Reino dos Supermen
Depois da crise com Brainiac, Clark e Kara agora trabalham juntos como heróis. Com a população do seu lado, Clark começa a pensar em seu futuro com Lois, mas a perspectiva de casar faz a jornalista pensar sobre os planos que tinha para o futuro e para sua carreira. Enquanto isso, Lex pensa em novas maneiras de fazer o público temer o Superman. Sua ideia é criar seu próprio herói e para isso recorre ao militar Hank Henshaw que foi gravemente ferido no confronto com Brainiac. Luthor transforma Henshaw em um Superman ciborgue, mas tem dificuldade de mantê-lo sob controle.
Considerando o tanto de vezes que a história da morte e retorno do Superman foi contada, me surpreendo em como a série consegue trazer jogar com nossas expectativas e fazer uma leitura própria disso, sem perder a essência dos personagens. Henshaw é um megalomaníaco instável que deseja mostrar seu valor ao mundo. Quando percebe que nunca será admirado como o Superman, se contenta em ver o mundo queimar. O Superboy aqui não é um clone jovem como na saga dos anos 90, mas um Jon Kent vindo do futuro para tentar impedir que Henshaw destrua o mundo. No entanto, ainda é um garoto intempestivo e inexperiente que tenta compensar suas inseguranças projetando uma confiança excessiva.
A escolha por uma morte simbólica para o Superman ao invés de uma literal é uma maneira interessante de tentar trazer algo novo para esse arco e explorar quem Clark é de fato quando separado de sua faceta de Superman. Se, por um lado, ele continua sendo o sujeito bondoso, capaz de se arriscar pelos outros, por outro ele se sente inútil por não poder ajudar Kara e os demais a lidar com as ameaças que surgem, fazendo Clark pensar que seu valor reside em seus poderes e não em seu caráter.
O arco do personagem é justamente o de entender de onde vem sua força, principalmente nos dois últimos episódios da temporada em que é testado pelos robôs da Fortaleza da Solidão e aprende mais sobre o passado de Krypton. Se sua raça era composta de conquistadores que usavam a força, Clark se recusa a ser cruel com outras espécies e mostra aos robôs como compaixão e empatia também são uma forma de demonstrar força.
Relações instáveis
Enquanto isso a presença de Jon e Lara, filhos de Lois e Clark vindos do futuro, faz Lois confrontar seus temores sobre como será sua vida com Clark, se ela será uma mãe e como sua relação complicada com o próprio pai impactaria na relação com os filhos. Navegando em sua aproximação com Jon e Kara, Lois percebe como ela pode sim cuidar da própria família mesmo não sendo uma pessoa perfeita.
A relação entre Kara e Jimmy segue uma lógica de comédia romântica, com os dois obviamente nutrindo sentimentos pelo outro, mas nunca falando isso explicitamente. É bonitinho e engraçado, só que ao longo da temporada isso se estende em uma série de mal entendidos que seriam facilmente resolvidos se os dois conversassem, o que obviamente não acontece. Tudo soa como algo forçado para estender a tensão se eles vão ou não ficar juntos, um erro que a série não cometeu com Lois e Clark. Isso vai até o último episódio quando parece que eles vão se acertar e novamente regridem ao status de serem só amigos. Mais uma temporada desse conflito “será que vão?” só vai estagnar esses personagens e eu espero que uma quarta temporada não estenda isso por muito mais.
Felizmente Kara tem outras coisas para fazer ao longo da temporada, em especial de tentar construir uma conexão com o nosso planeta e de sair da programação rígida imposta por Brainiac. Tanto sua relação com Jimmy e o início de uma amizade com Lois a ajudam a entender mais nosso planeta. A aproximação com os sobrinhos vindos do futuro ajuda Kara a entender a importância de lutar por quem se ama e Kara protagoniza algumas das melhores cenas de luta da temporada ao liberar todo seu poder para proteger os sobrinhos. Jimmy tem momentos divertidos ao longo da temporada, em especial no terceiro episódio, que brinca bastante com os vários poderes que ele já teve ao longo das décadas de quadrinhos.
A ação segue muito boa em transmitir a escala de poder de figuras como Clark, Kara, Henshaw e o Erradicador, usando a estética de anime para produzir confrontos que parecem saídos de Dragon Ball e similares. A forma bestial do Erradicador, por exemplo, tem momentos muito parecidos com o Broly no longa animado Dragon Ball Super: Broly (2018) e o modo como o Superman se sobrecarrega de energia na luta contra Henshaw quase o faz parecer um super saiyajin com a energia e eletricidade ao redor. Por outro lado, o desfecho do confronto final do último episódio soa rápido demais um pouco anticlimático. Entendo que a ideia é construir uma oposição entre a compaixão e esperança do Superman e o fato do Erradicador ser movido por ódio e medo contra seus criadores, achando que o extermínio será o que finalmente resolverá suas inseguranças. A narrativa reforça a perspectiva de Clark de que a força deve ser um meio para proteger e ajudar os outros, não o de intimidar e oprimir, mas o herói derrota o inimigo tão rápido que mal há tempo para construir esse drama e oposição de filosofia entre os dois.
Assim, a terceira temporada de Minhas Aventuras com o Superman entrega uma
interessante releitura do arco da morte do Superman e deixa desdobramentos
instigantes para uma possível quarta temporada.
Nota: 7/10
Trailer


Nenhum comentário:
Postar um comentário