Conexões humanas
Simon (Brett Goldstein) e Laura (Imogen Poots) são amigos há muito tempo e a tensão amorosa entre eles é tão evidente que as pessoas próximas se surpreendem que eles nunca se relacionaram. Laura pensa em se submeter a um famoso teste de compatibilidade que promete encontrar sua alma gêmea, mas Simon não acredita nesse tipo de coisa. Ao passar pelo processo Laura conhece Lukas (Steven Cree), um sujeito que parece ter tudo que ela espera, oferecendo um relacionamento tranquilo, seguro, mas sem a abertura que ela tem com Simon. Quando o pai de Laura morre é Simon quem a consola e os dois acabam dormindo juntos, iniciando um caso que se estende por anos.
Goldstein e Poots são muito bons em trazer a naturalidade das conversas entre Simon e Laura, convencendo de que são amigos de longa data e conhecem bem o jeito de ser do outro. É visível o desejo e a conexão entre eles e o quanto isso é afetado pelas escolhas que ambos fazem. Se inicialmente eles se contentam em manter a relação como um caso às escondidas, se encontrando quando é possível, conforme o tempo passa, eles começam a ressentir um ao outro pelas vidas incompletas que levam. Simon por ter que se contentar com o pouco tempo que ficam juntos e Laura por ter que mentir para o marido e a filha.
De certa forma é compreensível a preocupação de Laura com a filha e o que um divórcio poderia causar nela, principalmente por conta da experiência que ela tem com o pai (e que Laura tragicamente repete com sua própria família), no entanto, a trama parece passar ao largo de outras razões para ela não abrir mão da família, a de que Lukas seria supostamente sua alma gêmea, alguém perfeitamente selecionado para ela, embora Laura obviamente não o ame da maneira que ama Simon. A discussão sobre a tecnologia ser capaz de apontar o amor verdadeiro de alguém baseado em traços de personalidade compatíveis fica muito subjacente ao drama dos personagens, de modo que esse contexto meio futurista acaba não fazendo muita diferença.
Por outro lado, o filme acerta ao não cair em maniqueísmos para lidar com a questão do caso que os personagens têm. Seria fácil transformar Lukas em um babaca para dar aos protagonistas uma saída fácil, mas o texto prefere dar nuance à situação ao fazer dele um bom marido, bom pai e que valoriza a importância da amizade entre Laura e Simon. Não é à toa que quando ele encontra Simon numa festa e pergunta porque ele está tão sumido, que as mentiras de Simon nos deixam com um gosto amargo, afinal ele e Laura estão mentindo para alguém que parece ser um sujeito decente e não um mané que merece ser traído pela esposa e amigo.
O desenvolvimento da relação
entre Laura e Simon mostra como uma conexão afetiva não é apenas sobre bons
momentos, é compartilhar tudo de si, suas dores, inseguranças, é estar do lado do
outro em seus piores momentos. Tudo é conduzido com bastante sinceridade,
principalmente por conta das performances dos dois protagonistas, que aos
poucos vão compreendendo que o que sentem um pelo outro pode não ser o bastante
para sustentar uma relação que só consegue existir às escondidas. Os constantes
saltos temporais, porém, conferem um caráter episódico à trama, que só consegue
manter a consistência por conta do trabalho da dupla principal.
Nota: 6/10
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