segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Crítica – Pressão

 

Análise Crítica – Pressão

Review – Pressão
Inúmeras histórias reais sobre a Segunda Guerra Mundial já foram contadas. Talvez pela vastidão de histórias contadas, algumas soam menos interessantes. Esse é o caso de Pressão, que acompanha os meteorologistas responsáveis por fazer a previsão do tempo para o Dia D e contribuíram para o sucesso da invasão da Normandia.

Tempo fechado

A narrativa conta a história real do britânico James Stagg (Andrew Scott), meteorologista convocado para ajudar os aliados a planejar o ataque do Dia D. Faltando três dias para o ataque, Stagg crê que o dia previsto será de tempestade, mas o meteorologista do exército dos Estados Unidos, Irving Krick (Chris Messina), crê que será de tempo aberto. Com o tempo contra eles, o general Eisenhower (Brendan Fraser) os pressiona a ter certeza.

O filme se passa dentro do quartel general dos aliados ao longo desses três dias e tenta acompanhar as tensões entre a equipe tentando coletar dados para embasar a decisão sobre o ataque. A narrativa tenta construir tensão por conta da corrida contra o tempo e das perspectivas discordantes entre Krick, que tenta analisar dados históricos do clima da região (algo que até eu que sou leigo consegue perceber que não é uma métrica confiável), e Stagg, que recolhe uma quantidade enorme de dados para tentar prever com alguma precisão os movimentos do clima nos próximos dias.

Só por essa descrição já dá para entender um pouco dos motivos do conflito central do filme não funcionar. É evidente desde o início que a metodologia de Krick é falha e que ele provavelmente está errado. Não ajuda que os personagens não tem muito o que fazer, nem tem quaisquer outras camadas, além de falarem sobre o clima. Como já sabemos o desfecho do Dia D, não há qualquer incerteza sobre o resultado e como não há nenhum risco pessoal para os personagens, não há muito pelo que se manter investido neles.

A narrativa tenta colocar algum drama pessoal para Stagg quando o hospital no qual a esposa dele estava em trabalho de parto é bombardeado, mas é tão desconectado do conflito principal e o próprio personagem deixa isso de lado para focar no trabalho da meteorologia que o evento tem pouca repercussão.

Guerra interna

A produção só não mergulha no completo tédio por causa do elenco. Andrew Scott faz de Stagg um sujeito racional e pragmático, comprometido com a ciência e a interpretação dos dados que tem, mesmo que precise dizer algo que seus superiores não querem ouvir. Sua postura resoluta o coloca em conflito tanto com Krick, um sujeito que demonstra ter um ego inflado e superestima os próprios conhecimentos, quanto com o general Eisenhower, interpretado por Brendan Fraser como um sujeito linha dura, sem paciência para conversa fiada e que carrega culpa por uma tentativa fracassada de se preparar para o Dia D.

Scott convence da confiança e convicção de Stagg em seu fazer cientifico, trazendo uma intensidade às suas discussões com Krick que fazem os embates entre eles soarem convincentes, mesmo que o texto os faça andar em círculos discutindo a mesma coisa por noventa minutos. Do mesmo modo, o Einsenhower de Fraser é uma presença imponente, que intimida até mesmo o intenso Stagg. Mais uma vez, o problema é que a dedicação da performance de Fraser não tem muita substância com que trabalhar, então o filme nunca alcança o drama que acha que está construindo. Quem também se destaca é Kerry Condon como a tenente Kay, auxiliar de Eisenhower. Única mulher em posição de autoridade um ambiente masculino e agressivo, é Kay quem tenta dialogar com mais temperança entre os envolvidos e fazer todo mundo cooperar não por força, mas por empatia.

Como a tensão que o filme tenta desenvolver nunca se concretiza, a catarse do desfecho, com Stagg e Krick descobrindo uma virada súbita na tempestade que os daria vantagem, não funciona como deveria. As imagens das tropas chegando deveriam ser o alívio para toda a pressão construída até aqui, só que não houve pressão, então não há o que aliviar, deixando o final inane e sem impacto.

Considerando o excesso de exposição e que o filme parece mais interessado em explicar os detalhes do trabalho meteorológico do que construir um drama envolvente, é o tipo de produção que talvez ficasse melhor como documentário. Do jeito que está, Pressão desperdiça um elenco de bons atores com um texto vazio de drama ou conflito.

 

Nota: 5/10


Trailer

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