sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Crítica – A Morte do Demônio: Em Chamas

 

Análise Crítica – A Morte do Demônio: Em Chamas

Review – A Morte do Demônio: Em Chamas
Eu tenho expectativas muito delineadas na minha mente sempre que vou assistir um novo A Morte do Demônio. Espero um uso abundante e criativo de gore e certo senso de humor sombrio, embora não sejam exatamente primores narrativos. A Morte do Demônio: Em Chamas entrega exatamente o que eu esperava. É uma produção que sabe o público que tem e dialoga com esse público.

Sombras do trauma

A trama é centrada em Alice (Souheila Yacoub). Depois que seu marido, Will (George Pullar), morre em um acidente de carro com contornos sobrenaturais, ela vai para a remota casa dos sogros para o funeral. O clima é tenso, já que Will a agredia e a os pais dele, em especial a mãe, Susan (Tandi Wright), tomavam partido dele. As coisas se complicam durante a cerimônia fúnebre na qual Edgar (Erroll Shand), o pai de Will, é infectado por algo demoníaco no corpo do filho. Aos poucos Edgar começa a agir de maneira agressiva e isso começa a afetar o resto da família e Alice precisa encontrar um jeito de sobreviver a isso.

O filme faz um bom uso do espaço limitado que tem, explorando cada cômodo da remota casa e como cada espaço, mobília ou utensilio pode ser usado com consequências sangrentas. Vemos isso no instante em que um personagem é empurrado em cima da gaveta aberta do lava-louças, caindo nas facas e garfos depositadas ali. Em outra cena, Alice se esconde no banheiro e é atacada por uma criatura que tenta sufocá-la com a cortina do chuveiro.

O senso de humor sombrio e grotesco também está presente, a exemplo do momento em que uma das criaturas pega a dentadura da avó de Will, passa na boca e depois põe de volta na boca da idosa. É um momento que me trouxe mais incômodo do que muitas cenas de violência explícita, mas também é bizarramente engraçado que uma criatura demoníaca pare para fazer esse tipo de pegadinha juvenil.

Falando em violência explícita, o filme não economiza no gore. Vemos com detalhes a cabeça de alguém sendo esmagada por sucessivas pancadas com uma chapa de metal e em dado momento Edgar dá vários tiros na própria cabeça e deixa no corpo as consequências desses disparos, exibindo cada buraco de entrada e saída das balas mal conseguindo manter a cabeça no lugar.

Considerando a situação de Alice em relação ao marido e a família dele seria possível entender toda a situação como uma metáfora para o trauma da violência doméstica e como ele não cessa com a morte do agressor. É um elemento que fica presente de maneira mais subjacente já que depois que as ameaças demoníacas começam a pipocar o foco é na sobrevivência da protagonista. A narrativa retoma isso durante o clímax, quando uma das criaturas toma a forma de Will e Alice precisa confrontá-lo mais diretamente. A frase final dela para uma das socorristas, dizendo que os ferimentos foram causados pelo ex, serve para ilustrar que ela finalmente consegue falar sobre isso em voz alta sem culpa ou medo depois de ter enfrentado e vencido as fontes do seu trauma. O filme sofre ao se estender um pouco mais do que deveria, com quase duas horas que não seguram a trama simples que tem. A impressão é que fluiria melhor se tivesse uns vinte minutos a menos.

A Morte do Demônio: Em Chamas executa bem aquilo que se espera dele em termos de gore e bizarrice. Provavelmente não é um filme que irá atrair novos espectadores para a franquia, mas deve agradar quem é fã.

 

Nota: 6/10


Trailer

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