quarta-feira, 29 de julho de 2026

Drops – The Dink: A Última Chance

 

Análise Crítica– The Dink: A Última Chance

Review – The Dink: A Última Chance
Produzido por Ben Stiller, este The Dink: A Última Chance me lembrou outra comédia da produtora dele: Com a Bola Toda (2004). Ambos são filmes sobre sujeitos fracassados que buscam uma chance de redenção ao competirem em um esporte meio tosco. As comparações, no entanto, param aí. Se Com a Bola Toda tem cenas memoráveis e diálogos que até hoje são usados como memes, The Dink está longe de oferecer algo tão bacana.

Bolas em jogo

A trama é protagonizada Dustin (Jake Johnson) um jogador de tênis que era promissor na juventude, mas uma lesão acabou com seus prospectos. Hoje ele trabalha como instrutor em um clube de tênis gerenciado por seu pai, Chuck (Ed Harris), que até hoje o trata como uma decepção. O tênis vem perdendo espaço no clube para jogadores de pickleball, algo que Chuck vê como decadência. Dustin resolve ajudar o pai a expulsar os jogadores de pickleball do clube, mas logo se aproxima de alguns deles, como Candace (Mary Steenburgen).

É o típico arco do sujeito frustrado que se junta a um grupo de desajustados para provar o próprio valor. O problema aqui é que Dustin é um babaca. Claro, um personagem precisa de defeitos para passar por algum aprendizado e construir um arco dramático, mas Dustin não tem qualquer característica positiva além do seu talento em tênis. Se em Com a Bola Toda o protagonista vivido por Vince Vaughn de fato se preocupava com os membros de sua academia a despeito de outras falhas que ele tinha, aqui Dustin não tem nada com o qual possamos nos relacionar.

Mesmo sua amizade com as senhoras que jogam pickleball vem mais pelo modo como elas suprem a carência e desejo de validação dele do que de uma vontade dele em ajudá-las. Até na cena em que ele ajuda Candace com o ex-marido dela, Mitch (Martin Kove, de Cobra Kai), é por estar interessado em se envolver com Candace e não por amizade ou lealdade. Apesar de Jake Johnson ser habitualmente capaz de construir personagens carismáticos, aqui o texto torna difícil se importar com Dustin. As tentativas de construir um drama mais sério ao revelar os motivos reais da lesão dele não funcionam porque destoa do tom de comédia besteirol desenvolvido até então e pelo protagonista não conseguir nossa simpatia.

A esse protagonista insuportável, se soma um texto que raramente oferece algo engraçado, como a defesa que o personagem de Patton Oswalt faz do pickleball em uma reunião, ou a presença de Joe McEnroe durante o jogo final. Como de costume nesse tipo de comédia tudo se resolve muito fácil e rápido no final, com Chuck mudando de atitude em relação ao filho e ao pickleball quase que instantaneamente quando Dustin vence.

Desperdiçando um elenco cheio de nomes experientes e talentosos, The Dink: A Última Chance é uma comédia sem graça, clichê e com um protagonista sem carisma.

 

Nota: 4/10


Trailer

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