Rindo do terror
A trama satiriza filmes de terror como o quinto e o sexto Pânico, o reboot de Halloween e produções recentes como Corra! (2017), os dois Sorria ou A Hora do Mal (2025). Um novo assassino Ghostface volta a aterrorizar a cidade na qual Cindy (Anna Faris) vive, agora tendo como alvo sua filha, Sara (Olivia Rose Keegan). Tendo passado os últimos anos reclusa, temendo o retorno do assassino Cindy volta à ação e se reúne com antigos aliados como Brenda (Regina Hall) e Shorty (Marlon Wayans).
O fiapo de roteiro serve como desculpa para uma série de cenas que satirizam diversos filmes de terror. Eu sei que coerência não é algo que a gente busca nesse tipo de comédia besteirol, mas eu espero ao menos uma narrativa com o mínimo de coesão. Não é exatamente o que acontece aqui, personagens são inseridos e depois uma cena ou duas morrem sem qualquer repercussão ou são completamente esquecidos. A impressão é que estamos vendo uma série de esquetes soltos e não uma trama única.
Felizmente a produção consegue entregar bons momentos de humor, seja quando satiriza filmes de terror, como a cena de abertura que traz Teyana Taylor (de Uma Batalha Após a Outra) em uma paródia da abertura de Pânico 6 (2026) ou no puro humor físico, como o hábito de Cindy em bater em qualquer um que sorria para ela ou a cena em que Sara visita a irmã no hospital e se envolve em várias confusões tentando mexer na cama dela.
Por outro lado, a tentativa de citar vários filmes de terror recentes muitas vezes descamba para piadas cuja graça parece ser apenas a de reconhecer a referência, não fazendo nada de muito criativo com o material satirizado, a exemplo das paródias a A Hora do Mal ou Pecadores (2025). As tentativas de comentário contemporâneo são igualmente irregulares. Funciona em alguns casos, como as cenas em que Shorty satiriza o universo de influencers e streamers, mas em outros momentos em que tenta desafiar o “politicamente incorreto”, como na cena do metrô, o filme demonstra não ter muito a dizer e parece estar fazendo aquilo só pela controvérsia.
Nostalgia ambivalente
A produção também sofre do mesmo problema de muitos reboots e continuações tardias dos últimos anos, que é se apoiar demais na nostalgia do espectador. Personagens dos filmes anteriores são inseridos apenas para despertar nossa memória deles, mas sem fazer nada de interessante com eles. Greg (Lochlyn Munro) do primeiro filme volta aqui apenas para referenciar as mesmas piadas de pênis pequeno do filme original ao ponto que me pergunto se essas piadas vão funcionar em que não viu o primeiro. O mordomo com a mão deformada vivido por Chris Elliott no segundo filme faz uma ponta em uma cena que parodia Longlegs (2024), cuja graça é apenas referenciar esse filme e esse personagem. Do mesmo modo, a sequência que parodia A Substância (2024) existe só para referenciar As Branquelas (2004).
Por outro lado, o clímax sabe
utilizar muito bem a memória e o apego aos personagens originais em um desfecho
no qual a revelação dos assassinos não apenas satiriza o modo como Hollywood
lida com franquias longevas, substituindo atores e criadores importantes quando
é conveniente, como também serve para que os Wayans façam piada com a situação
de terem sido ejetados da própria franquia e façam sua devida revanche contra a
indústria ao tomar tudo de volta. É o tipo de caos metalinguístico que teria
elevado o restante do filme se em vários momentos o texto não optasse por um
humor mais previsível.
Nota: 5/10
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