Assassino em fuga
A trama é protagonizada pela policial Jane (Georgina Campbell, do bacana Noites Brutais) que sai no encalço do assassino Slasher (James Preston Rogers) depois que ele mata seu marido, que também é policial. É um fiapo de roteiro que deveria servir para justificar perseguições e mortes, mas nem isso é bem executado.
Depois de uma competente cena inicial em que o filme dilata o tempo através da montagem, usando planos detalhe para mostrar cada pequeno movimento ou elemento do assassino e do policial, ampliando a tensão de que a violência irá irromper em algum momento, o filme nunca mais exibe essa composição cuidadosa.
O que se segue são mortes que parecem saídas de algum terror ruim da década de 70, que por vezes são tão exageradas que produzem risos, como a mulher perseguida pelo assassino que acaba sendo atropelada por um caminhão, como se ela não pudesse correr para o outro lado da pista. Em outras, como o momento em que o assassino enfia um tubo de metal no pescoço de um padre para beber seu sangue, soam tão pensados pra chocar o espectador que não produzem muito efeito.
Talvez porque o assassino não soa como um personagem bem delineado em suas perversões ou no seu plano. Ele é só um amontoado de clichês envolvendo satanismo, heavy metal ou teorias da conspiração. Assim, cenas como a que ele bebe o sangue da vítima não produzem efeito porque não entendemos o lugar disso em seus planos ou em sua psique, como se o roteiro jogasse aquilo em cena só para forçar uma reação do espectador.
Perseguição arrastada
Conforme a trama progride a coisa degringola para ainda mais absurdos. É difícil aderir a Jane pelas várias decisões estúpidas dela, tipo tentar usar o próprio carro para bloquear a fuga do assassino, o que obviamente resulta no assassino bater no carro dela, o carro sair da pista e ela não ter condições de persegui-lo. O clímax é igualmente ridículo conforme o assassino entra em uma usina nuclear para causar uma catástrofe atômica e consegue chegar sozinho na sala de controle porque a única medida de segurança que o lugar tem são alarmes e seguranças armados. É difícil crer que depois do alarme soado não haveria um sistema para trancar a sala de controle e impedir invasores de entrar.
Não ajuda que todo esse jogo de
gato e rato seja completamente desprovido de qualquer senso de tensão ou de
urgência, fazendo seus curtos noventa minutos parecer durarem muito mais. Há
também inconsistências estéticas. O filme tenta evocar o espírito e iconografia
do pânico satânico da década de 70 e assassinos como os da família Manson ou o
Zodíaco, inclusive com uma estética que tenta emular a névoa e sombras do filme
homônimo de David Fincher, mas situa toda a história na contemporaneidade,
fazendo os modos de agir do assassino e seus planos soarem anacrônicos com os
dias atuais. A impressão é que o filme tem uma série de propostas que nunca se
encaixam umas nas outras nem formam um todo coeso.
Nota: 2/10
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