quarta-feira, 22 de julho de 2026

Crítica – A Incrível Eleanor

 

Análise Crítica – A Incrível Eleanor

Review – A Incrível Eleanor
Dirigido por Scarlett Johansson, A Incrível Eleanor explora o impacto do luto em diferentes gerações ao mesmo tempo em que analisa como certas feridas nunca fecham e a importância da memória ao ponderar sobre o Holocausto e a importância de ouvir seus sobreviventes. Nem sempre todas as ideias são bem amarradas, mas a produção tem sentimento o bastante para cativar.

O peso da solidão

A narrativa acompanha a viúva nonagenária Eleanor (June Squibb), que há mais de uma década mora com a melhor amiga Bessie (Rita Zohar) desde que ambas se tornaram viúvas. Quando Bessie morre, Eleanor vai temporariamente morar com a filha, Lisa (Jessica Hecht), enquanto pensa em novos arranjos para si. Como a filha e o neto não tem muito tempo para ela, Eleanor decide frequentar um centro de cultura judaica e acidentalmente entra para um grupo de apoio aos sobreviventes do Holocausto. Com vergonha de admitir seu erro Eleanor conta a história de sobrevivência de Bessie como se fosse dela, comovendo a todos, sem perceber que a sessão estava sendo acompanhada pela estudante de jornalismo Nina (Erin Kellyman), que aborda Eleanor para escrever uma reportagem a seu respeito. Como se sente sozinha, Eleanor aceita conversar com Nina.

Nos momentos em que Eleanor narra a história de Bessie, a montagem corta para flashbacks entre a protagonista e a amiga na qual Eleanor ouve Bessie narrar sua história. Deste modo, nós temos acesso a essa história pela própria voz de Bessie ao invés de filtrada por Eleanor, como se a trama quisesse deixar claro que essa é a história de Bessie e que Eleanor está sendo fiel a ela. Também é um modo de transmitir que a voz de Bessie está sendo reverberada e não silenciada por Eleanor em prol da sua própria voz.

Com o tempo Eleanor e Nina se conectam por conta do isolamento que ambas sentem. Nina pela perda da mãe, que a alienou dos amigos e também do pai, Roger (Chiwetel Ejiofor), e Eleanor pela solidão proveniente da idade e também a perda de Bessie. Squibb é ótima como Eleanor, uma senhora com algumas limitações, mas plenamente lúcida e capaz de lidar com seu próprio cotidiano, nunca sendo reduzida a uma idosa frágil. Erin Kellyman, por sua vez, faz Nina alguém em busca de si mesma e dos pais. Sua reportagem é um meio de se aproximar da herança judaica da mãe, como uma forma de entendê-la melhor, enquanto seu curso de jornalismo é uma tentativa de se aproximar do pai e obter a aprovação dela.

Juntas elas formam uma conexão emocional bem genuína, fruto da química entre as duas atrizes. É esse afeto que nos mantém interessados, mesmo quando a trama se torna previsível, já que é óbvio que a mentira de Eleanor será descoberta e a conversa entre Eleanor e o rabino sobre a história de Esaú e Jacó mastiga sem muita sutileza o tema central do filme e como esse conflito será resolvido. Além disso, alguns elementos, como a relação entre Eleanor e a filha, não são tão bem desenvolvidos quanto o resto, com a eventual catarse entre Eleanor e Lisa não tendo o mesmo impacto que o de outras relações, como Nina e Eleanor ou Nina e o pai.

Ainda assim, o carisma da dupla principal é o suficiente para nos manter investidos na jornada emocional de suas personagens, fazendo de A Incrível Eleanor uma tocante reflexão sobre luto e solidão.

 

Nota: 6/10

Trailer

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