvio. A impressão é que a trama progride com muita pressa, apresentando desdobramentos sem a devida construção, como se tudo acontecesse por exigência do texto e não como uma consequência da conduta dos personagens.

Ocasionalmente a produção entrega alguns momentos competentes de gore, como na cena em que ela mata o chefe de David ou quando elimina um entregador depois de levá-lo para cama, mas isso é muito pouco para resgatar Soulm8te do marasmo de ideias superficiais e personagens que não convencem.

 

Nota: 4/10


Trailer

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