Corrida pela vida
A narrativa é protagonizada por Hank (Alan Ritchson, de Reacher) um ex-militar dos Estados Unidos que agora mora na Austrália depois de uma tragédia pessoal. Trabalhando como mensageiro, ele recebe a tarefa de levar um órgão para transplante do aeroporto até o hospitall. O órgão é acompanhado pelo especialista Bishop (Owen Wilson), um sujeito falastrão e boa praça que não é bem visto pelo sisudo Hank. O material vai para uma garotinha de sangue raro, com poucos outros órgãos que seriam compatíveis com ela. A raridade do material, no entanto, coloca Hank e Bishop no alvo de Damian (Rodrigo Santoro), que quer roubar o órgão para que seja usado na líder de um cartel de drogas. Agora Hank e Bishop precisam correr para sobreviver.
De início parece que vai ser uma comédia de ação estilo Máquina Mortifera, com dois sujeitos de personalidades opostas e que não exatamente se gostam sendo forçados a cooperar, mas conforme o filme engrena a comédia fica mais em segundo plano e a ação se torna mais o foco. Nenhum dos dois protagonistas é exatamente complexo, com Hank sendo o típico ex-militar tentando superar um trauma, com Ritchson o interpretando como uma versão mais pesarosa de seu Jack Reacher enquanto que Owen Wilson usa a sua persona de sempre em Bishop.
Damian é o clichê do assassino a serviço do cartel, com Rodrigo Santoro ao menos conseguindo dar alguma gravidade ao personagem e conferindo uma dose de instabilidade a ele, trazendo algum tempero a um personagem que, de outro modo, seria um antagonista bem esquecível. É esquisito, no entanto, o fato de Damian ser herdeiro de um cartel colombiano e, ainda assim, Santoro fale em português como se o personagem fosse brasileiro.
Dando sangue pelo trabalho
A trama tem lá suas conveniências, como o fato de que durante a perseguição inicial, Damian cause destruição e dispare armas de fogo no centro de uma grande cidade e ainda assim ninguém chame a polícia. Por outro lado, sempre que pensei que as coisas iam para um lado muito previsível, como a identidade da pessoa do hospital vazando informações para o vilão, o filme consegue nos pegar desprevenidos
A ação surpreende pela brutalidade, com Hank quebrando pernas, estourando cabeças e algumas mortes criativas em sua sanguinolência, como o momento em que Hank usa um assento de bicicleta para atravessar o pescoço de um inimigo ou quando ele esfrega a cara de um adversário no pneu de um carro em movimento. A ação também é valorizada pelos planos mais longos, que deixam a pancadaria transcorrer com poucos cortes, evidenciando a habilidade de Hank. O mesmo acontece nas perseguições, em especial na perseguição final, que tenta emular um plano-sequência conforme a câmera se movimenta para dentro e fora dos carros, usando computação gráfica para mascarar os cortes, dando um senso de unidade e coesão a todo o caos veicular.
Apesar de ser um herói capaz, a trama evidencia como Hank não é invencível, colocando ele para se machucar e deteriorando seu estado físico de modo que começamos a duvidar se ele e Bishop irão sobreviver aos inimigos. Isso contribui para ampliar o senso de perigo para além da corrida contra o tempo de chegar no hospital antes que o órgão para transplante expire. Nesse sentido, fico surpreso de que nem tudo acabe completamente bem, mostrando que há um custo pelas ações dos protagonistas e que é difícil todo mundo sair ileso diante de ameaças tão numerosas.
Fui assistir Três Horas Para Viver sem esperar muita coisa e me surpreendi com o
quanto ele é bacana por conta do senso de tensão e ação bem conduzida.
Nota: 7/10
Trailer


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