quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Crítica – Medley

 

Análise Crítica – Medley

Review – Medley
Histórias sobre adolescentes em jornadas de amadurecimento são comuns no cinema hollywoodiano, mas no cinema brasileiro esses tipos de produção são menos presentes embora estejam aparecendo mais nos últimos anos. Medley, adaptação de um romance de Keka Reis, é a mais nova produção nacional desse tipo.

Braçadas bruscas

A narrativa se passa no interior do Rio de Janeiro na década de 90. Lola (Mel Maia) é uma jovem nadadora que vai passar as férias na casa de um tio. Chegando lá descobre que o tio teve que viajar e decide ficar sozinha na casa dele por conta da relação complicada que tem com a mãe (Mariana Lima). Ela acaba se apaixonando por um garoto local e entra para o combalido time de natação da cidade, mas ao começar a aprender nado borboleta para uma competição, ela desbloqueia memórias de infância com o pai com quem nunca teve contato.

Mel Maia faz de Lola uma jovem marcada pela ausência do pai e cuja relação com mãe erodiu com o tempo por ela desconfiar que a mãe esconde alguma coisa dela sobre o que aconteceu com o pai. Maia também dá a Lola aquela petulância adolescente de agir como se tivesse maturidade para ser capaz de lidar com qualquer problema, mas claramente não tem.

A produção capta bem um espírito do que era a adolescência nos anos 90 e olha com certo afeto para essa juventude pré era digital, sem redes sociais ou internet, no qual o mundo parecia bem menor e nossa cidade ou grupo de convivência soava como um universo inteiro. Há uma sinceridade e doçura no romance entre Lola e o garoto com quem ela se envolve durante as férias, mérito da química entre Mel Maia e Guthierry Sotero e do texto que brinca com as convenções de romances adolescentes hollywoodianos.

Águas turbulentas

Por outro lado, qualquer outro personagem além de Lola soa unidimensional e parece existir apenas para mover a narrativa dela. O garoto com quem ela namora está ali meramente para ser seu par romântico, a líder do time de natação em que Lola entra não tem uma motivação construída para detestá-la, fazendo isso mais por uma necessidade de roteiro do que por um desenvolvimento orgânico da personagem.

Do mesmo durante boa parte do filme a mãe da protagonista soa como uma vilã, ainda que claramente essa não seja a intenção. O filme tenta conceber a mãe como uma mulher cansada e sobrecarregada pelo trabalho de criar uma filha, ter um emprego e gerir uma casa completamente sozinha. O problema é que ela aparece tão pouco e suas interações iniciais com Lola consistem basicamente dela agir como se estivesse ocupada demais para prestar atenção na filha, fazendo ela soar mais negligente ou desinteressada do que sobrecarregada.

O final ao menos redime a mãe ao mostrar o peso do segredo que ela carregava e o motivo de evitar falar com a filha sobre a ausência do pai, com Mariana Lima sendo bastante eficiente em evocar a dor e arrependimento da personagem. É uma pena que a atriz não seja tão bem aproveitada, já que a relação entre Lola e a mãe acaba se resolvendo muito rápido considerando que ela é um dos elementos centrais da psique da protagonista.

Ainda que sofra com coadjuvantes unidimensionais que tornam alguns conflitos simples demais, Medley apresenta um arco de amadurecimento com drama e doçura suficientes para nos conquistar.

 

Nota: 6/10


Trailer

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