segunda-feira, 13 de julho de 2026

Crítica – The Legend of Vox Machina: Quarta Temporada

 

Análise Crítica – The Legend of Vox Machina: Quarta Temporada

Review – The Legend of Vox Machina: Quarta Temporada
Quando escrevi sobre a terceira temporada de The Legend of Vox Machina, mencionei que estava apreensivo com a continuidade da série considerando o quanto o terceiro ano terminou bem. Sim, haviam pontas soltas a serem exploradas, mas a temporada oferecia um desfecho tão bom que continuar poderia estragar tudo que tinha sido feito até então. Felizmente não é isso que acontece e a quarta temporada de The Legend of Vox Machina é, talvez, a melhor da série até aqui.

Bando a parte

A temporada começa um ano depois da aventura anterior. O Vox Machina se dissolveu, com Vex e Percy vivendo juntos, Scanlan indo ficar com a filha e Vax e Keyleth navegam pelos mares. Apenas Pike e Grog seguem como aventureiros. Os dois são abordados pelo atrapalhado nobre Taryon Darrington, que sonha em ser um grande aventureiro e os coloca em rota de colisão com o sinistro culto do Nome Sussurrado, que visa transformar em deus um necromante que foi selado pelos deuses. Os demais membros do grupo também enfrentam o culto e logo percebem que precisam se reunir para lidar com a ameaça.

Os primeiros episódios contextualizam o estado dos personagens depois de um ano. Com Vex entediada com a banalidade da vida de nobre ao lado de Percy, Vax afligido por uma misteriosa praga que parece ser fruto de seu pacto com a Mãe dos Corvos e Keyleth tentando completar seu treinamento para se tornar líder de seu povo. Como nas temporadas anteriores, a trama acerta em desenvolver as conexões entre esses personagens e encontrar o comum em meio a tantas coisas extraordinárias que eles são capazes de fazer.

Ainda que sejam heróis, eles amam, eles temem, sentem ciúmes e vemos como esses sentimentos impactam essas ações para o bem e para o mal. Há em cada um deles uma vulnerabilidade bastante humana, seja no modo como Scanlan rejeita os antigos companheiros por achar que eles só se aproximaram dele por interesse, como Keyleth está disposta a qualquer sacrifício para curar Vax da praga ou como as várias perdas que Pike sofreu se acumulam ao ponto em que a clériga se deixa guiar por suas mágoas e se coloca em rota de colisão com os aliados. Até mesmo o novato Taryon tem espaço para se desenvolver em uma figura interessante, aos poucos demonstrando seu valor para a equipe por conta de seu conhecimento de joias mágicas e encontrando a própria coragem diante das adversidades.

Campanha épica

A temporada amplia o escopo da aventura, com a equipe indo de enfrentar dragões ancestrais para impedirem a ascensão de um deus que passou séculos manipulando eventos nos bastidores do reino. Campanhas em níveis altos são difíceis de manejar por conta do nível de poder dos personagens, mas a série consegue amarrar de maneira coerente os limites dos heróis e as capacidades dos vilões de modo que os obstáculos nunca soam arbitrários.

Como de costume, a série é criativa no modo como os personagens usam suas habilidades e no senso de improviso presente em sessões de RPG de mesa, com momentos que dão a sensação de instantes em que os jogadores fizeram besteira e precisaram se virar com o que tinham, como no episódio em que eles invadem uma biblioteca antiga e Grog acidentalmente bebe a poção de inteligência destinada a Pike, obrigando o bárbaro e a clériga a trocarem de lugar no plano que tinham feito.

A narrativa dá o senso de poder do inimigo ao impor várias perdas aos heróis, seja Keyleth com o pai ou Pike com o avô, deixando evidente que mesmo diante de todo o progresso que o Vox Machina fez ainda existem ameaças que estão acima deles. Há um senso de que ninguém está seguro e que qualquer um pode morrer que amplia a urgência e o senso de perigo dos embates. Sim, eu sei que em cenários de magia como esse a morte é sempre reversível, mas a trama é tão eficiente em nos conectar a esses personagens que sentimos cada morte e o perigo de cada luta, mesmo sabendo que é possível alguém voltar.

É justamente por conta do cuidado em nos fazer entender o que move cada um deles que sentimos o que está em jogo e os motivos deles para as escolhas que tomam, mesmo quando soam extremas, a exemplo da decisão de Pike em colaborar com o vilão. As performances vocais dos dubladores contribuem para dar o devido peso emocional a essas ações, o trabalho de Ashley Jonhson, por exemplo, nos faz sentir a mágoa e dor que movem Pike e como isso a deixa disposta a qualquer coisa para tentar parar de sentir assim.

O desfecho surpreende ao puxar o tapete dos heróis no último momento, mostrando que matar um deus não é tão fácil quanto parece, testando os limites da lealdade que eles tem um pelo outro e deixando um instigante gancho para o quinto ano. Com uma aventura épica, a quarta temporada de The Legend of Vox Machina leva seus personagens ao limite sem esquecer de amadurecer seus heróis e explorar suas conexões emocionais.

 

Nota: 9/10


Trailer


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