Investigação morna
A jovem Pippa (Emma Myers, de Wandinha) lida com as consequências da temporada anterior conforme o julgamento do estuprador Max (Henry Ashton) está prestes a começar. Ao mesmo tempo, surge um novo mistério quando Jamie (Eden H. Davies), um garoto local, desaparece. De início Pippa desconfia que isso pode estar conectado com o julgamento de Max, que parece disposto a qualquer coisa para evitar a condenação, mas quanto mais investiga, mais descobre outras tramas em jogo.
Novamente é uma história de mistério bem típica, com um crime perturbando uma pequena cidade de interior e a investigação mostrando como os seus habitantes escondem segredos ocultos. Considerando que essa é a segunda temporada, a quantidade de segredos sombrios para uma cidade tão pequena começa a ficar grande demais e eu espero que tentem algo novo caso tenha um segundo ano.
Como na primeira temporada, falta intriga e tensão para realmente envolver. Tudo é muito protocolar, muito burocrático, como se a série entendesse o básico de como narrativas investigativas se estruturam, mas não como usar esses elementos para prender nossa atenção. Como no ano anterior, tudo carece de intriga, de senso de urgência. Mesmo que dessa vez a trama seja uma corrida contra o tempo para encontrar o garoto desaparecido, não sentimos a tensão de tempo se esgotando, por mais que os diálogos comuniquem isso. Só nos dois últimos episódios (algo que também aconteceu na primeira temporada) é que esse senso de urgência se manifesta.
Mesmo os dramas entre os personagens não conseguem envolver. É tão óbvio que Pippa e Ravi (Zain Iqbal) vão ficar juntos, que quando isso acontece não desperta nenhuma reação. A temporada tenta criar um conflito entre a protagonista e a amiga Cara (Asha Banks), por conta das consequências que a investigação de Pippa na primeira temporada teve sobre a família da amiga, mas todo o aparente ressentimento de Cara é facilmente resolvido com um “foi mal, tava doidona” no último episódio. Ao menos esse segundo ano explora mais o trauma de Pippa por conta da violência sexual que sofreu, algo que a temporada de estreia passou por cima.
Não ajuda que a trama do julgamento tenha alguns eventos pouco convincentes, como a defesa de Max estabelecendo que a gravação que Pippa fez de Max confessando pode não ser verdadeira sendo que um arquivo digital de áudio pode ser periciado para demonstrar se houve manipulação ou não. Do mesmo modo, é estranho que Max possa circular livremente pela cidade falando com as testemunhas de acusação do caso dele e não haja qualquer movimento para tratar isso como coerção do curso do processo e intimidação de testemunhas, ainda mais numa cidade pequena em que todo mundo vê o movimento de todo mundo.
A impressão é que a série parece um daqueles produtos de streaming pensados para ser dado play enquanto as pessoas mexem no celular. Algo que parece e tem os ingredientes familiares de gêneros narrativos que você gosta, sem conseguir ir além de uma regurgitação mecânica desses elementos. Com isso, a segunda temporada de Manual de Assassinato Para Boas Garotas entrega mais uma trama investigativa genérica, com muito pouco para nos manter interessados.
Nota: 4/10
Trailer


Nenhum comentário:
Postar um comentário