Heróis através do tempo
No final da primeira temporada uma parte da equipe, como Magneto, Xavier e Fera foram parar no antigo Egito onde conheceram En Sabah Nur, o mutante que viraria Apocalipse. Outra parte da equipe, como Ciclope e Jean, vão parar num futuro em que que Apocalipse controla tudo, com os heróis tendo que preparar um jovem Cable para liderar a resistência contra ele. Enquanto isso, no presente dos anos 90, Bishop e Forge tentam trazer de volta as duas equipes e um já adulto Cable recruta mutantes para dar cabo dos cavaleiros de Apocalipse.
A primeira metade da temporada foca cada episódio em uma equipe diferente. Em um estamos no futuro com Ciclope e Jean, em outra no Egito com Xavier, no episódio seguinte estamos no presente com Cable e sua X-Force. Considerando que cada episódio tem cerca de meia hora, entendo a escolha de fazer cada um focado em um grupo específico de personagens ao invés de transitar entre eles em cada episódio, já que não haveria tempo de apresentar desdobramentos significativos em cada um. Por outro lado, a estrutura deixa tudo um pouco fragmentado demais. Talvez seja um testamento pela qualidade da caracterização dos personagens e o quanto a série nos faz nos importar com cada um deles, já que a todo momento ficamos com vontade de saber mais sobre as outras equipes.
O que esses episódios fazem bem é estabelecer o nível da ameaça que Apocalipse representa, mostrando a extensão do seu alcance e poder, bem como nos fazendo entender melhor o que move o vilão. É muito comum que vilões dos X-Men sejam figuras moldadas por tragédias que não são necessariamente malignas, mas aqui, por mais que entendamos a solidão e a agressividade do vilão, a trama evidencia como sua crueldade e sede de poder são também escolhas deliberadas e não apenas fruto de circunstâncias.
Aventuras velozes
Era de se imaginar que as coisas fossem engrenar de vez quando a equipe voltasse a se reunir no presente, no entanto, a segunda metade é ainda mais irregular que a primeira, ao manter a divisão em vários núcleos sem o foco em uma ameaça específica. O quinto episódio é o mais fraco da temporada ao foca em Wolverine e Morpho juntando outros sobreviventes do programa Arma X para atacarem uma nova onda de experimentos do programa. Ainda que tenha momentos divertidos ao emular o clima de filmes como Aliens: O Resgate (1986) ou O Predador (1987), o episódio resolve de maneira muito fácil e rápida o problema de Wolverine ter perdido o adamantium no confronto com Magneto no fim da temporada anterior. Nas HQs, a perda do metal indestrutível tem várias consequências físicas e psicológicas em Logan, mas aqui a série sequer dá tempo de explorar qualquer repercussão a respeito dessa mudança e já retorna o personagem ao seu status quo.
O episódio focado em Perigo serve para fazer Xavier pensar que talvez precise de um pouco de Magneto em seu modo de agir, espelhando o arco de Magneto no primeiro ano, em que Erik tentava ser mais como Charles. A Perigo parece ser uma oponente formidável, usando anos de dados e informações para combater cada um dos X Men, no entanto, acaba sendo rapidamente derrotada.
A história envolvendo Colossus integrando um grupo de discípulos de Magneto liderados por Exodus e sequestrando Graydon Creed se sai melhor ao colocar os X-Men diante de um dilema moral ao ter que evitar que Exodus assassine um político humano, mesmo esse sujeito sendo uma pessoa que odeia mutantes. Noturno se destaca ao ponderar o que separa justiça de barbárie ou qual seria a natureza da misericórdia em uma situação como aquela. Não é um debate simples e a série acerta ao não dar uma resposta fácil a isso. Noturno, por sinal, tem mais espaço nessa temporada e protagoniza alguns dos melhores momentos, seja em sua tentativa de dialogar com Graydon Creed, seja em seu discurso final aos Celestiais sobre ter fé que as coisas podem mudar. Afinal, diante de ameaças tão avassaladoras e chances tão pequenas de sucesso, é difícil seguir adiante sem fé.
Quem também oferece momentos de emoção genuína é Vampira, principalmente a partir do penúltimo episódio quando Gambit retorna como um dos cavaleiros de Apocalipse. Ao finalmente retornar ao principal vilão da temporada depois de vários episódios em que ele é deixado para escanteio, imaginei que a série fosse fazer jus a toda expectativa criada em torno dele. O retorno de Gambit é eficiente em construir conflito entre os X-Men e os demais grupos mutantes, já que os discípulos de Xavier querem encontrar um meio de resgatar Gambit de Apocalipse, enquanto a X-Force de Cable e o X-Factor, que serve ao governo, querem exterminá-lo para não dar nenhuma chance a Apocalipse.
Era de se imaginar que as três equipes eventualmente precisariam cooperar para lidar com uma ameaça tão poderosa, mas Apocalipse é rapidamente despachado e deixa tudo muito anticlimático. Pelo menos o peso emocional da dinâmica entre Vampira, Gambit e Noturno consegue dotar o final de algum impacto, lembrando que grandes vitórias sempre tem um preço.
Perdendo o foco ao se dividir em
vários núcleos e inconsistente entre acompanhar uma única trama ou adotar um
formato mais episódico, a segunda temporada de X-Men 97 é inferior ao seu ano de estreia, ainda que entregue uma
aventura cheia de bons momentos e acerta no modo como desenvolve as relações
entre a equipe.
Nota: 7/10
Trailer


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