quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Crítica – Psycho Killer: Em Busca do Assassino

 

Análise Crítica – Psycho Killer: Em Busca do Assassino

Review – Psycho Killer: Em Busca do Assassino
Em alguns momentos me surpreendo com a capacidade de alguns filmes em serem ruins. Psycho Killer: Em Busca do Assassino é uma típica história de serial killer e de uma policial no seu encalço. É uma fórmula consolidada. A essa altura todo mundo tem alguma ideia do que faz uma história dessas funcionar e ainda assim esse filme falha em absolutamente tudo que tenta.

Assassino em fuga

A trama é protagonizada pela policial Jane (Georgina Campbell, do bacana Noites Brutais) que sai no encalço do assassino Slasher (James Preston Rogers) depois que ele mata seu marido, que também é policial. É um fiapo de roteiro que deveria servir para justificar perseguições e mortes, mas nem isso é bem executado.

Depois de uma competente cena inicial em que o filme dilata o tempo através da montagem, usando planos detalhe para mostrar cada pequeno movimento ou elemento do assassino e do policial, ampliando a tensão de que a violência irá irromper em algum momento, o filme nunca mais exibe essa composição cuidadosa.

O que se segue são mortes que parecem saídas de algum terror ruim da década de 70, que por vezes são tão exageradas que produzem risos, como a mulher perseguida pelo assassino que acaba sendo atropelada por um caminhão, como se ela não pudesse correr para o outro lado da pista. Em outras, como o momento em que o assassino enfia um tubo de metal no pescoço de um padre para beber seu sangue, soam tão pensados pra chocar o espectador que não produzem muito efeito.

Talvez porque o assassino não soa como um personagem bem delineado em suas perversões ou no seu plano. Ele é só um amontoado de clichês envolvendo satanismo, heavy metal ou teorias da conspiração. Assim, cenas como a que ele bebe o sangue da vítima não produzem efeito porque não entendemos o lugar disso em seus planos ou em sua psique, como se o roteiro jogasse aquilo em cena só para forçar uma reação do espectador.

Perseguição arrastada

Conforme a trama progride a coisa degringola para ainda mais absurdos. É difícil aderir a Jane pelas várias decisões estúpidas dela, tipo tentar usar o próprio carro para bloquear a fuga do assassino, o que obviamente resulta no assassino bater no carro dela, o carro sair da pista e ela não ter condições de persegui-lo. O clímax é igualmente ridículo conforme o assassino entra em uma usina nuclear para causar uma catástrofe atômica e consegue chegar sozinho na sala de controle porque a única medida de segurança que o lugar tem são alarmes e seguranças armados. É difícil crer que depois do alarme soado não haveria um sistema para trancar a sala de controle e impedir invasores de entrar.

Não ajuda que todo esse jogo de gato e rato seja completamente desprovido de qualquer senso de tensão ou de urgência, fazendo seus curtos noventa minutos parecer durarem muito mais. Há também inconsistências estéticas. O filme tenta evocar o espírito e iconografia do pânico satânico da década de 70 e assassinos como os da família Manson ou o Zodíaco, inclusive com uma estética que tenta emular a névoa e sombras do filme homônimo de David Fincher, mas situa toda a história na contemporaneidade, fazendo os modos de agir do assassino e seus planos soarem anacrônicos com os dias atuais. A impressão é que o filme tem uma série de propostas que nunca se encaixam umas nas outras nem formam um todo coeso.

 

Nota: 2/10


Trailer

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