Braçadas bruscas
A narrativa se passa no interior do Rio de Janeiro na década de 90. Lola (Mel Maia) é uma jovem nadadora que vai passar as férias na casa de um tio. Chegando lá descobre que o tio teve que viajar e decide ficar sozinha na casa dele por conta da relação complicada que tem com a mãe (Mariana Lima). Ela acaba se apaixonando por um garoto local e entra para o combalido time de natação da cidade, mas ao começar a aprender nado borboleta para uma competição, ela desbloqueia memórias de infância com o pai com quem nunca teve contato.
Mel Maia faz de Lola uma jovem marcada pela ausência do pai e cuja relação com mãe erodiu com o tempo por ela desconfiar que a mãe esconde alguma coisa dela sobre o que aconteceu com o pai. Maia também dá a Lola aquela petulância adolescente de agir como se tivesse maturidade para ser capaz de lidar com qualquer problema, mas claramente não tem.
A produção capta bem um espírito do que era a adolescência nos anos 90 e olha com certo afeto para essa juventude pré era digital, sem redes sociais ou internet, no qual o mundo parecia bem menor e nossa cidade ou grupo de convivência soava como um universo inteiro. Há uma sinceridade e doçura no romance entre Lola e o garoto com quem ela se envolve durante as férias, mérito da química entre Mel Maia e Guthierry Sotero e do texto que brinca com as convenções de romances adolescentes hollywoodianos.
Águas turbulentas
Por outro lado, qualquer outro personagem além de Lola soa unidimensional e parece existir apenas para mover a narrativa dela. O garoto com quem ela namora está ali meramente para ser seu par romântico, a líder do time de natação em que Lola entra não tem uma motivação construída para detestá-la, fazendo isso mais por uma necessidade de roteiro do que por um desenvolvimento orgânico da personagem.
Do mesmo durante boa parte do filme a mãe da protagonista soa como uma vilã, ainda que claramente essa não seja a intenção. O filme tenta conceber a mãe como uma mulher cansada e sobrecarregada pelo trabalho de criar uma filha, ter um emprego e gerir uma casa completamente sozinha. O problema é que ela aparece tão pouco e suas interações iniciais com Lola consistem basicamente dela agir como se estivesse ocupada demais para prestar atenção na filha, fazendo ela soar mais negligente ou desinteressada do que sobrecarregada.
O final ao menos redime a mãe ao mostrar o peso do segredo que ela carregava e o motivo de evitar falar com a filha sobre a ausência do pai, com Mariana Lima sendo bastante eficiente em evocar a dor e arrependimento da personagem. É uma pena que a atriz não seja tão bem aproveitada, já que a relação entre Lola e a mãe acaba se resolvendo muito rápido considerando que ela é um dos elementos centrais da psique da protagonista.
Ainda que sofra com coadjuvantes
unidimensionais que tornam alguns conflitos simples demais, Medley apresenta um arco de
amadurecimento com drama e doçura suficientes para nos conquistar.
Nota: 6/10
Trailer

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