Seita sinistra
A trama coloca Neagley (Maria Sten) para investigar a morte de um amigo de infância que se jogou na frente de um trem. A polícia trata o caso como suicídio ou como acidente, já que o morto tinha muitas drogas psicotrópicas no corpo. Neagley, no entanto, desconfia dessa versão e resolve investigar os últimos dias do amigo, descobrindo que ele estava há meses dentro de uma seita que vivia em uma fazenda remota controlada por Lawrence Cole (Damon Harriman). Ao tentar investigar a seita, ela é alvo de um ataque na estrada, mas sobrevive, confirmando o palpite de que a seita esconde algo. Agora ela e o policial Riley (Greyston Holt) precisam resolver o caso.
Se Reacher operava mais nas sombras, tentando evitar qualquer conexão mais oficial com as autoridades, Neagley coopera mais abertamente com a polícia por conta de seu registro como detetive particular. Isso não significa, no entanto, que ela confie completamente na polícia, já que ela e Riley têm motivos para desconfiar de uma conspiração que se estende para além da seita. Como em Reacher é uma narrativa que segue aquilo que se espera de uma trama investigativa, conduzindo bem o mistério e o senso de paranoia, conforme os adversários constantemente tentam deter Neagley por diferentes meios.
A ação mostra a habilidade e engenhosidade de Neagley, mostrando como ela consegue reagir aos inimigos e até reverter situações de desvantagem, como na perseguição de carros no primeiro episódio em que ela manobra para se colocar atrás do veículo que a persegue. O inimigos se mostram capazes de lidar com ela, a exemplo da sequência em que ela persegue um atirador por vários telhados, progredindo com cuidado por ver que está diante de alguém capaz.
Equipe investigativa
A série acerta ao construir razões compreensíveis para que esses personagens colaborem e se conectem, como o fato de Riley ter uma amiga de infância com a mesma fobia de ser tocada que Neagley tem ou o fato do jovem Keno (Jasper Jones) lembrar Renee (Adaline Rudolph, a Kitana de Mortal Kombat 2) de seu irmão desaparecido. A narrativa explora o passado de Neagley e tenta entender de onde vem sua fobia, fazendo um bom trabalho em amarrar o passado dela com o do amigo falecido, nos fazendo entender a conexão entre eles, porque ela se arriscaria tanto por ele e o motivo dele ter se envolvido com uma seita.
Os vilões, por outro lado, são menos interessantes. O executivo Pierce (Matthew Del Negro) é só um engravatado inescrupuloso genérico. Damon Harriman é um casting meio óbvio para um líder de seita considerando que ele foi o Charles Manson em Era Uma Vez em Hollywood (2019) do Tarantino. Sim, ele traz a megalomania, covardia e instabilidade de um líder de seita de maneira convincente, mas não faz nada que já não tenha feito antes. A escolha de sugerir um envolvimento amoroso entre Renee e Keno ao colocar Renee para dar um beijo na boca dele é um pouco esquisita considerando que até então a conexão deles era porque o jovem a lembrava do irmão sumido e não há nada que justifique a passagem disso para outro tipo de sentimento.
O clímax com a invasão da fazenda e um confronto direto entre o grupo de Neagley e os mercenários da empresa farmacêutica que conduzia experimentos no local traz mais sequências de ação bem executadas conforme os personagens se esforçam para sobreviverem a inimigos mais numerosos e melhor equipados. É um desfecho que cumpre a promessa de ação explosiva ao mesmo tempo em que dá um final satisfatório ao mistério principal, amarrando os vários fios narrativos apresentados.
A primeira temporada de Neagley: Detetive Particular é como a
série que a originou, uma trama investigativa dentro do que se espera do
gênero, mas bem conduzida o suficiente para nos manter interessados.
Nota: 7/10
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